Embalagens

Fabricantes registram avanços, mas as margens encolheram

Jose Paulo Sant Anna
15 de junho de 2018
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    Plástico Moderno, Fabricantes registram avanços, mas as margens encolheram - Embalagens flexíveis

    Plástico Moderno, Moura: consumo de resinas para embalagem continua a crescer

    Moura: consumo de resinas para embalagem continua a crescer

    Os fabricantes de embalagens de plástico flexíveis começam 2018 otimistas, com a expectativa de queda nos juros, inflação estável e crescimento do PIB. Para os representantes desse segmento existe a expectativa do país prosseguir no lento caminho de retomada da economia iniciado no ano passado. A visão positiva ocorre a despeito da realização de eleições, evento responsável pela geração de algum receio da indústria em realizar investimentos e contrair dívidas. “Estamos vendo que o consumo de resinas vem crescendo mesmo com a sequência de reviravoltas na política”, resume Herman Moura, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief).

    Segundo pesquisa realizada pela MaxiQuim para a associação, em 2017 a produção de embalagens flexíveis de resinas poliolefínicas (polietilenos e polipropileno) foi de 1,9 milhão de toneladas. O volume representa um crescimento em torno de 4% na comparação com 2016. Foi o primeiro resultado positivo desde 2014. “Importante salientar que a base de comparação é fraca, 2016 foi um ano em que a indústria brasileira sentiu muito os efeitos da recessão”. A notícia não é tão positiva quanto parece. O faturamento das empresas do ramo ficou na casa dos R$ 20 bilhões, com queda de 7% na comparação com 2016. “O número evidencia uma diminuição das margens dessa indústria”.

    As estimativas são baseadas na demanda doméstica das resinas poliolefínicas e no desempenho dos principais setores demandantes de embalagens flexíveis. A demanda doméstica de resinas em 2017 foi praticamente estável em relação a 2016, já que as importações caíram. A venda interna, por sua vez, apresentou aumento. Em relação aos principais segmentos demandantes de embalagens flexíveis, destacam-se os de alimentos, bebidas, industrial, varejo e agrícola.

    Plástico Moderno, Assunta: indústria nacional está atrasada no conceito 4.0

    Assunta: indústria nacional está atrasada no conceito 4.0

    Todos esses setores apresentaram melhora nos índices de produção industrial em 2017, variando de 1% (alimentos) a 13% (agrícola). Com a crise e o aumento dos índices de desemprego (ou redução da qualidade dos empregos), observa-se uma reorganização do orçamento familiar. Porém, itens da cesta básica como arroz, feijão, macarrão, geralmente apresentam bom desempenho mesmo em tempo de crise, e esses produtos usam em sua maioria embalagens flexíveis.

    A principal matéria prima das embalagens flexíveis é o polietileno linear de baixa densidade (PELBD), que em 2017 representou cerca de 50% do total da produção. Em segundo lugar, PEBD, seguido de PP e por último, PEAD, com cerca de 10% de participação. As exportações se tornaram alternativa para a crise no Brasil. O ano passado foi o primeiro ano da série histórica desse estudo em que o saldo comercial foi positivo, algo próximo das 40 mil toneladas. Em valores, as importações e exportações praticamente se igualaram. “As embalagens flexíveis exportadas em 2017 tiveram preço em dólares 7% inferior ao praticado em 2016. As importadas também tiveram redução de preço, algo próximo dos 15%”.

    Dilema – A indústria nacional de embalagens flexíveis pode ser dividida em três categorias, analisa Assunta Napolitano Camilo, diretora do Instituto de Embalagens, entidade criada em 2005 com o objetivo de promover ensino e pesquisa para as empresas do setor. Poucas, as de primeiro nível contam com estrutura capaz de atuar dentro de padrões de excelência. As intermediárias lutam para entregar o melhor possível, porém seus equipamentos e insumos normalmente não são os mínimos necessários. “As intermediárias têm enormes dificuldades e estão sempre no limite inferior dos padrões”, avalia. Para Assunta, as do terceiro grupo sequer se preocupam em saber quais os requisitos mínimos das embalagens que produzem. “São muitas empresas que precisam de ajuda de toda sorte tecnológica, de gestão, informações técnicas, etc”.

    Plástico Moderno, Azanha: lucro baixo impede investimentos nas linhas

    Azanha: lucro baixo impede investimentos nas linhas

    Esse perfil é visto em clima de grande evolução tecnológica. “Novos materiais e suas possíveis combinações são chaves para o futuro. Estão sendo lançados, por exemplo, filmes de poliéster com óxido de silício ou de alumínio, ou de ambos, que podem substituir laminados de alumínio e conseguem melhor barreira e transparência”. Assunta lembra que há filmes que combinam propriedades do poliéster com poliamidas, filmes que permitem abertura facilitada e rasgo em qualquer direção, entre outras soluções. “Poucos transformadores têm conhecimento destas novidades”.

    Quando o assunto vai para os equipamentos, a situação é similar. A indústria 4.0 tem sido aplicada no mundo inteiro. Já estão disponíveis equipamentos para impressão digital de embalagens flexíveis ou impressão off set. “Estamos defasados. Há movimento tímido em direção a investimento e modernização e o que é pior, pouco interesse por entender o que se precisa mudar. Sem educação, conhecimento e informação, não conseguiremos atingir um padrão adequado”.

    Para Alvaro Azanha, proprietário da consultoria How to Pack, a crise econômica tem levado os fabricantes nacionais a um dilema. “Tornou-se imperativo para o setor controlar custos com mão de ferro. A margem de lucro da indústria está reduzida e os fabricantes não estão conseguindo investir no avanço das suas linhas de produção”.



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