Máquinas e Equipamentos

Fabricantes melhoram resultados com esforço para exportar mais

Jose Paulo Sant Anna
3 de janeiro de 2019
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    É necessário algum cuidado na hora de avaliar os números relativos às exportações. O crescimento de 18% foi fortemente influenciado por três grupos de equipamentos que apresentaram resultados extraordinários em agosto. São eles os de máquinas para petróleo e energia renovável (houve uma grande venda de tubos utilizados em oleodutos e gasodutos), máquinas para bens de consumo (aparelhos e dispositivos para tratamento térmico de matérias) e equipamentos de infraestrutura e indústria de base (aparelhos para filtrar ou depurar líquidos). O grupo de máquinas para a indústria da transformação, no qual se encaixa o de máquinas para o setor do plástico, apresentou resultado negativo de janeiro a agosto, com queda de 10,4% das exportações realizadas em relação ao mesmo período de 2017.

    As importações foram de US$ 9,82 bilhões, com aumento de 18,3% em relação a 2017. No grupo de máquinas para a indústria da transformação, que inclui máquinas para o setor do plástico, o aumento das importações ficou na casa dos 17,2% nos oito primeiros meses do ano. Os países que mais vendem para o Brasil são, pela ordem, China, Estados Unidos e Alemanha. O consumo aparente até agosto alcançou a receita de R$ 66,18 bilhões, com aumento de 10,3%.

    Apesar do bom resultado apresentado pelas importações, Christopher Mendes, diretor responsável pelos equipamentos para a indústria de plástico da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei), não se empolga. “Até abril o ano foi bom, em maio ruim, junho e julho houve melhora e agosto voltou a ser ruim. Não há regularidade no desempenho”, lamenta.

    Para Mendes, o grande problema se concentra na queda da atividade econômica, responsável pelo fato de os clientes atuarem com capacidade ociosa elevada. “Mesmo as empresas que não sofreram muito com a queda nas vendas enfrentam problemas. Elas estão trabalhando com margens de lucro muito reduzidas”. De quebra, o dólar valorizado atrapalha bastante. “Tivemos casos de empresas com negócios praticamente fechados acreditando que o valor do dólar ficaria entre R$ 3,90 e R$ 4,10 que desistiram da compra”.

    Plástico Moderno, Sopradora híbrida modelo BMT 20S/H, da Pavan Zanetti

    Sopradora híbrida modelo BMT 20S/H, da Pavan Zanetti

    Sopradoras e injetoras – O desempenho individual de algumas das mais importantes marcas do mercado ajuda a compreender como o campo de atuação de cada empresa influencia em seus resultados. A Pavan Zanetti, tradicional fabricante nacional de sopradoras e revendedora no Brasil de injetoras produzidas na China, é um exemplo. “As vendas de sopradoras melhoraram 12,5% até julho em relação ao mesmo período do ano passado”, informa Newton Zanetti, diretor comercial.

    A greve dos caminhoneiros deu início à queda no movimento de vendas. “Parece que a eleição indefinida está colaborando para a redução, fechamentos de negócios programados para após julho estão sendo adiados. O segundo semestre não terá o mesmo volume de vendas que o primeiro e teremos que aguardar para ver se esse ano será melhor que 2017”. As empresas fornecedoras de água mineral, produtos de limpeza e alimentos foram as principais responsáveis pelo resultado positivo até julho. Para esses mercados, a empresa oferece a serie Petmatic, com máquinas de até seis litros em PET e de até três cavidades para 2,5 litros. Outro produto com boa saída foi o modelo BMT5.6D/H, série para frascos em PEAD e PP com tecnologia híbrida.

    Ainda no campo das sopradoras, a empresa conta uma novidade. Ela firmou parceria com uma empresa italiana para fabricar sob licença modelos totalmente elétricos. “Eles apresentam tecnologia de última geração, são muito econômicos e amigáveis ao meio ambiente, não usam óleo, somente lubrificação controlada”. Essas máquinas produzem de frascos pequenos até os com volume médio de 30 litros, dependendo da configuração escolhida. O equipamento será apresentado no início do próximo ano.

    No campo das injetoras, as dificuldades enfrentadas pela Pavan Zanetti são maiores. “Devido o aumento do dólar, tivemos redução significativa no volume de negócios”. O grande número de empresas concorrentes no país no setor de injeção atrapalha. “As vendas, no máximo, serão próximas às do ano passado”.

    Há um ano, o concorrido mercado de injetoras de peças plásticas ganhou mais um fabricante nacional. Trata-se da Allpresse, empresa presente no mercado há mais de dez anos como fabricante de injetoras de alumínio que resolveu diversificar sua linha. A empresa oferece o modelo Exata, em três versões: uma dotada com servoválvulas é indicada para operações em que se pretende economia de energia e precisão de movimentos; outra, dotada com acumulador, própria para a produção de peças com paredes finas; e a técnica, para trabalhos de maior precisão. Os tamanhos dos modelos vão de 70 a 500 toneladas de força de fechamento. “O mercado não está muito bom, mas estamos dentro de nossa expectativa de vendas”, informa o diretor comercial Antonio Lopes. Ele destaca a equipe responsável pelo projeto das máquinas. “São profissionais com muita experiência”.



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