Máquinas e Equipamentos

Fabricantes melhoram resultados com esforço para exportar mais

Jose Paulo Sant Anna
3 de janeiro de 2019
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    Plástico Moderno, Mercado de frascos de PET puxa as vendas da Petmatic 7000, da Pavan Zanetti

    Mercado de frascos de PET puxa as vendas da Petmatic 7000, da Pavan Zanetti

    Em 2018, a melhor saída para os fabricantes nacionais de equipamentos, em particular os voltados para a indústria do plástico, tem sido o porto. Não se trata de um convite para eles abandonarem o país, é lógico. A ideia é que eles aproveitem o momento e trabalhem forte para aumentar suas vendas internacionais. Os acontecimentos têm colaborado para tanto. O mercado interno até iniciou o ano com perspectivas de melhora, mas sofreu brusca paralisação a partir de maio, com a greve dos caminhoneiros. Não deve se recuperar até o final do ano, por conta da expectativa dos empresários com o cenário político. O dólar, por sua vez, se valorizou em relação ao real, tornando os produtos brasileiros mais competitivos. Uma preocupação em relação ao mercado externo: a forte crise argentina, grande cliente das fornecedoras brasileiras de máquinas.

    Plástico Moderno, Paulucci: falta crédito para apoiar as máquinas nacionais

    Paulucci: falta crédito para apoiar as máquinas nacionais

    Quem confirma esse cenário é Gino Paulucci Junior, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e presidente da Polimáquinas, empresa fabricante de máquinas de corte e solda para embalagens flexíveis. “Existem dois tipos de empresas, as que exportam e as que não exportam. Quem exporta está vivendo um ano melhor”, resume. Em relação às que trabalham apenas no mercado interno, ele ressalta que o tipo de máquina oferecida e o segmento econômico ao qual é destinada influenciam os resultados. “Não temos informações precisas, mas existe no mercado a sensação de que quem trabalha com máquinas para a produção de embalagens flexíveis está sofrendo menos”, exemplifica.

    O eterno problema da falta de crédito para aquisição de máquinas por aqui não foi resolvido e prejudica o setor. “Existem casos de máquinas estrangeiras chegarem aqui com financiamento mais facilitado na origem”, queixa-se o empresário. Hoje, o pequeno e médio empresário nacional tem o Finame, oferecido pelo BNDES, como única opção de obter financiamento de longo prazo para adquirir um equipamento. Os bancos comerciais não oferecem esse tipo de produto com recursos próprios, apenas repassam as linhas do banco de desenvolvimento.

    Cálculos da Abimaq estimam que a taxa final dos empréstimos do Finame, considerando a taxa base mais a variação da inflação e remuneração da instituição financeira, fique na casa dos 14% a 15% ao ano, incompatível com o retorno proporcionado pelo bem adquirido, calculado pela associação em de 3% a 4%. Em tempo: a falta de crédito também prejudica as exportadoras de equipamentos. Ainda de acordo com a Abimaq, o país é o único do mundo que não oferece de financiamento em prazos compatíveis com a depreciação das máquinas para os compradores internacionais de nossos produtos.

    Panorama econômico à parte, um argumento de venda ajuda os fabricantes. Trata-se do ótimo ganho de produtividade proporcionado pelos equipamentos mais modernos. Para justificar a tese, o dirigente cita o cálculo feito por um cliente argentino da Polimáquinas. “Essa empresa trocou todos os seus equipamentos antigos por novos e o custo do quilo de plástico transformado na sua linha de produção caiu de 15 para 3,27 pesos. Além da economia, ele está conseguindo atender o mercado de forma mais ágil e com produtos de maior qualidade”, resume.

    Números – Não estão disponíveis dados específicos sobre o mercado de máquinas e equipamentos para o setor do plástico. A Abimaq, no entanto, divulga com periodicidade mensal o desempenho do setor como um todo. Os resultados de janeiro a agosto mostram o atual cenário com boa precisão. A receita líquida total do setor no período foi de R$ 49,70 bilhões, valor 5,9% superior ao verificado no mesmo período do ano anterior. “O resultado está dentro das nossas estimativas e deve se manter próximo desse patamar até dezembro. Para 2019, ainda não temos qualquer expectativa de desempenho”, informa José Velloso Dias Cardoso, presidente executivo da associação. Sua torcida é para que o mercado interno melhore.

    A força das exportações nesse resultado é expressiva. A receita obtida com as vendas externas foi de US$ 6,66 bilhões, 18% a mais do que no mesmo período em 2017. Já o mercado interno movimentou R$ 25,58 bilhões, com redução de 7,8%. A desvalorização do real nos últimos meses ajudou. “O câmbio estava defasado e agora se aproximou de seu valor ideal. Acredito que deva permanecer nesse patamar, independente de quem ganhar a eleição”, diz Cardoso. América Latina (com receita de US$ 6,6 bilhões e crescimento de 18%), Estados Unidos (US$ 1,55 bilhão e 9,3%) e Europa (US$ 1,49 bilhão e 39,8%) foram os principais destinos. Apesar do forte aumento de vendas ocorrido na América Latina, a região do Mercosul apresentou aumento de apenas 2,5%, reflexo do que vem ocorrendo na Argentina.



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