Fabricantes melhoram resultados com esforço para exportar mais

Plástico Moderno, Mercado de frascos de PET puxa as vendas da Petmatic 7000, da Pavan Zanetti
Mercado de frascos de PET puxa as vendas da Petmatic 7000, da Pavan Zanetti

Em 2018, a melhor saída para os fabricantes nacionais de equipamentos, em particular os voltados para a indústria do plástico, tem sido o porto. Não se trata de um convite para eles abandonarem o país, é lógico. A ideia é que eles aproveitem o momento e trabalhem forte para aumentar suas vendas internacionais. Os acontecimentos têm colaborado para tanto. O mercado interno até iniciou o ano com perspectivas de melhora, mas sofreu brusca paralisação a partir de maio, com a greve dos caminhoneiros. Não deve se recuperar até o final do ano, por conta da expectativa dos empresários com o cenário político. O dólar, por sua vez, se valorizou em relação ao real, tornando os produtos brasileiros mais competitivos. Uma preocupação em relação ao mercado externo: a forte crise argentina, grande cliente das fornecedoras brasileiras de máquinas.

Plástico Moderno, Paulucci: falta crédito para apoiar as máquinas nacionais
Paulucci: falta crédito para apoiar as máquinas nacionais

Quem confirma esse cenário é Gino Paulucci Junior, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e presidente da Polimáquinas, empresa fabricante de máquinas de corte e solda para embalagens flexíveis. “Existem dois tipos de empresas, as que exportam e as que não exportam. Quem exporta está vivendo um ano melhor”, resume. Em relação às que trabalham apenas no mercado interno, ele ressalta que o tipo de máquina oferecida e o segmento econômico ao qual é destinada influenciam os resultados. “Não temos informações precisas, mas existe no mercado a sensação de que quem trabalha com máquinas para a produção de embalagens flexíveis está sofrendo menos”, exemplifica.

O eterno problema da falta de crédito para aquisição de máquinas por aqui não foi resolvido e prejudica o setor. “Existem casos de máquinas estrangeiras chegarem aqui com financiamento mais facilitado na origem”, queixa-se o empresário. Hoje, o pequeno e médio empresário nacional tem o Finame, oferecido pelo BNDES, como única opção de obter financiamento de longo prazo para adquirir um equipamento. Os bancos comerciais não oferecem esse tipo de produto com recursos próprios, apenas repassam as linhas do banco de desenvolvimento.

Cálculos da Abimaq estimam que a taxa final dos empréstimos do Finame, considerando a taxa base mais a variação da inflação e remuneração da instituição financeira, fique na casa dos 14% a 15% ao ano, incompatível com o retorno proporcionado pelo bem adquirido, calculado pela associação em de 3% a 4%. Em tempo: a falta de crédito também prejudica as exportadoras de equipamentos. Ainda de acordo com a Abimaq, o país é o único do mundo que não oferece de financiamento em prazos compatíveis com a depreciação das máquinas para os compradores internacionais de nossos produtos.

Panorama econômico à parte, um argumento de venda ajuda os fabricantes. Trata-se do ótimo ganho de produtividade proporcionado pelos equipamentos mais modernos. Para justificar a tese, o dirigente cita o cálculo feito por um cliente argentino da Polimáquinas. “Essa empresa trocou todos os seus equipamentos antigos por novos e o custo do quilo de plástico transformado na sua linha de produção caiu de 15 para 3,27 pesos. Além da economia, ele está conseguindo atender o mercado de forma mais ágil e com produtos de maior qualidade”, resume.

Números – Não estão disponíveis dados específicos sobre o mercado de máquinas e equipamentos para o setor do plástico. A Abimaq, no entanto, divulga com periodicidade mensal o desempenho do setor como um todo. Os resultados de janeiro a agosto mostram o atual cenário com boa precisão. A receita líquida total do setor no período foi de R$ 49,70 bilhões, valor 5,9% superior ao verificado no mesmo período do ano anterior. “O resultado está dentro das nossas estimativas e deve se manter próximo desse patamar até dezembro. Para 2019, ainda não temos qualquer expectativa de desempenho”, informa José Velloso Dias Cardoso, presidente executivo da associação. Sua torcida é para que o mercado interno melhore.

A força das exportações nesse resultado é expressiva. A receita obtida com as vendas externas foi de US$ 6,66 bilhões, 18% a mais do que no mesmo período em 2017. Já o mercado interno movimentou R$ 25,58 bilhões, com redução de 7,8%. A desvalorização do real nos últimos meses ajudou. “O câmbio estava defasado e agora se aproximou de seu valor ideal. Acredito que deva permanecer nesse patamar, independente de quem ganhar a eleição”, diz Cardoso. América Latina (com receita de US$ 6,6 bilhões e crescimento de 18%), Estados Unidos (US$ 1,55 bilhão e 9,3%) e Europa (US$ 1,49 bilhão e 39,8%) foram os principais destinos. Apesar do forte aumento de vendas ocorrido na América Latina, a região do Mercosul apresentou aumento de apenas 2,5%, reflexo do que vem ocorrendo na Argentina.É necessário algum cuidado na hora de avaliar os números relativos às exportações. O crescimento de 18% foi fortemente influenciado por três grupos de equipamentos que apresentaram resultados extraordinários em agosto. São eles os de máquinas para petróleo e energia renovável (houve uma grande venda de tubos utilizados em oleodutos e gasodutos), máquinas para bens de consumo (aparelhos e dispositivos para tratamento térmico de matérias) e equipamentos de infraestrutura e indústria de base (aparelhos para filtrar ou depurar líquidos). O grupo de máquinas para a indústria da transformação, no qual se encaixa o de máquinas para o setor do plástico, apresentou resultado negativo de janeiro a agosto, com queda de 10,4% das exportações realizadas em relação ao mesmo período de 2017.

As importações foram de US$ 9,82 bilhões, com aumento de 18,3% em relação a 2017. No grupo de máquinas para a indústria da transformação, que inclui máquinas para o setor do plástico, o aumento das importações ficou na casa dos 17,2% nos oito primeiros meses do ano. Os países que mais vendem para o Brasil são, pela ordem, China, Estados Unidos e Alemanha. O consumo aparente até agosto alcançou a receita de R$ 66,18 bilhões, com aumento de 10,3%.

Apesar do bom resultado apresentado pelas importações, Christopher Mendes, diretor responsável pelos equipamentos para a indústria de plástico da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei), não se empolga. “Até abril o ano foi bom, em maio ruim, junho e julho houve melhora e agosto voltou a ser ruim. Não há regularidade no desempenho”, lamenta.

Para Mendes, o grande problema se concentra na queda da atividade econômica, responsável pelo fato de os clientes atuarem com capacidade ociosa elevada. “Mesmo as empresas que não sofreram muito com a queda nas vendas enfrentam problemas. Elas estão trabalhando com margens de lucro muito reduzidas”. De quebra, o dólar valorizado atrapalha bastante. “Tivemos casos de empresas com negócios praticamente fechados acreditando que o valor do dólar ficaria entre R$ 3,90 e R$ 4,10 que desistiram da compra”.

Plástico Moderno, Sopradora híbrida modelo BMT 20S/H, da Pavan Zanetti
Sopradora híbrida modelo BMT 20S/H, da Pavan Zanetti

Sopradoras e injetoras – O desempenho individual de algumas das mais importantes marcas do mercado ajuda a compreender como o campo de atuação de cada empresa influencia em seus resultados. A Pavan Zanetti, tradicional fabricante nacional de sopradoras e revendedora no Brasil de injetoras produzidas na China, é um exemplo. “As vendas de sopradoras melhoraram 12,5% até julho em relação ao mesmo período do ano passado”, informa Newton Zanetti, diretor comercial.

A greve dos caminhoneiros deu início à queda no movimento de vendas. “Parece que a eleição indefinida está colaborando para a redução, fechamentos de negócios programados para após julho estão sendo adiados. O segundo semestre não terá o mesmo volume de vendas que o primeiro e teremos que aguardar para ver se esse ano será melhor que 2017”. As empresas fornecedoras de água mineral, produtos de limpeza e alimentos foram as principais responsáveis pelo resultado positivo até julho. Para esses mercados, a empresa oferece a serie Petmatic, com máquinas de até seis litros em PET e de até três cavidades para 2,5 litros. Outro produto com boa saída foi o modelo BMT5.6D/H, série para frascos em PEAD e PP com tecnologia híbrida.

Ainda no campo das sopradoras, a empresa conta uma novidade. Ela firmou parceria com uma empresa italiana para fabricar sob licença modelos totalmente elétricos. “Eles apresentam tecnologia de última geração, são muito econômicos e amigáveis ao meio ambiente, não usam óleo, somente lubrificação controlada”. Essas máquinas produzem de frascos pequenos até os com volume médio de 30 litros, dependendo da configuração escolhida. O equipamento será apresentado no início do próximo ano.

No campo das injetoras, as dificuldades enfrentadas pela Pavan Zanetti são maiores. “Devido o aumento do dólar, tivemos redução significativa no volume de negócios”. O grande número de empresas concorrentes no país no setor de injeção atrapalha. “As vendas, no máximo, serão próximas às do ano passado”.

Há um ano, o concorrido mercado de injetoras de peças plásticas ganhou mais um fabricante nacional. Trata-se da Allpresse, empresa presente no mercado há mais de dez anos como fabricante de injetoras de alumínio que resolveu diversificar sua linha. A empresa oferece o modelo Exata, em três versões: uma dotada com servoválvulas é indicada para operações em que se pretende economia de energia e precisão de movimentos; outra, dotada com acumulador, própria para a produção de peças com paredes finas; e a técnica, para trabalhos de maior precisão. Os tamanhos dos modelos vão de 70 a 500 toneladas de força de fechamento. “O mercado não está muito bom, mas estamos dentro de nossa expectativa de vendas”, informa o diretor comercial Antonio Lopes. Ele destaca a equipe responsável pelo projeto das máquinas. “São profissionais com muita experiência”.

Plástico Moderno, Injetora Exata com acumulador é indicada para paredes finas
Injetora Exata com acumulador é indicada para paredes finas

Extrusoras – No campo das extrusoras, o destino final das máquinas também influencia os negócios. A Wortex tem como principais clientes as empresas ligadas à reciclagem de materiais. “O mercado está meio maluco, todo mundo está esperando o que vai acontecer. Não há uma visão linear do comportamento do mercado, às vezes vendemos um equipamento, às vezes tudo fica muito devagar”, explica o diretor Paolo de Fillipis. A empresa conta com linhas completas para reciclagem, que abrangem dos equipamentos para seleção e triagem dos resíduos até a granulação do material.

O segmento da construção civil é um dos que mais vem sofrendo com a crise econômica. Esse fato gera impactos bastante negativos para as fornecedoras de extrusoras indicadas para a produção de tubos, perfis, forros e cabos, entre outros produtos utilizados nas obras. “O ano começou com pequena melhora, mas depois da greve dos caminhoneiros parou. Até fazemos algumas cotações, mas a redução nas vendas tem sido bastante drástica”, informa Enrico Miotto, presidente da Miotto. A empresa conta linha bastante completa de máquinas para essas aplicações.

Outra que sofre pelo mesmo motivo é a Extrusão Brasil. “Esse ano está igual ao ano passado, o mercado está muito difícil. Na verdade, a crise vem desde 2015, quase ninguém está comprando máquinas”, conta Carlos Renato Borges, diretor comercial. A empresa conta com linha completa de extrusoras para essas aplicações, entre as quais, um modelo anima o dirigente. Ele acredita que nos próximos anos o mercado brasileiro vai passar a produzir com força as telhas co-extrudadas cujo material base é o PVC. “Com a paralisação das linhas de produção das telhas de amianto, abriu-se um potencial enorme de crescimento na fabricação desse produto nos próximos anos”.

Plástico Moderno, Mendes: flutuações cambiais atrapalham as importações
Mendes: flutuações cambiais atrapalham as importações

Periféricos – Os bons resultados obtidos pela automação das linhas de produção têm colaborado com o desempenho dos fornecedores de equipamentos periféricos voltados para alimentação e transporte do material no chão de fábrica e outras operações. “Durante o período mais agudo da crise, conseguimos manter razoavelmente nosso mercado e já no ano passado apresentamos um grande crescimento”, diz Ricardo Prado, vice-presidente da Piovan do Brasil. A recuperação continua este ano. “Na minha opinião, mais pelas soluções que oferecemos e suporte dedicação do nosso time ao cliente, do que propriamente pelo mercado mais ou menos aquecido”.

A italiana Moretto, com escritório de vendas no Brasil, vive situação semelhante. Suas vendas este ano estão no mesmo patamar do ano passado. O resultado é comemorado porque em 2017 os negócios apresentaram crescimento na casa dos 15%. Para Alexandre Brasolin Nalini, diretor comercial do escritório local da Moretto, as vantagens de se investir na automação estão bem disseminadas entre as principais indústrias transformadoras do país.

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