Extrusoras – Retração é esperada, mas setor ainda não sente crise profunda

A outra razão importante para a blindagem do mercado nacional de extrusão é a qualidade da máquina brasileira. Para o gerente de exportação da Rulli, o grande diferencial dos produtores mundiais de extrusoras era o fechamento do mercado nacional, que impedia que os fabricantes locais tivessem maior acesso aos acessórios que tornam a extrusora um equipamento de alta tecnologia, como componentes gravimétricos, controladores e medidores de espessura dos filmes. Na visão de Luís Carlos Rulli, esse diferencial foi reduzido com a abertura comercial do Brasil. “Hoje, temos acesso a esses acessórios e podemos fornecer equipamento tão bom quanto o europeu.” Face aos equipamentos asiáticos, diz Rulli, a diferença de qualidade é gritante, bem como a diferença de preço. Mas ele acredita que seus clientes, por operarem em processos contínuos, 24 horas por dia, valorizam a capacidade de produção com poucos problemas e a assistência técnica. Essa última é frequentemente apontada como uma deficiência do fornecedor asiático, particularmente do chinês. “O cliente local compra a máquina brasileira pela tranquilidade, pela disponibilidade de peças de reposição, pela qualidade da máquina e seu desgaste menor. Quem compra extrusora chinesa só está olhando o preço do equipamento”, afirma o gerente de exportação.

A concorrência com artigos importados tem efeitos danosos para o produtor brasileiro de extrusoras de uma maneira indireta. Não é a importação de extrusoras que preocupa o fabricante brasileiro, mas a importação de produtos finais, que “mata” o negócio dos clientes dos produtores de extrusoras. Ciola diz que é perceptível o aumento da entrada de produtos do exterior que já vêm embalados e, logicamente, não são embalados no Brasil. Essa é a concorrência maior, na visão do empresário, mas quanto a isso não há muito o que o fabricante de extrusoras brasileiro possa fazer.

Outro ponto importante é destacado por Enrico Miotto. Ele não parece muito incomodado com extrusoras chinesas, mas muda um pouco o tom quando aborda os outros equipamentos necessários às linhas de extrusão, pois revela que acaba perdendo espaço para os asiáticos nos periféricos, de fato mais caros que os oferecidos pelos fabricantes da Ásia.

Plástico Moderno, Enrico Miotto, diretor-presidente, Extrusoras - Retração é esperada, mas setor ainda não sente crise profunda
Miotto: máquina do exterior pode sentir dificuldade no Brasil

Alta tecnologia – Há que se ressaltar, porém, que uma coisa é competir com os preços absurdamente baixos da concorrência asiática, que muitas vezes não tem outro atrativo além da economia inicial na aquisição da máquina. Algo bem diferente é competir com extrusoras fabricadas na Europa e nos EUA, produzidas por empresas tradicionais, com marcas fortes no segmento de extrusão, e reputação de liderança tecnológica do setor.

O diretor-presidente da Miotto entende que, em casos específicos de transformados plásticos, máquinas estrangeiras a eles direcionadas podem, de fato, ter desempenho melhor. No caso de suas próprias máquinas, notadamente as destinadas à produção de tubetes e tubos, no entanto, Enrico Miotto crê que nada devam às estrangeiras. “A Miotto é a única fabricante do Brasil que entrega linha de extrusão totalmente microprocessada, com CLP e supervisório registrando a qualidade de toda a produção, como uma máquina importada, com a vantagem da assistência técnica e o apoio de pós-venda nacional”, declara.

Ele ainda argumenta que os mercados mais desenvolvidos são muito diferentes do mercado nacional, pois as matérias-primas utilizadas no exterior têm qualidade superior à da nacional e o ritmo de produção também é diferente. Para ele, nesses países, o produtor local fabrica, em cada máquina, um único produto em grandes volumes, enquanto, no Brasil, cada máquina produz diversos artigos diferentes em um mesmo dia, pois os mercados nacionais não oferecem volume suficiente para justificar produção dedicada. “A máquina estrangeira tem dificuldade para lidar com isso. O produtor brasileiro conhece melhor os problemas do mercado local”, crê o diretor-presidente.

Mas, para Bruno Sommer, da KraussMaffei, a comparação entre máquina brasileira e estrangeira só é possível em termos de tamanho e, mesmo assim, só até máquinas de tamanho médio. Ele afirma que as extrusoras da empresa alemã competem em segmentos de altíssima tecnologia e produtividade, e aponta diversas diferenças entre os equipamentos nacionais e o da KraussMaffei, a começar pela capacidade produtiva. Segundo o gerente da divisão de extrusão na América Latina, nas máquinas de mesmo tamanho, a alemã oferece, no mínimo, produção 30% superior, “sendo bastante conservador”, destaca. “Outra diferença enorme é a qualidade dos materiais de construção do equipamento, principalmente o aço das roscas e do cilindro”, ressalta Sommer, falando sobre o tratamento superficial aplicado nessas peças, e que, segundo ele, não é encontrado em máquinas brasileiras. O gerente ainda cita a estabilidade da máquina alemã durante o processo, que se caracteriza por não apresentar oscilações na operação e manter as paredes de tubos e perfis constantes durante sua extrusão. “O custo de matéria-prima equivale a 80% do custo total desse tipo de produto. Manter a espessura das peças constante é evitar desperdício do principal insumo”, lembra.

Sejam melhores que as concorrentes estrangeiras, ou não, o certo é que o produtor local está apto a oferecer a maior parte do maquinário de extrusão demandado no país, com as poucas exceções recaindo sobre apenas alguns tipos de máquinas especiais, como as extrusoras de filmes com nove camadas, ou algum equipamento com especificação muito particular.

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