Extrusoras – Retração é esperada, mas setor ainda não sente crise profunda

Plástico Moderno, Luís Carlos Rulli, gerente de exportação, Extrusoras - Retração é esperada, mas setor ainda não sente crise profunda
Mesmo com pátio cheio, Rulli espera retração de vendas

Comércio Internacional – As vendas de fabricantes brasileiros para o exterior foram duramente afetadas em 2008. O vilão apontado por todos foi o dólar, cujas cotações bem abaixo da faixa dos R$ 2,00 mantiveram a competitividade do produtor nacional no mercado externo prejudicada. A Rulli, tradicionalmente, mantinha exportações de cerca de 30% de sua produção, mas o patamar caiu para apenas 10% em 2008. Nas palavras de Rulli: “A concorrência com as máquinas asiáticas na América Latina, maior mercado de exportação da empresa brasileira, é terrível.” No momento em que a cotação da moeda estadunidense se elevou novamente para níveis próximos a R$ 2,30, a Rulli começou a retomar suas exportações, tendo fechado pedidos para México, Peru e Honduras. Além da América Latina, a empresa costuma vender para o Canadá e, em menor escala, para os Estados Unidos.

“Com o dólar a R$ 1,60 é muito difícil exportar, é difícil ter preço competitivo”, diz Ciola. Nas épocas em que o câmbio era um grande aliado das vendas para o exterior, a companhia chegou a vender metade de sua produção ao estrangeiro; no início da crise financeira, a fatia exportada bateu em menos de 20%, e agora, após uma pequena retomada, depois da apreciação do dólar perante o real, a parte da produção direcionada ao exterior ainda não passa dos 30%. Na Miotto, a melhora do câmbio também já foi notada. A cotação de máquinas para a América do Sul e a África já voltou a acontecer, e Enrico Miotto mantém esperanças de voltar a exportar em 2009, ato impossível no ano anterior por conta da falta de competitividade.

Mas, se por um lado, o dólar era impeditivo para as exportações dos brasileiros, no ano passado, era também um convite para as máquinas importadas. No entanto, o mercado é unânime em afirmar que, apesar dessa brecha monetária, não houve, no segmento de extrusão nacional, uma invasão de máquinas estrangeiras, principalmente das asiáticas, que costumam encabeçar as listas de fornecedores em casos de “invasão” estrangeira, como acontece em outro setor de transformação de resinas plásticas, a injeção.

Portes diz que a Carnevalli ainda não enfrenta a concorrência das extrusoras asiáticas no Brasil. Segundo ele, a empresa mantém sua liderança no mercado nacional de extrusão com uma participação bastante expressiva e não foi prejudicada pelos asiáticos. “Creio que isso se deve ao fato de que a maioria de nossos clientes conhece bem a capacidade, a qualidade e o desempenho de nossos equipamentos. A nossa maior dificuldade com os asiáticos acontece em alguns clientes de outros países, principalmente da América Latina, que buscam somente preço, sem se preocupar com a qualidade das máquinas e das peças utilizadas para construí-las, com a durabilidade do equipamento e com o produto final”, explica o gerente-geral de vendas. Mesmo com os desafios impostos pelo dólar, em 2008, Portes afirma que obteve bom desempenho em exportações para alguns países específicos da América Latina, como Peru, Colômbia e México, nos quais já tem muitas máquinas vendidas. Surpreende que, nesse período, a empresa tenha mesmo se voltado para mercados até então menos explorados, em que conseguiu obter vendas, como Espanha, Rússia, Israel e Polônia, e para outros onde há boa perspectiva de negócios, caso de Egito, Turquia, Irã e nações do Leste Europeu, entre elas, Hungria e Romênia.

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Plástico Moderno, Hércules Piazzo, gerente-comercial da unidade brasileira da Milacron, Extrusoras - Retração é esperada, mas setor ainda não sente crise profunda
Piazzo quer entrar no mercado de tubos

A estadunidense Milacron, mais conhecida no Brasil por suas injetoras, está iniciando sua atuação no mercado brasileiro de extrusão, após se manter afastada da competição por força do acordo realizado para a venda de uma das antigas empresas do grupo, a atual Cincinnati Extrusion. Por causa desse acerto, a Milacron estava impedida de comercializar máquinas de extrusão com a marca Cincinnati em alguns mercados, entre eles o brasileiro, até cerca de dois anos atrás.

Expirado o prazo, o consumidor brasileiro passa a dispor da oferta das extrusoras Cincinnati Milacron, mas Hércules Piazzo, gerente-comercial da unidade brasileira da Milacron, reconhece que o lapso de dez anos tornará sua missão mais difícil, pois o mercado de tubos de PVC, em que a empresa pretende atuar, já está dominado pela concorrência.

A Milacron também oferecerá ao mercado nacional extrusoras para a fabricação de compostos de PVC com madeira, equipamento que já conta ao menos com um exemplar operante em solo nacional, vendido no ano passado. Piazzo demonstra ter certeza de que esse nicho, que ainda não decolou por aqui, apesar de todo o marketing das produtoras de resina de PVC, se tornará importante assim que alguém decidir peitar o desafio e desenvolver produtos para o segmento. Nas máquinas de tubos para PVC, a Milacron também já possui equipamentos rodando no país. No entanto, são extrusoras mais antigas, que não foram vendidas diretamente pela Milacron do Brasil.

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Sommer, no entanto, entende que a concorrência chinesa tem um peso relevante no principal segmento abordado pela KraussMaffei, a extrusão de tubos de PVC. Ele afirma que consultas aos registros de importações da Receita Federal, no ano passado, revelaram “uma quantidade enorme” de extrusoras chinesas entrando no Brasil.

De qualquer maneira, o país tem se mostrado bem protegido contra as importações de maquinários provenientes da Ásia. Essa proteção do mercado brasileiro à volúpia asiática parece estar ancorada em duas razões principais, que colocam o produtor brasileiro de extrusoras em posição diferenciada no rol dos fabricantes de máquinas para plásticos. Explica Aldo Ciola: “Nas injetoras, há predomínio de commodities, equipamentos padronizados, máquinas que são bastante comuns. Em produtos muito padronizados, fica mais fácil para os asiáticos entrarem, pois eles produzem em massa com baixo custo de produção. Mas, no caso das extrusoras, a sua fabricação é mais específica para caso a caso, e a assistência técnica também é mais complexa”, comenta. Enrico Miotto tem percepção semelhante: “A máquina de extrusão tem particularidades e variações que tornam mais difícil a produção em larga escala”, diz.

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