Extrusoras: Renovação aquece venda de máquinas

Renovação do Parque de transformação aquece venda de máquinas

Otimismo moderado.

A maioria dos fabricantes de extrusoras tem a sensação de que as vendas poderiam estar melhores, mas no momento não decepcionam.

A expectativa é de um ano positivo

O grau do otimismo varia de acordo com o nicho atendido por essas empresas.

Podemos dividir o mercado em dois grandes grupos, os de máquinas para filmes e o de tubos e perfis rígidos.

Dentro de cada um desses grupos se encontram outras especializações de cada fornecedor, casos, por exemplo, dos equipamentos indicados para fabricação de telhas, encapamento de fios, reciclagem ou extrusão de filmes multicamadas, entre outras aplicações.

Não existem estatísticas oficiais sobre as vendas de extrusoras no Brasil.

Um termômetro razoável se encontra no estudo do desempenho do mercado de máquinas realizado pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Pela pesquisa, as receitas no primeiro bimestre apresentaram queda de 3,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em 2021, o setor apresentou crescimento de 21,7% quando comparado ao ano de 2020, este bastante afetado pelo período inicial da pandemia.

O resultado anualizado recuou de um crescimento de 18,5% em janeiro para 6,7% em fevereiro de 2022.

Apesar do início do ano com desempenho abaixo do esperado, o prognóstico do segmento de máquinas e equipamentos é positivo.

“A expectativa que tínhamos no início do ano continua a mesma, é de crescimento de 6% em 2022”, informa José Velloso, presidente executivo da Abimaq.

É claro que os bons resultados estão ligados ao ambiente da economia, sempre sujeito a chuvas e trovoadas, em especial no Brasil.

Um dado preocupante detectado pelo estudo foi o desempenho das vendas do grupo máquinas para bens de consumo, no qual se enquadram as voltadas para a indústria do plástico.

Houve expressiva queda de 23,8% da receita no primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2021.

“As dificuldades de consumo da população têm influência nesse resultado”, justifica o dirigente.

Tudo bem – Em 2022, a brasileira Carnevalli completa 60 anos.

É das marcas mais tradicionais do ramo de linhas completas de equipamentos para a operação de extrusão de filmes e tem forte presença no mercado brasileiro e também na América Latina.

“Nosso portfólio é bem completo, com destaque para as coextrusoras de três e cinco camadas de diversas larguras e capacidades produtivas. Além disso, contamos com toda linha de extrusoras monocamadas de 45 mm até 160 mm e coextrusoras para filmes com barreiras de cinco, sete e nove camadas”, informa Wilson Carnevalli Filho, diretor comercial.

A empresa também fabrica impressoras flexográficas de até 10 cores para o setor de filmes técnicos, sacolas de PEAD e sacaria de ráfia.

“A máquina para sacaria de ráfia é muito avançada e única no Brasil, aumenta significativamente a produtividade das empresas que a utilizam”, garante.

Extrusoras: Renovação aquece venda de máquinas ©QD Foto: iStockPhoto
Modelos da linha Polaris são os mais procurados da Carnevalli

O diretor explica que depois de um ano de recordes, as vendas iniciaram 2022 no mesmo ritmo, tanto na procura feita no mercado interno quanto nas exportações.

Ele destaca uma mudança de comportamento dos clientes, que estão utilizando cada vez mais resinas recicladas, como fator que tem ajudado os negócios.

A tendência tem atuado como forte fator de impulsão de venda das co-extrusoras que operam com esses materiais. Outro aspecto positivo dessa realidade é que se trata de máquinas de maior valor agregado.

“As incertezas com o preço do petróleo impulsionam os preços das resinas e tornam essas co-extrusoras mais atrativas e necessárias para equalizar os custos nas formulações de resinas mais nobres e mais econômicas”.

Os modelos mais vendidos da marca são os da linha de co-extrusoras Polaris Plus 3 camadas. Já os apontados como os mais sofisticados são os da série Polaris Plus 5 camadas POD, especialmente dedicada ao polietileno.

“É uma linha única produzida no Brasil, com altíssima capacidade produtiva e muito flexível, que atende as tendências de sustentabilidade voltadas para as mudanças de estruturas das embalagens”.

Essas máquinas são indicadas principalmente para o uso de resinas pós consumo (PCR).

“Nelas, as resinas PCR são facilmente processadas, com excelente qualidade de plastificação e homogeneidade das cores”.

Todas as máquinas da Carnevalli, além da tecnologia embarcada, utilizam sistemas de controle e indicação de eficiência que podem ser integrados aos sistemas de gestão das empresas.

Acima das expectativas – Outra marca nacional bastante tradicional no nicho de equipamentos para extrusão é a Rulli Standard.

“Fabricamos equipamentos para filmes flexíveis, monoextrusão e multicamadas, bem como extrusoras de lâminas rígidas mono ou multicamadas”, informa Paulo Sergio Leal, diretor de vendas técnicas.

Os mercados mais atendidos pela empresa são os de filmes técnicos, filmes para armazenamento de produtos alimentícios, filmes de proteção e lâminas rígidas para termoformagem ou uso em geral.

De acordo com Leal, as vendas de equipamentos novos, sejam eles destinados ao segmento rígido ou flexível bem como o de retrofit de instalações existentes, encontram-se além das expectativas projetadas no ano passado.

“Acredito que devido ao período de pandemia muitos investimentos voltados ao segmento de bens de capital ficaram reprimidos, havia incerteza de quanto tempo se levaria para visualizar dias mais promissores”.

As extrusoras de filmes da série EF 21/2 são o carro chefe da empresa.

“Elas são extremamente versáteis, de fácil manuseio e econômicas sob todos os aspectos”, garante Leal.

Ele ressalta sua capacidade de economizar energia elétrica graças aos tipos de motores aplicados na sua fabricação.

Essas máquinas têm capacidade de produção de 170 a 200 kg/h de PEBD, 125 a180 kg/h de PEBDL e de 120 a 150 kg/h de PEAD.

“Nosso modelo mais sofisticado é o da extrusora de filme barreira tanto flexível como rígido, devido à complexidade e variação de percentuais e controle de camadas para fins específicos”.

Uma linha de produção bastante solicitada pelos clientes foi apresentada pela empresa durante a realização da feira Interplast, realizada de 5 a 8 de abril na cidade de Joinville-SC (veja reportagem nesta edição de PM).

Trata-se de um sistema de co-extrusão ABA que possibilita a utilização de carga e materiais reciclados na mistura.

A configuração do sistema foi montada com duas extrusoras, sendo a camada A com 55 mm de diâmetro e a camada B com 63,5 mm, com cabeçote giratório provido de matriz de 225 mm.

O equipamento conta com torre de 8,5 m de altura e bobinadeira com corte automático com 1.900 mm de rolo.

“O conjunto pode fazer filmes de alta e baixa densidade”.

Lançamento – A marca italiana Bausano, com fábrica no Brasil, apresentou um lançamento durante a realização da Interplast.

Trata-se de seu primeiro modelo de extrusora monorosca, que permite processar materiais como PVC, PE, HDPE, LDPE, PP-R, ABS, ABS/PVC e outros e é indicada para a produção de tubos, perfis técnicos, mangueiras e outros produtos.

Antes do lançamento, a empresa oferecia apenas modelos com duplas roscas.

Chrystalino Branco Filho, diretor comercial, afirma que a máquina possui características que a colocam entre as mais modernas do mercado nessa categoria.

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Chrystalino Branco Filho, diretor comercial da Bausano

“Seu projeto foi desenvolvido para atender a demanda dos clientes interessados em máquinas com bom custo/benefício e dotadas com características técnicas sofisticadas”.

De acordo com o gerente, o modelo possui comando de última geração, rosca com design desenvolvido para cada tipo de material e aquecimento de resistência em cerâmica, entre outras características que a tornam bastante competitiva.

O executivo informa que as vendas de máquinas em 2022 não estão boas nem ruins. Ele tem a expectativa de que o desempenho deve melhorar nos próximos meses.

“Percebemos que depois do carnaval o número de consultas aumentou bastante, acho que o mercado vai reagir”.

Entre os segmentos nos quais a empresa atua, o diretor destaca o de fabricante de compostos como bastante aquecido.

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Primeira monorosca da Bausano oferece ótimo custo/benefício

Fabricantes de tubos de PVC e perfis rígidos também vivem momento razoável, puxados pelos resultados obtidos pelo setor de construção civil.

Para ele, boa parte das vendas se dá pela necessidade dos clientes de adquirir máquinas mais modernas, que oferecem maior produtividade e economia de energia elétrica.

“Nos 76 anos de existência da Bausano, uma de suas principais preocupações é com a economia de energia. As máquinas voltadas para produções maiores, por exemplo, contam com quatro motores, o que permite maior produtividade com menor custo de energia elétrica”.

O diretor destaca o fato de a empresa contar com fábrica no Brasil, o que traz vantagens como a melhor estrutura de assistência técnica e reposição de peças, além da possibilidade de financiamento pelo Finame.

Razoável – “As vendas para nós não estão excelentes, podem ser definidas como razoáveis. Como trabalhamos por encomenda, temos nossa planta comprometida com serviços para os próximos quatro ou cinco meses”, explica Renato Borges, diretor da Extrusão Brasil, empresa fabricante de linhas de extrusão completas dotadas com extrusoras monoroscas, duplas roscas paralelas, duplas roscas cônicas e duplas roscas co-rotantes.

Ele se mostra otimista em relação ao desempenho previsto para esse ano, o que seria ótimo depois dos ótimos resultados obtidos em 2021.

Para Borges, a necessidade de os clientes modernizarem as fábricas explica o bom momento da empresa mesmo com a economia do país vivendo momento de crescimento aquém do desejado.

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Renato Borges, diretor da Extrusão Brasil

“As máquinas novas apresentam grandes vantagens, são equipadas com CLPs modernos que agilizam a regulagem das diversas linhas de produção, permitem melhor controle de armazenagem dos produtos e oferecem grande economia de energia elétrica. Alguns modelos vêm com servomotores, que permitem resposta muito mais eficiente do que a dos motores de corrente contínua”.

Todos os conjuntos eletrônicos das máquinas da empresa são fabricados pela Mitsubishi.

Entre os principais clientes empresa, se encontram os fabricantes de tubos de PVC e perfis de PVC, PE e PP. Borges aponta a linha de equipamentos para a fabricação de telhas de PVC como muito promissor, apesar de apresentar participação ainda tímida no mercado.

“Um problema a ser superado é a necessidade de um grande investimento para se montar uma linha de produção. O capital inicial é de no mínimo R$ 15 milhões e a instabilidade da economia afugenta os interessados em investir”.

Além das máquinas com marca própria, a Extrusão Brasil comercializa com exclusividade no Brasil as extrusoras co-rotantes Leistritz, além de prestar serviços de assistência técnica aos clientes e às empresas que já contam com equipamentos da marca no mercado brasileiro.

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Modelo DR 67-22, da Extrusão Brasil

Também comercializa e presta assistência técnica das máquinas Pharma, marca da Leistritz dedicada o mercado farmacêutico.

Máquinas, roscas e cilindros – A brasileira Miotto, há 57 anos no mercado, possui diversos modelos de extrusoras em seu portfólio, entre elas a monorosca EM-03, unidades multifuncionais e máquinas com dupla rosca nos mais variados diâmetros e L/Ds.

“Os mercados mais atendidos pela Miotto são os de encapamento de fios e cabos e já há alguns anos o de tubetes calibrados a vácuo”, explica o diretor Gino Miotto.

Nos nichos nos quais atua de modo preferencial as vendas não passam por momento positivo. “No ano passado elas ficaram 5% abaixo em relação ao ano retrasado e o primeiro trimestre deste ano fechamos 15% abaixo do ano passado. As perspectivas para este ano eram boas, mas até o momento não se concretizaram”.

Os modelos mais procurados da empresa são os monoroscas de 45, 60 e 90 mm de diâmetro, com L/D de 25 e 30.

“As nossas monoroscas mais modernas e compactas dispõem de motoredutores de primeira linha e painéis incorporados à base, com altura de centro, sentido de linha, rotação da rosca e pintura de acordo com a especificação do cliente. Também possuem fecho bipartido, suporte para cabeçote e transdutor de pressão e temperatura da massa para segurança e proteção da máquina”.

A Miotto tem importante participação no mercado de roscas e cilindros, não só de extrusoras, mas também de injetoras. Ela atua como fornecedora e prestadora de serviços de manutenção desses componentes.

“A manutenção é de suma importância para que a linha de produção mantenha um bom andamento”.

Gino defende como essencial ela ser realizada de forma preventiva, de forma a evitar paradas inesperadas da produção e preservar a durabilidade do equipamento.

Um diferencial da empresa é a oferta de cilindros bimetálicos.

“Eles não são submetidos a um simples tratamento térmico para aumento de dureza, utilizam liga metálica com características especiais de alta resistência ao desgaste pela abrasão e ou corrosão. Outra vantagem de nosso processo é o menor custo do recondicionamento, pois não há necessidade de nitretação”.

De acordo com Gino, toda a camada bimetálica é de alta dureza, ao contrário do cilindro nitretado no qual a dureza é superficial.

A empresa utiliza três tipos de liga bimetálica, escolhidas de acordo com o material a ser processado.

Necessidade de renovação – É unânime, entre os fornecedores de máquinas e equipamentos, que o bom desempenho do setor nos últimos meses se deve em grande parte à necessidade de renovação do parque de máquinas da indústria nacional, cuja defasagem é calculada por especialistas em vinte anos.

As máquinas modernas proporcionam grandes vantagens em relação aos modelos mais antigos, como controles programáveis que facilitam a operação e manutenção, a economia de energia elétrica e outros aspectos que proporcionam retorno relativamente rápido dos investimentos realizados para a aquisição dos equipamentos.

Testemunhos de alguns dos usuários do processo de extrusão corroboram a importância de manter o parque industrial atualizado.

É o caso da Terphane, empresa que está completando 46 anos de atuação no mercado brasileiro e é fornecedora de filmes de poliéster voltados para a produção de embalagens flexíveis e outras aplicações.

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Edson Mauro de Albuquerque, diretor industrial da Terphane

“É sempre muito importante manter a planta atualizada, não só as extrusoras, mas todas as linhas”, defende Edson Mauro de Albuquerque, diretor industrial.

Para o diretor, máquinas com tecnologia de ponta garantem a boa qualidade do filme.

“Começar o processo de produção com uma boa extrusão ajuda muito a garantir que as etapas posteriores de processamento do filme serão igualmente bem-sucedidas”.

Ele acrescenta que as extrusoras avançadas podem garantir maior eficiência no consumo de energia e maior flexibilidade no processamento do filme.

“Esse ganho de flexibilidade implica diretamente o ganho de produtividade”.

Albuquerque defende que é preciso manter investimentos contínuos, sempre verificar se a extrusão está atualizada em termos mecânicos e de automação.

“A atualização contínua nos dá condições de entregar para o mercado uma grande diversidade de filmes, com todas as propriedades necessárias para cada aplicação”.

Entre os produtos oferecidos, os mais sofisticados, como os filmes multicamadas de poliéster, têm demanda crescente por conferirem características especiais às estruturas das embalagens.

“Isto é possível pela adoção de diferentes resinas em suas camadas, que garantem barreiras ao oxigênio, umidade e luz, entre outras, além de conveniência e beleza para as embalagens”.

Opinião semelhante tem Renata Canteiro, diretora técnica da Embaquim, empresa cuja especialidade é a produção de embalagens tipo bolsa com bocal e tampa soldados ao filme plástico.

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Renata Canteiro, diretora técnica da Embaquim

“O aperfeiçoamento das extrusoras nos permite aumentar o portfólio de opções de estruturas ofertadas para o cliente, entregar soluções cada vez mais personalizadas para os diversos segmentos onde atuamos”.

Renata também ressalta a importância do desenvolvimento tecnológico dos periféricos. “Eles permitem alcançar resultados admiráveis”.

Ela diz que os investimentos em periféricos podem até adiar a aquisição de novas extrusoras.

“Eles garantem aumento significativo de desempenho em termos de produtividade, economia de energia e precisão”. Também destaca o aperfeiçoamento de resinas e masterbatches que ajudam a atingir novos patamares de produção.

Uma das prioridades da Embaquim é potencializar as opções de estruturas multicamadas oferecidas. Com essa estratégia, em 2019 a empresa adquiriu sua primeira co-extrusora. “Acreditamos na verticalização como diferencial competitivo.

Nosso foco não reside apenas nos filmes barreira, buscamos também agregar mais funcionalidades a partir de distintas aditivações nas camadas. Seguimos bastante entusiasmados com os resultados alcançados até o momento”.

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