Extrusoras – Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados

 

Plástico Moderno, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Rulli Standard expôs coex de grande porte

Os fabricantes de extrusoras seguiram a proposta anunciada no passado, reforçando nesta Brasilplast a vocação para otimizar os processos. Foi mais ou menos um repeteco da edição de 2007: os desenvolvimentos privilegiaram tecnologias para a redução dos custos de fabricação e o aumento da produtividade. As máquinas de origem europeia ratificaram a sua força em nichos de mercado voltados para a produção de grandes volumes e maior valor agregado do transformado, enquanto as companhias nacionais valorizaram modelos cada vez mais automatizados e se aproveitaram dos benefícios oferecidos por sofisticados periféricos e recursos eletrônicos.

Filme– As linhas de produção de filmes encantaram pelo seu gigantismo. A participação da líder de mercado no segmento, a Carnevalli, teve clima de déjà-vu, pois como ocorreu na edição anterior da Brasilplast a grande atração do estande foi o duplo anel de ar apresentado em sua coextrusora. “Esta tecnologia oferece excelente controle de espessura do filme e aumento da estabilidade do balão, benefícios alcançados por meio da melhora do fluxo aerodinâmico do equipamento”, explicou o gerente-

Plástico Moderno, Rodrigo Portes, gerente-geral de vendas da Carnevalli, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Carnevalli apresentou coextrusão de alto desempenho

geral de vendas da Carnevalli, Rodrigo Portes. Para ele, em algumas aplicações é possível elevar a produção em até 40%, sem aumentar os custos operacionais.

Além de promover o alto desempenho de seus equipamentos, a fabricante quis impressionar no quesito diversificação, a ponto de precisar de dois estandes para comportar as cinco máquinas escolhidas para a exposição. Em destaque estava a linha de coextrusão de três camadas, com roscas de 60/75/60 mm. Esse modelo sobressaiu por causa dos recursos incorporados: duplo anel de ar e controlador automático de espessuras, IBC eletrônico, bobinadeira dupla automática, sistema de dosagem gravimétrica com alimentação a vácuo e sistema completo de refrigeração do ar.

“Escolhemos a linha pela necessidade dos nossos clientes em ter uma máquina com elevada capacidade produtiva, sem aumento do custo de operação”, comentou o diretor Wilson Carnevalli Filho.

A empresa também exibiu a Magnum 75-2000m – para polietileno de alta densidade (PEAD) – equipada com cabeçote tipo Biflex e capacidade de produção de até 280 kg/h, com largura de até 2.000 mm. “Destaco o sistema de aquecimento por infravermelho que tem como principal vantagem a redução do consumo de energia”, afirmou Carnevalli Filho. No caso da exibição da Magnum 60-1600m – para a transformação de PEAD e polietileno de baixa densidade (PEBD) –, o custo/benefício foi o que mais chamou a atenção dos visitantes. “O modelo tem motores econômicos e de alto rendimento, além de excelente qualidade nas espessuras e alta produção: de mais ou menos 25% acima dos concorrentes”, garantiu o diretor. A empresa mostrou ainda a linha para reciclagem CR-75, com sistema de corte na cabeça, e uma impressora de oito cores.

Essa ampla gama de máquinas em exposição reflete o dinamismo vivido pela companhia até outubro do ano passado, quando estava a todo vapor, pois comercializava, em média, dez máquinas, ao mês. Em novembro, é bem verdade, esse volume despencou e só veio a se restabelecer pouco tempo antes do maior evento brasileiro do plástico. “Tivemos uma grande desaceleração que só terminou no final de março de 2009”, comentou Portes. A fraca penetração no mercado externo também contribuiu. Mas não se trata de um caso específico da fabricante, afinal, poucos ficaram imunes à valorização do real perante o dólar e à crise econômica mundial. Na Carnevalli, o índice exportado de até 30%, em média, caiu para 10%, taxa registrada no ano passado. A realização da feira, no entanto, veio ratificar a retomada da prosperidade do passado recente. Durante o evento, a empresa vendeu máquinas para os mercados doméstico e internacional, totalizando 18.

Plástico Moderno, Paulo Sérgio Leal, do departamento de vendas técnicas da Rulli, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados,
Leal deu destaque ao Fast Gap, sistema capaz de tornar ágil a troca de espessura da bobina

A outra expoente desse setor, a Rulli Standard, focou sua presença na Brasilplast em diferenciais. O sistema Fast Gap, de ajuste rápido de abertura do lábio do cabeçote plano (flat die), foi um dos principais destaques dessa fabricante. O acessório auxilia o operador na troca de espessura de bobina de forma bastante ágil. “Você consegue, sem parar a máquina, mudar a espessura, com um ganho mínimo de pelo menos 40 minutos na troca de serviço”, garantiu o engenheiro Paulo Sérgio Leal, do departamento de vendas técnicas da Rulli. Esse lançamento corrobora a necessidade do transformador de operar máquinas flexíveis, a fim de processar vários tipos de materiais, mantendo a alta produtividade.

Plástico Moderno, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Linha Nitrus foi mudada para aumentar sua produção em 30%

Como é de praxe, a Rulli levou ao estande máquinas de grande porte: a coex de três camadas foi uma delas. Capaz de produzir 500 kg/hora, o modelo tinha acoplado a ele um sistema de scanner para controlar a espessura do filme, da Eletronic System, com sensor infravermelho. Uma monoextrusora também estava na exposição.

Esse tipo de máquina é uma das mais bem-aceitas pelo mercado; produz até 200 kg/hora, de PEBD, e até 140 kg/hora, de PEAD. “É de fácil manuseio e compacta, pode contar com bobinadeira automática ou não, depende da necessidade do cliente”, explicou Leal.

Seguindo a proposta de que os detalhes fazem a diferença nos desenvolvimentos, a linha Nitrus, da fabricante HGR, foi aprimorada para operar nesta edição do evento e apresentou como mote principal seu anel de resfriamento. O equipamento visa à melhoria da estabilidade do balão e à redução da variação de espessura do filme. Com um único mecanismo de ajuste do ar, mantém-se o fluxo constante suplementar focado na estabilidade do balão, o que aumenta a refrigeração. De acordo com o diretor-comercial da HGR, Ricardo Rodrigues, é possível elevar a produção entre 15% e 30%. “Mudamos a carcaça, ampliamos os furos de distribuição do ar”, explicou. Esse anel de resfriamento, segundo Rodrigues, alavancou as vendas da empresa. “Em 2008 ultrapassamos nosso limite de máquinas, de quatro ao mês”, comentou.

Tradicional no ramo de impressoras flexográficas, a Flexo Tech apresentou aos visitantes sua nova faceta: a de fabricante de máquinas extrusoras. “Não se trata apenas de uma estratégia para viabilizar vendas conjugadas, mas sim da realização de um projeto para oferecer uma linha completa de máquinas e equipamentos”, comentou o diretor-comercial da Flexo Tech, Romário Zonneveld. O portfólio conta com máquinas para filmes tubulares de polietileno, modelos Torino e Firenze. O diretor-comercial destacou nas máquinas o sistema de aquecimento de

Plástico Moderno, Aldo Ciola Filho, executivo da Acmack, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Ciola: estruturas diferenciadas ajudam a elevar competitividade

cilindro e rosca através de infravermelho

O recurso Quench System, adotado pela fabricante das extrusoras Ciola Acmack, também prometia fazer a diferença na coextrusora Master Coex 1000/3 para processar polipropileno (PP) com polietileno (PE) em três camadas. O sistema utiliza água para realizar o resfriamento em vez de ar, na tentativa de garantir filmes com mais qualidade. A ideia, em suma, é associar as propriedades de barreira e transparência do PP à elasticidade do PE, com maior resistência e soldabilidade. Essa Master Coex para coextrusão tubular mostrada nesta edição é bastante similar ao modelo exibido na Brasilplast anterior: a alteração primordial está justamente no controle de qualidade do filme. “A boa repercussão de 2007 reforçou esse novo lançamento”, comentou o executivo da Acmack, Aldo Ciola Filho.

A escolha de uma máquina do tipo tubular tem a ver com seu caráter inovador. Para Ciola Filho, os modelos cast film contam com mais tradição no mercado e, portanto, há mais concorrência. “A coextrusão tubular de PP e PE ainda é novidade em nível mundial”, observou.

Assim como ocorreu nos balanços de outros fabricantes de coextrusoras, o ano de 2008 foi de crescimento. A empresa aumentou o faturamento em 20% em relação ao ano anterior. O único percalço talvez tenha sido com o mercado externo. Acostumada a exportar entre 50% e 55% de sua produção, a Acmack teve de se contentar com índices de no máximo 40% no período. “Em meados de 2008, as exportações caíram para 15%”, lamentou Aldo Filho. Um dos motivos específicos ao setor, ou seja, além das questões cambiais, segundo sua observação, seria a penetração mundial das máquinas asiáticas. Para ele, por causa dessa concorrência, em particular, aumenta a importância de oferecer ao mercado recursos diferenciados.

Tecnologia europeia – A alemã Brückner, com representação no país da Coras do Brasil, apresentou o que chamou de soluções tecnológicas voltadas para uma produção eficiente e rentável de filmes de alta qualidade. A companhia tinha em sua participação a intenção de mostrar seu vigor no segmento de poliéster. Tradicional na fabricação de máquinas para transformar polipropileno biorientado (BOPP) – conta com linhas para capacidades de 900 a 7.000 kg, que atingem velocidades até 525 m/min e larguras de 4 m a 10 m –, apresentou tecnologia para alta produtividade e baixo custo operacional também para o segmento do poliéster biorientado (BOPET).

A empresa divulgou a tecnologia de filme plano, com destaque para as linhas de filme rígido por Roll Stack, para PET-A e PET-G, com capacidade para até 3.000 kg/h, e as linhas cast para filme rígido de PET com capacidades de 5.000 kg/h. “Com o cast, é possível dobrar a produção, com o mesmo custo operacional”, observou o gerente sênior de vendas da Brückner, Volker Lübke.

As máquinas alemãs da Kiefel não estavam presentes no Anhembi, mas mesmo assim impuseram o gigantismo da nobre estirpe. Pertencente ao grupo Brückner, a companhia divulgou máquinas coextrusoras tubulares para a produção de filmes de alta barreira de até nove camadas, bem como as mais convencionais para filmes de três camadas. A representação no país é da Coras do Brasil que, como argumento principal de venda, ressalta a superioridade da tecnologia europeia. No caso da Kiefel, isso se traduz em alta produtividade aliada à uniformidade da espessura de todas as camadas do filme.

Outro ponto forte da marca se trata do sistema de rebobinamento totalmente automático, acoplado aos modelos. “Nossa máquina é mais cara do que muitas outras, sobretudo as nacionais, mas quem precisa de tecnologia nos procura”, afirmou o representante da Coras do Brasil Gustavo Virginillo. Em geral, as coextrusoras Kiefel garantem pelo menos 50% de redução do desperdício do material e do tempo empregado entre as trocas de trabalho, graças ao sistema “Easy Change”, mediante o qual o operador introduz todos os parâmetros de produção do serviço seguinte, e a máquina automaticamente faz a mudança de receita e dos valores de operação.

Para desmistificar a ideia de que essa tecnologia é inacessível ao bolso do transformador brasileiro, Virginillo lançou na Brasilplast uma coextrusora para três camadas, capaz de produzir 380 kg/h. Trata-se de um modelo padronizado, para tornar a companhia mais competitiva em países em desenvolvimento como o Brasil. Além desse tipo de estratégia, a Kiefel criou um departamento para melhorar o desempenho de extrusoras, da marca ou não, por meio de um upgrade. E, dessa forma, a empresa pretende penetrar com mais vigor no mercado nacional. “O cliente verá que não precisa comprar um equipamento completo. Ele pode simplesmente melhorar a máquina já existente”, concluiu Virginillo.

Também com o propósito de ser mais competitiva, a Windmoeller & Hoelscher do Brasil promoveu mudanças em sua estratégia de atuação no país. Ao contrário de alguns rumores entre visitantes e expositores, a unidade fabril da companhia não está paralisada, apenas encerrou as atividades de usinagem dentro da planta, migrando para montagem mecânica e elétrica dos equipamentos, segundo o executivo da W&H do Brasil, Oliver Cornelius.

A W&H é fabricante de máquinas para embalagens flexíveis, ráfia e papéis. No entanto, tem se esforçado para se destacar em nichos específicos, nos quais a tradição alemã tem mais força. Em 2008, a companhia montou três máquinas do tipo balão de sete camadas e duas de três camadas. “Todos esses modelos contam com tecnologia de última geração também existente naqueles fabricados em nossa matriz”, ressaltou Cornelius. Essa postura não é à toa. Os ventos sopram a favor da empresa há algum tempo. Nos últimos dois anos, a W&H vendeu mais equipamentos do que durante os seus 35 anos de permanência no mercado brasileiro.

Apesar desse cenário positivo no mercado de coextrusão, a companhia escolheu para expor na Brasilplast um tear circular modelo AdvanTex 850. O objetivo era apresentar o mais novo membro da família W&H, a empresa Bag Solutions Worldwide (BSW), representada no país com exclusividade pela W&H do Brasil. O tear opera com velocidade de mil lances por minuto e

Plástico Moderno, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Durante evento, máquina da Robel operou com PVC esticável e skin

garante recursos avançados para uma produção de tecidos de ráfia com alto nível de qualidade e refugos mínimos.

A Robel do Brasil também demonstrou sua intenção de sobressair no mercado de extrusão: colocou em operação em seu estande a RP 60C, uma máquina para rodar policloreto de vinila (PVC) esticável e skin, a fim de comprovar a força do PVC como uma opção além dos tubos e perfis. “É a primeira vez que se mostra uma extrusora desse tipo na feira Brasilplast”, ressaltou o diretor da Robel do Brasil, Andrea Roccon. O modelo conta com zona de alimentação resfriada, controle via PID das temperaturas, aquecimento e resfriamento uniformes e acionamento por inversores, entre outros recursos. A relação LD é de 1:26 e na configuração de rosca de 60 mm e largura de 1.200 mm a produção chega a 70 kg/h.

A empresa também abarcou outras áreas em sua exposição: divulgou a RP 40 Multiflex. Essa extrusora de 40 mm transforma filmes de PEAD/PEBD, com 800 mm de largura útil, e mantém produção de até 50 kg/h, “Essa máquina é mais convencional, mas para nós é novidade, não fazíamos”, comentou Roccon.

O estande também abrigou uma calandra, da série Compacta. O equipamento faz parte de linha de extrusão de chapas e folhas, totalmente produzida no Brasil, para produção de até 600 kg/hora.

A Robel do Brasil conta com a experiência da BG Plast, fabricante italiana com mais de vinte anos de experiência no mercado

Plástico Moderno, Luciano Gallino, gerente de vendas, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Gallino mostrou uma extrusora dupla-rosca da italiana Maris

de chapas e folhas, hoje especializada em modelos de grande porte. A Robel do Brasil existe como importadora há mais de dez anos, no entanto, como fabricante de extrusoras, atua desde 2004. A área de filmes é seu principal negócio, até porque sua entrada no ramo de chapas ocorreu, efetivamente, no ano passado.

Rígido – A extrusora dupla-rosca corrotante TM 31 HS/48D, da italiana Maris, esteve em destaque no estande da By Engenharia, sua representante no Brasil. A máquina fabrica masterbatches à velocidade de 1.300 r.p.m. e sobressai justamente pelo alto torque. A linha de corrotantes opera com todos os tipos de compostos de material plástico ou borracha, seja sintética ou natural. De institucional a participação da Maris na Brasilplast teve pouco, a ponto de a empresa trazer de sua sede, em Torino, para o Anhembi o seu gerente de vendas, Luciano Gallino.

“O Brasil foi um dos países menos afetados pela crise”, atestou o gerente. Para ele, a Itália vive um momento de recessão, impulsionando os fabricantes do país a buscar e investir em novas rotas.

O entusiasmo em relação ao mercado brasileiro não para por aí. Gallino informou que a companhia pretende a médio prazo produzir em território nacional, talvez em parceria com sua atual representada. Ainda se trata de um projeto sem muitas definições. De exato, sabe-se que se anseia emplacar mais máquinas da Maris entre os transformadores daqui. A marca possui entre 30 e 40 linhas instaladas no Brasil.

Em outro estande, duas italianas uniram as forças: a Bausano do Brasil e a Primac do Brasil: a primeira, com a MD 90 125 Plus, linha para a fabricação de tubo de PVC rígido; a segunda, com uma embolsadeira dupla, automática para extrusão de tubo também de PVC. Essa última representou o principal lançamento no estande; esse periférico, entre outras características, conta com CLP para controle e inserção de dados; resfriamento mediante a circulação de água fria no interior do mandril e no molde, e recursos para autodiagnóstico, destinados à averiguação de anomalias no funcionamento.

“O parque industrial nacional está obsoleto, queremos oferecer ao mercado mais produtividade e qualidade”, comentou o diretor-comercial da Bausano do Brasil, Chrystalino Filho. Ele explicou que a parceria com a Primac embute o conceito de que é mais do que necessário automatizar as linhas, agilizando a produção. O sistema (extrusora mais esse periférico) fabrica, em média, cerca de 500 kg/hora de tubos de 75 mm. A economia de energia também é um item contemplado pelo desenvolvimento. Graças ao já conhecido sistema multidrive (caixa de redução), registra-se redução do consumo energético de até 40% em relação a modelos similares. A aposta do diretor-comercial se dá em relação à forte demanda pelos tubos. “Com os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é o momento propício para investir em máquinas mais produtivas”, completou. A empresa está confiante a ponto de planejar ampliar a sua fábrica, em breve.

A automação das linhas para fabricação de tubos também ganhou visibilidade no estande da By Engenharia. A empresa mostrou sua mais nova representada: a alemã Inoex, com produtos como o Advantage, equipamento que produz a mudança automática da dimensão de tubos; Saveomat, dosador gravimétrico; e o Maxflexx, junta de calibração para máxima flexibilidade do sistema.

Modelos de dupla-rosca corrotante não faltaram nos estandes do Anhembi. Ao contrário do ocorrido na edição anterior, a Coperion do Brasil levou máquina para a exposição. A fabricante lançou em primeira mão a STS 75 Advanced, antes da apresentação nas próximas edições das feiras NPE (realizada em Chicago) e da chinesa Chinaplast. O modelo é uma dupla-rosca corrotante de 800 r.p.m. de rotação de rosca para produção de até 1.600 kg/h. “Há um aumento da capacidade da extrusora em cerca de 30% para a maioria das formulações com um acréscimo de investimento muito baixo”, comentou o gerente de vendas da Coperion do Brasil, Marcelo Albernaz.

Em virtude da capacidade de produção, a máquina atende sobretudo às necessidades de produtores de masterbatches (branco e preto), recicladores e também de produtores de compostos e plásticos de engenharia de maior volume. Na família STS Advanced, incorporaram-se redutores flender e os acoplamentos bibbygard, ambos da Alemanha, além de sistemas de controle individual de zonas de aquecimento. Em tempo, a extrusora apresenta um preço competitivo por ser montada na China.

Dezesseis máquinas foram comercializadas em 2008 pela Coperion do Brasil: dez montadas na China e seis na Alemanha. “Em 2009, já temos três máquinas da Alemanha e duas da China vendidas”, afirmou Albernaz. Esse cenário estimula a companhia a se aproximar cada vez mais do mercado brasileiro, mas enquanto não consegue viabilizar os planos, divulgados no passado e reiterados nesta edição da feira, de montar algumas máquinas em unidade brasileira, a empresa realiza investimentos em estoque local, sobretudo para as extrusoras do tipo STS. “Também adquirimos equipamentos para prestação de serviços locais como sistema de alinhamento a laser, sistema de medição de desgaste de barris a laser etc.”, comentou.

Esses números revelam outra característica da estratégia da Coperion: competir somente com fabricantes de ponta. Ou seja, suas máquinas concorrem com os modelos europeus, sobretudo os italianos e os da própria Alemanha. Por isso, não há desvantagens, pois os percalços, como as altas taxas de importação, são similares. As fabricações asiáticas nem são consideradas. “A própria Coperion possui uma linha de máquinas 100% chinesa, comercializada apenas no mercado asiático. Este equipamento custa metade do preço da nossa STS, porém não atende às exigências mínimas de qualidade exigidas pelos mercados europeu ou americano e, portanto, não comercializamos estas máquinas fora da Ásia e nem utilizamos o nome Coperion nesta linha de equipamento”, explicou.

Portfólio completo – Quem chegava ao estande da Krauss Maffei se deparava com uma imponente injetora, mas nem por isso o mercado de extrusão ficou descoberto por essa fabricante alemã.

Plástico Moderno, Bruno Sommer, gerente da divisão de extrusão da Krauss Maffei, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Sommer confia na aceitação nacional fa tecnologia alemã

Havia amostras de peças extrudadas e um cartaz, com a inscrição de uma dupla-rosca contrarrotante, no qual se ressaltava seu rendimento superior em relação a outros modelos e sua ampla janela de processos para diferentes formulações.

Essa predileção pela injeção pouco tem a ver com os resultados obtidos pela companhia no ano passado. De acordo com o gerente da divisão de extrusão da Krauss Maffei, Bruno Sommer, 2008 foi um ano excelente para a área, por causa da forte demanda dos mercados brasileiros, venezuelano, peruano, costa-riquenho e chileno. A ebulição do setor fez a empresa dobrar o número de profissionais para atender o segmento. Como se nota, levar uma máquina injetora tratou-se somente de uma estratégia. Além de um sistema de extrusão requerer muito espaço no Anhembi, a injeção é um mercado mais amplo, por definição. “O mercado de extrusão para nós é um pouco restrito: em tubos, perfis, compostos, chapas e alguma coisa em filmes”, comentou Sommer.

O gerente está confiante no segmento de tubos de PVC, em todas as suas aplicações, sobretudo as prediais. No Brasil, os tubos de poliolefinas não têm muito espaço, como os de PVC. Em tempo, metade da produção dessa resina se destina à produção de tubos, e está justamente nesse segmento a força da Krauss Maffei. A empresa conta com máquinas cônicas para até 60 mm de diâmetro de rosca, capazes de produzir até 300 kg/h, e modelos de 75 mm para cima, que produzem ainda mais. O modelo da marca mais vendido no Brasil é o KMD para fabricar 1.050 kg/hora. “Todas as nossas máquinas têm altíssimo rendimento”, comentou Sommer.

Também sem extrusora no estande, a Milacron, reconhecida no setor pela sua tradição entre as injetoras, fez questão de se apresentar como fabricante de extrusoras; e mais: colocar-se no páreo entre os maiores. “Nossa estratégia foi colocar cartazes e peças extrudadas em um ‘display’; nossa ideia foi mostrar que a Cincinnati Milacron Extrusion Systems está de volta ao mercado”, comentou o gerente-comercial da Milacron, Hercules Piazzo.

Para quem está acostumado a ver a Milacron por trás de projetos de injetoras e sopradoras (marca Uniloy Milacron), vale uma explicação: no passado, a companhia possuía uma fábrica, na Áustria, onde produzia os modelos Cincinnati Extrusion. Quando decidiu vender a unidade, a empresa acordou que não comercializaria extrusoras no mercado brasileiro por um período. Com o fim do contrato, há cerca de dois anos, voltou a abastecer o país com esses modelos. Hoje, a companhia conta com uma subsidiária por aqui, com estoque de peças de reposição local e técnicos. “Somos a própria Milacron atuando no Brasil”, ressaltou Piazzo.

A empresa aposta no aquecimento da demanda de máquinas para a produção de perfis de WPC (composto de madeira e PVC). Por isso, aproveitou para divulgar duas máquinas para essa aplicação: a TC86, que atinge até 1.405 kg/h, e a dupla-rosca TE 160-33, com capacidade para fabricar 3.635 kg/h. Mas esse foco não impediu a companhia de olhar para outros setores, como o de tubos de PVC. Um destaque da linha ficou por conta do TC 55, uma dupla-rosca, dotada de sistema cônico. “O que permite seu design mais curto e compacto”, explicou Piazzo. O modelo produz até 270 kg/h de PVC rígido.

A companhia divulgou ainda na ocasião extrusoras mais robustas: a TC 96, cônica com dupla-rosca, com capacidade de até 1.273 kg/h para tubos, e modelos de rosca dupla paralela, sendo que o maior deles tem capacidade de 2.273 kg/h para a fabricação de tubos de PVC rígido.

A intenção da Milacron é oferecer linhas para os segmentos de tubos em geral, perfis e WPC. Além disso, segundo Piazzo, a superioridade da tecnologia para roscas especiais torna a empresa competitiva no mercado de reposição dessas peças. O destaque ficou por conta da alta resistência ao desgaste, pois possuem uma cobertura de tungstênio carbide, cobalto e níquel para os “flights” da rosca.

Made in Brazil – As expositoras nacionais do mercado de extrusão se mostraram esfuziantes com o desempenho do setor no ano passado. “Não teremos em breve nada parecido com o que foi 2008”, comemorou o diretor da fabricante de máquinas LGMT,

Plástico Moderno, Luciano Miotto, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Luciano Miotto comemorou os resultados obtidos em 2008

Luciano Miotto.

O período foi positivo, na medida em que a companhia deu fôlego ao faturamento com a venda de modelos de alto valor agregado. Esse bom momento motivou a empresa a pôr em prática um projeto antigo: de ampliar a fábrica. Por isso, o diretor pretende, até o final do ano, abrir uma nova unidade, três vezes maior em relação à atual. “A mudança terá mesmo de acontecer, pois não temos espaço físico para aumentar as linhas de produção”, observou. Tanto a unidade nova quanto a atual estão localizadas em Piracicaba-SP.

O anúncio dessa novidade acompanhou a confiança da LGMT no segmento de compostos, com o lançamento de uma dupla-rosca para formulações de PP com talco e PE com fibras naturais e afins. Trata-se de uma máquina para laboratório, com 42 de LD e capacidade produtiva de até 80 kg/hora.

“É crescente a procura por perfis com madeira”, exemplificou. Esse aquecimento da demanda por si só não possibilita à empresa total tranquilidade nos negócios. A concorrência chinesa tem incomodado, de forma indireta, inclusive. “Muitas empresas estão atuando como importadores e se dizem fabricantes, sem pensar muito na qualidade”, criticou. Segundo sua estimativa, uma máquina chinesa é vendida, em média, pela metade do valor de uma nacional. De acordo com ele, para driblar essa concorrência, a LGMT investe sobretudo em modelos com ciclos rápidos. “Um equipamento que fabricava em dez horas, há cinco anos, hoje produz em sete horas, no máximo, e com menos operadores e mais qualidade”, resumiu.

Na próxima edição da Brasilplast, a fabricante Miotto comemorará bodas de ouro e, portanto, prepara uma apresentação em grande estilo. De momento, trouxe um pouco de sua tradição para exibir no estande, sem nenhuma novidade em destaque. Mas se engana quem vê a estratégia como um reflexo da crise econômica mundial. A companhia apostou na variedade e buscou levar uma amostra do seu portfólio. Estavam em exposição no Anhembi três monorroscas, sendo uma delas a modelo Economáquina, e uma dupla-rosca contrarrotante EM-2R, para produção de até 280 kg/hora, entre outros equipamentos. “Estou sentindo a retomada das vendas, que, como é de praxe, param no final do ano”, comentou o diretor Enrico Miotto. A companhia vendeu uma máquina já no primeiro dia da feira. No ano passado, a fabricante atingiu sua meta de vendas, com a entrega de 52 unidades. Para 2009, apesar da Brasilplast, as expectativas não revelam muito otimismo. Miotto prevê faturamento 20% inferior ao de 2008.

Plástico Moderno, Enrico Miotto, diretor, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Enrico Miotto levou amostra variada de seu portfólio

Para ele, a concorrência está cada vez mais acirrada no mercado brasileiro, e um dos contratempos se dá por causa da procura por baixos preços. “Os chineses estão incomodando”, atestou. Na avaliação do diretor, isso se dá sobretudo entre os profissionais que atuam no segmento de perfis. Por isso, hoje, nesse segmento, para ser mais competitiva, a Miotto tem optado por modelos padronizados, simples, sem muita automação e sofisticação, ao contrário do que ocorre nas extrusoras da marca para os segmentos de fios, cabos e tubetes automobilísticos, em que a exigência é de alta tecnologia.

Outra empresa interessada em aprimorar o mercado nacional, na exposição, foi a Extrusão Brasil. A fabricante, cujo proprietário é Renato Borges (ex-Imacom), destacou a extrusora DR 75:28. Indicada para tubos e perfis de PVC rígido, a máquina tem capacidade de plastificação de 400 kg/h e relação LD 1:28. A companhia também divulgou o conjunto completo para extrusão de perfis contrarrotantes EB-DR 67, com extrusora dupla-rosca de Ø 67 mm.

 

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Parli italiano? No? No c´è bisogno… Se o brasileiro fala ou não o idioma, pouco importa para os fabricantes italianos de máquinas extrusoras. É o que eles garantem, pelo menos, pois apostam na familiaridade entre as duas nacionalidades, ao contrário do ocorrido com outros povos, como os chineses. Prova de que essa identificação entre Brasil e Itália vai além da consagração da gastronomia ou das artes plásticas dessa região por aqui. Em 2008, a exportação italiana de linhas de extrusão para o mercado nacional representou mais de 12 milhões de euros – cerca do dobro do registrado no ano anterior, segundo o Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE).

Esse dado revela não ter sido por acaso a presença de 31 empresas conglomeradas no Pavilhão Italiano, nesta 12ª Brasilplast, sob a coordenação e a promoção do ICE e da Associação Italiana dos Construtores de Máquinas para a Indústria do Plástico (Assocomaplast). “O Brasil é um mercado importante para nós, é o nosso maior consumidor na América do Sul”, comentou o representante da Assocomaplast, Alberto Colnago. De 2004 a 2008, as exportações de máquinas italianas do setor de plásticos e borrachas para o Brasil quase dobraram, saíram de 36 milhões de euros para 74 milhões de euros. Atrás da Alemanha, o país ocupa o segundo lugar no mundo na lista dos exportadores de máquinas para plásticos e borrachas.

Plástico Moderno,Alberto Colnago, representante da Assocomaplast, Extrusoras - Fabricantes realçam processos otimizados e exibem modelos dotados de recursos sofisticados
Colnago: maior demanda na América do Sul é a Brasileira

A grande penetração das extrusoras made in Italy, para Colnago, tem um porquê definido: o transformador brasileiro busca pacotes de extrusão, não somente a máquina em si, o que seria um campo de excelência do fabricante italiano. Até por esse motivo, a concorrência asiática não representa um empecilho para a Itália, isso sem contar a dificuldade de comunicação, com os chineses, por exemplo, por causa do idioma sem similaridade alguma com o português. Outra questão, agora mais macroeconômica, também justifica a vinda de 31 empresas para o Anhembi-SP. Essa adesão embute a fraqueza atual do mercado italiano. Segundo Colnago, o Brasil foi um dos países menos atingidos pela crise econômica, o que o torna um dos mais atraentes para os industriais europeus. “As atuais condições desfavoráveis da Europa favorecem a exportação, e o mercado brasileiro é um dos que mais têm potencial para adquirir nossos produtos”, atestou.

Apesar desse cenário, os fabricantes ainda têm de ultrapassar alguns percalços no caminho rumo à total e irrestrita aceitação do transformador nacional. A Macchi SPA foi uma das companhias que compuseram o pavilhão. Sem máquinas, apenas com cartazes, o gerente internacional da Macchi, Massimo Buzzi, concorda com a força da indústria italiana no mercado brasileiro, porém fez uma ressalva: depende do segmento de atuação. A Macchi atua, justamente, no fornecimento de linhas de extrusão balão e cast. Ou seja, tem fortes concorrentes locais. “Temos os impostos de importação, que não nos deixam competitivos”, reclamou. Em média, uma linha Macchi chega ao consumidor 60% mais cara do que um modelo similar fabricado aqui.

Mas nem por isso a companhia se coloca fora do páreo. Aposta em um nicho: o de coextrusão de filmes entre sete e nove camadas. “A tecnologia italiana tem a expertise para fazer este tipo de filme”, comentou Buzzi. Ele também destacou novidades como um duplo anel feito pela própria Macchi, capaz de elevar o rendimento da máquina ao processar PEBD. “Passa-se de 1,2 kg a 1,4 kg de produção por cada milímetro de matriz para 1,8 kg a 2 kg, com o duplo anel”, disse.

A extrusão de tubo também tinha aliados no Pavilhão Italiano: a Sica. Fornecedora de máquinas automáticas para a linha final do processo, como cortadores, rebocos e curvadoras para tubos de 10 mm a 2.000 mm, essa fabricante italiana fez questão de participar da Brasilplast, a fim de se aproximar de grandes transformadores. De acordo com o gerente de vendas regional da Sica, Ivan Barzanti, há muitas dificuldades para efetuar negócios no país, por causa da concorrência local e do fato de os modelos italianos terem um público consumidor restrito. “Nossas máquinas respeitam rígidas normas de segurança europeias, e o brasileiro não se importa muito com a segurança”, comentou Barzanti.

 

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