Extrusoras – Fabricantes atualizaram equipamentos para atender mercado

Recuperação

Um sopro de esperança surgiu em julho: os fornecedores de máquinas extrusoras apontam tímida recuperação na consulta por orçamentos nas últimas semanas. A torcida é para que este movimento se traduza no fechamento de alguns negócios nos próximos meses.

Essa, por enquanto, é a única boa nova. Os resultados das vendas de janeiro até agora lembram uma frase do Barão de Itararé, personagem criado pelo jornalista Aparício Torelly, que no século passado fez sucesso com seu humor ácido: “De onde menos se espera é que não sai nada”.

Os motivos do desempenho desanimador são para lá de conhecidos. O imbróglio político pelo qual passa o país gerou um clima recessivo que afeta todos os setores da economia. Entre eles, o da indústria do plástico. As vendas em baixa geram capacidade ociosa nas linhas de produção dos transformadores. Isso não ajuda em nada a procura por equipamentos.

Ao cenário se somam problemas como aumento da dificuldade de se obter empréstimos no BNDES, resultante da política fiscal rigorosa adotada pelo governo federal.

Sem falar nas velhas questões relativas ao custo Brasil, que envolvem temas como juros e impostos elevados, falta de infraestrutura e demais queixas de empresários há décadas.

 

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Nos primeiros meses do ano, os reflexos da crise política levaram o dólar a ser cotado em patamar próximo dos R$ 3,80. Com a valorização da moeda norte-americana, os preços das máquinas brasileiras ficaram competitivos e a exportação de extrusoras passou a ser vista como válvula de escape para o mercado interno fraco.

Como isso aconteceu depois de longo período de real sobrevalorizado, as empresas nacionais iniciaram os trabalhos para recuperar mercados perdidos nos últimos anos. Hoje, com o dólar na casa dos R$ 3,25, tal competitividade não é mais a mesma. De qualquer forma, tem sido intensificado esse trabalho, em especial junto aos países da América do Sul. Os resultados da estratégia serão conhecidos de acordo com a flutuação do valor das moedas.

Os problemas, é lógico, tiraram o fôlego dos fabricantes de extrusoras. As empresas se esforçam para aperfeiçoar seus equipamentos, mas não vivemos período de muitos lançamentos em termos de tecnologia. Existem, no entanto, novidades a serem conferidas. Vale lembrar: em 2015 houve uma edição da Feiplastic e as empresas do setor fizeram lançamentos e aperfeiçoaram as máquinas oferecidas ao mercado antes do evento e estão praticamente em dia com os recursos demandados pelo mercado.

Pra valer – “A crise, dessa vez, pegou pra valer”.

As palavras são de Enrico Miotto, presidente da Miotto, mais antiga fabricante nacional de extrusoras para tubos, perfis, chapas, fios e cabos. A empresa está no mercado desde 1961 e o dirigente diz não se lembrar de, em todos esses anos, viver período tão difícil.

Ele explica que nos últimos dois meses as vendas para o mercado interno chegaram a um nível que beira a tragédia. “Em junho não chegamos nem a 20% do normal. Pela primeira vez está faltando trabalho”.

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Enrico Miotto – Presidente da Miotto

Em julho, começaram a surgir algumas solicitações de orçamentos, nada muito entusiasmante.

“Esse ano, os negócios estão abaixo de 50% de nossas previsões, não estão cobrindo nossas despesas”.

A possibilidade de incrementar as exportações não chega a animar.

“Hoje estamos com preço, mas o câmbio já foi mais favorável no início do ano. Exportar pode ajudar, mas não atende a nossa capacidade”.

Além da instabilidade da cotação do real, que se valorizou nas últimas semanas, outro problema é a reconquista de mercados abandonados, como o da América do Sul. “Há mais de dez anos não atuávamos no exterior por falta de competitividade”. O presidente tem a esperança de uma ligeira melhora neste segundo semestre. “Acho que mudança mais positiva somente no ano que vem”.

Os bons resultados obtidos no ano de 2015, em especial no primeiro semestre, resultado das vendas de cinco linhas de grande capacidade para o segmento de fios e cabos, tem ajudado a empresa a enfrentar as dificuldades. Mesmo assim, alguns ajustes precisaram ser feitos.

Um deles foi o encerramento das atividades da Universaloi, empresa que fabricava roscas e cilindros para as extrusoras. A atividade agora está restrita a uma unidade da Miotto.

Entre os modelos oferecidos, o dirigente ressalta a constante preocupação em oferecer modelos cada vez mais produtivos, feitos a partir de processos capazes de reduzir custos. “Nossos equipamentos têm nível de qualidade europeu”, orgulha-se.

Entre as novidades, destaque para a máquina de dupla rosca EM-2R. Com capacidade de produção de até 2 mil kg/h com PVC flexível, ela conta com painel de controles via CLP, cilindro duplo 30D com sistema de degasagem por bomba de vácuo e by-pass, roscas nitretadas 30D com refrigeração interna lacrada, funil alimentador motorizado e velocidade controlada, redutor para dupla rosca para suportar as cargas exigidas no processo de extrusão e motor de 200 HP com inversor de frequência, proporcionando as rotações das roscas de 5 a 45 rpm.

Condições especiais

Bausano da Brasil

“A situação está complicada para os fabricantes de bens de capital no Brasil. Estamos efetuando algumas vendas, mas muito longe do desejável, muito abaixo de nossas expectativas”, explica Chrystalino Branco Filho, diretor comercial da Bausano da Brasil.

A empresa, de origem italiana, tem fábrica no país desde 1999 e possui ampla gama de modelos mono e dupla rosca, além de todos os equipamentos necessários para a montagem de linhas de produção de chapas, perfis, tubos, telhas e outros produtos.

Para tentar atrair os clientes, Branco Filho revela que está oferecendo condições especiais, baseadas em preços atraentes e condições de pagamento diferenciadas.

A estratégia tem apresentado resultados tímidos. Existem clientes interessados, que querem comprar máquinas, mas eles não estão conseguindo recursos por meio do Finame, o BNDES tem dificultado a liberação dos empréstimos.

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Chrystalino Branco Filho – Bausano da Brasil

“É o caso de um cliente nosso da região Sul. Ele está com o pedido fechado, mas não está conseguindo a aprovação do crédito”, queixa-se.

As exportações não estão na pauta da empresa.

“As vendas externas são capitaneadas pela matriz italiana, temos pouca influência sobre esse mercado”.

As vendas caíram entre transformadores ligados aos mais diversos setores da economia. Um segmento, no entanto, merece menção positiva, explica o diretor.

Trata-se do mercado de telhas de plástico, co-extrudadas em PVC e material acrílico. Esse nicho ainda é incipiente no Brasil, começou a ser comentado por aqui há três anos, com excelente potencial de crescimento. “Um de nossos clientes nessa área tem notado crescimento na procura por parte das construtoras. Acho que nos próximos anos essa aplicação deve se desenvolver de forma importante”.

As telhas de PVC são resistentes e recicláveis.

Por serem muito mais leves, não exigem estrutura tão sofisticada nas construções para serem aplicadas e são mais econômicas para transporte, o que as tornam atraentes ao se calcular o custo/benefício de sua utilização. O filão é dos mais interessantes.

No Brasil, são fabricados em torno de 600 milhões de metros quadrados de telhas por ano. Aproximadamente 45% do total fornecido são de telhas de fibrocimento e 40% cerâmicas.

Uma preocupação da empresa tem sido investir na melhoria do desempenho das máquinas. Um dos focos de atenção nesse sentido é o de equipar as extrusoras com controles de processo mais sofisticados, com funções acrescidas em relação aos modelos anteriores.

A evolução das roscas é outra preocupação. Ela ocorre por meio das alterações geométricas e dos processos de tratamento térmico. “O desempenho das roscas precisa acompanhar o uso de novos materiais, entre eles os dotados com maior percentual de cargas e outras características adequadas para diferentes aplicações”.

Extrusão Brasil

E-mails

No correio eletrônico se concentra parte da esperança por dias melhores na Extrusão Brasil.

“Nos últimos dias começaram a chegar mais e-mails com solicitações de orçamentos e consultas, os clientes começaram a dar o ar da graça. Estamos um pouco mais otimistas”, explica o diretor Leonardo Rocha Borges. Até agora, os resultados obtidos em 2016 são considerados negativos. “As vendas estão muito ruins, até mesmo quando comparadas com as do ano passado, que não foi lá essas coisas”.

A empresa nacional comercializa extrusoras de roscas simples, duplas corotantes ou contra rotantes, misturadores e demais periféricos para a produção de chapas, perfis e tubos.

O modelo 65, o primeiro da marca com duplas roscas cônicas, lançado na Feiplastic do ano passado, tem sido a grande vedete do momento. “Ela conta com produtividade em torno de 20% superior à dos modelos com roscas paralelas. Produz entre 180 e 220 kg/h”.

A novidade atraiu a atenção dos interessados.

“Essas máquinas são as mais procuradas no momento”. Graças à boa receptividade, a empresa ampliou a linha e agora está oferecendo os modelos de duplas roscas cônicas 80 e 92, com capacidades, respectivamente, de 350 kg/h e mais de 400 kg/h. A extrusora pode ser acoplada a linhas de produção completas, cujos demais equipamentos também são fornecidos pela empresa. Elas fazem sucesso junto às empresas transformadoras especializadas na produção de perfilados, tubos e para granulação. Um dos alvos é o mercado de fabricação de telhas plásticas. Para Borges, esse nicho, ainda incipiente, pode vir a crescer bastante nos próximos anos.

Rulli Standard

Dólar baixo

A Rulli Standard, empresa nacional no mercado desde 1961, conhecida por suas máquinas de extrusão para filmes balão com mono, três e cinco camadas, para chapas e vários periféricos usados nas linhas de extrusão, vive dias semelhantes aos das demais empresas do ramo. “O mercado está horrível, abaixo de qualquer expectativa”, resume Paulo Leal, diretor do departamento de vendas.

A expectativa de exportações atenua as dificuldades com o mercado interno. Mas, nesse foco de atuação, no início do ano as coisas estavam melhores.

Plástico Moderno, Leal: linha de máquinas recebeu mudanças para atender a NR 12
Paulo Leal – Rulli Standard

“Estava bom com o dólar cotado a R$ 3,80, agora na casa dos R$ 3,25 ficou mais difícil”.

Para dar ideia do que esta variação significa, Leal lembra que uma extrusora comercializada no exterior por US$ 150 mil com a cotação do dólar mais elevada, agora precisa ser oferecida a US$ 170 mil.

“Perdemos competitividade”.

Leal destaca a preocupação da empresa em promover o aperfeiçoamento constante das máquinas. Entre as providências mais recentes, se encontram a adoção de motores de alta eficiência e o desenvolvimento do desenho das roscas, de forma a torná-las mais produtivas. Outra medida é adequar os equipamentos o máximo possível à norma de segurança NR 12. O foco principal da empresa é o mercado de filmes monocamadas.

Plástico Moderno, Equipamento móvel consegue reciclar bobinas
Equipamento móvel consegue reciclar bobinas – Extrusoras –  Rulli Standard

O lançamento mais recente foi um equipamento para reciclagem voltado para o reaproveitamento de bobinas defeituosas. Um dos seus diferenciais se encontra no fato dele poder ser movimentado com facilidade. “Ele pesa duas toneladas, mas conta com rodinhas”. Essa característica o torna muito útil em plantas com grandes dimensões, nas quais pode ser posicionado ao lado das linhas de produção onde ocorreram os problemas. “Em uma primeira versão, o equipamento recupera filmes simples. Estamos lançando novo modelo para recuperação de filmes impressos”.

Wortex

Sem palavras

A forte redução nas vendas preocupa a Wortex, empresa nacional nascida em 1976 como fornecedora de roscas e cilindros para máquinas transformadoras de plástico. Hoje fabrica também equipamentos para extrusão, reciclagem e periféricos para os processos de transformação. “Eu não tenho o que falar. A situação está muito difícil”, resume Paolo de Filippis, presidente da empresa.

Ele explica que a procura, nos últimos meses, se resume a máquinas para reciclagem.

Plástico Moderno, De Filippis: demanda por roscas e cilindros se mantém ativa
Paolo de Filippis, presidente da Wortex

“Temos sido consultados por empresas de grande porte”, informa.

Já para a área de filmes, as vendas praticamente estão paralisadas. Houve uma pequena melhora no pedido de orçamentos, mas nada que entusiasme o dirigente.

“Os transformadores estão com problemas, não existe financiamento. Não estão comprando máquinas novas”.

Um paliativo resultante da situação é o aumento na procura por roscas e cilindros. “

As pessoas estão procurando melhorar a produtividade dos equipamentos mais antigos”, justifica.

A linha de reciclagem Challenger Recycler é um dos destaques da Wortex. O sistema foi projetado para lavar, moer, secar e alimentar equipamentos de granulação sem a necessidade de aglutinar o material. A linha abre possibilidades de negócios para os pequenos empreendedores, já que os equipamentos têm capacidade de processar de 100 a 1,5 mil quilos de plástico por hora.

sWortex – Linha Challenger Recycler atrai a atenção de empreendedores – Extrusora

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