Extrusoras : Clientes pedem produtividade alta

Clientes voltam a comprar, mas querem máquinas com baixo consumo de energia

Caótico e desafiador.

Assim tem sido os últimos tempos para os fabricantes de máquinas de extrusão.

A alta no preço das matérias-primas e a escassez de insumos e componentes eletrônicos têm impactado o mercado fortemente.

A boa notícia é que há sinais da retomada dos negócios, puxada pelos segmentos da construção civil, embalagens e reciclagem.

Em meio a esse cenário, há o transformador, ávido por produções mais sustentáveis, pautadas sobretudo na economia de energia.

A crise pandêmica instalada em 2020 se refletiu no mercado de extrusão de várias formas: ora elevou as vendas ora as fez despencar.

Na Carnevalli, tradicional fabricante de máquinas para extrusão e coextrusão de filmes plásticos, houve um aumento da demanda por embalagens, sobretudo nos segmentos de alimentos e higiene e limpeza, além do e-commerce.

Plástico Moderno - Extrusoras - Clientes pedem produtividade alta e baixo consumo de energia ©QD Foto: Divulgação
Coextrusora Polaris Plus 5, da Carnevalli

“As vendas retomaram praticamente dois meses após o inicio das restrições impostas para o controle da Covid-19, voltando com muito mais força que anteriormente”, informa o diretor-comercial Wilson M. Carnevalli Filho.

 

Mas também houve percalços a superar.

O diretor relata problemas como a falta de matérias-primas e o aumento, segundo ele, descomunal do preço do aço e outros metais.

Se não bastasse isso, a empresa ainda se viu às voltas com a elevação dos custos de frete dos insumos importados, e enfrentou dificuldades com as operações aduaneiras, tanto para exportar, quanto para importar.

“Em um mercado de venda sob encomenda e com prazos médios e longos de fabricação, fazer uma venda com valor fixo e depois sofrer com os aumentos e a falta de produtos nos deixa inseguros”, comenta.

Esse problema não é percebido apenas pelo fabricante nacional. Bruno Sommer, da Techfine, empresa que representa com exclusividade a fabricante europeia de equipamentos de extrusão Battenfeld-Cincinnati no Brasil e em outros países latino-americanos, aponta que a dificuldade maior, no momento, está nos prazos de entrega, uma vez que praticamente todos os produtores europeus estão com suas fábricas tomadas, e existe uma escassez de alguns componentes, sobretudo os eletrônicos.

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Bruno Sommer, da Techfine

“Em 2020, principalmente no primeiro semestre, tivemos um forte impacto negativo nas vendas de máquinas importadas”, diz. Para Sommer, os investimentos foram freados, ainda por conta do aumento no custo dos fretes e da desvalorização do real frente ao dólar e ao euro.

Apesar dessas dificuldades, alguns setores como o da construção civil têm demandado as máquinas da fabricante. Sommer observa que se intensificou a procura por tubos e conexões.

Segundo ele, os grandes transformadores ainda tinham capacidade instalada excedente e conseguiram atender o aumento imediato dos pedidos, porém, como a economia deu amostras de reaquecimento sólido, novos projetos foram colocados em prática.

Na Techfine, o mercado de embalagens também se mostra em franca expansão.

Sommer credita a ascensão à alta nas vendas da modalidade delivery e à utilização de materiais reciclados, como o PET de pós-consumo.

Ele também diagnostica o crescimento do número de projetos de saneamento básico, por conta da ampliação do uso de PEAD tanto em tubos lisos como em corrugados de dupla parede para drenagem.

Na Miotto, conhecida fabricante nacional de extrusoras para tubos, perfis, chapas, fios e cabos, o enredo é outro.

A companhia já vinha de tempos ruins desde 2016, porém estava se recuperando.

Na época da primeira onda da Covid-19, os negócios, em certa medida, estavam sendo retomados, mas foram bruscamente freados pelo impacto da segunda onda.

“O mercado estava sinalizando uma melhoria, mas infelizmente apareceu a pandemia que mudou todo o cenário”, explica o diretor Gino Miotto.

Diante dessa situação, a fabricante perdeu participação no mercado de tubos e forros de PVC; passou a oferecer somente as extrusoras e não mais as linhas completas.

Um alento veio do segmento de fios e cabos para a construção civil (conhecidos como building wire).

“Esse setor tem mostrado melhorias nas nossas vendas e é um setor que atendíamos muito bem antes, mas, com a pandemia, fomos obrigados a limitar nossa linha de atuação nesse mercado às linhas mais simples”, diz Miotto.

Segundo o diretor, hoje, um diferencial da companhia se refere ao seu parque fabril, porque é completo: contém desde a caldeiraria até as instalações em campo para entrega final das máquinas, incluindo os revestimentos com ligas bimetálicas nos cilindros.

“Com essa estrutura podemos fornecer peças de reposição com maior brevidade”, comenta.

Voltando ao mercado de filmes, Silvio Davi Pires, gerente-comercial da Rulli Standard, em meio ao caos pandêmico, teve uma surpresa positiva.

Segundo ele, setores que não investiam em maquinário novo passaram a fazê-lo. Ele cita como exemplo os fabricantes de sacos plásticos para acondicionamento de lixo.

Plástico Moderno - Extrusoras - Clientes pedem produtividade alta e baixo consumo de energia ©QD Foto: Divulgação
Silvio Davi Pires, gerente-comercial da Rulli Standard

“Nos últimos anos, muitas empresas deste setor, assim como fabricantes de sacolas recicladas, têm adquirido novas extrusoras, resultando em maior produtividade, menor manutenção e custo mais baixo de energia.”, afirma.

Reciclagem – Nesses novos tempos, o mercado de reciclagem vem ganhando importância.

Na Wortex Máquinas – Extrusoras, Recicladoras e Equipamentos para Reciclagem, o aumento da demanda por esse tipo de mquinário, nos últimos meses, impulsionou a investir no aumento da capacidade produtiva e na aquisição de equipamentos, além da contratação de colaboradores.

Plástico Moderno - Extrusoras - Clientes pedem produtividade alta e baixo consumo de energia ©QD Foto: Divulgação
Diretor da Wortex, Paolo de Filippis

“Com a pandemia, o plástico passou a ser mais valorizado e assumiu sua real importância na nossa sociedade. Com isso, a conscientização com relação à reciclagem se fez necessária, trazendo uma crescente demanda”, afirma o diretor da Wortex, Paolo de Filippis.

Até por este motivo, na Wortex, as expectativas para este ano são de crescimento de cerca de 30%. O diretor se baseia no desempenho do mercado nos últimos anos.

Ele conta que entre 2017 e 2019 houve um tímido crescimento nas vendas, que se intensificou em meados do ano passado com o aumento da procura por equipamentos de reciclagem.

Não por acaso, segundo Carnevalli, os maiores avanços do mercado de filmes se referem ao uso de materiais reciclados e dos monomateriais, esse último, no caso, são estruturas de embalagem que contenham só um tipo de material ou no máximo até 10% de outro material na composição, o que permite que sejam reciclados e voltem a compor estruturas de outras embalagens.

Hoje, a Carnevalli investe neste tipo de tecnologia e em máquinas mais produtivas.

“A relação consumo versus quilo produzido acaba sendo muito mais vantajosa”, afirma o diretor em referência ao modelo com maior capacidade de extrusão.

Aliás, na avaliação de Carnevalli, os equipamentos para filmes de cinco e sete camadas voltados apenas para uma determinada família de resinas, como o polietileno, são a principal tendência do setor.

“Esses equipamentos possibilitam o uso de resinas nobres em baixa quantidade e do tipo PCR (pós-consumo reciclada) ou de menor valor em maiores quantidades”, explica.

Não é de hoje que o setor anuncia como tendência a predominância das coextrusoras em detrimento dos modelos monocamadas.

Porém esse movimento até agora teve pouca consistência. Carnevallli, no entanto, constata que esse enredo está mudando.

Segundo ele, há um novo perfil de compra da indústria brasileira, pois as coextrusoras têm recebido prioridade, tanto nos modelos de três (de maior demanda) como nos de cinco e sete camadas, a ponto de hoje as vendas deste tipo de máquina superar as de monoextrusoras.

Na Rulli Standard, a demanda por coextrusoras de filme e chapas aumentou em torno de 60% entre 2020 até agosto deste ano, e Pires projeta duplicar as vendas destes modelos nos próximos doze meses.

“Embora o custo de investimento das coextrusoras continuem altos, comparados às monocamadas, vale ressaltar que a flexibilidade e o leque de opções de processabilidade, com qualidade e produção elevada, compensam a aquisição”, argumenta.

Ecológico – Outra tendência anunciada há tempos diz respeito à otimização dos processos.

Devido à escassa disponibilidade de recursos, assim como à crescente busca por produtos e máquinas com apelo sustentável, torna-se urgente a oferta de extrusoras mais eficientes, que consumam menos energia, sejam mais produtivas e que reduzam o espaço ocupado.

Sommer comenta que há tecnologia disponível para isso e cita a de origem europeia como exemplo.

Segundo ele, é possível produzir com uma só máquina (dependendo do produto) o que fabricantes asiáticos produzem com duas ou até três, diminuindo o consumo de energia e a quantidade de materiais nobres usados na construção das máquinas.

“Ou seja, reduzindo o desperdício de matérias-primas e ajudando a diminuir o impacto no meio ambiente”, comenta.

Ainda sobre a eficiência energética dos processos produtivos, Sommer menciona um modelo da Battenfeld-Cincinatti que dispõe de um sistema de resfriamento interno na produção de tubos, no qual pelo cabeçote de extrusão é succionado ar ambiente do final da linha através do próprio tubo em produção.

“Com isso podemos reduzir em aproximadamente 30% o comprimento de resfriamento dos tubos, reduzindo o número de banheiras de resfriamento ou aumentando o rendimento da linha de forma expressiva”, diz.

Na opinião de Pires, aliás, o que existe de mais relevante ultimamente no mercado da extrusão é a necessidade de tornar os equipamentos eficientes energeticamente, ou seja, aliar alta produtividade com consumo baixo de energia.

Por isso, ele enfatiza que as máquinas Rulli apresentam estas características, além de proporcionar a possibilidade de processar também matéria- prima 100% reciclada.

Sobre o mesmo tema, De Filippis avisa que os equipamentos de reciclagem da Wortex foram projetados de forma a consumir o mínimo possível de energia, utilizando componentes elétricos que estão dentro da lei vigente de eficiência energética.

“Nossas máquinas de reciclagem possuem uns dos menores, senão o menor, consumo energético”, afirma.

A linha Challenger Recycler segue em destaque na Wortex. A “Geração II” se diferencia por ser um equipamento versátil – é capaz de processar tanto os materiais flexíveis quanto os rígidos, separadamente, ou simultaneamente.

O setor – Ao longo dos anos, as máquinas para filmes vêm se aprimorando em alguns quesitos.

Pires cita um deles: a utilização de anéis automáticos importados, que reduzem a variação da espessura dos filmes em até 60%.

Ele fala ainda sobre as máquinas com baixo consumo de energia da marca.

Elas utilizam motores com alta eficiência, próxima a 100%, com categoria IR4, acima do que a legislação vigente exige desde janeiro, proporcionando economia de energia de até 30%.

Ele se refere à nova lei de eficiência energética que estabelece o índice de rendimento (IR) para todos os motores elétricos utilizados no Brasil. Vale dizer que quanto maior o IR, maior a eficiência do motor elétrico.

Ainda sob a temática da economia de energia, Pires destaca uma parceria com um fornecedor de mantas térmicas.

O negócio resultou no desenvolvimento de um produto que evita problemas ocasionados por falta de isolamento térmico adequado e desperdício de energia, entre outros.

Destaques na linha de flexíveis da Rulli são os modelos EF-2.1/2”, com produção em PEBD chegando até 270 kg/h, em PEAD (até 230 kg/h) e em PEBD 100% reciclado (até 250 kg/h).

Plástico Moderno - Extrusoras - Clientes pedem produtividade alta e baixo consumo de energia ©QD Foto: Divulgação
Extrusora de filmes EF-2.1/2” processa até 270 kg/h de PEBD

Entre as máquinas de coextrusão para polietienos, Pires menciona a Coex-3, para processar filmes com até oito metros de largura.

Com o foco no mercado agro, o modelo produz 1.000 kg/h, com 65% da capacidade máxima de rpm das extrusoras, e consumo de 0,21 kW por kg/h.

“É um equipamento diferenciado no segmento, com opção de produzir lonas de até dez metros de largura, apenas mudando o diâmetro da matriz para 1.200 mm”, diz.

A Rulli Standard divulga ainda a linha Coex-5 para chapas PET barreira para produção de 700 kg/h, utilizando EVOH/poliamida para fabricação de bandejas para frios, e a linha EC-130, monocamada e Coex.

São diversas configurações com produção que varia de acordo com a matéria-prima processada: 850 kg/h (PP) até 1.200 kg/h (PS-PET).

“As máquinas utilizam motores diferenciados e super-resistências fundidas em alumínio, evitando maior consumo de energia e manutenção”, finaliza.

As novidades mais recentes Battenfeld-Cincinnati são máquinas de produção de tubos de PEAD. Um destaque é a linha de extusoras Solex NG.

Plástico Moderno - Extrusoras - Clientes pedem produtividade alta e baixo consumo de energia ©QD Foto: Divulgação
Extrusora Solex NG 75 oferece produtividade elevada

O modelo possui um cilindro com parede ranhurada em toda a sua extensão, aliado a uma geometria especial de rosca, que possibilita a uma máquina “pequena” alcançar altos rendimentos, mantendo uma baixa temperatura de massa – condição importante para a produção de tubos de todos os tamanhos.

Sommer ressalta que a linha opera com 15% menos energia, no mínimo, quando comparada a outras máquinas de mesmo rendimento.

Os cabeçotes de tubos de grandes diâmetros com ajuste no gap de massa possibilitam ainda a produção de tubos em diferentes dimensões sem necessidade de trocar ferramentas (pinos e buchas).

No que diz respeito às máquinas de PVC, destaca a linha de extrusão quádrupla para tubos de até 48 mm de diâmetro externo.

“Produz quatro tubos simultaneamente de forma precisa, com alto rendimento e excelente controle de processo, e mais baixos níveis de sobrepeso”, afirma Sommer.

A fabricante conta também com nova linha de máquinas de granulação de PVC para materiais rígidos e flexíveis, com maiores capacidades, e uma ampla gama de linhas de produção de chapas para termoformagem.

Sommer informa que a Battenfeld-Cincinnati é hoje a empresa com o maior número de linhas de tubos de grande diâmetro instaladas no mundo, e a única fábrica que já entregou linhas para tubos em PEAD de parede sólida acima de 2.800 mm de diâmetro externo.

No Brasil, a maior quantidade de máquinas da marca se destina ao PVC (tubos, perfis e granulação), ao PEAD (tubos) e às chapas para termoformagem.

Os filmes técnicos sempre foram um dos focos da Carnevalli.

Desde quando a fabricante instalou equipamentos com controle e correção de espessura (entre 2003 e 2004), passou a desenvolver máquinas cada vez mais precisas, com controles de alta tecnologia, como os da alemã Kdesign, e de maior planicidade.

“O que possibilitou que esses filmes fossem impressos e laminados com maior velocidade e qualidade”, diz.

Apesar de não ter um lançamento recente, Carnevalli destaca a conhecida linha Polaris Plus 5 camadas POD. Segundo ele, especialmente dedicada ao polietileno, trata-se da única linha produzida no Brasil com altíssima capacidade produtiva.

“Ela é muito flexível às novas tendências de sustentabilidade”, explica. Carnevalli comenta que a procura pelo modelo está muito grande e só não é maior porque são equipamentos mais caros e o transformador ainda não entende as grandes diferenças de produtividade, flexibilidade e redução do consumo de energia, e faz um adendo: “mas, claro, sempre avaliando o perfil de cliente que, muitas vezes, não se adequa a um maquinário de alta produção”, finaliza.

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