Máquinas e Equipamentos

Extrusão – Produção local escassa e com pouca variação favorece a entrada de novas empresas no setor

Renata Pachione
22 de outubro de 2009
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    Abrindo mercado – Apesar das boas intenções dos fabricantes de máquinas, o mercado de periféricos contém lacunas. Atentas a essa brecha e com a ânsia de prover soluções completas, algumas companhias especializadas na fabricação desses equipamentos têm diversificado seu negócio, e um dos caminhos mais atraentes aponta, justamente, para o segmento de extrusão. Esse é o caso da Piovan do Brasil. Em 2008, essa fabricante contratou pessoal para a área comercial, com experiência neste processo, e destinou profissionais especialmente para a aplicação. Os resultados começaram a aparecer neste ano. “Em diversos outros mercados já temos participação bastante expressiva, naqueles nos quais ainda não temos, lutamos para adquiri-la. Extrusão é um destes mercados que está em crescimento para nós”, explica o vice-presidente da Piovan, Ricardo Prado.

    Prova dessa postura se viu na Brasilplast deste ano. Na ocasião, a empresa lançou um dosador gravimétrico, específico para o processo. Destinado para a transformação de monomateriais até multicamadas, o equipamento controla o peso por metro de material extrudado e, segundo o fabricante, assegura economia de matéria-prima de até 30%, se comparado a acessórios similares. “A aceitação está sendo excelente”, orgulha-se Prado. Na opinião dele, a repercussão positiva, em parte, se deu em virtude de o mercado de extrusão carecer de produtos diferenciados e por ser abastecido por poucos fornecedores.

    Um outro destaque da companhia são os trocadores de calor para extrusão de filme tubular. Trata-se de equipamentos de alto rendimento, que podem ser fornecidos com ou sem uma unidade de água gelada agregada, e proporcionam, de acordo com a estimativa de Prado, aumento de produtividade de até 15%. A aposta é no diferencial e na diversidade. “Não ficamos limitados a alimentar ou dosar somente”, diz Prado. O portfólio da empresa conta ainda com soluções de refrigeração para filmes, tubos e perfis; sistemas para refrigerar “banheiras”; controle de temperatura de mínima variação para processos delicados, como extrusão de cabos elétricos, e mais recentemente equipamentos específicos para secagem do polímero biodegradável PLA. Além de sistemas de cristalização e secagem para recuperação de PET e para extrusão de chapas de termoformagem.

    “Periférico não é moeda” – Como se vê, o mercado de periféricos está em formação: muitos entrando com mais força, e outros tantos diversificando seu negócio. Mas se engana quem pensa que há espaço para qualquer tipo de tecnologia. A LGMT atua no ramo de extrusão desde 1963, quando fazia reformas e consertos de peças em geral. Desde então, seu diretor Luciano Miotto acompanha o desenvolvimento do setor. Para ele, nesse momento, em particular, os fabricantes nacionais sofrem com a forte penetração da produção chinesa no país. Sua principal reclamação hoje se dá em relação a esse tipo de concorrência, considerada desleal, por causa dos baixos preços praticados. Mas não ousa baratear sua linha de extrusão com a adoção de periféricos chineses. “Não confio em periférico chinês”, diz Luciano Miotto. O motivo é simples: ao se entregar uma linha de extrusão ao cliente, é o nome do fabricante da máquina que é posto à prova. Ou seja, se algo não funciona, como um alimentador, por exemplo, não se pensa na peça isoladamente, o transformador tende a atribuir a falha à linha. Luciano Miotto enfatiza que esse tipo de equipamento não tem qualidade e comprometeria o seu nome. “O periférico não é moeda”, comenta. O ideal é buscar outros caminhos para ser mais competitivo, e não subestimar a importância desse tipo de equipamento.

    Para ser mais competitivo, uma solução encontrada por Luciano Miotto passa pela proposta de racionalizar sua estrutura. No início do próximo ano, a empresa atenderá em novo endereço, em um galpão de 3 mil m² (hoje ocupa 1,8 mil m²), em Piracicaba-SP. Mas esse não é o ponto, a fabricante irá se dedicar a projetos de formas construtivas menos custosas. Um exemplo fica por conta do periférico para banho de resfriamento e calibração a vácuo para tubos, do qual foram reduzidas as dobras de sua estrutura física. Fabricante de linhas de extrusão, a LGMT comercializa máquinas para tubos rígidos, flexíveis e corrugados, para granulação e perfis. No entanto, também abastece o mercado com a venda avulsa de periféricos. Em geral, o cliente compra a linha completa, a não ser no caso de trocas e peças de reposição.

    Para Carnevalli, a Ásia também não pode ser considerada fornecedora. “Alguns periféricos para sopro e injeção, a região até fabrica com qualidade, mas para extrusão não há ninguém ainda que os faça bem”, diz o diretor. A By Engenharia tem

    Plástico, Marco Antonio Gianesi,  diretore da By Engenharia, Extrusão - Produção local escassa e com pouca variação favorece a entrada de novas empresas no setor

    Gianesi ratifica intenção de construir fábrica no Brasil

    uma visão um pouco diferente. Para Gianesi,

    neste momento, a grande maioria dos equipamentos asiáticos é descartável e muito barata, porém há uma parcela de produtos de qualidade, que possui preços similares aos praticados por fabricantes norte-americanos e europeus. Por representar companhias estrangeiras no Brasil, a By Engenharia aposta na oferta de serviço diferenciado, assistência técnica local e rápida reposição de peças desde já, pois, em um futuro próximo, segundo o diretor, os preços e os produtos de todos os fabricantes serão muito equivalentes. Por isso, e não por acaso, a companhia reitera mais uma vez seu objetivo de ter uma fábrica em São Paulo, em Vinhedo. A ideia é iniciar a construção ao longo de 2010. “Estamos trabalhando em várias frentes com projetos tanto de periféricos (bombas, matrizes, roscas, camisas bimetálicas, fornos de limpeza, filtros, sistemas de granulação imersa em água) como também em linhas de extrusão completa”, resume Gianesi.

    Processos mais rápidos – Com o tempo, a origem dos produtos pouco importará, se a tecnologia empregada for de qualidade. Um fenômeno ocorrido nos últimos anos tende a impulsionar a indústria de periféricos a evoluir cada vez mais: os processos estão mais rápidos, e precisam de equipamentos compatíveis com essa evolução. No passado, uma extrusora produzia cerca de 150 quilos/hora; hoje, a produção alcança em média mais de 200 quilos/hora. Há dez anos, para limpar uma linha com granulador e soltar a tela da peneira – não havia ensacadeira – levava-se cerca de duas horas. Com a adoção da ensacadeira, esse período caiu para até 50 minutos.

    Outro ponto salutar diz respeito à contribuição dos periféricos na redução dos custos de produção. “A economia de matéria-prima em tempos difíceis acaba sendo o maior apelo para a venda de periféricos”, destaca Gianesi. Os equipamentos de qualidade proporcionam melhorias no desempenho da linha como partidas mais rápidas, evitando assim desperdício de tempo e matéria-prima, menor energia despendida por quilo de produto produzido, entre outros benefícios. “Temos vários estudos de retorno de investimento para quase todos os nossos produtos que nos ajudam bastante a realizar uma venda”, afirma Gianesi.



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