Máquinas e Equipamentos

Extrusão – Produção local escassa e com pouca variação favorece a entrada de novas empresas no setor

Renata Pachione
22 de outubro de 2009
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    Carnevalli Filho.

    Na extrusão de chapa, tubos e perfis a história muda um pouco. Segundo avaliação do diretor da Miotto, Enrico Miotto, em especial neste ano, os transformadores optaram por equipamentos econômicos. “Não utilizaram o melhor”, explica. Em outras palavras, o cliente dessa fabricante nacional não tem exigido pacotes tecnológicos completos nem tão pouco avançados. “A maioria procura somente preços baixos, especialmente no caso dos periféricos de frente”, diz.

    Fundamental – O diretor sabe bem sobre o que está falando. É de praxe, no segmento de tubos, perfis e chapas, os equipamentos de pré-extrusão serem adquiridos de companhias especializadas em periféricos, enquanto a fabricante do conjunto extrusor tende a produzir a linha de frente completa. Na opinião de Enrico Miotto, essa postura dá mais tranquilidade para o cliente, pois assim se minimizam os problemas de integração e funcionamento da linha.

    Nessa área, em geral, aceita-se segmentar os periféricos em dois tipos: os da linha de frente ou pós-extrusão, aqueles localizados depois do cabeçote, como banheiras, puxadores, calhas, cortadores, peneiras e ensacadeiras, entre outros, e os da pré-extrusão, considerados também como periféricos para matérias-primas, pois estão ligados à alimentação da extrusora. São os equipamentos da linha de frente que determinam o tipo de aplicação, ou seja, esses periféricos, o cabeçote inclusive, vão diferenciar as linhas de extrusão, definindo o produto a ser transformado. “Uma extrusora sem periférico não existe, a forma que se dá ao polímero granulado depende do periférico”, enfatiza o diretor da LGMT, Luciano Miotto.

    Ou seja, na extrusão, esse tipo de equipamento de auxiliar ou complementar não tem nada. O periférico é considerado opcional na medida em que possibilita ao cliente comprá-lo com o conjunto extrusor, no fabricante da máquina, ou em outras empresas, como peças avulsas. A terminologia, no entanto, nem sempre importa, mas sim seu papel numa linha de extrusora. Buffone, da Mecanoplast, diz que não considera o seu produto um periférico, e sim uma máquina produtora de matéria-prima. “Assim como a extrusora não pode ser substituída, o misturador também não”, compara.

    Plástico, Extrusão - Produção local escassa e com pouca variação favorece a entrada de novas empresas no setor

    Perfilpolimer lançou alimentador a vácuo de fabricação própria

    Fugindo um pouco do padrão, a Perfilpolimer, além de responder pelos periféricos da linha de frente, fabrica os equipamentos da pré-extrusão. Na verdade, começou a produzir alimentadores para compor sua própria linha, mas depois resolveu abrir a comercialização para outras empresas.

    Produzir esses equipamentos dá à companhia mais competitividade, segundo o seu diretor Edson Ferreira da Silva. Ou seja, a Perfilpolimer não tem a pretensão de concorrer com os fornecedores de periféricos, mas sim de ter equipamentos que agregam valor à sua linha de extrusão. “Eu os uso como argumento na negociação com o cliente”, explica o diretor.

    O novo alimentador da Perfilpolimer, feito de aço inox, funciona a vácuo, possui motor trifásico e de alto rendimento, o que reduz o consumo de energia. Permite incorporar válvula proporcional para promover alimentação programada de material em grão e moído, e acompanha um sistema automático de limpeza por ar comprimido. Uma vantagem importante, segundo Silva, refere-se ao fato de ser controlado pelo painel da extrusora, oferecendo comodidade ao usuário. Também do mesmo segmento, entre os periféricos da marca há os dosadores de pigmento, porém estes ainda estão em fase de testes.

    Pelo fato de a extrusão se subdividir em diferentes aplicações e, portanto, tipos de periféricos específicos para cada necessidade, as empresas ora são concorrentes ora parceiras. Esse é o caso da representante By Engenharia, em relação aos fabricantes locais de máquinas e periféricos. Em geral, na opinião de Gianesi, produtos dotados de um alto nível tecnológico são adquiridos por terceiros, ou seja, especialistas em periféricos, como é o caso de suas representadas. Para ele, os fabricantes locais de máquinas e periféricos, em sua grande maioria, não são especializados e fazem de tudo, porém o melhor produto é feito por companhias focadas em um único tipo. “Por isso, acabamos vendo os fabricantes locais em duas frentes: clientes e concorrentes”, conta.

    No ramo da extrusão balão, o enredo se repete. A Carnevalli não produz seus periféricos, no entanto, ao oferecer ao mercado uma linha com seu nome, passa a ser responsável por todas as peças que a compõem. Ou seja, precisa se unir a fornecedores de primeira linha para não comprometer seu conjunto extrusor. Em linhas gerais, na Carnevalli, o periférico que embute alta tecnologia é comprado num pacote completo, com a extrusora, e não de terceiros. No entanto, essa história tem um viés: nem sempre o fabricante da máquina tem facilidade para adquirir equipamentos de desempenho diferenciado no mercado nacional. “Só consigo controladores e medidores de espessura importados”, reclama Carnevalli.



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