Extrusão – Construção civil anima fabricantes de tubos

Plástico Moderno - Extrusão - Construção civil anima fabricantes de tubos ©QD Foto: Divulgação
Extrusora de pequeno porte MD 30

Saneamento e construção civil animam fabricantes de tubos, chapas e perfis – Extrusão

A expectativa de representantes de algumas das mais importantes empresas ligadas à indústria de tubos e perfis de plástico é positiva. Para eles, o momento mais crítico da economia após o surgimento da Covid-19 terminou em maio e a retomada vem acontecendo em velocidade superior às expectativas vividas nos piores momentos da crise. O principal fator do otimismo se encontra no desempenho da construção civil, segmento que responde por em torno de 22% do total de produtos plásticos transformados no país, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Tubos e perfis respondem por boa parcela dessa produção.

A construção civil sofreu em menor intensidade os efeitos da pandemia e vem apresentando boa recuperação. Enquanto no segundo trimestre o PIB caiu 9,7% na comparação com o primeiro trimestre, a queda do PIB da construção civil brasileira foi menor, de 5,7%, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Outro motivo de otimismo foi a aprovação em julho, pelo Congresso Nacional, do novo marco regulatório do saneamento básico. Com a alteração da lei, a previsão do mercado aponta investimentos de R$ 620 bilhões em atividades como distribuição de água e tratamento de esgotos, entre outras, até o ano de 2033. Vale lembrar: no Brasil, 35 milhões de pessoas não contam com água tratada e 53% da população não têm acesso a redes de esgoto.

Plástico Moderno - Indústria quer ampliar a reciclagem do PVC - Extrusão ©QD Foto: iStockPhoto
Claudia Tsukamoto, assessora técnica do Instituto Brasileiro do PVC

Termômetro – A matéria-prima mais utilizada para a fabricação de tubos e perfis rígidos voltados para a construção civil é o PVC. O desempenho das vendas dessa matéria-prima é excelente termômetro de como caminha esse nicho de mercado. De acordo com Cláudia Tsukamoto, assessora técnica do Instituto Brasileiro do PVC, a pandemia influenciou muito as vendas deste mercado. “Houve queda vertiginosa em abril”.

Com a classificação do funcionamento das lojas de materiais de construção como atividade essencial e a mudança no comportamento de compra do consumidor, que passou a ficar mais em casa e a fazer obras e reformas, ocorreu recuperação acelerada nos meses seguintes. “Com a ajuda do auxílio emergencial dado pelo governo, o brasileiro passou a dedicar tempo e dinheiro para cuidar de sua residência”.

Também houve demanda por obras de infraestrutura, abastecimento, e até mesmo a construção de hospitais de campanha provocou a recuperação dos negócios. “O setor entende que a partir de janeiro, pós-férias e com mais proximidade da liberação de uma vacina, tenhamos uma estabilização”, avalia Claudia.

Alguns testemunhos confirmam o desempenho do mercado apresentado pela assessora técnica. Almir Cotias, diretor do negócio de vinílicos da Braskem, observa uma alentadora retomada no mercado PVC, que chegou a ter 70% de queda nas vendas em todas suas aplicações no bimestre abril/maio. “No terceiro trimestre, em especial nos últimos dois meses, houve uma importante recuperação do setor de construção civil, que impulsiona determinadas aplicações de PVC. As vendas já atingiram o patamar anterior ao início da pandemia”.

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Plástico Moderno - Extrusão - Construção civil anima fabricantes de tubos ©QD Foto: Divulgação
Cotias: vendas de PVC voltaram ao patamar de antes da pandemia

Ele também credita a recuperação a alguns outros fatores, como recomposição de estoques e o aquecimento da economia estimulado pelo auxílio emergencial. “Também temos boas expectativas para o mercado de PVC para os próximos anos por conta do Marco Legal do Saneamento Básico, que pode destravar investimentos importantes e necessários para o País”. O diretor da Braskem divulga a linha da empresa SP 767RA, voltada para a produção de tubos e conexões. “A principal característica desses grades para aplicações em rígidos é a não propagação de chamas, que os torna altamente recomendados para uso em sistemas de água e esgoto”.

Outra indicação do desempenho do mercado vem da Tigre, multinacional brasileira que oferece amplo portfólio de produtos para os mercados predial, de infraestrutura, de irrigação e industrial. Ela tem no nicho de tubos e conexões seu carro-chefe, além de atuar com outras linhas. De acordo com informações prestadas pela empresa, o ano de 2020 tem sido bastante atípico. O primeiro semestre teve os resultados muito prejudicados especialmente por causa dos meses de março, abril e maio. A partir de junho, o mercado reagiu muito bem. Julho e agosto foram meses muito bons, e a expectativa é de resultados positivos no ano.

Metas ambiciosas – O cenário do mercado de perfis de PVC é bastante similar. “A expectativa para o ano era ótima, aí veio o balde de água gelada gerado pela pandemia. De uns três ou quatro meses para cá o volume de orçamentos e pedidos veio se recuperando, está próximo ao de outubro de 2019”, informa Eduardo Rosa, diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Sistemas, Perfis, Componentes e Esquadrias de PVC (Aspec PVC).

O diretor acredita em forte crescimento da demanda nos próximos anos, em especial dos perfis de PVC voltados para as janelas. Ele credita seu otimismo às características da matéria-prima, que espera venha substituir outros materiais, como madeira, aço e o principal concorrente, o alumínio. “Temos notado que está crescendo o interesse dos consumidores por produtos com a qualidade que só o PVC oferece”.

As metas previstas pela Aspec PVC são muito ambiciosas. Hoje, no Brasil, se estima que de 4,5% a 5% dos perfis usados no Brasil são feitos com a resina. “Queremos dobrar essa participação nos próximos cinco anos e chegar a entre 24% e 26% em vinte anos”. Para se ter ideia do potencial do mercado, vale lembrar que nos Estados Unidos a participação da resina no mercado de perfis é de 56%.

Rosa aponta alguns fatores para justificar seu otimismo. No último mês de agosto foi aprovada a norma ABNT NBR 16851, voltada para especificar a fabricação dos perfis e esquadrias em PVC fabricados no Brasil. “Não tínhamos uma norma brasileira e essa aprovação é muito importante para nossa indústria”. Outra boa notícia foi o lançamento do primeiro curso de fabricação e instalação de esquadrias de PVC, que será ministrado pelo Senai. “A primeira turma está prestes a se iniciar e vai permitir a capacitação profissional do setor”.

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Polietileno – A expectativa de vultosos investimentos na área de saneamento nos próximos anos resultante da aprovação do novo marco regulatório do saneamento básico também anima os participantes da indústria de tubos de maiores dimensões fabricados em polietileno. Nesse segmento de mercado a resina tem o aço como principal concorrente. “Os tubos de polietileno são mais leves, têm maior flexibilidade para a instalação, possuem excelente resistência química, não sofrem problemas de corrosão”, garante Marcos Celestino, engenheiro de aplicação da Braskem, fabricante da matéria-prima.

O engenheiro cita um estudo realizado em 2017 pela Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE) que calculou que os tubos representam em média apenas 3,8% do custo das obras de saneamento. Por isso, ele defende que os contratantes das obras utilizem dutos fabricados com matérias-primas de qualidade, dotadas com as propriedades previstas nas normas brasileiras e internacionais de qualidade. Para ele, não são poucos os trabalhos feitos no Brasil que por usarem tubos de má qualidade resultam em enormes prejuízos para a comunidade que deveria ter sido beneficiada.

Sem qualquer falsa modéstia, Celestino lembra que a Braskem atende esse mercado há muitos anos e conta com amplo portfólio de produtos certificados voltados para as mais diversas aplicações. Ele lembra que a empresa realiza testes para os usuários interessados em saber se os materiais a serem utilizados nas obras não são falsificados e atendem as especificações exigidas. Como esses testes às vezes são demorados, a empresa está investindo no desenvolvimento da tecnologia voltada para o uso de tracers, moléculas acrescentadas à matéria-prima que garantem, em testes instantâneos feitos no campo das obras, que os materiais foram fabricados pela empresa.

Plástico Moderno - Extrusão - Construção civil anima fabricantes de tubos ©QD Foto: Divulgação
Chrystalino e extrusora para perfis: transformação ainda tem ociosidade

Equipamentos – Em tempos de bicudos a vida dos fabricantes de equipamentos não é nada fácil. “Somos os primeiros a sentir a crise e os últimos a sair dela”, resume Renato Rocha Borges, diretor comercial da fabricante de extrusoras Extrusão Brasil, que tem no mercado de tubos e perfis rígidos importante nicho de atuação. O raciocínio é simples. Quando se inicia a recuperação do mercado os usuários de máquinas operam com capacidade ociosa e poucas vezes têm necessidade de ampliar suas linhas de produção.

De qualquer forma, Borges mantém o otimismo. “De um mês para cá voltaram as consultas de fabricantes de produtos da construção civil, de eletrodomésticos e clientes de outros segmentos”. Ele destaca um nicho em especial. “Os fabricantes de tubos direcionados para a irrigação de plantações estão fazendo muitas consultas”.

O empresário destaca o fato de a empresa ser a única fabricante nacional a produzir máquinas com duplas roscas cônicas, que aponta como sendo muito competitivas em determinadas aplicações. A empresa oferece máquinas de roscas cônicas para tubos com diâmetros de 92 mm a 188 mm e capacidade de produção de até mil kg/h. “Os canhões e roscas usados nessas máquinas são importados, não existem fabricantes nacionais”.

Plástico Moderno - Extrusão - Construção civil anima fabricantes de tubos ©QD Foto: Divulgação

O mercado de máquinas para tubos e perfis para a construção civil não tem entusiasmado Chrystalino Filho, diretor comercial da Bausano, fabricante italiano de extrusoras com fábrica no Brasil. “Os transformadores ainda estão trabalhando com capacidade ociosa”, diz. Para os tubos de PVC a empresa possui uma linha de máquinas de duplas roscas paralelas. “Procuramos atender as necessidades dos clientes de contarem com máquinas com maior produtividade e que proporcionem economia de energia”. O diretor destaca um diferencial da empresa. “Somos a única marca europeia com fábrica no Brasil, com condições de oferecer vantagens como as taxas do Finame”.

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