Expositores de ambas as feiras criticam separação

Feiplastic x Plástico Brasil

Feiplastic, patrocinada pela Abiplast, e Plástico Brasil, organizada pela Abimaq com apoio da Abiquim, aconteceram na capital paulista em um período de três semanas.

Não se tem notícia em todo o mundo, pelo menos nas últimas décadas, da realização de duas feiras de grande porte voltadas para um mesmo segmento econômico em uma mesma cidade em datas tão próximas.

Até 2015, a Feiplastic (ex-Brasilplast) era a única grande feira para a indústria do plástico realizada na cidade, então apontada como a maior do setor no Hemisfério Sul.

Os responsáveis pelos dois eventos realizados este ano preferem não esclarecer os motivos da divisão. Também não se mostram dispostos a recuar.

Mal terminaram as exposições desse ano eles começaram a divulgar as próximas edições, ambas previstas para 2019 também em datas próximas. A Plástico Brasil no período de 25 a 29 de março e a Feiplastic de 8 a 12 de abril.

O acontecimento gera uma pergunta incômoda.

Valeu a pena para os expositores?

Questionados sobre isso, as empresas que divulgam suas marcas nos eventos não têm opiniões unânimes. Sem uma pesquisa com a participação de todos os que investiram na compra de estandes fica difícil calcular como se dividem os que gostaram ou não e os indiferentes.

A julgar pelos consultados por Plástico Moderno, no entanto, a sensação é de que a maioria não aprovou a experiência e defende a volta da realização de um evento único.

Não faltam argumentos para os que reprovam o novo cenário.

Uma das constatações se baseia na dificuldade gerada aos visitantes, caso dos localizados no interior do estado de São Paulo e nos demais estados do país. Para eles, fica difícil e caro viajar duas semanas em um período de três para conhecer as novidades apresentadas pelos expositores das duas feiras.

O caso se agrava entre os visitantes de outros países. Até a edição de 2015, a feira recebia grande número de pessoas do exterior, em especial da América do Sul. Todos ávidos por conhecer as novidades apresentadas pelo mercado como um todo.

Um efeito colateral negativo atingiu os próprios organizadores.

As duas partes proclamaram que as feiras foram criadas para divulgar lançamentos e principais inovações de todos os elos da indústria. Isso de fato aconteceu, mas não de forma plena. A Plástico Brasil mostrou o que há de mais avançado em máquinas e equipamentos. Da indústria de base nacional, reuniu nomes como Romi, Pavan Zanetti e Carnevalli, entre outros, além de marcas europeias consagradas. Em contrapartida, ficaram ausentes grandes fornecedores de matérias primas, empresas como Basf, Dow, Solvay e outras. Com a Feiplastic ocorreu o inverso. As multinacionais petroquímicas compareceram e a presença da indústria mecânica foi tímida, ocupada em grande parte por empresas asiáticas. Ficou no imaginário dos expositores e visitantes a sensação de ter havido uma segmentação.

Entre os que gostaram do novo formato ou se mostraram indiferentes, as explicações se concentraram justamente na percepção desta segmentação. Entre expositores que optaram pela Feiplastic, por exemplo, alguns disseram que a ausência dos fabricantes de máquinas nacionais ajudou a selecionar o público visitante. Para eles, compareceram em sua maioria interessados em conhecer as novidades no mundo das matérias-primas e isso colaborou com a estratégia de divulgação de seus produtos. Ou se não colaborou, pelo menos não atrapalhou.

Exceções

Foram poucas as empresas que marcaram presença nas duas exposições, casos da Braskem, Wortex e algumas outras. Não por acaso.

O investimento necessário para participar de feiras de porte não é pequeno. Passa pelo custo do aluguel do espaço, pela compra dos itens necessários para a montagem dos estantes e dos materiais de divulgação a serem distribuídos.

Sem falar na necessária disponibilização de funcionários e na contratação de trabalhadores temporários. São gastos recursos de marketing consideráveis, nem sempre disponíveis em época de vacas magras.

Por frequentarem as duas exposições, as opiniões dos representantes dessas empresas devem ser levadas em conta com atenção sobre as consequências provocadas pela divisão do público setorial, eles podem ser considerados mais isentos nos seus julgamentos.

Walmir Soller, diretor de negócios polipropileno Brasil da Braskem, tratou o tema com indiferença. Ele priorizou destacar a importância da presença das empresas de porte nas principais feiras realizadas mundo afora. “É preciso ficar próximo do mercado, haja sobreposição ou não dos eventos”.

Não perder a oportunidade de divulgar seus equipamentos para um público selecionado foi o que motivou a participar dos dois eventos.

Plástico Moderno, De Filippis: precisamos ter uma única feira para o setor
De Filippis: precisamos ter uma única feira para o setor

Para Paolo de Filippis, diretor da brasileira Wortex, fabricante de linhas de extrusão e de roscas e cilindros, era algo próximo da obrigação marcar presença na Plástico Brasil, onde estiveram os principais fabricantes de máquinas nacionais.

Já na Feiplastic, a empresa conta com participação tradicional no projeto Reciclar, uma das atrações da exposição.

“Não achei justo deixar esse espaço na mão de empresas estrangeiras”, justifica.

O dirigente não economiza críticas à realização dos dois eventos.

“Só no Brasil acontece uma coisa dessas, precisamos ter uma feira só. Não sei o que deve ser feito, mas a exposição precisa ser unificada, não dá para ficar desse jeito”. Ele se queixa do custo elevado para os expositores e dos problemas enfrentados pelos visitantes, em especial os do exterior.

“Ficou uma situação estranha, será importante se houver de novo a união das feiras”, opina Ciro Lafaiete Saad, diretor da Maqplas, de equipamentos para produção de embalagens flexíveis.

Para o dirigente, a consequência mais desagradável da divisão foi a menor presença de visitantes do exterior. “Esse fenômeno se deu com maior força na Plástico Brasil, a Feiplastic é mais conhecida pelos profissionais de outros países”.

A Alfamach revende máquinas e equipamentos importados. Ela viveu situação curiosa.

Representou de forma prioritária na Plástico Brasil a marca italiana Moretto, de periféricos e equipamentos para automação. Na Feiplastic, seu estande destacou a chinesa Yizumi, fornecedora de injetoras e moldes para injeção, outra marca que comercializa no país. “Essa situação é muito ruim tanto para o expositor quanto para o visitante. Ninguém tem condições de se ocupar vinte dias com feiras, nesse período não conseguimos fazer nosso trabalho do dia a dia”, dispara Marcelo da Silva, diretor.

Julio Cesar Casarotti, diretor da Primotecnica, fabricante de moinhos, tem opinião similar.

“Para os expositores não acho que seja o ideal, seria preferível ter uma feira só”, resume. Para ele, a estrutura do local da exposição oferecida pela Plástico Brasil foi superior, mas o maior conhecimento do público da marca Feiplastic equilibrou as coisas.

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