Borracha

Expobor – Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas

Rose de Moraes
13 de maio de 2008
    -(reset)+

    A opção industrial pelo uso de elastômeros de silicone é associada a inúmeros fatores. Sua estabilidade térmica em uso contínuo – desde -50ºC até 200ºC – pode ser elevada para 300ºC, desde que sejam empregados aditivos especiais. Sua alta inocuidade em virtude de sua cadeia inorgânica (Si-O-Si) e sua alta resistência ao envelhecimento são algumas das exigências feitas por exemplo a tubulações de circuitos de fluidos e vedações, nas quais se incluem juntas para construções, aplicações aeronáuticas, gaxetas automotivas, botas, mangueiras etc., componentes para proteção elétrica como proteções de vela de ignição, cabos e conectores para aplicação automotiva, além de aplicações nos setores alimentício, médico e farmacêutico, destacando-se materiais como tubos e secções perfiladas.

    A Bluestar Silicones também tem entre os seus principais desenvolvimentos os silicones Silbione LSR para aplicações farmacêuticas, na área médica e também para peças que terão contato com alimentos. As propriedades mecânicas e o alto nível de pureza desses silicones ajustam-se às exigências de várias peças moldadas e transparentes como bicos de mamadeira, chupetas, válvulas, apresentando ainda outras qualidades como alta resistência à esterilização, biocompatibilidade, adequação aos processos de injeção automática semelhante à injeção de termoplásticos, ciclos altamente produtivos e sem scorch, além de propiciar fácil desmoldagem.

    Sílicas e silicatos – Considerada a única empresa na América Latina a dominar completamente as tecnologias de calcinação e tratamento superficial de minerais com organosilanos, a Itatex destacou na Expobor soluções técnicas para borrachas de alto desempenho, desenvolvidas para garantir benefícios aos transformadores como reforço mecânico, maior dispersão, alta fluidez, propriedades dielétricas, térmicas e ópticas, bem como efeitos antiblock, resistência à chama, baixo índice de emissão de fumaça, além de conferir maior durabilidade aos materiais e propiciar maior produtividade no processamento. Entre as várias soluções apresentadas para o mercado das borrachas, foram destacados hidrossilicatos de alumínio, silicatos de magnésio, sílica amorfa natural, óxidos de alumínio calcinados, silicatos especiais, sílica natural e barita, silicatos de alumínio calcinados e silicatos com tratamento superficial, compondo portfólio de mais de 160 opções diferenciadas em matérias-primas e insumos.

    A família de negros-de-fumo Ecorax, fabricada pela Evonik, antiga Degussa, também atraiu a atenção do público. Caracterizados por uma superfície rugosa e pela grande interação entre a carga e o elastômero, esses novos negros-de-fumo possuem nanoestrutura, e propiciam menor desgaste das bandas de rodagem, sendo particularmente recomendados para uso em pneus de caminhões e ônibus.

    Plástico Moderno, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas

    Injetora vertical respeita as normas européias de segurança

    Os revestimentos elastoméricos de alto desempenho fabricados pela Lord também foram destaque na exposição. Resistentes a fluidos, ozônio e solventes, são baseados em diferentes materiais elastoméricos. Um deles, o HPC-3, baseia-se no fluorelastômero FKM e tem como principal função melhorar a resistência a alta temperatura e a solventes de combustíveis. Um segundo revestimento, o HPC-5, tem por elastômero-base as borrachas nitrílicas hidrogenadas (HNBR), destinando-se a aplicações que requerem alta resistência ao ozônio e boa resistência a fluidos.

    Destaques em equipamentos – A Expobor 2008 também foi palco de exposição de várias injetoras, prensas, entre outros equipamentos desenvolvidos para a indústria da borracha. A tecnologia de Taiwan pôde ser conferida nas injetoras apresentadas pela Pan Stone. Com trinta anos de experiência na fabricação de injetoras, prensas, pré-formadoras e cilindros misturadores abertos e fechados, a empresa vem fornecendo há cerca de seis anos para o mercado brasileiro, onde já alcança a marca de mais de cem equipamentos instalados.

    Com forças de fechamento desde 100 até 500 toneladas, além de modelos mais potentes fabricados sob encomenda, os equipamentos fabricados pela Pan Stone atendem aos mais diversos segmentos da borracha. Em modelos verticais, as injetoras contam com sistema Fifo (First in First Out) para a fabricação de artefatos, dispensam a pré-vulcanização dos compostos nas câmaras de injeção e são providas de câmara de vácuo, e seguem as normas de segurança da Comunidade Européia.

    Plástico Moderno, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas

    Sistema de pesagem e gerenciamento facilita a produção

    Na exposição, o público pôde conferir um dos modelos de injetora vertical com 200 toneladas de força de fechamento, operando de acordo com o sistema Fifo, além de conhecer em detalhes os modelos de  prensas automáticas para vulcanizar borrachas com câmara de vácuo sobre o molde, que evitam a formação de bolhas de ar nas peças prensadas e ainda contam com dispositivo de segurança por cortina de luz.

    No estande da Parabor, foi exibido um sistema de corte térmico de cilindros de borracha. Fabricado pela Prosco, representada pela Parabor, esse sistema corta silenciosamente borrachas e uretanos, não produz fumaça ou poeiras, minimiza choques térmicos e distorções nos elastômeros, e ainda corta cilindros não-vulcanizados, sendo adaptável a tornos ou retificadoras.

    Quem visitou o estande da Geromaq conferiu vários sistemas de pesagem e de gerenciamento químico de pesagem de borrachas, negros-de-fumo, sílicas, óleos, entre outros, além de sistemas de gerenciamento de cargas leves, bem como de grandes volumes, incluindo bamburies e mixers.

     

    Óleo naftênico barra aromáticos

    As mudanças tecnológicas decorrentes das diretivas da Comunidade Européia foram benéficas a desenvolvimentos nacionais no campo dos óleos de processo empregados na fabricação de pneus e artefatos. Entre as inúmeras especialidades químicas ofertadas pela Ipiranga Química à indústria da borracha se destacou nessa Expobor o lançamento do primeiro óleo mineral naftênico, desenvolvido pela companhia para aplicações em borrachas. A opção nacional aos importados visa a substituir óleos aromáticos, de uso proibido na Europa a partir de 2010.

    Plástico Moderno, Silvana Yagi, gerente da unidade de negócios da Ipiranga Química, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas

    Silvana: novo óleo de processo é mais amigável

    “Durante cerca de cinco anos nos dedicamos às pesquisas que culminaram no desenvolvimento do primeiro óleo mineral predominantemente naftênico a ser produzido no país, para atender às necessidades das indústrias de pneumáticos e artefatos, pois todas as empresas que exportam para a Europa terão de se enquadrar nas diretrizes da diretiva 2005/69/EC, que considera obrigatória a substituição de óleos aromáticos por óleos considerados amigáveis com o meio ambiente a partir de 2010”, informou Silvana Yagi, gerente da unidade de negócios da Ipiranga Química.

    “Nossa preocupação foi a de propiciar ao mercado brasileiro essa alternativa, antecipando-se à obrigatoriedade, para que os exportadores tenham tempo suficiente para testar e homologar o novo óleo, o que, aliás, já vem ocorrendo entre os fabricantes de pneumáticos e a Petroflex”, acrescentou Silvana.

    Trata-se da linha Flex NBS de óleos minerais, que, além de atender às exigências técnicas da diretiva européia, agrega propriedades que permitem grande compatibilidade com elastômeros de estireno-butadieno (SBR), amplamente utilizados na indústria de pneus.

    Nos padrões de viscosidade, cor e ponto de fulgor, o novo óleo atende aos ensaios ASTM D 445, ASTM D 1500 e ASTM D 92. Em comparação com os aromáticos, sua composição é amigável por não apresentar substâncias como benzo(a)pireno, considerada potencialmente cancerígena, pertencendo ao grupo das substâncias que são alvo de restrições e proibições, não podendo ultrapassar 1 p.p.m. A linha Flex NBS também não apresentou policicloaromáticos e atendeu ao limite de PAC, de l,6%.

    “Nos testes realizados em parceria com a Petroflex, os óleos naftênicos da Ipiranga Química apresentaram desempenho semelhante ao dos óleos aromáticos, conservando as propriedades químicas, físicas, de tração e de processabilidade em pneus, mas também há vários clientes exportadores de artefatos interessados em fazer testes com o nosso novo óleo”, concluiu Silvana. No momento, a empresa vem fornecendo o óleo naftênico em quantidades piloto, mas em 2010 estará fabricando 24 mil toneladas/ano na fábrica de Duque de Caxias-RJ, podendo expandir esse volume a depender das demandas à época.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *