Expobor – Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas

Ainda é cedo para concluir prognósticos totalmente certeiros, mas algumas aplicações tradicionais no campo das borrachas tendem a desaparecer ou pelo menos ficar chamuscadas em algumas regiões do mundo em virtude das mudanças de rumo tecnológico que começam a ser presenciadas na Europa e Japão, principalmente na primeira década desse século.

Na visão de alguns importantes provedores desse setor, as novas rotas já estariam bem próximas. Algumas delas prenunciam verdadeiras guinadas, mudanças de rumo, sinalizando a substituição de matérias-primas petroquímicas, consideradas consolidadas há até bem pouco tempo. Uma dessas mudanças já se concretiza em um dos mercados mais dinâmicos do setor das borrachas, o automotivo, podendo incorrer na fabricação dos cerca de 6 milhões de veículos produzidos anualmente em toda a América Latina – 50% deles no Brasil. No bojo dessas mudanças estão os avanços irrefreáveis gerados por desenvolvimentos mais recentes no campo da biotecnologia. Em busca de fontes renováveis, visam a tornar mais sustentável a produção industrial no planeta.

Plástico Moderno, Nilson F. Bordin, líder comercial para a América Latina da DuPont Performance Elastomers, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Bordin: biocombustível requer aumento da resistência química

“As tecnologias automotivas estão mudando gradualmente sob a influência de vários projetos europeus e, mais recentemente, também de projetos japoneses”, observou Nilson F. Bordin, líder comercial para a América Latina da DuPont Performance Elastomers. A provedora global de elastômeros para aplicações especiais foi uma das presenças marcantes da Expobor 2008 – a 8ª. Feira Internacional de Tecnologia, Máquinas e Artefatos de Borracha, uma promoção da Francal Feiras em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha, a Abiarb. Maior vitrine da América Latina de inovações tecnológicas para o setor nas áreas de matérias-primas, insumos, novos desenvolvimentos em  borrachas, máquinas e equipamentos, o evento foi realizado de 5 a 8 de maio último, no Expo Center Norte, em São Paulo, em clima de otimismo, mas também embalado por uma certa apreensão perante o cenário de mudanças corporativas e tecnológicas, incluindo as exigências delineadas pela Comunidade Européia, que prevêem produções mais sustentáveis e devem trazer impactos quanto ao uso de matérias-primas e manufaturados.

Mudanças tecnológicas – Com mais de 50% da produção de artefatos de borracha sendo destinada às montadoras de automóveis, caminhões, ônibus e motocicletas, cujas vendas superaram em 2007 mais de 4,2 milhões de unidades, a grande vedete da Expobor foram as aplicações de elastômeros na indústria automotiva.

Altamente resistentes à temperatura e a químicos, as categorias de elastômeros fabricados pela DuPont direcionam-se em grande parte aos setores automotivo e elétrico, e abrangem a fabricação de selos de transmissão, juntas, bandas de rodagem, selos para semicondutores, borrachas para recobrir cabos, entre inúmeras outras, assistidas pela companhia há mais de sete décadas, somando-se o tempo dedicado ao ramo das borrachas e que, portanto, pode ser tomada como referência, uma espécie de termômetro ao sinalizar tendências para esse mercado.

As mudanças tecnológicas comentadas por Bordin certamente levaram em conta o fato de que, atualmente, veículos como o Honda Fit e outros congêneres da nova geração já adotaram sistemas de direção eletricamente assistida, em substituição à direção hidráulica, sinalizando importantes mudanças que deverão trazer conseqüências para a produção de elastômeros de uso corrente no setor, como as mangueiras de borracha empregadas nos sistemas hidráulicos, os quais tendem a ser abolidos em futuro próximo pelo menos em alguns mercados.

Outra grande mudança é delineada no cenário global em razão da adoção de motores movidos a biodiesel em caminhões, caminhonetes, ônibus e coletivos em geral, segmentos nos quais está previsto o uso do novo combustível, exigindo, portanto, novas especificações a serem cumpridas pelos elastômeros, principalmente relacionadas com sua capacidade de resistir às agressões químicas.

Mudanças tecnológicas, conseqüentemente, estariam impondo alterações de âmbito corporativo, muitas delas com vistas a consolidar novos modelos de gestão da produção e de negócios, a fim de manter lideranças ou conquistar melhores posições em um cenário tecnologicamente tão competitivo como está se apresentando o das borrachas.

Na área de elastômeros, na DuPont, as grandes mudanças começaram a ocorrer em junho de 2006, segundo pontuou Bordin, exatamente quando a DuPont do Brasil passou a ser a representante oficial da DuPont Performance Elastomers, sediada em Wilmington, nos Estados Unidos, e promoveu a integração do México ao bloco da América Latina, a partir daquele momento não mais pertencendo à jurisdição da América do Norte.

“O modelo de regionalização foi adotado em todas as áreas de negócios da DuPont”, afirmou Bordin. Influenciado pela demanda do mercado norte-americano, o México alcança atualmente níveis de produção avaliados em torno de dois milhões de veículos ao ano, enquanto o Brasil deverá ultrapassar em 2008 a produção de três milhões de unidades.

A maior integração entre os países da América Latina, agregando o México, também propiciou a transferência de marcas como a dos elastômeros Vamac, antes pertencente à área de polímeros industriais da DuPont do Brasil, mas desde primeiro de janeiro de 2008 sob a alçada de comercialização da DuPont Performance Elastomers.

Trata-se, nesse caso, de elastômero acrílico de etileno para aplicações que requerem uma combinação especial de resistências ao calor e a óleos, sem que o polímero apresente alterações nas propriedades mecânicas, prevendo-se seu uso em mangueiras, selos, juntas de motor etc.

Outras marcas de elastômeros destacadas no estande da DuPont Performance Elastomers foram Viton, Viton Free-Flow, Neoprene, Hypalon e Kalrez.

Propriedades de vedação imperam – Os elastômeros da família Viton foram os primeiros fluorelastômeros introduzidos no mundo a legar à indústria da borracha alto grau de resistência ao calor (400ºF/200ºC), aos combustíveis e a químicos mais agressivos.

“Há mais de cinco décadas, os fluorelastômeros Viton oferecem excepcional resistência a altas temperaturas, alcançando até 205ºC em trabalhos contínuos, somada à ampla resistência química, que proporciona extraordinário desempenho em vedações e peças críticas”, comentou Bordin.

Desde o seu lançamento, ocorrido em 1957, o fluorelastômero Viton apresenta-se como solução de vedação para os setores aeroespacial, de aviação, processos e transporte de produtos químicos, incluindo as indústrias alimentícia e farmacêutica. No setor automotivo, além de vedações, sua utilização é ampla em retentores, anéis, juntas, mangueiras, entre muitas aplicações.

“O Viton conserva a força de vedação, prevenindo vazamentos, mesmo depois de longos períodos de compressão em ambientes severos. Testes realizados após cem horas em meio atmosférico, a 150ºC, mostraram que o Viton ainda mantém 90% de sua força inicial de vedação, enquanto vedantes de fluorsilicone, poliacrilato e borrachas nitrílicas conservam apenas 70%, 58% e 40%, respectivamente”, informou o especialista.

Outra batelada de testes revelou que, após vinte anos de exposição direta ao sol, as vedações fabricadas com esse fluorelastômero não apresentaram nenhum vestígio de fissuras, nem rupturas após um ano em atmosfera com 100 ppm de ozônio.

Já as borrachas da marca Neoprene, elastômeros de policloropreno da DuPont, criadas há mais de sete décadas, tiveram concluído o fechamento da fábrica de Louisville, no final de 2007, e passaram a ter sua produção concentrada em uma única fábrica global em Louisianna, nos Estados Unidos.

Recentemente, porém, por ocasião da última K, de Düsseldorf, na Alemanha, a DuPont anunciou novas soluções em elastômeros, como o ACE 1055, um co-elastômero acrílico para aplicações em compostos de borracha, com boa resistência à temperatura e a fluidos automotivos, sendo também capaz de manter suas propriedades sob baixas temperaturas.

Outras soluções da DuPont que vêm chamando a atenção do setor são os novos elastômeros de alto desempenho obtidos de fontes renováveis. Nessa categoria, classifica-se o elastômero termoplástico Hytrel RS. Fruto da incorporação do poliol Cerenol (poliéter dióis) da empresa, produzido com recursos renováveis do 1,3 propanidiol (Bio-PDO), do milho, em substituição aos polióis petroquímicos, essa categoria de elastômero tem como grades iniciais itens com diferentes teores de material renovável, entre 25% e 50%, devendo estar disponível, conforme divulgado pela empresa, em amostras preparadas para vários projetos em desenvolvimento a partir deste ano, provavelmente contemplando os mercados automotivo, elétrico e de embalagens.

Nova nitrílica conta com matéria-prima vegetal – As novas borrachas nitrílicas de médio a alto teor de acrilonitrila pré-plastificadas com plastificantes vegetais da Nitriflex também foram destaque nessa Expobor. Especialmente desenvolvidas para atender às necessidades atuais de mercados globalizados, principalmente no que diz respeito às exigências da diretiva européia 2005/84/EC, a nova NBR, batizada de Nitrigreen, está em conformidade com as novas concepções em borrachas, previstas anteriormente por especialistas do setor.

Enquanto outras nitrílicas convencionais apresentam teor do plastificante DOP em torno de 50 phr, na Nitrigreen esse mesmo teor é vegetal, sendo que, nos demais aspectos, como teor de acrilonitrila (33%), solubilidade em Mec (98%), densidade (1,04 g/cm³) e viscosidade Mooney (45 MML), as referências são exatamente iguais, somadas, porém, à vantagem de oferecer ao mercado uma nitrílica obtida de fonte de matéria-prima renovável, não-tóxica, fácil de processar e com boas propriedades mecânicas.

Plástico Moderno, Renato Hélio Faraco Filho, diretor da Nitriflex, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Faraco: escassez de butadieno prejudica indústria nacional

Enquanto a nova NBR oferece boas perspectivas para impulsionar novos negócios e propiciar maior prosperidade à companhia, a escassez de algumas matérias-primas no mercado, consideradas vitais para a produção de borrachas, atua contrariamente ao otimismo e gera preocupação do setor como um todo.

“Está faltando butadieno no Brasil e isso é muito preocupante para o setor de produção de borrachas”, afirmou o diretor Renato Hélio Faraco Filho, da Nitriflex.

Segundo o diretor, os motivos da escassez envolvem desde paradas mal planejadas para manutenção nas centrais petroquímicas como a suspensão na produção dessa matéria-prima em razão de incidentes operacionais.

“A falta de butadieno, hidrocarboneto essencial à produção de elastômeros, responsável pela característica de elasticidade das borrachas, está causando sérios entraves à nossa produção e também prejudicando as nossas exportações”, afirmou Faraco Filho.

As borrachas nitrílicas (NBR), nas quais se concentra a produção da Nitriflex, polimerizadas a quente ou a frio, são copolímeros formados por butadieno e acrilonitrila, mas os monômeros de butadieno e estireno dão base à produção de várias borrachas especiais de estireno-butadieno (SB) e látices de estireno-butadieno, também inclusos na produção da Nitriflex, além de borrachas de SBR (estireno-butadieno), SBS (estireno-butadieno-estireno), entre outras. Por isso, mesmo que transitória, a escassez de butadieno, segundo o diretor, tem causado sérios problemas aos produtores.

“Apesar de exportarmos cerca de 60% da nossa produção, em maio de 2008 nossas exportações praticamente estarão suspensas e chegarão ao nível zero, pois para que pudéssemos atender ao mercado interno e não deixar os produtores locais desabastecidos, tivemos de abrir mão de exportar. Nesse momento, temos trabalhado fortemente para amenizar o problema”, afirmou Faraco Filho.

A escassez da matéria-prima, segundo ele, já teria começado no início desse ano, mas se agravou no decorrer de 2008, comprometendo os níveis de consumo no Brasil que, segundo Faraco Filho, hoje estão em torno de 10 mil toneladas ao mês.

Atualmente, a oferta nacional, segundo calcula o diretor, diminuiu em torno de 30%, enquanto a possibilidade de aquisição da matéria-prima no mercado internacional também representa uma alternativa comprometida, principalmente por causa dos constantes aumentos de preço praticados pelos fornecedores mundiais.

Plástico Moderno, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Claudia e Moore têm opções da alta resistência

Opção tecnológica determina tendências – A ampla linha de borrachas poliacrílicas oferecida ao mercado nacional foi um dos principais destaques da Zeon do Brasil na Expobor.

Comercializadas sob a marca HyTemp, em vários grades, as poliacrílicas da Zeon têm por alvo a fabricação de vedações, mangueiras, juntas, gaxetas, entre outras peças e componentes de grande uso na indústria automotiva.

“A HyTemp AR212HR foi especialmente desenvolvida para mangueiras turbodiesel e resiste a temperaturas contínuas de 180ºC e intermitentes até 200ºC, apresentando maior scorch, o que melhora o processo de extrusão”, informou Claudia Maria de Souza, gerente-geral da Zeon do Brasil.

Já outro grade de poliacrílica, a HyTemp AR12, oferece como característica principal a resistência à deformação por compressão, mantendo as propriedades selantes por longos períodos, atributos extremamente importantes para a fabricação de gaxetas e juntas automotivas.

Recém-lançada para mangueiras que transportam óleo de motor e mangueiras de transmissão que requerem alta resistência a óleos e ao calor, outra poliacrílica, a HyTemp AR214, porém, oferece ampla gama de temperaturas de serviço, desde -40ºC até 160ºC, sendo indicada para uso tanto para processos de extrusão como injeção.

Ainda no campo das poliacrílicas, outro destaque da Zeon do Brasil foi direcionado à borracha da marca HyTemp AR13FR. Desenvolvido para juntas e gaxetas de motor e de transmissão, esse elastômero tem como diferencial a resistência a combustíveis como diesel e gasolina, e apresenta ampla faixa de temperaturas de serviço, desde -30ºC até 160ºC.

No campo das nitrílicas hidrogenadas, a Zeon do Brasil também destacou ao público grades da marca Zetpol HNBR e ZPT-136. As nitrílicas hidrogenadas HNBR mantêm suas características em faixas de temperatura que vão desde -40ºC até 160ºC, sendo indicadas para a fabricação de vedações, mangueiras e correias, atendendo até mesmo aos requisitos exigidos para peças que terão contato com combustíveis, segundo observou Claudia.

“Recentemente, a Zeon desenvolveu uma nova nitrílica hidrogenada HNBR, ou seja, a Zeptol ZPT-136, formulada com base em um sistema de cura com amina para propiciar menor deformação à compressão, tem indicações de uso principalmente para artigos com secção transversal fina”, informou Claudia.

Outras especialidades da empresa estiveram focadas nos elastômeros de poliepicloridrina, da marca Hydrin, apresentados em opções de homopolímeros, copolímeros e terpolímeros, e com resistência a combustíveis como o etanol derivado de álcool.

Segundo comentou John Moore, gerente de produto para a linha de borrachas poliacrílicas HyTemp da Zeon Chemicals, de Louisville-KY, em visita especial à Expobor 2008, os elastômeros já avançaram e deverão continuar conquistando novas posições no sentido de atender aos requisitos de alta temperatura exigidos em virtude dos aumentos de potência dos motores.

As tendências no uso de elastômeros, a seu modo de ver, porém, devem regionalizar-se. Ou seja, na Europa haverá mais espaço para a comercialização de borrachas poliacrílicas da marca HyTemp, por causa da maior utilização nos próximos anos de motores movidos a diesel e a biodiesel; no Brasil, segundo ele observou, deverá haver preferência pela utilização de elastômeros de poliepicloridrina do tipo Hydrin, graças à opção nacional crescente pela compra de veículos movidos a álcool.

De todo modo, segundo acredita o especialista, as borrachas poliacrílicas do tipo HyTemp deverão continuar atendendo às exigências feitas aos elastômeros pelo menos nos próximos dez anos.

Expansão na PQU – A produção de petroquímicos básicos, como etileno, propileno, butadieno, benzeno, entre outros, também deverá incorrer em significativas mudanças de rumo tecnológico, a considerar pelos próximos passos da Petroquímica União, a PQU, outra presença marcante nessa Expobor.

A primeira central petroquímica do Brasil, hoje produtora de 1,5 milhão de toneladas de vários petroquímicos, sendo o mais importante deles o etileno, produzido em volume de 500 mil toneladas ao ano, deverá expandir a partir de outubro a capacidade produtiva desse importante insumo em 220 mil toneladas/ano, elevando sua oferta ao mercado para 720 mil toneladas/ano.

Plástico Moderno, Roberto Ricardo de Mattos Arruda, gerente da unidade de negócios voltados à resina Unilene, da PQU, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Arruda: venda de resina cresce para melhorar elastômeros

“Programamos uma parada geral no período de 22 de agosto até 3 de outubro e contaremos com 45 dias de trabalho para implementar os novos projetos de expansão”, afirmou Roberto Ricardo de Mattos Arruda, gerente da unidade de negócios voltados à resina Unilene, da PQU.

Para expandir a oferta de etileno, tarefa para a qual contará com o apoio do Cempes, Centro de Pesquisas da Petrobras, a petroquímica está investindo R$ 1,2 bilhão em tecnologia que resultará na produção de polietileno e PVC obtido de gases de refinaria (frações C2 e C3). “Alteramos nosso processo produtivo para usar cargas gasosas e, assim, complementar a ocupação dos fornos, feita predominantemente com a cara e escassa nafta”, informou Arruda.

Além do etileno, não está prevista pelo menos até o momento a expansão de outros petroquímicos como o butadieno, mais voltado à produção de elastômeros.

Já no que se refere ao último balanço das resinas hidrocarbônicas Unilene, também de ampla utilização na indústria da borracha, principalmente em compostos, a PQU alcançou em 2007 patamar recorde de comercialização de 18 mil toneladas, e vê com muito entusiasmo as perspectivas futuras.

“Batemos o recorde de vendas da resina Unilene nos últimos vinte anos”, afirmou Arruda. Comercializada no mercado interno e em mais 25 países, a resina Unilene representa o carro-chefe de vendas da petroquímica. Só o setor da borracha responde por níveis de consumo entre 45% até 50% da produção da PQU, destinando a resina à fabricação de grande diversidade de materiais como pneus e artefatos como calçados e peças técnicas. Compatível com borrachas naturais e sintéticas, a resina Unilene aumenta a flexibilidade dos elastômeros, melhora a incorporação de cargas, auxilia na calandragem e nas modelagens por injeção e extrusão, aumentando ainda a adesão das misturas a diferentes substratos, a resistência à fadiga, ao rasgo e à abrasão dos elastômeros.

De acordo com Arruda, as vendas da resina Unilene atuam como uma espécie de termômetro para se avaliar o desempenho do setor, que, segundo ele, alcançou níveis muito bons em 2007, devendo ter continuidade em 2008, tomando por base uma rápida avaliação das vendas realizadas nos quatro primeiros meses deste ano.

“Alcançamos em 2007 um crescimento de 14% nas vendas totais de Unilene para vários mercados em comparação com as vendas de 2006 e esse crescimento em grande parte se deve à maior demanda das indústrias locais de pneumáticos e de artefatos de borracha que nos obrigou a reduzir as exportações para podermos atender ao crescimento interno”, revelou Arruda.

Destaques na Petroflex – A participação na Expobor 2008 da Petroflex, a maior produtora de borrachas sintéticas da América Latina – posicionada no patamar de 400 mil toneladas de borrachas ao ano e hoje pertencente ao grupo alemão Lanxess, responsável por 70% das ações da companhia – evidenciou ao público amostras de vários tipos de borrachas de largo emprego industrial em vários setores.

Um dos destaques foi direcionado às borrachas de SSBR – 2062 F. Desenvolvidas para pneus de alto desempenho, essas borrachas atendem às exigências de baixa resistência ao rolamento, bem como elevada resistência às derrapagens em pistas molhadas.

A família Thoran de copolímeros de butadieno e acrilonitrila, contendo diferentes percentuais de acrilonitrila, desde 28% até 45%, também motivou a apresentação de amostras na exposição. A importância da família Thoran reside principalmente no fato de essas borrachas resistirem a óleos e solventes. Esses copolímeros, no entanto, também apresentam resistência à abrasão, ao calor, à água, e ainda oferecem baixa permeabilidade a gases e possuem características antiestáticas.

As borrachas Coperflex BRND, constituídas de polímeros de butadieno, foram outro alvo das apresentações ao público. Amplamente utilizados em pneus, em especial, em bandas de rodagem e de recapagem, esses elastômeros resistentes à abrasão, à fadiga, e de alta resiliência e adesividade, além de apresentarem baixa resistência ao rolamento, ainda são utilizados na fabricação de autopeças, artefatos técnicos, correias transportadoras e de transmissão, incluindo brinquedos e calçados. Também atuam na modificação de plásticos, oferecendo-lhes a característica Hips (High Impact PS), para poliestirenos de mais alto desempenho, considerados de alto impacto, e em geral empregados na fabricação de peças de maior exigência quanto à durabilidade como artigos industriais, caixas para eletrodomésticos, peças internas e externas de aparelhos eletrônicos e de telecomunicações e gabinetes para refrigeradores.

Silicones avançam – A recente introdução de silicones nas moldagens de coxins para motores, especialmente aqueles de maior potência, para veículos com dezesseis válvulas, em substituição às borrachas naturais, que não resistem a temperaturas mais elevadas, a exemplo da penetração desse tipo de material mais resistente às altas temperaturas em capas de velas, processo iniciado há dez anos no mundo, em substituição às borrachas nitrílicas, certamente atua como motivação para a continuidade dos investimentos globais e, em especial, na América do Sul da Momentive, antiga GE Silicones.

Afinal, só o mercado de coxins representa algo em torno de 50 milhões de unidades ao ano. Porém, o que também dá alento ao otimismo dos produtores são as taxas de crescimento da demanda por silicones registradas em regiões como na América do Sul, que aumentam entre 8% e 10% ao ano, sendo apenas suplantadas pelos níveis de crescimento registrados na Ásia, que se mantêm entre 15% até 20% ao ano, enquanto a média global oscila atualmente em torno de 5% até 8%.

“Por essas razões, nossos investimentos e novos desenvolvimentos não podem parar”, afirmou Timothy Angle, gerente de marketing de elastômeros da Momentive Performance Materials, durante sua estada no Brasil, especialmente para participar da Expobor 2008.

Uma das últimas novidades da companhia contemplou a área médica. “Desenvolvemos uma nova família de elastômeros de silicone com características antimicrobiais para atender inicialmente às necessidades hospitalares nos Estados Unidos”, informou Angle.

Plástico Moderno, Timothy Angle, gerente de marketing de elastômeros da Momentive Performance Materials, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Angle: borracha líquida torna moldagem mais rápida

As autoridades americanas da área de saúde, segundo ele, estão mais rigorosas no controle das infecções hospitalares. Os órgãos de saúde do governo passaram a certificar e qualificar os hospitais de acordo com os níveis de contaminação encontrados.

Patenteado em março deste ano, o silicone com característica antimicrobial da Momentive possui aditivo à base de prata e deverá ser comercializado no mercado médico-hospitalar, atendendo a uma grande variedade de aplicações como cateteres, sondas, válvulas para soro e medicamentos. Também está prevista sua introdução em segmentos de consumo em geral, como na fabricação de bicos para mamadeiras, espátulas, fôrmas para bolos, entre outros utensílios de uso doméstico.

Outra forte tendência na área de elastômeros de silicone, segundo Angle, é a demanda migrar das borrachas em estado sólido e de alta consistência para borrachas em estado líquido, ou seja, para as LSR (Liquid Silicone Rubber), em se tratando por exemplo da fabricação de componentes automotivos como conectores e bicos de mamadeira, dois grandes mercados dos silicones.

“No mundo inteiro, as empresas estão migrando para as borrachas em estado líquido por causa principalmente da alta produtividade e porque essas borrachas propiciam ciclos de moldagem semelhantes ao dos termoplásticos”, informou Angle.

“Em nossos contatos com moldadores de plásticos temos acompanhado lançamentos de peças em borrachas de silicone, além de recentes aquisições de injetoras especiais para realizar esse tipo de moldagem.”

Na Europa, 25% das moldagens de silicones, segundo os cálculos de Angle, já passaram a ser feitas com silicones líquidos em substituição às moldagens com borrachas curadas a quente e de alta consistência, as Heat Cured Rubber (HCR). Uma das preocupações de Angle, no entanto, é a de que o Brasil não fique para trás e deixe de acompanhar a rápida evolução que vem ocorrendo nesse setor.

Plástico Moderno, José Lucas Freire Jr., presidente da Bluestar Silicones para a América Latina, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Freire: meta ambiciosa para vendas de silicones

Crescer 20% ao ano – Mais ambiciosa, a meta da Bluestar Silicones é crescer cerca de 20% em 2008 na comercialização de silicones no Brasil. Para alcançar essa meta, a empresa, constituída em 2007 após a compra da divisão de silicones da Rhodia pela China National Bluestar Corporation, conta com vários alicerces como o desenvolvimento de novas formulações e adaptações de produtos já existentes em laboratório próprio de aplicações, além de planos especiais para atender aos mercados cosmético, têxtil, da construção, automotivo e eletrodoméstico, com novos desenvolvimentos e aplicações nanotecnológicas.

“As taxas de crescimento nas vendas dos silicones da Bluestar em nossa região têm sido superiores a 15% nos últimos três anos”, revelou José Lucas Freire Jr., presidente da Bluestar Silicones para a América Latina.

Com fábrica no Brasil, em Santo André, na grande São Paulo, e centro de pesquisa e desenvolvimento em Paulínia, no interior do estado, a Bluestar Silicones também conta com fábricas na França e na China – no momento se dedica à construção de uma segunda unidade produtiva na China.

As projeções de crescimento no Brasil feitas por Freire levam em conta principalmente a potencialidade do mercado brasileiro. Enquanto o mercado de silicones nos Estados Unidos representa US$ 1,5 bilhão, o Brasil responde por US$ 200 milhões, havendo, portanto, maior possibilidade de crescimento nos próximos anos na região. Depois da China, que cresce em torno de 12% até 15% ao ano, o Brasil já ocupa o segundo lugar em crescimento, ou seja, a demanda por silicones cresce 9%, em média, ao ano no mercado brasileiro. “Com exceção da China, em nenhuma outra parte do mundo é possível encontrar nível de crescimento dos silicones tal qual o encontrado no Brasil”, afirmou Freire.

As projeções, contudo, segundo reconheceu o especialista, podem ser afetadas pelos custos de matérias-primas como silício metálico, platina e metanol, utilizados na fabricação de silox, cujos aumentos se revelam da ordem de 40% até 100%.

Entre as últimas inovações desenvolvidas pela empresa foi destacado o silicone para aplicações de moldagem Rhodorsil RTV-2. Trata-se de elastômeros de silicone que permitem desenvolver novas técnicas de moldagem como moldes do tipo luva, superflexíveis e também moldar resinas como poliuretanos, poliésteres e epóxis, além de protótipos sob vácuo, tecnologia que permite criar desde peças decorativas até componentes para uso industrial, com alta estabilidade dimensional, transparência, cura acelerada com calor e resistência química.

A opção industrial pelo uso de elastômeros de silicone é associada a inúmeros fatores. Sua estabilidade térmica em uso contínuo – desde -50ºC até 200ºC – pode ser elevada para 300ºC, desde que sejam empregados aditivos especiais. Sua alta inocuidade em virtude de sua cadeia inorgânica (Si-O-Si) e sua alta resistência ao envelhecimento são algumas das exigências feitas por exemplo a tubulações de circuitos de fluidos e vedações, nas quais se incluem juntas para construções, aplicações aeronáuticas, gaxetas automotivas, botas, mangueiras etc., componentes para proteção elétrica como proteções de vela de ignição, cabos e conectores para aplicação automotiva, além de aplicações nos setores alimentício, médico e farmacêutico, destacando-se materiais como tubos e secções perfiladas.

A Bluestar Silicones também tem entre os seus principais desenvolvimentos os silicones Silbione LSR para aplicações farmacêuticas, na área médica e também para peças que terão contato com alimentos. As propriedades mecânicas e o alto nível de pureza desses silicones ajustam-se às exigências de várias peças moldadas e transparentes como bicos de mamadeira, chupetas, válvulas, apresentando ainda outras qualidades como alta resistência à esterilização, biocompatibilidade, adequação aos processos de injeção automática semelhante à injeção de termoplásticos, ciclos altamente produtivos e sem scorch, além de propiciar fácil desmoldagem.

Sílicas e silicatos – Considerada a única empresa na América Latina a dominar completamente as tecnologias de calcinação e tratamento superficial de minerais com organosilanos, a Itatex destacou na Expobor soluções técnicas para borrachas de alto desempenho, desenvolvidas para garantir benefícios aos transformadores como reforço mecânico, maior dispersão, alta fluidez, propriedades dielétricas, térmicas e ópticas, bem como efeitos antiblock, resistência à chama, baixo índice de emissão de fumaça, além de conferir maior durabilidade aos materiais e propiciar maior produtividade no processamento. Entre as várias soluções apresentadas para o mercado das borrachas, foram destacados hidrossilicatos de alumínio, silicatos de magnésio, sílica amorfa natural, óxidos de alumínio calcinados, silicatos especiais, sílica natural e barita, silicatos de alumínio calcinados e silicatos com tratamento superficial, compondo portfólio de mais de 160 opções diferenciadas em matérias-primas e insumos.

A família de negros-de-fumo Ecorax, fabricada pela Evonik, antiga Degussa, também atraiu a atenção do público. Caracterizados por uma superfície rugosa e pela grande interação entre a carga e o elastômero, esses novos negros-de-fumo possuem nanoestrutura, e propiciam menor desgaste das bandas de rodagem, sendo particularmente recomendados para uso em pneus de caminhões e ônibus.

Plástico Moderno, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Injetora vertical respeita as normas européias de segurança

Os revestimentos elastoméricos de alto desempenho fabricados pela Lord também foram destaque na exposição. Resistentes a fluidos, ozônio e solventes, são baseados em diferentes materiais elastoméricos. Um deles, o HPC-3, baseia-se no fluorelastômero FKM e tem como principal função melhorar a resistência a alta temperatura e a solventes de combustíveis. Um segundo revestimento, o HPC-5, tem por elastômero-base as borrachas nitrílicas hidrogenadas (HNBR), destinando-se a aplicações que requerem alta resistência ao ozônio e boa resistência a fluidos.

Destaques em equipamentos – A Expobor 2008 também foi palco de exposição de várias injetoras, prensas, entre outros equipamentos desenvolvidos para a indústria da borracha. A tecnologia de Taiwan pôde ser conferida nas injetoras apresentadas pela Pan Stone. Com trinta anos de experiência na fabricação de injetoras, prensas, pré-formadoras e cilindros misturadores abertos e fechados, a empresa vem fornecendo há cerca de seis anos para o mercado brasileiro, onde já alcança a marca de mais de cem equipamentos instalados.

Com forças de fechamento desde 100 até 500 toneladas, além de modelos mais potentes fabricados sob encomenda, os equipamentos fabricados pela Pan Stone atendem aos mais diversos segmentos da borracha. Em modelos verticais, as injetoras contam com sistema Fifo (First in First Out) para a fabricação de artefatos, dispensam a pré-vulcanização dos compostos nas câmaras de injeção e são providas de câmara de vácuo, e seguem as normas de segurança da Comunidade Européia.

Plástico Moderno, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Sistema de pesagem e gerenciamento facilita a produção

Na exposição, o público pôde conferir um dos modelos de injetora vertical com 200 toneladas de força de fechamento, operando de acordo com o sistema Fifo, além de conhecer em detalhes os modelos de  prensas automáticas para vulcanizar borrachas com câmara de vácuo sobre o molde, que evitam a formação de bolhas de ar nas peças prensadas e ainda contam com dispositivo de segurança por cortina de luz.

No estande da Parabor, foi exibido um sistema de corte térmico de cilindros de borracha. Fabricado pela Prosco, representada pela Parabor, esse sistema corta silenciosamente borrachas e uretanos, não produz fumaça ou poeiras, minimiza choques térmicos e distorções nos elastômeros, e ainda corta cilindros não-vulcanizados, sendo adaptável a tornos ou retificadoras.

Quem visitou o estande da Geromaq conferiu vários sistemas de pesagem e de gerenciamento químico de pesagem de borrachas, negros-de-fumo, sílicas, óleos, entre outros, além de sistemas de gerenciamento de cargas leves, bem como de grandes volumes, incluindo bamburies e mixers.

 

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As mudanças tecnológicas decorrentes das diretivas da Comunidade Européia foram benéficas a desenvolvimentos nacionais no campo dos óleos de processo empregados na fabricação de pneus e artefatos. Entre as inúmeras especialidades químicas ofertadas pela Ipiranga Química à indústria da borracha se destacou nessa Expobor o lançamento do primeiro óleo mineral naftênico, desenvolvido pela companhia para aplicações em borrachas. A opção nacional aos importados visa a substituir óleos aromáticos, de uso proibido na Europa a partir de 2010.

Plástico Moderno, Silvana Yagi, gerente da unidade de negócios da Ipiranga Química, Expobor - Tecnologia automobilística muda e exige adaptação das borrachas
Silvana: novo óleo de processo é mais amigável

“Durante cerca de cinco anos nos dedicamos às pesquisas que culminaram no desenvolvimento do primeiro óleo mineral predominantemente naftênico a ser produzido no país, para atender às necessidades das indústrias de pneumáticos e artefatos, pois todas as empresas que exportam para a Europa terão de se enquadrar nas diretrizes da diretiva 2005/69/EC, que considera obrigatória a substituição de óleos aromáticos por óleos considerados amigáveis com o meio ambiente a partir de 2010”, informou Silvana Yagi, gerente da unidade de negócios da Ipiranga Química.

“Nossa preocupação foi a de propiciar ao mercado brasileiro essa alternativa, antecipando-se à obrigatoriedade, para que os exportadores tenham tempo suficiente para testar e homologar o novo óleo, o que, aliás, já vem ocorrendo entre os fabricantes de pneumáticos e a Petroflex”, acrescentou Silvana.

Trata-se da linha Flex NBS de óleos minerais, que, além de atender às exigências técnicas da diretiva européia, agrega propriedades que permitem grande compatibilidade com elastômeros de estireno-butadieno (SBR), amplamente utilizados na indústria de pneus.

Nos padrões de viscosidade, cor e ponto de fulgor, o novo óleo atende aos ensaios ASTM D 445, ASTM D 1500 e ASTM D 92. Em comparação com os aromáticos, sua composição é amigável por não apresentar substâncias como benzo(a)pireno, considerada potencialmente cancerígena, pertencendo ao grupo das substâncias que são alvo de restrições e proibições, não podendo ultrapassar 1 p.p.m. A linha Flex NBS também não apresentou policicloaromáticos e atendeu ao limite de PAC, de l,6%.

“Nos testes realizados em parceria com a Petroflex, os óleos naftênicos da Ipiranga Química apresentaram desempenho semelhante ao dos óleos aromáticos, conservando as propriedades químicas, físicas, de tração e de processabilidade em pneus, mas também há vários clientes exportadores de artefatos interessados em fazer testes com o nosso novo óleo”, concluiu Silvana. No momento, a empresa vem fornecendo o óleo naftênico em quantidades piloto, mas em 2010 estará fabricando 24 mil toneladas/ano na fábrica de Duque de Caxias-RJ, podendo expandir esse volume a depender das demandas à época.

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