Expobor: Evolução dos automóveis faz indústria da borracha desenvolver inovações

Plástico Moderno, Expobor: Evolução dos automóveis faz indústria da borracha desenvolver inovações
O ano de 2014 é visto com otimismo moderado pela indústria de borracha. A se manter o panorama macroeconômico atual, líderes da indústria do setor calculam crescimento nominal de faturamento entre 8% a 9% no período. Descontada a inflação, espera-se crescimento real entre 2% e 3%. O desempenho do setor foi bastante comentado pelos participantes da Expobor 2014, única feira ligada à matéria-prima na América Latina.

O encontro bienal foi realizado no Expo Center Norte, em São Paulo, e reuniu 120 expositores ligados à transformação de artefatos de borracha. Marcaram presença, entre outros, os principais fornecedores nacionais de matérias-primas e equipamentos, além de representantes internacionais ligados ao ramo, bem como os setores de artefatos, automação, centros de pesquisa, equipamentos de laboratório, moldes e ferramentaria, máquinas, sistemas de energia, reciclagem e outros. Em paralelo, foi realizada a Pneu-Recaufair 2014 – Feira Internacional da Indústria de Pneus, considerado o maior evento do continente ligado ao setor de pneus.

Quem compareceu à Expobor pode conferir muitas novidades ligadas a um negócio bilionário. Em 2013, a indústria da borracha apresentou faturamento de US$ 2,82 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha – Abiarb. O número representa crescimento de 4%, bastante superior ao apresentado pela indústria como um todo no ano passado, que ficou próximo de 1%.

O resultado se deve, em grande parte, ao excelente resultado da indústria automobilística, que encerrou 2013 com crescimento recorde de 9,9% sobre o ano de 2012, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Vale lembrar: 51% da produção de artefatos de borracha são destinados à fabricação de pneus e outros itens presentes nos automóveis. O desempenho só não foi melhor por conta da importação de produtos acabados de borracha, fato que gera reclamações da associação há um bom tempo.

Pneu verde – Entre os temas discutidos pelos frequentadores, os chamados pneus verdes se destacaram. Lançados há cerca de uma década e já bastante usados no exterior, eles ainda são consumidos de forma tímida por aqui. O potencial de crescimento das vendas é visto com entusiasmo pelas empresas envolvidas em sua fabricação. Um dos motivos do otimismo é o objetivo de redução de consumo de combustíveis da ordem de 12% no período de 2013 a 2017, previsto no programa federal Inovar-Auto, de incentivo à nacionalização de modelos de automóveis. Por permitirem menor atrito com o asfalto, os pneus verdes são excelentes aliados para as montadoras se aproximarem dessa meta.

O tema esteve no centro dos bate-papos no estande Lanxess, empresa que se apresenta como líder mundial na fabricação de borracha sintética. Christoph Kalla, vice-presidente global de marketing que veio ao Brasil para participar do evento, aposta no forte crescimento dos negócios envolvendo o produto. “Nos últimos anos temos tido um crescimento de 5% ao ano na venda de borrachas para essa finalidade e acredito que esse número vá acelerar muito nos próximos anos”, afirmou.

Ele justifica sua estimativa com as vantagens proporcionadas pelos pneus verdes. “Uma pesquisa realizada na Europa demonstrou que eles reduzem o consumo de combustível dos caminhões em 8,5% e duram mais. Proporcionam retorno rápido do investimento para transportadoras de passageiros ou cargas”, garante.

A Lanxess produz borracha para essa aplicação com a mistura de borracha de estireno butadieno em solução (SSBR) com catalizador de borracha de polibutadieno e neodímio (ND-PBR) e sílica. “Dos três insumos, apenas a sílica é fornecida por terceiros, o restante é fabricado internamente”. Uma nova família da linha SSBR, com desempenho superior, deve ser lançada no Brasil ainda no segundo semestre. Para os pneus tradicionais a empresa também produz borrachas a partir da composição de emulsões de borracha de estireno butadieno (ESBR) com ND-PBR e sílica.

Fora do campo da borracha, fornece vários produtos químicos. “O mercado brasileiro é muito importante para nós”, resumiu o vice-presidente global. Do total de 8,3 bilhões de euros faturado em todo o mundo pela empresa química, o Brasil responde por 10% – a fatia relativa à venda de borrachas não é revelada. A empresa conta com três fábricas no país, nas cidades de Duque de Caxias-RJ, Cabo de Santo Agostinho-PE e Triunfo-RS.

Caminho rápido – Os muito comentados pneus de alto desempenho também chamam a atenção da Rhodia, do Grupo Solvay. Para esse mercado, destacou na exposição um produto em especial. Paulo Garbelotto, gerente comercial e de marketing para a América Latina da área global de negócios Sílica, engrossa o coro dos dirigentes ligados ao ramo. “A nossa sílica com alto poder de dispersão permite às montadoras alcançar o caminho mais rápido e de menor custo de investimento para atingir os índices importantes de redução do consumo de combustível do automóvel previstos pelo programa Inovar-Auto”, afirma.

O produto ao qual o Garbelotto se refere é a sílica HDS (Highly Dispersible Silica), comercializada pela empresa com a marca Zeosil. “Ela melhora em 25% a resistência ao rolamento e oferece mais 10% de aderência ao piso, o que resulta em redução de 7% de consumo de combustível e, na mesma proporção, na redução de emissões de dióxido de carbono, sem prejudicar a dirigibilidade”, afirma. De acordo com o gerente, esses ganhos são comprovados e têm impulsionado a procura por parte dos clientes. “A demanda tem crescido em torno de 12% ao ano”.

O fenômeno é mundial e para atender o mercado a Rhodia está investindo em nova planta de sílica na Polônia. A fábrica deve entrar em operação a partir de setembro. Estão em estudos novos investimentos no Brasil e na Coréia do Sul, países nos quais a empresa já mantém fábricas de sílicas precipitadas. Por aqui, a planta está instalada no conjunto industrial de Paulínia-SP, próxima ao Centro de Pesquisas da empresa, onde é mantido um laboratório de desenvolvimento de aplicações.

Outra linha de produtos divulgada na exposição pela Rhodia foi a de fios industriais de poliamida e telas dipadas. “Esses produtos apresentam características especiais, têm alta adesão, resistência à fadiga, resistência mecânica, estabilidade dimensional, resistência térmica e alta resistência abrasiva”. São destinados a diferentes aplicações, entre elas no mercado de pneus e correias transportadoras.

Plástico Moderno, José: mudança na polimerização gera novos usos ao polibuteno
José: mudança na polimerização gera novos usos ao polibuteno

De olho – O bom momento da indústria de borracha fez uma grande empresa brasileira ficar de olho no setor. A Braskem, maior petroquímica das Américas e líder mundial em biopolímeros, apresentou sua linha de produtos para o setor. São materiais também indicados para tintas, adesivos, plásticos e madeiras, entre outros. “Nosso objetivo é aproveitar oportunidades de negócios”, resumiu Aguinaldo José, engenheiro da empresa.

Um dos produtos ressaltados foi a linha Unilene, família de resinas hidrocarbônicas de petróleo de baixo peso molecular, obtidas pela copolimerização de estireno, indeno e seus metil derivados. Entre suas características, destaque para a “pegajosidade”, que aumenta a viscosidade do produto a ser fabricado e a solubilidade em hidrocarbonetos, solventes clorados e não oxigenados. Também apresentam resistência à ação da luz e do intemperismo e qualidades isolantes. Com produção de 19 mil toneladas, a empresa é a única fabricante dessas resinas na América Latina.

Também foi anunciada nova patente de aplicação de polibuteno. “Obtido por meio da polimerização do isobuteno, possui grande estabilidade química, resistência à oxidação pela luz e temperaturas moderadas e excelentes propriedades dielétricas”. Além do setor de borrachas, a novidade pode ser usada na fabricação de óleo e lubrificantes, filmes, adesivos, cosméticos, em explosivos para mineração e pela indústria do couro. A capacidade de produção da empresa é de 35 mil toneladas/ano.

Distribuidores – Conhecidos distribuidores de produtos químicos marcaram presença. A quantiQ divulgou seu vasto portfólio, formado por matérias primas para todos os segmentos do mercado de borracha. “Esperamos aproveitar a feira para prospectar novos clientes”, resumiu Ricardo Verona, gerente da unidade Borracha, Química e Agroindústria.

No catálogo da empresa, algumas novidades. Entre elas, a nova solução de aceleradores máster, comercialmente conhecidos como INgran. Apresentados na forma de pellets ou em placas, contêm 80% de ativo químico e 20% de uma mistura de polímeros. Esses aditivos são uma evolução dos similares oferecidos em pó. “Não há desperdícios ou retenção em recipientes e a possibilidade de contaminação é eliminada porque cada produto pode ser separado individualmente por cores distintas. A atoxidade do produto durante seu manuseio é o ponto mais apreciado”.

Também mereceram destaque no estande da quantiQ o AR-7, da Chitec, agente antirreversão usado na produção de pneus off-road, de caminhões pesados e aviões; o óleo Hyprene L-2000, produto alternativo ao óleo aromático, bastante usado pelas empresas de borracha; e os aceleradores em máster da Innext, evolução em relação aos produtos similares oferecidos em pó.

A Parabor mostrou na feira vários produtos oferecidos pelas suas cinco divisões de negócios direcionados à indústria da borracha. Entre eles o Paralink, agente de reciclagem para borracha vulcanizada. O produto é usado na recuperação de rebarbas, sobras e peças refugadas de borracha reciclada.

Com atuação nos mercados de matérias-primas para os segmentos de borracha, plástico, látex e adesivos, a distribuidora Auriquimica também aproveitou o evento para apresentar novidades aos clientes. Entre eles, especialidades minerais de geração de antiaderentes para batch off, óxido de zinco encapsulado e novos tipos de peróxidos.

Desmoldantes – Com atuação global, a Chem Tend, empresa do Grupo Freudenberg, é especializada no desenvolvimento, produção e comercialização de agentes desmoldantes. A empresa tem planta industrial no Brasil na cidade de Valinhos-SP, de onde fornece produtos para todo mercado nacional, América do Sul e África do Sul. “Para as indústrias de borracha, pneus e recauchutagem, temos amplo portfólio de especialidades para tornar os processos de manufatura mais ágeis, econômicos e produtivos”, orgulha-se Marco Santis, especialista para o setor de borracha.

Entre os produtos divulgados, dois desmoldantes da linha Mono-Coat receberam especial atenção, o 1892W e o 1840W. Recém-lançados, eles apresentam diferenciais, de acordo com Santis. “São indicados para processos de desmoldagem de peças para a indústria automotiva em sistemas de tecnologia de controle de vibração”.

O 1892W oferece proteção aos moldes contra borrachas mais abrasivas. Ele tem efeito mais duradouro entre as aplicações, oferece maior intervalo entre paradas para a limpeza do molde e gera menor quantidade de transferência da peça moldada. O 1840W apresenta resultados similares em aplicações em que os moldes são complexos.

Extrusoras, automação – A indústria de equipamentos marcou presença com grande número de novidades. A Copé, empresa nacional com fábrica em São Leopoldo-RS, está comemorando 75 anos de atuação. Na exposição, mostrou sua linha de máquinas para a indústria da borracha e recapagem de pneus, formada por extrusoras, resfriadores e misturadores.

Na exposição, lançou uma linha de extrusoras de fuso cônico para processos contínuos. “É a primeira extrusora do gênero que fabricamos”, revela Rafael Copé Heller, gerente de engenharia de produto. O modelo pode ser instalado nas linhas de produção embaixo dos misturadores do tipo banbury, indicado para borrachas com elevada pontuação de dureza. “Ele produz tubos, perfis e pallets”. É oferecido com três capacidades, de 600 a 800 kg/h, de 1.000 a 1.300 kg/h e de 1.600 a 2.000 kg/h.

Plástico Moderno, Sistema de pesagem de pequenos ingredientes, da Geromaq
Sistema de pesagem de pequenos ingredientes, da Geromaq

Fornecedora de máquinas para automatização de linhas de produção e representante comercial de mais de uma dezena de fabricantes internacionais de equipamentos os mais diversos, a Geromaq destacou na feira sua linha de sistemas de pesagem industrial. Produzidas no Brasil, as máquinas receberam uma série de aperfeiçoamentos para serem exibidas na exposição. “Elas estão com melhorias em praticamente todo o seu conjunto”, garante Flávia Oiticica, diretora de marketing.

Entre os avanços, as máquinas ganharam maior automatização e segurança. “Elas têm grande precisão e trabalham sem qualquer contato manual com os produtos, são totalmente fechadas”, disse. Outra novidade fica por conta do novo software, responsável pelo controle de todas as operações. “Elas são indicadas para pesar os insumos usados para beneficiar borrachas e outros materiais”. Fora do nicho da borracha, também são indicadas para outros setores, como a produção de alimentos e tingimentos.

A Erhardt+Leimer, multinacional fabricante de soluções sob medida nos campos de aplicação e controle de movimentação da banda, guia de banda e alargamento, medição de força da banda e técnicas de controle, medição e inspeção para a indústria, tem unidade fabril local em Guarulhos-SP.

A empresa lançou um sistema de controle de densidade de fios para ser utilizado em calandras de tecidos de poliéster. Sua finalidade é controlar as distâncias entre os fios sem alterar a largura do material. “Ele representa um grande avanço em aplicações desse tipo”, garante Adrian Hess, vendedor responsável pelos mercados de pneus/borracha e papelão ondulado. Em seu estande, a companhia também mostrou sistema de inspeção de largura de materiais ELQVS. Outro destaque foi o sistema de centragem SW. “O SW é indicado para os fabricantes de pneus”, explicou.

Plástico Moderno, Misturador aberto de cilindros, fabricado pela Bonfanti
Misturador aberto de cilindros, fabricado pela Bonfanti

Misturadores – A Bonfanti, de Leme-SP, empresa nacional com 107 anos de existência, fornece diversos tipos de equipamentos para os segmentos de borracha, cerâmica e fundição. “Os três mercados são atendidos por unidades separadas, cada divisão tem suas próprias tecnologias”, esclarece Waldemar Chmeliauskas, diretor da empresa.

Na área de borrachas, o dirigente diz que o forte da empresa é a linha de misturadores. Entre eles os intensivos com rotor tangencial ou interpenetrante e o aberto de cilindros. Também produz extrusoras de borracha ou PVC, extrusoras de dupla rosca preformadora de mantas, resfriadores, transportadores e outros itens. “Fazemos projetos completos para atender as necessidades de nossos clientes com soluções técnicas específicas”. Os equipamentos fornecidos são de todos os portes. “Atendemos pedidos de arroz e feijão a lagosta”, brinca.

O Bambury Kneader 35L, fabricado pela japonesa Omron, foi a grande atração do estande da Alldar, empresa do grupo Darhel importadora de máquinas para as indústrias do plástico e de borracha. Trata-se de um misturador fechado, dotado com câmara de mistura basculante. Tem dois rotores com quatro asas para homogeneização e dispersão de borrachas. O volume total de mistura é de 35 litros.

Seu comando permite controlar o tempo em até três estágios de mistura. “A máquina proporciona expressivo aumento na produção, com economia”, garantiu Vinicius Arantes, diretor-industrial. Outro diferencial se encontra na forma de descarga do material já misturado, que dispensa o uso de plataforma elevatória. O equipamento já é bastante utilizado na indústria do plástico.

Outra novidade divulgada pela Alldar não tem nada a ver com tecnologia. Trata-se da conclusão, ainda em 2014, da nova sede. Localizada em Santa Isabel-SP, conta com área de 24 mil m², dos quais três mil foram reservados para receber os equipamentos e peças de reposição, além de novo departamento técnico.

Plástico Moderno, Linha PMPS, da Primotécnica, ganhou o modelo 50, para 3 t/h
Linha PMPS, da Primotécnica, ganhou o modelo 50, para 3 t/h

Moinhos – A Primotécnica, de Mauá-SP, conhecida fornecedora no segmento de moinhos, lançou na Expobor mais um modelo da linha PMPS. Dirigido às empresas de reciclagem de pneus, o PMPS 50 tem capacidade de moagem de 3 t/h. Ele funciona com dois eixos de dez facas cada. “O mercado está cobrando por modelos menores”, justifica Dante Casarotti, gerente comercial da empresa. Antes, o menor modelo da série tinha capacidade de 6 t/h. O maior, capaz de moer 12 t/h, trabalha com quatro eixos com 14 facas cada.

Com planta em Nazaré Paulista, a Dynamic Air é fabricante de sistemas de transporte pneumáticos. De quebra, ela representa no Brasil as marcas multinacionais Hosokawa, Alpine e AG Division. “Fabricamos alguns componentes de equipamentos oferecidos pelas empresas que representamos”, esclarece Rafael Paez, engenheiro de aplicações.

Entre os equipamentos mostrados na Expobor, Paes destacou o moinho de jatos opostos de base fluidizada AFG, fabricado pela Hosokawa. É um moinho classificador para pós com distribuição de tamanho de partícula por etapa e corte superior. Os tamanhos de partícula obtidos se encontram na faixa de 4 a 100 micrômetros. “O equipamento opera sem nenhum contato manual com os materiais”.

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