Evento debate práticas sustentáveis

Falar sobre a importância do tema meio ambiente hoje em dia é desnecessário. Também não se discute a imagem negativa do plástico como elemento poluidor.

A cada dia, ambientalistas lembram com maior ênfase do enorme tempo necessário para que o plástico se degrade na natureza.

Para debater o tema e apresentar as iniciativas tomadas por algumas das principais empresas do ramo, a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) promoveu em São Paulo, em dezembro do ano passado, o evento Sustentabilidade na Indústria do Plástico.

Entre os palestrantes, estiveram presentes representantes de multinacionais fabricantes de matérias-primas.

Júlio Harada, gerente para a América Latina de especialidades plásticas da Basf, fez um rápido panorama dos problemas oferecidos pelo lixo.

Em uma população de 6,5 bilhões de pessoas, dá para se ter uma ideia do enorme efeito que a quantidade de resíduos gerados proporciona.

Ele lembrou que só os Estados Unidos produzem 607 mil toneladas de lixo por dia.

O Brasil, 230 mil toneladas. Do total, 35% são materiais que podem ser reciclados. Nesse universo, a indústria do plástico pode representar um papel para lá de importante na redução do problema.

Entre as formas de enfrentar a questão, Harada lembrou que a indústria química tem investido cada vez mais na produção de plásticos verdes e biodegradáveis. Isso não significa a completa substituição dos plásticos convencionais, derivados do petróleo. Mas é uma tendência irreversível.

O técnico diferenciou os verdes dos biodegradáveis. Os verdes são produzidos com materiais de fonte renovável, enquanto os biodegradáveis se degradam na natureza com rapidez quando expostos à umidade e aos micro-organismos presentes na terra.

Plástico Moderno, Júlio Harada, Gerente para América Latina de especialidades plásticas da Basf, Evento debate práticas sustentáveis
Harada: o plástico biodegradável e o verde são tendências irreversíveis

“Os verdes podem ou não ser biodegradáveis e os biodegradáveis podem ou não ser verdes”, ressaltou.

Ele também citou as rigorosas normas existentes em todo o mundo voltadas para a produção dos biodegradáveis.

Neste cenário, falou sobre alguns produtos produzidos pela Basf.

Um deles é o Ecoflex, copoliéster cuja estrutura molecular é algo parecido com a do PET acrescida de oxigênio.

Lançado há três anos, é biodegradável e indicado para a produção de filmes para a agricultura, embalagens e sacolas plásticas.

“Lá fora ele já foi aprovado pela FDA e atende às normas europeias. No Brasil, está em fase de aprovação pela Anvisa”, explicou.

A multinacional também comercializa a blenda Ecovio, produto biodegradável formado pela união do Ecoflex com o PLA. É recomendada para sacolas plásticas, envelopes institucionais, embalagens semirrígidas, copos e outras aplicações.

Outra matéria-prima, a Ecobras, foi desenvolvida pela empresa no Brasil.

Com fórmula que prevê a adição de amidos ao Ecoflex, tem como um dos principais mercados o invólucro para mudas de plantas.

Um exemplo: o Brasil é líder mundial em plantação de eucaliptos para celulose e a adoção da matéria-prima poderia facilitar muito o processo de plantação.

Augusto Dornelles Filho, gerente de contas estratégicas, vendas e desenvolvimento de plásticos de engenharia da DuPont, exaltou sem qualquer falsa modéstia os esforços feitos pela multinacional para desenvolver soluções de proteção ao meio ambiente.

“Nos últimos vinte anos, nossas fábricas reduziram em 72% a emissão de gases geradores do efeito estufa”, informou.

A preocupação também está presente no desenvolvimento de novas fórmulas para a indústria do plástico.

“O faturamento da empresa com a venda de matérias-primas é de US$ 30 bilhões por ano em todo o mundo. Até 2015 esperamos comercializar US$ 1 bilhão em produtos de fonte renovável.”

A DuPont já comercializa três linhas de produtos com características adequadas para o desenvolvimento sustentável.

O Sorona é um termoplástico equivalente ao PBT voltado para peças moldadas, tapetes, carpetes e tecidos. Sua fórmula contém 37% de conteúdo renovável.

O Hytrel RS, termoplástico com até 35% de conteúdo renovável é indicado para operações de injeção e extrusão e tem características similares ao Hytel comum, comercializado pela empresa há mais tempo.

O Zytel com mais de 60% de conteúdo renovável é similar às poliamidas convencionais. Pode ser usado em operações de injeção e extrusão.

A Sabic, outra multinacional de renome, atua em três frentes, quando o assunto é plásticos para uma economia sustentável.

Uma delas é na melhora do desempenho de produtos reciclados.

“A reciclagem de alguns plásticos apresenta bons resultados, mas é comum os produtos recuperados apresentarem entre 20% e 30% de perda de propriedades. Desenvolvemos o processo químico reverso, que permite o retorno ao monômero inicial”, garantiu Paulo Santos, gerente de produtos e mercado.

Outra frente é a do aproveitamento de fibras vegetais como reforços para plásticos. “Elas são de fontes renováveis, biodegradáveis e recicláveis”, explicou.

Um dos materiais pesquisados mais promissores é a fibra de Curauá, cultivada no Pará e usada por indígenas na confecção de redes e arcos.

O material é mais leve que a fibra de vidro e apresenta uma série de vantagens e também de desafios a serem superados. Desenvolver uma linha de polímeros biodegradáveis é outro objetivo. Vários estudos estão em curso.

A Vitopel, nascida em 1988 na Argentina e hoje com duas fábricas no Brasil, é a quinta maior produtora mundial de BOPP.

O tema de sua participação no encontro foi o Vitopaper, papel sintético lançado pela empresa feito com plásticos reciclados.

De acordo com o gerente comercial Christian de Almeida, o produto, lançado recentemente, surge como oportunidade de aproveitamento de materiais plásticos como copos e pratos descartáveis, rótulos e tampas de garrafas de bebidas, embalagens de chocolates, biscoitos e salgadinhos.

No processo não são utilizadas garrafas PET. A cada tonelada produzida, são usados 850 kg de resíduos plásticos.

Para alimentar a linha industrial, a empresa firmou parcerias com catadores, cooperativas de catadores e com o serviço de coleta de lixo do município de Votorantim-SP, onde a planta está instalada.

A ideia é ampliar esse universo com a adoção de ações de logística reversa, nome dado à captação de materiais recicláveis antes de eles serem enviados aos aterros sanitários.

O Vitopaper apresenta uma série de vantagens em relação ao papel convencional.

É mais resistente, impermeável, mais leve em relação aos papéis com qualidade similar e economiza tinta na hora da impressão. Permite a escrita convencional com caneta esferográfica e lápis.

Os textos a lápis podem ser apagados com borrachas comuns. Por suas características, pode ser utilizado, por exemplo, na confecção de livros escolares e materiais didáticos, cardápios de restaurantes, mapas, outdoors, banners e outras aplicações.

O consultor Cláudio Marcondes fez palestra sobre tema bastante momentâneo, a nanotecnologia.

De que forma compósitos enriquecidos com cargas nanoparticuladas podem colaborar com a natureza?

Plástico Moderno, Cláudio Marcondes, Consultor, Evento debate práticas sustentáveis
Marcondes: nanotecnologia pode contribuir com preservação ambiental

“Ao adicionar propriedades aos materiais, diversos benefícios são conseguidos”, revelou.

Um plástico com maior resistência mecânica, por exemplo, permite a confecção de peças com paredes mais finas, economizando matéria-prima.

Embalagens feitas com materiais enriquecidos com nano cargas antimicrobiais aumentam a durabilidade dos alimentos.

Outras aplicações podem ser citadas. Um problema: o manuseio de nanopartículas requer especialização, sob o risco de causar problemas à saúde dos operadores.

A indústria de máquinas de transformação foi representada no evento pela fabricante de injetoras alemã Arburg. Kai Wender, diretor-geral do escritório da empresa no Brasil, falou sobre a economia de energia proporcionada pelos modelos elétricos.

Plástico Moderno, Kai Wender, Diretor-geral, Evento debate práticas sustentáveis
Wender aposta na injetora elétrica como recurso para economizar energia

“Os modelos de injetoras hidráulicas existentes no mercado apresentam rendimento, conforme sua configuração, entre 25% e 70%”, explicou o executivo.

As máquinas elétricas, por sua vez, em média, apresentam rendimento de 75%, bastante superior. Somente em alguns casos e em algumas aplicações, modelos de equipamentos hidráulicos competem próximos dos elétricos.

O executivo também ressaltou a importância de outros cuidados voltados para a conservação de energia. “A geometria da rosca pode aumentar em até 25% a eficiência da plastificação da matéria-prima”, exemplificou.

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