Especial Máquinas – Injetoras: Fornecedores capricham nos lançamentos, mas os negócios andam devagar

Plástico Moderno, Especial Máquinas - Injetoras: Fornecedores capricham nos lançamentos, mas os negócios andam devagarBastante pressionada pelas importações de transformados plásticos, a indústria da terceira geração petroquímica brasileira teve pouco fôlego para investir em novos equipamentos, o que impôs um freio ao crescimento do mercado de injetoras no país. A maioria dos fornecedores dessas máquinas forçou os seus motores para fechar o ano no azul e dentro das metas.

Plástico Moderno, Maior precisão e qualidade de processo deslancham linha EL
Maior precisão e qualidade de processo deslancham linha EL

Tradicional fabricante do ramo, a Romi traçou novas estratégias para driblar o momento difícil que o setor industrial atravessa no país. Diretor da unidade de negócios de máquinas para plástico, William dos Reis comenta que as medidas adotadas pelo governo de estímulo à produção nacional e a depreciação cambial ocorrida nos últimos meses pouco aliviaram os problemas críticos de perda de competitividade e de produtividade.

Se, por um lado, o diretor enxerga bons sinais de recuperação do crescimento, mencionando a regularização dos estoques e a retomada da produção, mesmo com a utilização da capacidade instalada da indústria em níveis acima de 80%, segundo apontamentos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp); por outro, ele percebe que “um cenário de incertezas em relação a uma retomada sustentável da indústria prejudica a confiança do industrial na decisão de realizar novos investimentos”.

Por conta desse quadro, a empresa precisou efetuar algumas manobras, como minucia o diretor: “No passado, quando utilizávamos quase 100% da capacidade instalada, era possível manter uma produção massiva, repetitiva, com alto volume, e gerar rentabilidade com isso, pois o volume de demanda consumia o estoque gerado. Depois da crise e com a constante volatilidade à qual o mercado está sujeito, percebemos que seríamos mais eficientes se tivéssemos uma produção flexível, que fornece o produto certo, na quantidade certa e o mais próximo possível da data de consumo deste. Percebemos, ainda, que manter um nível de estoque alto era muito prejudicial à sustentabilidade do negócio.”

Com essas medidas, o diretor da Romi acalentava, no início deste ano, manter o mesmo nível de receita do ano anterior e recuperar as margens perdidas nos últimos períodos. De acordo com ele, entre janeiro e setembro deste ano, a empresa gerou um volume de pedidos, em máquinas para plástico, de R$ 615,5 milhões, equivalente a um aumento de 21,2%, comparativamente ao mesmo período anterior. Com os ajustes operacionais, ele também comemora EBITDA das operações continuadas de R$ 35,0 milhões– uma margem EBITDA de 7,4%.

Responsável pelo marketing e pela tecnologia na Sandretto do Brasil, Gilberto Baksa relata ter atravessado um primeiro semestre difícil, com vendas retraídas, mesmo com as condições mais favoráveis de financiamento via Finame, um incentivo que ajudou a segurar as vendas nesse período. “Vendíamos pouco, mas vendíamos.” Os equipamentos comercializados atenderam os mercados mais ativos e em expansão produtiva. “Esses clientes mantiveram constante as vendas de máquinas.” A taxa de crescimento pretendida e, segundo ele, alcançada pela empresa ficou entre 5% e 10%.

Plástico Moderno, Fernandes acalentava metas de crescimento acima da conquistada
Fernandes acalentava metas de crescimento acima da conquistada

Diretor comercial da Battenfeld, Ironi Fernandes também não sentirá saudades de 2013. Para ele, o desempenho da economia brasileira ficou muito aquém para um país do bloco dos emergentes e afetou em cheio a indústria brasileira de transformação, reduzindo a sua produção e o seu poder de investimento, principalmente em máquinas e equipamentos. “O reflexo disso foi um ano ruim para os fornecedores de bens de capital”, lamenta. Ele também aponta os juros altos e as dificuldades na obtenção de crédito como empecilhos para um melhor desempenho nas vendas de máquinas. E assina a lista dos queixosos do custo Brasil, principal componente da menor competitividade da produção nacional perante os concorrentes estrangeiros. “Nossos transformadores perdem espaço no mercado, tendo como consequência uma redução nos negócios de bens de capital.”

O cenário desfavorável comprometeu as metas de crescimento, que ficaram abaixo das projetadas por Fernandes. “Acreditamos que, de maneira geral, todo o mercado fornecedor de bens de capital teve um ano muito desastroso”, opina o diretor da Battenfeld.

O gerente geral da Milacron, Hércules Piazzo, pensa como ele: “O mercado de bens de capital é muito oscilante, somos o primeiro a sofrer em crises e o último a retomar.” Ele informa que a empresa projeta crescimento na faixa de 10% ao ano e que ao longo da sua atuação no mercado brasileiro os resultados têm sido positivos, com crescimento médio constante. Este ano, particularmente, está exigindo fôlego extra para alcance dos objetivos.

Plástico Moderno, Grande distância entre colunas marca a Série Macropower
Grande distância entre colunas marca a Série Macropower

Além de lidar com a queda do poder de investir da transformação, os fornecedores de equipamentos ainda enfrentam problemas de concorrências desleais entre fabricantes de injetoras, questão que incomoda o gerente geral da Milacron. Esse fato, associado às oscilações na economia brasileira, o obrigou a correr atrás do prejuízo na reta final deste ano, quando os negócios começaram a melhorar, a fim de alcançar as suas metas. “Nossas vendas ficaram abaixo do esperado no primeiro semestre; no segundo, melhorou; e estamos rumo ao cumprimento da nossa meta para este ano, pois ainda temos algumas semanas e uma carteira de projetos que possivelmente nos proporcionará atingi-la.”

Piazzo denuncia que, com o objetivo de penetrar e avançar no mercado brasileiro, muitos fornecedores praticam preços aviltados. Mas o transformador que se deixa levar por esses benefícios imediatos perde lá na frente, como justifica o gerente: “Na próxima compra, os valores serão superiores, pois os fabricantes usam este tipo de estratégia somente para colocar equipamentos no mercado; no futuro, os transformadores não terão condições de padronizar suas linhas de fabricação e sofrerão com a infinidade de máquinas/modelos em suas empresas”, alerta.

Plástico Moderno, Piazzo: estrutura brasileira será ampliada
Piazzo: estrutura brasileira será ampliada

As impressões do gerente da Haitian, Roberto Candido de Melo, acompanham as de seus colegas sobre os negócios andarem em marcha lenta. Ele observa um mercado estável, mas com investimentos da transformação restritos aos necessários e planejados. Segundo informa, multinacionais que estão investindo no país e novos clientes, fornecedores dessas multinacionais, entre os quais antigos parceiros da Haitian, carrearam as vendas da empresa no mercado brasileiro.

A propósito, Melo destaca que as exportações da Haitian avançaram mundialmente. De acordo com ele, a fabricante cresceu neste ano acima de 13%, alta sustentada por uma estrutura gigante na China, com mais de 3.000.000 m2, e pela estratégia de lançar produtos definidos pelo gerente como “dedicados ao mercado”.

Sem comentar resultados, mas considerando que o desempenho do grupo (KraussMaffei, KraussMaffei Berstorff e Netstal) no país foi bom neste ano, o gerente geral da KraussMaffei do Brasil, Klaus Jell, enxerga o horizonte brasileiro nublado desde o ano passado. Ele acredita que os portfólios e serviços da KraussMaffei e da Netstal atendem a contento às necessidades do mercado sul-americano, particularmente as das indústrias automotiva, de embalagens, médica e de logística. E ressalta ser uma das primeiras importadoras cujos produtos acatam às exigências da norma de segurança NR12. Diz ele que todos os seus equipamentos atendem à norma.

Mesmo com a retração da demanda, segundo informa Emanuel Martins, diretor da empresa, a Brasil Plastic System (BPS) conseguiu expandir em 2% a sua participação no mercado, como planejado para este ano. Mas algo o incomoda: a comoditização no mercado de injetoras. E seus comentários repercutem como as advertências do gerente da Milacron. “Acredito que nosso desafio é oferecer soluções integradas ao cliente e não somente máquinas ao menor custo possível”, diz.

Plástico Moderno, Híbrida e modular, Linha F, da Milacron: feita “sob medida”
Híbrida e modular, Linha F, da Milacron: feita “sob medida”

A conquista de um crescimento da ordem de 25% no número de máquinas vendidas de janeiro a outubro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado alentou o diretor da Arburg, Kai Wender. O desempenho agora conquistado retoma os patamares de 2011, considerados melhores em relação a 2012, que ficou aquém das expectativas. A dedução de Wender é a de que 2013 chega ao fim com um comportamento normal para a empresa, mas superior em relação ao mercado brasileiro de injeção, em queda na percepção dele. “Nosso aumento de participação no mercado se deve ao fato de a Arburg focar seus negócios em alta tecnologia, mesmo nos seus modelos mais básicos. É uma estratégia diferente da concorrência e nos garante crescimento contínuo, porque dá segurança ao cliente”, declara. Em suas estimativas, a Arburg supre atualmente uma parcela de 20% do mercado de injetoras de alta tecnologia, demanda anual que Wender calcula em torno de 350 a 400 máquinas, de um universo da ordem de 2 mil.

Ele endossa as opiniões de que a falta de uma política econômica de longo prazo emperra o melhor andamento dos negócios. “Essa instabilidade está exigindo muita flexibilidade do empresário; quando há insegurança, o mercado compra menos e como fornecedores não temos como evitar”, pondera. Ele julga que o crescimento de 25% não é um resultado surpreendente, mas se encaixa dentro do planejado pela empresa.

Em ritmo semelhante, o gerente geral da Sumitomo Demag, Christoph D. Rieker, fecha este ano em empate com 2012. Até o mês de agosto não houve motivos para queixas, mas a partir de então os seus negócios estancaram. Reflexo da disparada do dólar, ele argumenta que os empresários, temerosos, recuaram os investimentos. A feira alemã K, número um do mundo do setor de plástico, realizada no final de outubro, em Düsseldorf (veja cobertura nesta edição da Plástico Moderno) ajudou a salvar a lavoura no segundo semestre. “Conseguimos vender um pouco; parece que o mercado brasileiro agora está retomando a confiança para investir.”

Os setores de automóveis e de embalagens, particularmente para alimentos e cosméticos, são os maiores demandantes das injetoras da Sumitomo Demag. Para Rieker, as altas velocidades e a performance, que possibilitam uma produção bastante elevada, são os grandes diferenciais dos equipamentos da linha híbrida El-Exis SP, particularmente apreciada no mercado de embalagens.

No topo dos negócios – Os modelos EN e EL sobressaíram nas vendas da brasileira Romi, por conta, na opinião de William dos Reis, da crescente demanda por máquinas de maior precisão e qualidade de processo. Exigências mais refinadas de características técnicas nas peças acabadas, e de ciclos reduzidos, entre outras, favorecem essas máquinas, no entender dele. O diretor considera que as injetoras dessas séries oferecem baixo consumo energético aliado à repetibilidade e à confiabilidade, por isso têm liderado as vendas.

A conhecida série Logica mantém a pole position nos negócios da Sandretto do Brasil, como narra Baksa, seguida de perto pela família Meglio, esta composta apenas por modelos de 240 e 500 toneladas de força de fechamento, mas que tem angariado a simpatia dos clientes, por conta do seu porte, das características técnicas e da flexibilidade de projeto.

Como informa, a segunda colocada pode sair da fábrica com bomba de vazão variável, com controle de carga (load sense), ou em versão com dupla bomba de vazão variável, igualmente com controle de carga, para realização de movimentos simultâneos entre abertura e extração, ou abertura e retirada dos machos hidráulicos. Outras opções desses equipamentos são: a ecoMeglio, que disponibiliza ao cliente a opção de acionamento com servomotor e bomba de vazão fixa, sinônimo de maior eficiência energética e pouquíssimo ruído; e a Meglio Fast, que carrega tripla bomba de vazão variável e acumulador no movimento de injeção, permitindo velocidade de até 500 mm por segundo.

Plástico Moderno, Rieker ficou surpreso com a alta procura por injetoras 100% elétricas
Rieker ficou surpreso com a alta procura por injetoras 100% elétricas

A alta procura por injetoras totalmente elétricas surpreendeu Christoph Rieker. Os equipamentos das séries Se-HDZ e Se-HSZ, oriundos da fábrica no Japão, já correspondem a mais da metade das vendas da empresa. Englobam modelos desde 300 t até 450 t de força de fechamento e carregam um recurso extra (a denominação Z), um software desenvolvido pela Sumitomo que assegura o preenchimento integral de todas as cavidades do molde. “A rosca para por alguns centésimos de segundo, possibilitando que todas as cavidades possam ser enchidas por igual, evitando a sobreinjeção em algumas e o não preenchimento completo em outras”, explica.

Entre as mais procuradas pelo mercado de embalagens, a El-Exis SP foi reprojetada com novas tecnologias que lhe ampliam a velocidade em comparação ao modelo antecessor. O conceito ainda é o mesmo, explicita o gerente geral, mas todos os componentes estão aprimorados, novos ajustes efetuados e toda a parte de fechamento foi redesenhada com maior distância entre colunas e a incorporação de placas mais robustas, artifício para uso de moldes maiores.

Carrega SP no nome, de Speed Performance, não à toa. Rieker atribui a essa máquina altíssimo desempenho e confiabilidade para ciclos muito rápidos. “Inferior a quatro segundos”, exalta. Na feira de Düsseldorf, uma dessas máquinas, de 420 toneladas de força de fechamento, demonstrava suas habilidades produzindo tampas de 29 mm e peso de 1,3 g, em molde de 96 cavidades, com ciclos de apenas dois segundos, como atesta o gerente geral brasileiro da fabricante.

Outro surpreso com o assédio às máquinas elétricas foi o diretor da Arburg. A nova família Edrive, desenvolvida em 2011, para injeção de peças técnicas, e lançada no Brasil no final do ano passado, já representa 25% de todas as vendas no mercado nacional, embora a sua consagrada série Gold Edition, de relação custo/benefício quase imbatível, permaneça, não à toa, senhora do pódio mais alto no mercado brasileiro, com quase metade das vendas totais. “Foi uma surpresa muito positiva”, comemora Wender.

Os modelos de 100 e 150 toneladas de força de fechamento foram os preferidos pelos transformadores na linha servoacionada, mas a série vai de 50 t até 200 t. Os equipamentos possuem todos os acionamentos diretos e também todos os motores refrigerados a água – um sistema de resfriamento ativo, que evita o aquecimento do motor. Nos últimos tempos, o mercado de embalagens vem ocupando espaço maior nos negócios da Arburg, ainda dominados pelo segmento automobilístico. “Estão quase empatando”, atenta Wender.

Consagradas no mercado, as máquinas elétricas da família Roboshot permanecem na posição das mais vendidas do cardápio da Milacron, fornecedora desses equipamentos para a indústria brasileira de longa data. Mas, informa Hércules Piazzo, neste ano outra linha começou a ganhar força nos negócios no país, a K-Tec, composta por máquinas de alta performance.

Para retratar a sua linha Roboshot Alpha iA, Piazzo abre mão de extenso currículo, o qual inclui: precisão de +/- 0,01 mm em todos os movimentos, independentemente da velocidade programada do equipamento; alta aceleração de injeção, qualidade muito apreciada para peças de parede fina; recurso de pré-injeção, que possibilita a retirada com facilidade de gases de dentro da cavidade do molde, além de reduzir o tempo de ciclo total da máquina; economia de energia elétrica de 60% até 85% em relação aos modelos hidráulicos ou híbridos; precisão milesimal no peso da injeção, graças aos sistemas desenvolvidos e patenteados pela fabricante; entre outros benefícios. Em razão da simultaneidade de movimentos, esses equipamentos propiciam, nas estimativas de Piazzo, aumento de 30% de produtividade, em média.

Outro diferencial relevante na linha Roboshot fica por conta do sistema de regeneração de energia elétrica, novidade incorporada no modelo S2000iB. “Em todos os movimentos, temos aceleração e frenagem”, explica. “A energia ?gasta? para frear é regenerada e armazenada no equipamento e utilizada no próximo movimento ou no sistema de aquecimento da máquina. Assim, obtemos um consumo baixíssimo de energia elétrica, mesmo quando comparado a outros modelos de injetoras totalmente elétricas existentes no mercado”, pormenoriza. Recursos de inteligência artificial patenteados pela empresa atuam na proteção do molde, durante todo o curso de fechamento e de abertura, e ainda na extração, na injeção e na dosagem.

O sistema de fechamento em placas de aço é considerado por Piazzo a maior vantagem competitiva das injetoras da série K-Tec perante a sua concorrência, novidade que permite à fabricante executar qualquer tipo de modificação no equipamento, a fim de atender às mais exigentes solicitações dos seus clientes, tais como um equipamento de 450 t de força de fechamento, com espaço entre colunas de 1.000 por 1.000 mm, o que possibilita operações com moldes bem maiores. “Um cliente retirou um molde de uma máquina de 650 t e rodou em nossa de 450 t”, exemplifica. O transformador dispõe dessa possibilidade quando a força de fechamento não é um empecilho, ou seja, quando os moldes são muito grandes e a área projetada das peças não necessita de tanta força de fechamento.

Piazzo ainda atenta para o sistema de travamento desses equipamentos, realizado por um pistão central, o que propicia uma excelente distribuição da força de fechamento no molde, condição, na opinião dele, ideal para moldes com múltiplas cavidades e de ciclo rápido. “Evita qualquer tipo de variação entre as cavidades, bem como prolonga a vida útil do molde.” Esses modelos, informa o gerente geral, possuem movimentos simultâneos, assistidos por acumuladores hidráulicos, com altíssima velocidade e precisão. A principal indicação de uso para essa família de máquinas são as peças de parede fina em ciclos muito rápidos, mas também pode produzir peças multicomponentes, já que dispõe de duas a seis unidades injetoras em sua linha de modelos.

Benquista no mercado por suas pequenas dimensões e grande distância entre colunas, com mais amplo espaço para colocação de moldes, a série Macropower lidera as vendas da Battenfeld no país. Ironi Fernandes acresce aos modelos os atributos inerentes a todos os equipamentos da marca: precisão, repetibilidade, baixo consumo energético, pouca manutenção, entre outros.

As novas máquinas da série GX são destacadas por Klaus Jell. Segundo informa, a GX 900-8100 é a campeã para grandes tarefas e a mais rápida injetora de duas placas, feito atribuído ao mecanismo de fechamento GearX e ao sistema de guias GuideX, que assegura uma troca rápida e totalmente automática do molde, excelente consistência no peso da injeção, além de um baixo consumo energético.

Esses equipamentos estrearam na América do Sul na exposição da empresa na Feiplastic, realizada em maio deste ano, no Anhembi, evento que impulsionou as vendas dessas injetoras desde então. A centésima máquina em âmbito global foi vendida recentemente para o mercado brasileiro – a feliz compradora foi a Mahle, empresa de Mogi Guaçu-SP, com atuação na área automotiva, cuja fábrica é considerada uma das mais modernas desse grupo.

Outra marca renomada da KraussMaffei, a Netstal fez bonito com as novas PET-Line 2400 e PET-Line 4000, equipadas com eixos hidromecanicamente impulsionados, com o uso de válvulas e controles estado da arte em termos tecnológicos, na avaliação do gerente brasileiro. Seus recursos propiciam, de acordo com Jell, ciclos mais rápidos e aumento significativo da produtividade.

As máquinas totalmente elétricas Elion, da Netstal, também se destacaram. O gerente geral atribui a elas rapidez, precisão e confiabilidade, entre outras vantagens. O novo modelo da série incorpora uma unidade de injeção de alta performance (também utilizada na série Evos), o que possibilita o alcance de velocidades de até 2.200 mm/s em extremos níveis de aceleração, graças à inovadora tecnologia de válvula dupla. O recurso permite reduzir o uso de material e os tempos de ciclo.

Todas as famílias de injetoras da Haitian passaram por aprimoramentos. Denominadas Segunda Geração, elas sofreram modificações nas estruturas mecânicas, elétricas e eletrônicas. As novas qualificações elencadas pelo gerente Roberto Candido de Melo incluem maior precisão e velocidade. Sem considerar modelos específicos de maior demanda, ele avalia que os destaques de venda dependem do segmento, explicando que a família Marte opera com baixíssimo consumo de energia elétrica; a Júpiter, de equipamentos de maior porte, opera com eficiência energética idêntica à da Marte, ainda com a vantagem de possuir um sistema hidráulico de fechamento e uma estrutura menor que as máquinas convencionais de fechamento de cinco pontos. Também ele constata a maior procura pelas injetoras elétricas, inseridas na série Vênus. “Neste ano houve um grande volume de vendas, a maioria direcionada a ciclos rápidos e de baixo consumo energético.”

A preferência por máquinas de maior produtividade e melhor eficiência energética concentrou na nova série D os negócios da BPS. Emanuel Martins credita 70% de suas vendas a essas injetoras, equipadas com servomotor e controle em malha fechada. Tanta procura porque “com este produto proporcionamos aos nossos clientes uma redução do tempo de ciclo de até 20%, diminuição no consumo de energia de até 50%, e aumento na repetibilidade de injeção de até 15%”, justifica. Graças à nova família de máquinas, o executivo alcançou a meta de elevar a participação da empresa no mercado em 2% neste ano, mesmo com o consumo retraído.

Com menos energia – Máquinas mais eficientes em produtividade já não bastam, precisam também operar com menor consumo energético, um sinônimo de responsabilidade ambiental e redução de custo, uma das principais qualidades das injetoras totalmente elétricas, o que fez com que elas se tornassem muito apreciadas ultimamente pela transformação. A constatação dos fornecedores pela maior demanda por esses modelos evidencia a preferência por máquinas de alta eficiência energética e ciclos rápidos.

A procura crescente, ao longo dos últimos anos, por injetoras mais econômicas e produtivas disparou as opções concebidas pelos fabricantes com tais recursos. “Fala-se em ‘pacote de produtividade’ porque a máquina produz mais e com menos energia”, classifica Kai Wender para retratar o apuramento tecnológico acrescentado neste ano ao modelo Gold Edition. Esse “pacote” confere regulagem na rotação do motor principal, redundando em economia entre 20% e 25% no consumo de energia elétrica, associada a ciclos ainda mais rápidos. Ele ressalta movimentos mais ágeis do molde, e simultâneos de abertura do molde e extração da peça.

Sem falsa modéstia, Christoph Rieker afirma que a eficiência energética é uma das vantagens dos modelos desenvolvidos pela Sumitomo Demag e uma tendência europeia, por sua relação direta com a preservação ambiental. Os projetos recentes trazem bombas e motores menores, que executam suas tarefas com o mesmo desempenho dos seus antecessores e melhor eficiência energética. Além da questão ambiental, também pesa o elevado custo da energia. “A porcentagem do custo da energia elétrica no custo total da peça é grande”, atenta.

Por essa razão, também os seus modelos elétricos entram no rol dos mais procurados. Segundo explica Rieker, essas máquinas são desenhadas com movimentos totalmente independentes (plastificação, injeção, fechamento e abertura do molde, e extração), que asseguram ciclos rápidos e de grande precisão. Além disso, reduzem custos porque requerem baixa manutenção, já que não usam óleo.

Em se tratando de economia de energia, Hércules Piazzo categoriza a Milacron como precursora. “Foi pioneira na fabricação de injetoras totalmente elétricas e ainda hoje acreditamos que nossa linha de máquinas é a mais econômica do mercado, chegando a economizar até 20% de energia quando comparada com injetoras elétricas de fabricantes concorrentes”, compara.

O devotamento à eficiência energética nas máquinas da Milacron promete impressionar os transformadores também nos modelos hidráulicos, a julgar pelas atribuições a eles conferidas por Piazzo: economizam até 50% de energia elétrica em relação aos similares de outros fabricantes. “Possuem sistemas assistidos por servomotores que chegam a parar a bomba da máquina em certos momentos, quando o seu movimento não é necessário”, detalha.

O gerente da Haitian também alega pioneirismo na venda ao mercado brasileiro de produtos sustentáveis, destacando menor uso de água, baixo nível de ruído, além de reduzido consumo energético das suas séries Marte e Júpiter. “Essas máquinas, em sua segunda geração, ganharam estruturas que exigem menos esforços”, complementa. Comparada a modelos tradicionais de ciclo rápido, ele avalia que a sua série de máquinas totalmente elétricas Vênus consome 60% menos energia, acrescida da vantagem de uma operação limpa (isenta de óleo) e de alta precisão.

Embora também mencione a sua linha Ecopower de máquinas elétricas entre as opções de equipamentos com baixo consumo energético, o diretor da Battenfeld ressalta que a preocupação da empresa com esse quesito envolve todas as suas séries de injetoras, concebidas com diversos recursos, como o acionamento por servomotor, que reduz o consumo de energia em até 40%. “Nossas máquinas apresentadas na feira K deste ano tinham o selo Euromap 60.1 ?Energy Efficiency Class?e as nossas estavam com notas entre 9+ e 10+. No caso de uma máquina com nota 10+ não existe mais o que fazer para torná-la mais econômica em termos de consumo de energia”, relata Fernandes.

Os projetos inovadores e a tecnologia de drive inteligente das injetoras híbridas e das totalmente elétricas da Netstal são apontados por Klaus Jell como responsáveis por propiciar enorme redução no consumo energético. Ele assevera que o novo drive Eco Powerunit torna a série de injetoras híbridas Elion capaz de economizar até 50% de energia, em comparação às máquinas hidráulicas convencionais. “Se todos os eixos de movimento da máquina são conduzidos servoeletricamente, a eficiência sobe aproximadamente mais 10%”, refere o gerente geral. Ele ainda ressalta que, relacionados aos equipamentos hidráulicos convencionais, os da linha Evos levam vantagem com consumo até 30% inferior. Também a série GX, apresentada na Feiplastic, incorpora recursos especiais, como os módulos BluePower, que lhe garantem máxima eficiência energética e ainda alta produtividade.

Plástico Moderno, Série Meglio conquista mais espaço no mercado
Série Meglio conquista mais espaço no mercado

Entre os produtos brasileiros, os transformadores dispõem das versões ecoLogica e ecoMeglio da Sandretto, projetadas com acionamentos dos seus movimentos por servomotor, com a intenção de diminuir o consumo de energia elétrica. Gilberto Baksa ressalva que esses modelos são limitados à injeção de peças de maior tempo de ciclo, menor exigência de velocidades e/ou pressões de trabalho reduzidas e justifica: “O grande problema é que o servomotor apenas economiza energia em casos particulares e o importante é que as máquinas da Sandretto não perdem suas características técnicas, mesmo tendo o servomotor à frente do acionamento.” Não à toa, cada venda do gênero passa pelo crivo do corpo técnico e de engenharia da empresa.

De acordo com Baksa, há muita variedade de drives no mercado, custos e qualidade idem. Os drives simples e de baixa potência comprometem as características técnicas do projeto e ainda provocam outros problemas. “A escolha do drive de controle do servo é mais importante do que o próprio servomotor envolvido”, atenta.

Os projetos da Romi desenhados para operar com maior eficiência energética dispõem de tecnologia com servobomba (linha EL) e servossistemas (linha EN). Para ambas, William dos Reis atribui precisão, baixos níveis de ruído e de consumo energético, e ainda ressalta o uso de um comando eletrônico de última geração. “A perfeita sintonia entre os conjuntos mecânicos, eletroeletrônicos e hidráulicos confere ao equipamento uma grande repetibilidade no processo, proporcionando uma produção estável e de grande produtividade.”

Para atrair mais negócios – Novidades sempre chamam a atenção, motivo pelo qual as fabricantes renovam seus portfólios, aprimoram projetos, além de outras iniciativas. E recheado com duas feiras importantes do setor– Feiplastic, no Brasil, e K, na Alemanha– neste ano sobraram atrações para a indústria interessada em aprimorar o seu parque fabril, mesmo com as rédeas da economia curtas.

A brasileira Romi lançou a nova linha EN PVC, equipada com sistema de acionamento hidráulico por servomotor. Endereçada à fabricação de peças rígidas de PVC, como conexões, atende às necessidades de ciclos mais longos e precisos, com controle de temperatura e velocidade. A série EN, a propósito, amplia a linha nos modelos maiores e oferece placas porta-moldes reforçadas e com grande distância entre as colunas. O diretor destaca nelas a precisão, o baixo nível de ruído e o pouco consumo energético.

As máquinas com acionamento por servomotor, os modelos com acumulador para injeção de peças de parede fina e o novo projeto de construção da série Mega, agora na versão HP (high performance) constituem as novidades destacadas pelo executivo da Sandretto. Gilberto Baksa imputa à nova HP ganho produtivo, redução dos valores de pressão e força de fechamento, e diminuição de peso das peças injetadas, graças ao seu controle de injeção e à velocidade de operação.

A BPS apostou no lançamento da série D Tech 2, composta por equipamentos direcionados ao mercado de utilidades domésticas e embalagens. Martins destaca neles servomotores mais potentes, novo projeto mecânico e aumento na capacidade de dosagem.

Mais fabricantes capricharam nos lançamentos. Fernandes conta que a Battenfeld ampliou a sua série Macropower, agora disponível com até 1.600 toneladas de força de fechamento. A menor tem 400 t. E revela intenções de lançar no próximo ano modelo de 2.000 t. “Essas máquinas apresentam reduzidas dimensões e excelente distância entre colunas: uma de 1.600 toneladas tem 11,5 metros de comprimento; e a de 850 toneladas tem distância entre colunas de 1.475 mm”, exemplifica. Quem esteve na feira alemã também pôde conferir o lançamento da Macropower híbrida, dotada de injeção elétrica e fechamento hidráulico.

Além de novidades em equipamentos, a Battenfeld lançou o processo Cellmould. “Dependendo do produto a ser injetado, possibilita uma economia de matéria-prima de até 15%, reduzindo o tempo de ciclo e aumentando a resistência física da peça”, informa Fernandes.

A Sumitomo Demag também desenvolveu novo projeto híbrido, o Systig SP. Como informa Rieker, a injetora sai de fábrica com motor de plastificação e acumuladores elétricos. O equipamento é dirigido para produtos que requerem ciclos entre quatro e seis segundos. “É específica para peças de parede fina e ciclos rápidos.” As opções variam entre 160 e 420 toneladas de força de fechamento e consistem em uma linha intermediária. Chegam para preencher uma lacuna entre o Systig, até então ofertado apenas para operações em ciclos acima de seis segundos, e a El-Exis SP, que atende aos requisitos abaixo de quatro segundos.

Como recurso opcional, a empresa também criou um novo sistema de troca de cores. “Injeta máster líquido na ponta do cilindro, o que permite uma troca de cor muito rápida; e necessita de poucos ciclos para a troca total de cor”, pormenoriza o gerente geral.

Com suas injetoras elétricas consolidadas no mercado, a Milacron agora reforça os negócios nos modelos híbridos. De acordo com Piazzo, a fabricante lançou uma linha completa, denominada F, de máquina híbrida e modular. “Pode ser fabricada de acordo com a necessidade e a escolha do cliente”, revela. Conta com opções de altíssima performance e para aplicações multicomponentes.

Os investimentos da empresa neste ano avançaram além das injetoras. Adquiriu, no primeiro semestre, a Mold Master (veja nota em PM 460, fevereiro de 2013, pág. 39), renomada fabricante global de sistemas de câmaras quentes. Agora amplia a estrutura brasileira, como conta Piazzo, “a fim de proporcionar mais conforto e tranquilidade aos nossos parceiros, com mais peças de reposição e pessoal capacitado para melhor atendimento, além de nosso showroom para treinamentos e demonstração dos equipamentos aos clientes”.

Completando em 2013 dez anos de atuação no país, e 47 no mundo, a Haitian comemorou o feito com a abertura de novas unidades na China e deve inaugurar no próximo ano uma fábrica de 150 mil m2 com o objetivo de expandir a produção da linha totalmente elétrica (Vênus). A decisão é apoiada no expressivo aumento de suas vendas no Brasil e no mundo.

O grupo KraussMaffei também está investindo em expansão. Os recursos seguem para o avanço da sua fábrica na Eslováquia, que permitirá dobrar sua capacidade produtiva; e ainda para a ampliação de capacidade na China.

Plástico Moderno, Novo equipamento da Arburg busca as produções individualizadas
Novo equipamento da Arburg busca as produções individualizadas

A Arburg igualmente planeja ampliar sua fábrica, situada na Alemanha, com a adição de 16.800 m2, a fim de ganhar área para produzir mais máquinas de maior porte (a empresa produz injetoras até 500 toneladas de força de fechamento). A expansão ainda contribui para aumentar os projetos de automação: a empresa fabrica uma linha própria de robôs, desde um até seis eixos, que são incorporados às suas injetoras. “A solicitação de equipamentos automatizados está aumentando e isso exige mais espaço de fábrica”, argumenta Wender.

A propósito, um desenvolvimento que consumiu da Arburg quase dez anos estreou no mercado na feira alemã: o Free Former. Trata-se de um equipamento inovador que permite a produção de peças funcionais, em pequenos volumes e sem a necessidade de molde. Wender detalha o seu funcionamento: “A máquina tem uma unidade de plastificação onde a resina convencional, usada no mercado, segue para uma câmara pressurizada; nessa câmara, um tipo de êmbolo, dotado de acionamento piezo, é acionado cem vezes por segundo, criando, em cada movimento, uma pequena gota de plástico, que é colocada em cima de uma mesa. Esta mesa é movimentada por três eixos servoelétricos e este movimento cria a peça em camadas.”

Segundo ele ressalta, o processo permite produzir peças funcionais, com até aproximadamente 30 cm x 35 cm x 25 cm. A intenção é abarcar um mercado crescente, que busca produtos individualizados, e atender às necessidades de fabricação de peças em pequenos lotes.

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