Máquinas e Equipamentos

21 de novembro de 2011

Especial máquinas – Injetoras – Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado

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Publicado por: Renata Pachione
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    O portfólio também busca a diversidade. Abrange injetoras de pré-forma de PET, com servomotores, híbridas e bicolores, entre outras. “Não nos restringimos a modelos considerados simples ou standard”, aponta o diretor. Os planos são de expansão. A empresa inaugurará nova planta (de 13,2 mil m²). “Buscamos voltar ao mercado que perdemos com as importações chinesas, pois um modelo trazido de lá tinha um custo tremendamente inferior ao nosso”, conclui. A empresa traz na sua história o feito de ter fabricado injetoras em 1967.

    Asiáticos – A presença das máquinas asiáticas no mercado nacional de injeção há bastante tempo incomoda os fabricantes locais. Nota-se, no entanto, hoje uma acomodação desse tipo de demanda e até mesmo uma certa saturação. Neste universo existe, sim, um nicho no qual só o preço baixo faz a diferença, arrasando com a produção nacional. Mas há uma parcela de empresas buscando vantagens competitivas para ganhar a preferência do transformador com argumentos que vão além do financeiro.

    Plástico Moderno, Rodrigo Henrique Lopes, Gerente comercial da Tsong Cherng, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado

    Henrique comemora os bons negócios com planos de expansão

    Esse é o caso da Tsong Cherng, empresa brasileira que emprega tecnologia desenvolvida em Taiwan. Com 24 anos de atuação no país, a companhia não se vê imune à forte penetração dos asiáticos. “Hoje a concorrência é maior até para nós que temos a vantagem do preço mais baixo”, explica Rodrigo Henrique Lopes, gerente comercial da fabricante. No caso da Tsong Cherng, um agravante a enfraquece neste segmento: as suas máquinas trazem em si o conceito de apresentar maior valor agregado. Em outras palavras, mesmo entre as importadas da Ásia não são as mais baratas.

    Porém o aumento da concorrência ainda não compromete tanto o faturamento. No ano passado, as solicitações superaram a capacidade produtiva da empresa. “Colocamos no mercado mais ou menos 250 máquinas”, comemora o gerente comercial. Para este ano, as expectativas são de voltar ao patamar habitual – fabricar em torno de 150 injetoras/ano. De qualquer maneira, a curva ascende. Em 2005 contava com menos de 500 máquinas instaladas no país, hoje são mais de 2.500.

    Os planos de crescimento passam pela fidelização do cliente, com o foco, obviamente, no atendimento – leia-se assistência técnica e peças de reposição a contento, além de investimentos na planta. No final de 2012, a companhia terá uma nova fábrica operando em Minas Gerais. A primeira etapa contemplará máquinas de pequeno porte, porém em 2014 pretende produzir todo o seu portfólio no país. “A produção será 100% nacional”, assegura o gerente. As injetoras da marca apresentam hoje índice de nacionalização de cerca de 65%. Taxa ainda insuficiente para garantir os financiamentos propostos pelo governo brasileiro. Partes da estrutura das máquinas são fundidas e usinadas em Taiwan, enquanto sua montagem é feita no país.

    A máquina com a maior taxa de nacionalização, não por acaso, é seu carro-chefe: a série Euromaq (de 120 t a 2.300 t). A linha S, lançada em 2008, tem o mérito de ser a primeira made in Brasil acionada por servomotor. Mas a novidade é a Fit. Apresentada na Brasilplast deste ano, essa família vem para atender à demanda de peças de menor valor agregado, ou seja, segmentos nos quais o preço representa o principal argumento de venda. Para abastecer a exigência contrária, em que a eficiência da máquina passa a ser determinante, o portfólio traz injetoras elétricas, de 55 t a 280 t. “Minha aposta mesmo é nos modelos com servomotor, pois a máquina elétrica demorará ainda um tempo para emplacar por aqui”, comenta.

    Marcelo Pruaño, gerente comercial da Meggaplástico, compartilha a opinião. “A máquina elétrica chinesa tem um mercado quase nulo no Brasil”, diagnostica. Mas mesmo assim a empresa conta com a linha NEX, da Nissei, em seu portfólio. Da mesma fabricante, possui as linhas FNX (hidráulicas) e FX (hidráulicas de grande porte). Como as vendas de elétricas ainda são incipientes para a representante, as apostas recaem na eficiência energética do sistema hidráulico servocontrolado da sua representada Sinitron-Borchê. Segundo Pruaño, o recurso proporciona alto desempenho nos movimentos e melhor resposta de parada, além de significativa redução do consumo energético, por conta da bomba de pistão Yuken, fabricada no Japão e controlada pelo servomotor Borchê. “Em ciclos acima de 20 segundos, a economia de energia é de até 70%, se comparada a uma máquina com bomba fixa”, garante Pruaño.

    Plástico Moderno, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado

    Linha BS, da Sinitron, acionada por servomotor

    Outros destaques da Sinitron-Borchê, fabricante capaz de produzir doze mil unidades de injeção ao ano, ficam por conta das injetoras acionadas com servomotor da linha BS. Para completar o portfólio há a linha BU (máquinas de duas placas de 900 t a 4.500 t) e a BM (para injeção de multicomponentes). Sua linha mais tradicional é a SYA, da Sinitron, com máquinas de 90 t a 400 t de força de fechamento.

    “Os fabricantes nacionais não conseguem atender a toda a demanda do país”, afirma Pruaño. Baseado nesse argumento, o empresário justifica o crescimento de suas vendas.

    A companhia pertence ao grupo Megga, e se expande em média entre 30% e 40% ao ano. O índice é expressivo sobretudo porque não se trata de uma empresa que acaba de nascer – a primeira injetora importada pela empresa chegou ao país há dez anos. Desde então, soma 2.100 máquinas instaladas por aqui.

    O Brasil, segundo estimativas, consome cerca de três mil injetoras, enquanto a produção nacional gira em torno de no máximo mil máquinas. Mas a questão é: por que essa demanda tem sido absorvida pela produção asiática? A resposta óbvia já é velha conhecida de todos: o preço baixo praticado por essa indústria. No entanto, esse cenário dá indícios de mudanças. Os representantes dessas fabricantes estão sendo despejados da zona de conforto, porque até mesmo esse segmento sente a concorrência cada vez mais acirrada. Hoje as estimativas dão conta de mais de 50 marcas asiáticas com fornecedores por aqui.

    Mas ainda assim é inegável a grande aceitação das injetoras asiáticas. A Plastbase, representante do tradicional fabricante chinês Sanshun, endossa a boa safra. A empresa prevê fechar o ano com vendas 50% superiores às registradas em 2010. Talvez o parâmetro não seja dos melhores, afinal, a representação teve início em fevereiro do ano passado.

    Plástico Moderno, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado

    Modelo com 228t de fechamento é o mais vendido da Sanshun

    De qualquer maneira, as projeções são otimistas e os investimentos confirmam esse bom momento. A empresa estima para 2012 avançar mais 30% e neste mesmo ano iniciará a construção de uma nova sede, em Louveira-SP. “Acreditamos na renovação do parque de máquinas antigas”, afirma Francisco Pascon, diretor da Plastbase.

    A Sanshun fabrica injetoras desde 1985, e possui três plantas em Nigbo, China. A máquina da marca mais vendida no Brasil é a SHE-228. O modelo, de 228 t de força de fechamento, atende a todos os requisitos técnicos de segurança da nova norma NR-12 (essa máquina também é exportada para a comunidade europeia), e possui roscas com relação L/D de 22:1, entre outras características.

    Para quem quer frear os produtores de máquinas asiáticos, estes trazem no discurso a alegação de que oferecem ao transformador brasileiro condições para concorrer com o produto acabado de origem asiática. Eles dizem que os volumes praticados na Ásia são altíssimos e com isso é possível vender injetoras a preços baixos por aqui, dando à indústria nacional condições de ser competitiva em relação ao manufaturado made in China. Segundo Pruaño, da Meggaplástico, o transformador precisa investir na fórmula: máquina barata mais tecnologia.
    De qualquer forma, a indústria nacional está bem servida. Os fabricantes de injetoras, independentemente de seu país de origem, mostram-se dispostos a abastecer o mercado com sistemas de baixo custo, mas também com os de alta potência de injeção e elevado grau de repetibilidade, produtividade e confiabilidade.


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