Especial máquinas – Injetoras – Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado

As inovações desenvolvidas pelos fabricantes de injetoras surgem como uma resposta à incessante busca pela maior eficiência dos processos. A tecnologia embutida nas máquinas prioriza recursos mais apurados, capazes de otimizar a produção, e agregar competitividade à transformação nacional, a fim de aproximá-la cada vez mais da excelência. O balanço positivo das vendas realizadas pelas empresas estrangeiras nos últimos anos no país acirrou a concorrência. Abarrotado, o mercado obrigou o industrial a oferecer opções sofisticadas, e mais: torná-las acessíveis. Nem mesmo os produtores asiáticos ficaram imunes. Esse universo começa a mostrar sinais de saturação, e é pressionado a ofertar muito mais do que preços convidativos.

Simultaneidade de movimentos, precisão, repetibilidade, alta velocidade e baixo consumo de energia. Esses itens combinados configuram o que o mercado chama de sofisticação, conceito antes restrito a uma parcela muito pequena da transformação nacional. Mas hoje, mais maduro, o mercado mostra maior disposição para adotar as injetoras de primeira linha. Há uns cinco anos, cerca de 90% das máquinas adquiridas eram consideradas simples; estima-se atualmente que esse índice oscile entre 60% e 70%. Ou seja, o nicho de modelos de maior valor agregado cresceu. Alguns industriais projetam para o país potencial para absorver ao ano em torno de 600 injetoras desse tipo.

O desempenho dos fabricantes de máquinas confirma essa abertura. O ano passado foi bom para todo o setor, a ponto de alguns deles registrarem recordes de vendas. Uma certa instabilidade, permeada por um arrefecimento dos negócios, no entanto, despontou com o início deste ano. O encarecimento do crédito e o atual saldo negativo na balança comercial de bens manufaturados contribuíram para essa retração, mas nada muito preocupante ou capaz de comprometer os saldos de 2011 ou as previsões para o próximo ano.

Desde o início deste segundo semestre, o setor voltou a demonstrar fôlego para sustentar um novo aquecimento. As indústrias da construção civil, automotiva e a de embalagem ratificaram-se como importantes compradoras de injetoras e acabaram estimulando a formação de uma demanda sólida, assegurada também pela realização, nos próximos anos, de importantes eventos no país como a Olimpíada e a Copa do Mundo. Por conta desse cenário, as tendências tecnológicas anunciadas internacionalmente ganham mais força para se consolidar por aqui, sobretudo porque os principais fabricantes estrangeiros têm demonstrado confiança na expansão dos segmentos de alto valor agregado.

A nata da injeção – As evidências apresentadas na Fakuma, feira internacional de processamento de plásticos, realizada em Friedrichshafen, Alemanha, entre os dias 18 e 22 de outubro deste ano, respingam em território nacional por meio das filiais das companhias globais com atuação no país. A elite da fabricação europeia de injetoras ali se fez presente para confirmar que chegou a hora de efetivamente prevalecer nos novos desenvolvimentos o menor consumo energético das máquinas e a possibilidade de processar peças de paredes mais finas. Neste ano o evento comemorou 30 anos e se firmou como um dos mais importantes para o mercado de injetoras, aliás, entre 80% e 90% dos expositores são desse setor.

Plástico Moderno, Kai Wender, Diretor-geral da Arburg do Brasil, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado
Wender observa forte tendência para processos automatizados

Na Fakuma, a fabricante de máquinas injetoras Arburg se uniu à Basf para apresentar medidas para aumentar a eficiência energética no processo de injeção. Na ocasião, a máquina elétrica Arburg Allrounder 370 E produziu corpos de prova com um plástico padrão e também com um material especialmente melhorado em termos de suas características de fluxo, no caso, o Ultramid B3WG6 High Speed (poliamida 6 com 30% de fibras de vidro). “Com acionamentos diretos em todos os eixos, e a realimentação da energia de freagem dos servodrives, mostramos um grande potencial de redução do consumo energético”, afirma Kai Wender, diretor-geral da Arburg no Brasil. Testes realizados pela Basf registraram diminuição do tempo de ciclo de até 30%, por conta do processamento a temperaturas de cerca de 40°C mais baixas, o que ajudou a reduzir ainda mais o consumo de energia.

A eficiência energética permeia outros desenvolvimentos da fabricante alemã, como a linha Hidrive, que, não por acaso, representa um sucesso de vendas da companhia. São máquinas híbridas com acionamento servoelétrico no fechamento e dosagem, e injeção via acumulador hidráulico. Destinada, sobretudo, para produção de embalagens, o modelo se apoia na precisão e no baixo consumo energético, com ciclos de no máximo quatro segundos. Não é de hoje que, para Wender, o futuro do acionamento elétrico está na combinação inteligente com a hidráulica.

A automação também é uma aposta, pois parece estar ultrapassando os limites de uma demanda específica. Cada vez mais responde por uma parcela maior do consumo. “Existe uma clara tendência de automatizar a produção de injeção”, atesta Wender. Na Arburg, os destaques ficam por conta de modelos que embutem o conceito de operar com sistemas totalmente integrados, a fim de garantir menores tempos de parada da máquina e reduzir ao máximo as falhas. “O cliente trabalha com uma única filosofia de programação e um único comando”, exemplifica o diretor.

Plástico Moderno, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado
Resfriamento da Ecopower 300/1330 é 20% mais rápido

A Wittmann Battenfeld, por sua vez, na Fakuma, mostrou a nova EcoPower 300/1330. O modelo tem acionamento elétrico e promete economia de energia de 60%, em relação a um similar hidráulico. Equipada com robô e esteira integrados, a máquina se destaca por adotar o sistema XCS, que reduz em até 20% o tempo de resfriamento.
A fabricante aproveitou o evento para divulgar ainda um recurso de inspeção óptica térmica. Apresentou o modelo MacroPower 650/5100, também com robô e sistema termográfico integrados. Esse equipamento age com um robô, que pega a peça e a mostra para uma câmera, após o registro da imagem em cinco faces, o equipamento faz uma análise da temperatura do molde.

Se houver a necessidade de ajustes, um comando é feito automaticamente para a devida correção. “Vejo a tendência de maior aceitação de controles integrados”, argumenta Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld do Brasil. Até por isso a fabricante desenvolveu um sistema óptico de inspeção. O equipamento analisa a superfície da peça, a fim de garantir um padrão de qualidade. “Assim não se produz refugo ou dualidade de interpretação”, explica.

Aposta em soluções – A oferta de máquinas mais apuradas está cada vez mais disseminada. “Buscamos fornecer soluções tecnológicas que possibilitem ao cliente o melhor retorno do capital investido”, afirma Udo Löhken, diretor da Engel do Brasil. A companhia fornece injetoras hidráulicas (série Speed), e totalmente elétricas (linha E-motion) para aplicações de ciclo rápido. No entanto, o principal diferencial do portfólio está na diversidade de tecnologias disponíveis. Há também máquinas híbridas e verticais, e para processar elastômeros, termofixos e para multicomponentes. A empresa fabrica injetoras desde 28 t até 5.500 t de força de fechamento.

Plástico Moderno, Marcos Cardenal, Engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld no Brasil, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado
Cardenal vê boa aceitação dos controles integrados no mercado

Esse recado, ao que parece, tem sido entendido pelos clientes. Um crescimento entre 10% e 15% é o projetado pela Engel neste ano sobre 2010. Essa estimativa confirma o saldo positivo registrado nos primeiros meses do ano, impulsionado sobretudo pelas indústrias da construção civil e automotiva. Um dos equipamentos mais vendidos é o Eco Drive, um sistema que promete tornar o consumo energético das injetoras hidráulicas próximo ao das elétricas. “Hoje uma parcela muito importante das máquinas vendidas para nós tem essa tecnologia embutida”, aponta Löhken.
Além de lançamentos e dos aprimoramentos feitos nas máquinas já tradicionais, a empresa investe na sua capacidade produtiva – está triplicando sua fábrica localizada em Xangai.

A sofisticação também participa do portfólio da canadense Husky. A fabricante se mantém sobre dois pilares: a alta potência de injeção e o elevado grau de repetibilidade de seus sistemas, sobretudo por ter forte atuação em segmentos de embalagens e bebidas. Referência no mercado de injeção de pré-formas, a Husky aposta em produtos de maior valor agregado e que demandam recursos mais apurados. “Haverá um crescimento substancial nos próximos anos desse mercado”, sentencia Evandro Cazzaro, diretor para América do Sul, da Husky.

Pensando nesse segmento de modelos mais requintados, a Husky vislumbra uma tendência global de adoção de acionamentos elétricos para aplicações voltadas para pequenos volumes. Por este motivo, a empresa lançou as máquinas H-MED e H-PET. De acordo com Cazzaro, essas injetoras vêm se destacando porque utilizam a mesma tecnologia de comando das máquinas híbridas de ciclo rápido e, além de serem totalmente elétricas, atendem às exigências dos transformadores de pequeno e médio porte.

Plástico Moderno, Udo Löhken, Diretor da Engel do Brasil, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado
Löhken estima para este ano um crescimento entre 10% e 15%

O apelo ecológico ganha força em todos os âmbitos da indústria mundial. Confiante no interesse do mercado nacional em absorver tecnologias capazes de utilizar materiais revalorizados sem comprometer o desempenho do equipamento, a Husky apresenta o sistema HyPET HPP RF (recycled flake) com a promessa de processar até 100% de flakes reciclados de PET, sem alterar o ciclo de produção.

O portfólio da fabricante também atende os segmentos que requerem altas potências e velocidade de injeção, como o de embalagens de paredes finas e tampas. Para estas aplicações, a empresa canadense conta com as máquinas híbridas Hylectric, HyPAC e HyCAP, e para pré-formas de PET, o sistema HyPET HPP 4.0 (de alto desempenho).

A Sumitomo Demag também está confiante na abertura do mercado para produtos de alto valor agregado. Até por isso, a fabricante destaca o CPP (Center Press Platen), uma tecnologia pela qual a transmissão da força e a pressão da força de fechamento são balanceadas e distribuídas na superfície onde os moldes atuam; diminuindo assim a flexão da placa móvel.

Para máquinas acima de 220 t de força de fechamento, dispõe do DCPP (Double Center Press Platen), que basicamente é a duplicação do sistema anterior. “Começamos a vender máquinas mais eficientes para clientes nacionais que antes não se preocupavam com a eficiência dos equipamentos”, comenta Luis Guerra, gerente de vendas da Sumitomo Demag.

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Modelos da série Speed da Engel dispõem de acionamentos hidráulicos

Essa abertura do país incita planos de investimentos da companhia. Neste mês, inaugura uma fábrica de redutores e afins. Essa é a primeira etapa de sua fixação no Brasil. Depois prevê construir outra unidade e, em seguida (no mínimo daqui a três anos), produzir localmente as injetoras. “Vamos crescer 20% sobre 2010 em faturamento e vendas”, anuncia o gerente. Para a empresa, aliás, o ano passado foi particularmente especial, pois concluiu o período de transição iniciado em 2008, quando a japonesa Sumitomo adquiriu a alemã Demag. “No ano passado, começamos efetivamente a crescer novamente”, afirma Guerra. A união de forças impôs mais sinergia ao negócio. A Sumitomo, que fabricava somente modelos elétricos, passou a ter um portfólio completo. A empresa japonesa transferiu a produção para as duas fábricas da Demag, na Alemanha – a unidade dos Estados Unidos foi fechada. Em tempo: a linha SE (ex-Sumitomo) continua a ser feita no Japão.

No ano passado, a companhia dobrou a capacidade produtiva de sua fábrica na China, para mil máquinas/ano. E, por falar nisso, 80% da produção de máquinas elétricas da marca é vendida para os asiáticos. “Quem compra elétrica na Ásia, não compra de fabricante chinês”, diz Guerra. De acordo com ele, a explicação é simples: essas máquinas não possuem estrutura suficiente para ciclos rápidos. Nesse quesito, até mesmo Marcelo Pruaño, o gerente comercial da Meggaplástico, empresa que representa produtores de injetoras chinesas, admite a defasagem. Segundo ele, o ciclo de uma máquina europeia é o mais curto do mercado, e as asiáticas ainda não conseguem se igualar. “Vejo que a diferença entre os modelos se limita somente ao ciclo”, enfatiza.

Plástico Moderno, Evandro Cazarro, Diretor da Husky, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado
Cazzaro prevê maior demanda por injetoras mais sofisticadas

Apesar dessa vantagem, a Sumitomo Demag também se propõe a garantir eficiência energética sem passar por uma elétrica. Para isso, tem o modelo híbrido EL-Exis. A dosagem e o fechamento são elétricos, enquanto na parte hidráulica funciona com uma bomba de vazão variável. “Para ciclo rápido, a máquina híbrida é ideal”, comenta. Mas nem por isso a companhia deixa de investir nas elétricas. A série SE foi aperfeiçoada para se tornar ainda mais rápida, avisa Guerra.
Elétricas – O avanço do mercado de máquinas elétricas é tema recorrente, e não faltam argumentos para justificar a compra. Cada fabricante, à sua maneira, apresenta bons motivos para a adoção dessa tecnologia, que vão desde o alto custo da energia elétrica até pontos fortes da máquina como a precisão e a alta produtividade. A economia energética talvez ainda seja o principal deles, mas não só isso, pois a aquisição da injetora está muito mais viável.

Marcos Cardenal, da Wittmann Battenfeld, estima que o investimento em um modelo de pequeno porte (menos de 200 t de força de fechamento) seja amortizado em um ano. No caso de máquinas acima de 300 t de força de fechamento, o retorno financeiro viria no máximo em quatro anos. Pelo menos no portfólio dessa fabricante, as máquinas de 100 t e de 150 t são as campeãs de vendas no Brasil.

As apostas nos modelos elétricos são altas, mas nem sempre coincidem com o desenvolvimento do mercado. Esse foi o caso da própria Wittmann Battenfeld. Para Cardenal, a consolidação dessas injetoras por aqui ficou aquém das previsões. O industrial estimava comercializar o volume registrado hoje sete anos atrás. No entanto, apesar da demora, essa demanda chegou mais consistente. “Fiquei com máquina encalhada, mas hoje o cliente está mais aberto para essa tecnologia”, afirma. Do total de máquinas vendidas pela empresa nesses nove primeiros meses do ano no Brasil, 20% são elétricas.

Plástico Moderno, Luis Guerra, Gerente de vendas da Sumitomo Demag, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado
Guerra: mercado nacional agora quer máquinas mais eficientes

A Milacron há algum tempo tem sido uma das grandes incentivadoras das injetoras elétricas no país. Para essa fabricante, desde 1984, essa proposta, que para muitos ainda é considerada uma tendência, já se configurava como uma realidade. Hoje, de dez máquinas vendidas no Brasil, nove são exclusivamente elétricas.
Até por isso, na Brasilplast realizada neste ano, a empresa destacou a linha Roboshot S2000iB, formada por máquinas elétricas de 15 t a 350 t de força de fechamento. Nos EUA, fabrica também a linha Powerline, que possui modelos de 300 t até 1.000 toneladas de força de fechamento. A companhia anuncia como novidade a produção da linha MT Servo nos EUA, que compreende modelos de 50 t a 400 t de força de fechamento. Outro destaque se trata da Maxima Servo (MS), com força de fechamento de 300 t a 950 t, também fabricada em território norte-americano.

Nacionais – Apesar da maior penetração das injetoras elétricas no país, esse negócio não tem sido o foco de algumas companhias nacionais. A Sandretto do Brasil é uma das que se coloca fora desse páreo, apesar de o seu diretor comercial Antonio Lopes inserir seu produto na categoria dos europeus. “Minha tecnologia não é igual à dos asiáticos, não brigamos no mercado deles”, afirma. E, talvez por não disputar negócios diretamente com os asiáticos, os saldos têm sido positivos. Em 2010, as vendas bateram um recorde da empresa.

Ok, a economia aquecida favoreceu a indústria de injetoras, porém, mais do que isso, no caso das nacionais, os incentivos do Proplástico (programa de apoio ao financiamento à cadeia produtiva do plástico com dotação orçamentária de R$ 700 milhões e vigência até setembro de 2012) e a prorrogação da linha Finame-PSI (Programa de Sustentação do Investimento) fizeram toda a diferença. Para este ano, a Sandretto do Brasil prevê crescer 10% em relação a 2010. No início deste ano, as estimativas eram de 20%, mas a previsão foi revista para ser mais realista, aponta Lopes. “Crise não existe para mim, estamos crescendo”, enfatiza.

A abrangência do portfólio também beneficia a aceitação de suas máquinas no mercado. São injetoras de 70 t a 450 t de força de fechamento (série Giusta), de 120 t a 195 t (HP), e de 600 t a 1.200 t (Mega). Na edição deste ano da Brasilplast, foi incorporada a série Meglio, de 240 t a 500 t. E, para entrar em conformidade com as atuais exigências do mercado, acaba de apresentar a série Eco, formada por máquinas acionadas por servomotor. “A ideia aqui é economizar energia”, diz Lopes.

A fábrica de Americana-SP, endereço no qual a Sandretto do Brasil se encontra desde 2007, quando passou a ter o controle acionário do grupo Nardini, tem capacidade produtiva para 120 a 150 injetoras/ano. A saber: a empresa independe da indústria italiana Sandretto, adquirida pela Romi, velha fabricante nacional de injetoras, muito conhecida do setor.

Famosa por sua atuação no mercado de sopradoras, a Pavan Zanetti tem se esforçado para ganhar visibilidade como fabricante de injetoras. Para tanto, a empresa, que hoje detém menos de 5% da indústria de injeção no país, reposicionou sua estratégia recentemente. Não representa mais nenhuma companhia estrangeira ou fabrica injetoras em sua planta. Hoje abastece o mercado com modelos trazidos de fora do país, que são vendidos por aqui com a marca Pavan Zanetti. Segundo o diretor Newton Zanetti, essas máquinas são escolhidas por uma equipe especializada e vêm de um único fabricante, além de atender a rigorosas normas de qualidade.

O portfólio também busca a diversidade. Abrange injetoras de pré-forma de PET, com servomotores, híbridas e bicolores, entre outras. “Não nos restringimos a modelos considerados simples ou standard”, aponta o diretor. Os planos são de expansão. A empresa inaugurará nova planta (de 13,2 mil m²). “Buscamos voltar ao mercado que perdemos com as importações chinesas, pois um modelo trazido de lá tinha um custo tremendamente inferior ao nosso”, conclui. A empresa traz na sua história o feito de ter fabricado injetoras em 1967.

Asiáticos – A presença das máquinas asiáticas no mercado nacional de injeção há bastante tempo incomoda os fabricantes locais. Nota-se, no entanto, hoje uma acomodação desse tipo de demanda e até mesmo uma certa saturação. Neste universo existe, sim, um nicho no qual só o preço baixo faz a diferença, arrasando com a produção nacional. Mas há uma parcela de empresas buscando vantagens competitivas para ganhar a preferência do transformador com argumentos que vão além do financeiro.

Plástico Moderno, Rodrigo Henrique Lopes, Gerente comercial da Tsong Cherng, Especial máquinas - Injetoras - Corrida da transformação por competitividade eleva a procura por máquinas com maior valor agregado
Henrique comemora os bons negócios com planos de expansão

Esse é o caso da Tsong Cherng, empresa brasileira que emprega tecnologia desenvolvida em Taiwan. Com 24 anos de atuação no país, a companhia não se vê imune à forte penetração dos asiáticos. “Hoje a concorrência é maior até para nós que temos a vantagem do preço mais baixo”, explica Rodrigo Henrique Lopes, gerente comercial da fabricante. No caso da Tsong Cherng, um agravante a enfraquece neste segmento: as suas máquinas trazem em si o conceito de apresentar maior valor agregado. Em outras palavras, mesmo entre as importadas da Ásia não são as mais baratas.

Porém o aumento da concorrência ainda não compromete tanto o faturamento. No ano passado, as solicitações superaram a capacidade produtiva da empresa. “Colocamos no mercado mais ou menos 250 máquinas”, comemora o gerente comercial. Para este ano, as expectativas são de voltar ao patamar habitual – fabricar em torno de 150 injetoras/ano. De qualquer maneira, a curva ascende. Em 2005 contava com menos de 500 máquinas instaladas no país, hoje são mais de 2.500.

Os planos de crescimento passam pela fidelização do cliente, com o foco, obviamente, no atendimento – leia-se assistência técnica e peças de reposição a contento, além de investimentos na planta. No final de 2012, a companhia terá uma nova fábrica operando em Minas Gerais. A primeira etapa contemplará máquinas de pequeno porte, porém em 2014 pretende produzir todo o seu portfólio no país. “A produção será 100% nacional”, assegura o gerente. As injetoras da marca apresentam hoje índice de nacionalização de cerca de 65%. Taxa ainda insuficiente para garantir os financiamentos propostos pelo governo brasileiro. Partes da estrutura das máquinas são fundidas e usinadas em Taiwan, enquanto sua montagem é feita no país.

A máquina com a maior taxa de nacionalização, não por acaso, é seu carro-chefe: a série Euromaq (de 120 t a 2.300 t). A linha S, lançada em 2008, tem o mérito de ser a primeira made in Brasil acionada por servomotor. Mas a novidade é a Fit. Apresentada na Brasilplast deste ano, essa família vem para atender à demanda de peças de menor valor agregado, ou seja, segmentos nos quais o preço representa o principal argumento de venda. Para abastecer a exigência contrária, em que a eficiência da máquina passa a ser determinante, o portfólio traz injetoras elétricas, de 55 t a 280 t. “Minha aposta mesmo é nos modelos com servomotor, pois a máquina elétrica demorará ainda um tempo para emplacar por aqui”, comenta.

Marcelo Pruaño, gerente comercial da Meggaplástico, compartilha a opinião. “A máquina elétrica chinesa tem um mercado quase nulo no Brasil”, diagnostica. Mas mesmo assim a empresa conta com a linha NEX, da Nissei, em seu portfólio. Da mesma fabricante, possui as linhas FNX (hidráulicas) e FX (hidráulicas de grande porte). Como as vendas de elétricas ainda são incipientes para a representante, as apostas recaem na eficiência energética do sistema hidráulico servocontrolado da sua representada Sinitron-Borchê. Segundo Pruaño, o recurso proporciona alto desempenho nos movimentos e melhor resposta de parada, além de significativa redução do consumo energético, por conta da bomba de pistão Yuken, fabricada no Japão e controlada pelo servomotor Borchê. “Em ciclos acima de 20 segundos, a economia de energia é de até 70%, se comparada a uma máquina com bomba fixa”, garante Pruaño.

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Linha BS, da Sinitron, acionada por servomotor

Outros destaques da Sinitron-Borchê, fabricante capaz de produzir doze mil unidades de injeção ao ano, ficam por conta das injetoras acionadas com servomotor da linha BS. Para completar o portfólio há a linha BU (máquinas de duas placas de 900 t a 4.500 t) e a BM (para injeção de multicomponentes). Sua linha mais tradicional é a SYA, da Sinitron, com máquinas de 90 t a 400 t de força de fechamento.

“Os fabricantes nacionais não conseguem atender a toda a demanda do país”, afirma Pruaño. Baseado nesse argumento, o empresário justifica o crescimento de suas vendas.

A companhia pertence ao grupo Megga, e se expande em média entre 30% e 40% ao ano. O índice é expressivo sobretudo porque não se trata de uma empresa que acaba de nascer – a primeira injetora importada pela empresa chegou ao país há dez anos. Desde então, soma 2.100 máquinas instaladas por aqui.

O Brasil, segundo estimativas, consome cerca de três mil injetoras, enquanto a produção nacional gira em torno de no máximo mil máquinas. Mas a questão é: por que essa demanda tem sido absorvida pela produção asiática? A resposta óbvia já é velha conhecida de todos: o preço baixo praticado por essa indústria. No entanto, esse cenário dá indícios de mudanças. Os representantes dessas fabricantes estão sendo despejados da zona de conforto, porque até mesmo esse segmento sente a concorrência cada vez mais acirrada. Hoje as estimativas dão conta de mais de 50 marcas asiáticas com fornecedores por aqui.

Mas ainda assim é inegável a grande aceitação das injetoras asiáticas. A Plastbase, representante do tradicional fabricante chinês Sanshun, endossa a boa safra. A empresa prevê fechar o ano com vendas 50% superiores às registradas em 2010. Talvez o parâmetro não seja dos melhores, afinal, a representação teve início em fevereiro do ano passado.

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Modelo com 228t de fechamento é o mais vendido da Sanshun

De qualquer maneira, as projeções são otimistas e os investimentos confirmam esse bom momento. A empresa estima para 2012 avançar mais 30% e neste mesmo ano iniciará a construção de uma nova sede, em Louveira-SP. “Acreditamos na renovação do parque de máquinas antigas”, afirma Francisco Pascon, diretor da Plastbase.

A Sanshun fabrica injetoras desde 1985, e possui três plantas em Nigbo, China. A máquina da marca mais vendida no Brasil é a SHE-228. O modelo, de 228 t de força de fechamento, atende a todos os requisitos técnicos de segurança da nova norma NR-12 (essa máquina também é exportada para a comunidade europeia), e possui roscas com relação L/D de 22:1, entre outras características.

Para quem quer frear os produtores de máquinas asiáticos, estes trazem no discurso a alegação de que oferecem ao transformador brasileiro condições para concorrer com o produto acabado de origem asiática. Eles dizem que os volumes praticados na Ásia são altíssimos e com isso é possível vender injetoras a preços baixos por aqui, dando à indústria nacional condições de ser competitiva em relação ao manufaturado made in China. Segundo Pruaño, da Meggaplástico, o transformador precisa investir na fórmula: máquina barata mais tecnologia.
De qualquer forma, a indústria nacional está bem servida. Os fabricantes de injetoras, independentemente de seu país de origem, mostram-se dispostos a abastecer o mercado com sistemas de baixo custo, mas também com os de alta potência de injeção e elevado grau de repetibilidade, produtividade e confiabilidade.

 

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