Equipamentos para reciclagem – Exigências ambientais favorecem a expansão de máquinas modernas

Plástico Moderno, Equipamentos para reciclagem - Exigências ambientais favorecem a expansão de máquinas modernas
Sistemas integrados elevam produtividade e economizam energia

Bons ventos sopram a favor do crescimento brasileiro da reciclagem de plásticos e, no seu rastro, o impulso à demanda de equipamentos e sistemas voltados à sua revalorização. A equação é simples: apelos ambientais cada vez mais fortes + programa nacional de resíduos sólidos (PNRS) em vigor = valorização de produtos manufaturados com resinas recicladas. Para agregar mais valor à peça, maior será a exigência de qualidade do polímero reprocessado. O cumprimento das regras estabelecidas no PNRS é um desafio e demandará um tempo até que elas sejam digeridas, mas o mercado brasileiro tem tudo para se sair bem nessa empreitada.

Embora defasados, os estudos da reciclagem de plástico no país apontam índices alentadores de expansão. Divulgado pelo Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos – Plastivida, o último oferece dados de 2007, quando 962 mil toneladas de resinas reprocessadas moldaram uma grande gama de peças. As indústrias automotivas, de construção civil e moveleira, entre outras, beneficiaram-se com os produtos. A taxa de crescimento anual aferida nessa pesquisa beira dois dígitos: 9,2%. O senão fica por conta do grande volume de material pós-consumo, da ordem de 58%, equivalente a 556 mil toneladas, no referido ano.

Além de pouco, o resíduo industrial, disputado por dez entre dez recicladores (é isento de contaminações e assegura propriedades muito próximas às da resina virgem), tende a encolher ainda mais, afinal, a redução de desperdícios na produção e o reaproveitamento pelo transformador das aparas geradas em seu processo somam pontos como uma postura ambientalmente correta. Atitudes, portanto, de previsível crescimento nas empresas.

A propensão para a disponibilidade de matéria-prima ficar cada vez mais restrita aos plásticos de origem pós-consumo e de os moldadores buscarem resinas reprocessadas de melhor qualidade deve exigir dos processadores de resíduos plásticos equipamentos mais eficientes, capacitados a oferecer no final do processo resinas com perdas mínimas de propriedades.

“Reciclagem é um negócio profissional e muito técnico, não está para amadores e exige máquinas de qualidade, alta produtividade e de baixo consumo energético de quem quer ser competitivo”, opina Paolo De Filippis, diretor da Wortex, empresa especializada em sistemas de extrusão e reciclagem, de Campinas-SP.

Enxergar no produto reciclado não uma opção mais barata, mas sim sustentável, passou a ser a diretriz de muitos no mercado, na percepção de Walner R. Cavallieri, diretor da BGM, de Taboão da Serra-SP, de negócios voltados para periféricos de extrusão, equipamentos e projetos especiais. O aumento da concorrência, na opinião dele, pressionou os recicladores, que passaram a se preocupar com a qualidade de seu produto e a investir em equipamentos. Segundo o diretor, a sua empresa desenha equipamentos para que os recicladores obtenham produtos com qualidade similar à dos materiais virgens há muito tempo. E exemplifica: “Nossa peneira seletiva foi desenvolvida especialmente para termoplásticos, deixando de lado os equipamentos obsoletos que existiam no mercado, uma adaptação da peneira de arroz usada na agricultura.”

A incorporação de mais qualidade nas resinas recicladas propicia ainda um efeito bastante positivo para o setor: o de penetrar em nichos que até então eram privilégio de polímeros virgens, como a injeção de peças que exigem materiais compostos. “É uma maneira de valorizar o produto reciclado, que atualmente tem os preços achatados por conta dos preços das resinas virgens”, comenta Evandro Bondesan Didone, diretor da Kie, de Louveira-SP, dedicada à fabricação de equipamentos e linhas para reciclagem de plástico.

No entender dele, a crescente procura por reciclados de melhor qualidade impacta diretamente a necessidade de investimentos em linhas de produção com equipamentos mais complexos. Aumentam também os cuidados com a eficiência energética dessas máquinas. “São exigências como melhor filtragem do material, menor incidência de odores residuais nos reciclados pós-consumo, padronização de cores e viscosidade, entre outros”, exemplifica Didone.

Se a indústria persegue consumos cada vez menores de energia elétrica no processamento de resinas virgens, tanto maior a preocupação nos casos de sistemas de revalorização do plástico, sobretudo considerando o apelo ambiental do produto. “É um fator preponderante na reciclagem”, enfatiza Filippis. O diretor da Wortex ensina ao empresário do setor a fórmula para calcular sua rentabilidade: o resultado da relação quilos hora/ampere.

Outro motivo de apreensão do setor lembrado por Filippis fica por conta da lavagem. Ele comenta que se estudam meios de baixar os custos dessa etapa do processo. É bom lembrar: a limpeza dos resíduos plásticos consome água – outro item precioso e escasso, atrelado ao conceito de sustentabilidade e preservação do meio ambiente.

Plástico degrada – Embora não seja o mais recomendável, na opinião de Filippis, o uso de aglutinadores em empresas recicladoras ainda é comum, em particular nas de pequeno porte. “Não oferecem nem segurança, nem rentabilidade”, julga. Empregados para densificar o material reciclado e permitir a sua extrusão, os aglutinadores são acusados de alguns pecados capitais: alto consumo energético, baixa produtividade, falta de segurança aos usuários e alto custo de manutenção.

Além dos problemas relacionados aos aglutinadores, Filippis lembra que nem sempre o processo de extrusão dispõe de sistema de degasagem. Ou, até possui, porém, ineficiente, o que obriga uma extrusão dupla ou até tripla do material. Quanto mais passagens pela extrusão, maior a perda de propriedades do plástico. Resultado: baixa produtividade e produto degradado.

Plástico Moderno, Paolo De Filippis, Diretor da Wortex, Equipamentos para reciclagem - Exigências ambientais favorecem a expansão de máquinas modernas
Para Filippis, aglutinadores são improdutivos e inseguros

Os sistemas fabricados pela Wortex dispensam os aglutinadores com o emprego de sistemas de alimentação forçada e Filippis sugere o uso de dupla, ou até tripla degasagem na extrusão. Os gases exalados no processo também devem preocupar os empresários do setor – daí a importância de encaminhá-los para um filtro e tratamento adequado.

Sai por quanto? – Os custos para a aquisição de equipamentos de reciclagem variam bastante e se condicionam à configuração do processo produtivo: porte e complexidade da linha. Porém, é possível estimá-los. Na avaliação de Filippis, uma fábrica de reciclagem não se justifica com menos de 400 quilos por hora. Com base nessa escala produtiva, uma linha sua completa para processar plásticos de origem pós-industrial (desde a movimentação do material até o carregamento do grão pronto) sai por volta de R$ 1,5 milhão. A sugestão dele para diversificar a produção é que o reciclador utilize duas máquinas de 200 kg/h, uma para operar com materiais flexíveis e outra, com rígidos.

A Kie também projeta sistemas completos para reciclagem de plásticos flexíveis ou rígidos, industrial ou pós-consumo (PET, PE, PP, PS, PVC e outros polímeros). Os investimentos variam entre R$ 80 mil, valor equivalente a uma linha de 50 toneladas mensais, e R$ 800 mil, para uma escala da ordem de 400 toneladas mensais. E, segundo Didone, serão definidos pelo volume produtivo esperado, a qualidade e o tipo do produto final, que pode ser apenas moído, limpo e seco ou extrudado e peletizado, entre outras coisas.

Outra fornecedora de sistemas completos é a Seibt, de Nova Petrópolis-RS. A empresa fabrica equipamentos destinados à reciclagem de polietileno, polipropileno e PET. “Os valores do investimento podem ter uma grande variação, de acordo com a aplicação, configuração da linha e capacidade produtiva etc., partindo de uma média de R$ 350.000,00 e podendo chegar até R$ 3.500.000,00, no caso das linhas de PET bottle to bottle, com lavagem a quente”, exemplifica o gerente comercial Adão Braga Pinto. As capacidades produtivas variam de 300 até 3.000 quilos/hora.

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Sistema para PET, da SEIBT, com lavagem a quente (clique na figura para ampliá-la)

Focada nos equipamentos periféricos, a BGM lança mão de parcerias para compor linhas completas para reciclagem, como a firmada recentemente com a Steer, uma empresa americana fabricante de extrusoras, dona de plantas na Índia e China, e que completou a linha de produtos ofertada pela BGM. “Nossa linha é composta por extrusora, banheira de resfriamento, secador de fios, granulador, peneira e ensacadeira, e o custo do investimento poderá variar de 250 mil a 500 mil reais”, informa Cavallieri. Saber o material a ser processado e a produtividade desejada pelo cliente são fatores determinantes nesses valores e no desenho de uma linha bem dimensionada, de modo que atenda às necessidades do reciclador.

Equipamentos para alta produção deixaram de ser meras opções e passaram à posição de uma necessidade do mercado, motivo pelo qual Cavallieri recomenda capacidades produtivas acima de 600 quilos/hora para quem deseja ser competitivo. “Por se tratar de um material que não agrega muito valor, é preciso tirar a diferença com altas produções”, pondera. Além disso, com o tsunami ambientalista arrastando a indústria global, os equipamentos modernos devem primar pelo baixo consumo energético, o que implica a utilização de motores de alto rendimento.

Eficiência e longevidade – Além dessas duas qualidades asseguradas pelos fabricantes de máquinas e sistemas para reciclagem de plástico em geral, outros atributos caracterizam as diversas marcas disponíveis. Filippis imputa como ponto forte e diferencial de seus sistemas, comercializados sob a marca Challenger, a total integração e automatização, além de garantia de oferecer o menor custo operacional do mercado e baixo nível de degradação do produto final. “O resultado são grãos de primeira qualidade.”

Outra vantagem pode ser aferida no relógio: a máquina esquenta em cerca de uma hora e meia. “É a mais rápida do mercado em aquecimento”, reputa. O usuário também não perde tempo com a troca de tela. Rápida, não exige parada de máquinas. Mais facilidades: se optar por duas matrizes, o reciclador consegue processar quase todos os termoplásticos disponíveis para reciclagem. “O PET e o PVC rígido são exceções, mas com uma mudança na rosca é possível processar PVC flexível”, diz.

E não é só. Filippis ressalta a possibilidade de desligar os sistemas nos horários de pico por cerca de até três horas e meia e retomar a produção normal e total em apenas dois minutos. “O equipamento não perde a temperatura e nem os parâmetros do processo”, assegura.

Em termos de eficiência energética, ele indica o sistema equipado com rosca de 130 mm como o de custo operacional mais vantajoso. Nos cálculos de Filippis, a energia custará em torno de 220 watts por quilo. Mas alerta: “Quanto mais rígidos os materiais, mais contaminados, portanto, o consumo energético será maior.”

De qualquer modo, a grande vedete da empresa é a linha de 105 mm, que processa da ordem de 350 a 450 quilos/hora de polietileno. No ano passado, Filippis lançou um sistema de menor porte, equipado com extrusora de 90 mm e produção de 250 a 300 quilos/hora. “Por tratar-se de máquina pequena, sua capacidade produtiva foi uma surpresa”, comenta.

São três opções de linhas: Challenger Recycler Conical, Challenger Compounder e Challenger Recycler. A primeira consiste em um sistema de pequeno porte, desenhado para operar no chão de fábrica da transformação com o intuito de evitar contaminação e acúmulo de aparas no local. Compacta, a linha Conical pode ser instalada junto às linhas de produção de filmes e possibilita a reciclagem imediata dos resíduos de refiles, aparas ou lotes fora de especificação, realimentando as extrusoras com grãos de alta qualidade. A capacidade produtiva varia de 90 até 180 kg/h para PE e de 50 a 150 kg/h para PP.

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Linha da Wortex produz 1.400 kg/h de resinas reprocessadas de filmes

Além de produzir compostos e blendas, a Compounder é indicada para reciclagem de plásticos rígidos. Equipados com extrusoras monorroscas, os modelos produzem desde 90 até 1.400 kg/h de PE e de 50 até 900 kg/h de PP (a empresa até projeta modelos de maior porte, mas sob consulta). Essa linha ainda pode ser equipada com cristalizadores e secadores com peneira molecular para processamento de PET pós-consumo e pós-industrial.

Para quem se propõe a processar grande variedade de resíduos de filmes (impressos, metalizados, multicamadas), a indicação é a Challenger Recycler, com capacidade desde 90 até 1.400 kg/h de PE e 50 até 900 kg/h de PP. A linha ainda comporta até 30% de moídos sólidos (com peneira 12 ou 14, dependendo da espessura da parede) provenientes de injeção e sopro, caso o cliente necessite fazer essa incorporação. A Wortex também executa outras configurações, de acordo com as especificações do cliente.

Os sistemas Challenger tiveram um aprimoramento recente na condição opcional aos interessados. Trata-se da substituição do moinho por schredder (triturador), fabricado pela Zherma, empresa de origem alemã que se transferiu inteira para a China. A Wortex assinou parceria para distribuir toda a linha da Zherma no país, que inclui moinhos e schredders para a indústria do plástico (entre outras, como borracha; o equipamento tritura um pneu inteiro). Além da durabilidade, cerca de quatro vezes superior à do moinho convencional, Filippis ressalta a capacidade do triturador para materiais variados e de tamanhos maiores.

Acima da média – O gerente comercial da Seibt garante em suas linhas de reciclagem alta robustez e desempenho superior ao encontrado no mercado. Pinto informa que a maioria dos equipamentos é feita com aço inox, ou aço carbono galvanizado a fogo. “As linhas contemplam processos de lavagem a quente e nas de reciclagem de PET permitem obter um grão grau garrafa (processo bottle to bottle) e este nível de descontaminação possibilita ao material reciclado ser utilizado na produção de embalagens para alimentos, considerando as etapas posteriores de granulação e pós-condensação”, explica Pinto.

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Segundo Braga Pinto, os sitemas de PET e de filmes de PE/PP vendem mais

As características dos produtos da empresa gaúcha, segundo ele, asseguram aos clientes resinas recicladas de alta qualidade, com excelente nível de descontaminação. O gerente comercial ainda enfatiza o baixo nível de manutenção associado aos equipamentos da marca.

A Seibt disponibiliza linhas para processar resíduos pós-consumo e também os de origem industrial. No primeiro caso, Pinto atenta para a necessidade de adição de água no processo de descontaminação. Nas linhas de PET, ele ressalta a inclusão de equipamentos para execução das etapas de separação de rótulos e tampas. Mais simples, os processos de pós-industrial dispensam água.

A Seibt fabrica linhas completas para reciclar PE e PP em filmes, PE e PP rígidos, sistemas que comportam a reciclagem tanto de filmes como de rígidos, e ainda para PET, com sistemas de lavagem a frio ou a quente. As configurações são personalizadas, de acordo com as necessidades específicas dos clientes e as capacidades produtivas variam de 300 até 3.000 quilos por hora. De acordo com Pinto, a maior procura recai nos sistemas de PET e de filmes de PE/PP.

Com o feedback dos usuários – Para o diretor da Kie, o retorno oferecido pelos seus clientes é fonte rica de informações para o aperfeiçoamento de suas linhas, às quais Didone imputa durabilidade, baixo consumo de energia e facilidades de operação e manutenção. Por conta do feedback, o diretor da empresa observa demanda crescente por resíduos de menor custo, que exigem processos mais complexos. “O que nos estimula a desenvolver equipamentos mais específicos”, comenta.

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Feedback de seus clientes ajuda Didone a aprimorar equipamentos

Filmes com muita impressão ou rótulos que sobram do processo da reciclagem de PET se relacionam entre os materiais de menor custo. Porém, não podem ser processados em extrusoras convencionais. “Precisam de um processo de extrusão por cascata ou degasagem para a eliminação dos gases gerados no processo”, explica.

E é exatamente isso que Didone promove atualmente: o aprimoramento de seus sistemas de extrusão com degasagem e por cascata, processos mais eficientes para operar com matérias-primas contaminadas, associados à adoção de alimentação forçada para filmes e ainda sistema de corte em úmido, eliminando o uso de aglutinadores, grandes consumidores de energia elétrica na reciclagem.

Não à toa, essas linhas complexas são as mais negociadas pela empresa, além de sistemas de secagem de filmes pós-consumo. O investimento mais alto em sistemas complexos é compensado pela matéria-prima de menor custo. “Como a demanda por sucata é grande, não há sucata boa para todos”, lembra.

Pós-consumo exige mais – Para entender o termo “sucata boa”, leia-se limpa, isenta de contaminações, realmente difícil de ser obtida, considerando-se o índice baixíssimo de coleta seletiva no país. E a diferença entre processar um resíduo desse tipo e um de origem industrial é como água e vinho.

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Com um material pós-industrial, como explica Cavallieri, o reciclador consegue definir em pouco tempo as variáveis de temperatura, fluidez e outros dados técnicos importantes. Já os pós-consumo: “Além de terem de ser lavados muitas vezes, possuem características diferentes e temos que dimensionar os equipamentos para que funcionem com qualquer tipo de material.”

Para esses casos, ele indica a sua linha Pop, que considera um projeto simples, porém robusto e habilitado a processar todo tipo de material, com o diferencial de baixo custo e ótimo funcionamento. Mas não é o top da empresa. Ocupa essa posição a linha Plus, de equipamentos fabricados com aço inoxidável, dotados de acionamento pneumático e projeto construtivo diferenciado. A linha Bergo igualmente dispõe de equipamentos feitos com aço inoxidável, tem set up rápido, mas seu acionamento é manual. Todas as famílias de máquinas, porém, são desenhadas de modo que facilitem a limpeza e ofereçam manutenção rápida.

Embora a linha produtiva da empresa tenha seu desenho direcionado à reciclagem de resíduos da indústria, que dispensam etapas de separação e lavagem (indispensáveis no caso da sucata pós-consumo), Cavallieri reforça sua atuação também neste último caso. “Trabalhamos com alguns parceiros e fazemos projetos e instalações industriais.”

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O diretor da BGM frisa que seu objetivo é oferecer soluções tecnológicas que atendam às necessidades específicas de cada cliente. “Por isso, muitas vezes não vendemos equipamentos de linha, mas fazemos um projeto personalizado. Esse é o nosso grande diferencial diante de nossos concorrentes”, diz.

Uma novidade apresentada na última Brasilplast, realizada em maio deste ano, pode ser aplicada ao final do processo de reciclagem e incrementar produtividade no empacotamento do produto. Trata-se de uma empacotadora automática com impressora jato de tinta para o logotipo do cliente em cada saco, em quatro cores e secagem ultrarrápida (UV). Na sequência, a máquina puxa o saco da bobina até a boca do silo de armazenamento, onde uma célula de carga pré-programada envasa o material que se fecha automaticamente quando o peso é atingido. O saco, então, é selado e levado por um braço mecânico para a balança de conferência, de onde, se for aprovado, é colocado automaticamente no palete (ver PM nº 440, junho de 2011, pág. 88).

Quem quiser menos complexidade, pode optar pela ensacadeira semiautomática, a mais comercializada pela empresa, que além da precisão no peso e rapidez no processo, permite ser controlada por um único funcionário. O granulador da linha Pop, a peneira seletiva e o secador-sugador SSP disputam o segundo lugar nas vendas.

Dedicada à extrusão – Atuante no mercado desde 1996, a Metalúrgica Parra fabrica extrusoras, com opção de degasagem a vácuo e configuração cascata com câmara de vácuo na passagem de uma extrusora para outra, e projeta equipamentos de corte submerso. O engenheiro Robson Pereira Agibert explica que a especificação é definida de acordo com as exigências do produto do cliente. Isso inclui uma análise das propriedades de processamento das resinas, a densidade de sólido e sua porcentagem de umidade. Tais características, somadas à produtividade desejada, pondera Agibert, definem a melhor configuração do equipamento, como materiais empregados em sua construção, geometrias diferenciadas de rosca e cilindro, conjunto motorredutor, potência de aquecimento e capacidade do troca-telas. Para complementar, ele oferece também corte submerso, desenhado igualmente para atender à demanda da extrusora da linha. “Evita desperdício de material, reprocessamento e oferece um material isento de umidade”, ressalta.

No caso de produção de resinas recicladas que agregam cargas e outros aditivos, a indicação é de extrusoras dupla roscas. De acordo com o engenheiro, o desenho do equipamento considera uma avaliação detalhada sobre quais as regiões da rosca em que deve haver mais distribuição, dispersão ou condução da resina base e aditivos e cargas alimentados. Os equipamentos processam os mais diversos tipos de termoplásticos. “Nosso ponto forte consiste na eficiência quanto à homogeneização e degasagem do material”, considera Agibert.

Outros atrativos lembrados por ele consistem no baixo consumo energético e no processamento por controlador lógico programável (CLP), possibilitando o levantamento de informações, como a quantidade de trocas de telas realizadas em um determinado período de tempo, dado que permite avaliar a quantidade de impurezas do material em processamento. Como a maioria das extrusoras sai da fábrica com painel IHM (touch screen) integrado, a Parra oferece como opcional condicionador de ar: o reciclador não precisa providenciar uma sala climatizada para preservar o funcionamento dos componentes eletroeletrônicos. A capacidade produtiva depende do material processado. Pode variar de 50 quilos/hora (equipamentos de pequeno porte) até 1.000 quilos/hora. O investimento mínimo é de 400 mil reais e o máximo, um milhão de reais.

Negócios deslancham – No ramo há 35 anos, o diretor da Wortex comenta que a reciclagem cresceu muito nos últimos anos e exigiu pesados investimentos em engenharia e ampliações. A compensação: essa expansão de mercado tem gerado uma elevação média de 10% ao ano no faturamento da empresa.

Desde dezembro do ano passado o segmento sofreu uma retração e por dois ou três meses a dificuldade de liberação para o Finame acentuou o problema. “Ainda não está totalmente regularizado e as taxas subiram”, reclama Filippis. A colheita de oportunidades frutificadas durante a Brasilplast, porém, deve amenizar o quadro. “A feira foi muito boa, com grande procura e já está rendendo negócios”, comemora o diretor.

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Extrusão em cascata: eficiente com insumo contaminado

O diretor da Kie considerou o ano passado o melhor dos 25 anos de existência da empresa. Didone projeta para 2011 um crescimento da ordem de 10% a 15% e almeja um aumento nas exportações por conta dos resultados da Brasilplast, que registrou em seu estande um bom número de visitantes da América Latina interessados em diversos tipos de reciclagem.

Em junho deste ano, a Seibt completou 37 anos de atuação no setor e tem razões de sobra para celebrar com as expectativas de seu gerente comercial de superar em 10% os resultados de vendas de 2010, que já foi excelente, segundo Pinto.

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Nova empacotadora automática incrementa a produtividade

Por conta da dedicação ao projeto da empacotadora, a produção da BGM no ano passado ficou em 70% da sua capacidade. A intenção era lançar o produto na Brasilplast deste ano – o projeto e a construção de protótipo consumiram dois anos. “O lançamento foi um sucesso”, comemora Cavallieri, que está aumentando seu parque industrial e prevê crescimento de 23% para este ano.

O contraponto aos bons negócios fica por conta da fome chinesa pelo mercado brasileiro, que não poupa nem as máquinas de reciclagem. Com essa preocupação, Cavallieri aposta na inovação tecnológica, pois acredita que a China mais copia do que desenvolve. “Manter um passo à frente é imprescindível para driblar as dificuldades.”

O diretor da Wortex não enxerga neles um problema. “Pagaram barato pelo equipamento (os recicladores), esperavam uma determinada produção e não funcionou; a maioria fechou”, justifica Filippis; e ele ainda sugere ao reciclador uma reflexão: “Como competir se a máquina não tem qualidade, produtividade e economia energética, equivalente ao custo operacional do equipamento?”

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Linha da BGM é desenhada para facilitar limpeza e manutenção

A tributação e a falta de estrutura para coleta de materiais recicláveis continuam a apertar o calo de toda a cadeia da reciclagem. “Tributar material reciclado quase como resina virgem é uma atitude impensada de nossos governantes”, lamenta Didone, da Kie. Sua impressão encontra apoio na de Filippis: “Deveria haver um tratamento diferenciado de impostos quando há reciclagem envolvida.”

Além do governo, eles também mandam recado para o reciclador. O gerente comercial da Seibt reforça a importância de privilegiar equipamentos que poupem energia e garantam alta produtividade. O diretor da Kie sugere uma união na busca de melhores condições e menor tributação para a reciclagem brasileira. O diretor da BGM lembra ao reciclador a importância da organização e limpeza do ambiente. “Vejo muito dinheiro jogado ou parado em materiais sujos, misturados e sem identificação, ou que acabam se misturando e se contaminando”, critica Cavallieri. Ele toca em um dos pontos mais discutidos na indústria de reciclagem, a economia de energia, sugerindo a adoção de motores de alto rendimento. O diretor ainda ressalta o quanto uma manutenção preventiva oferece de benefícios e lembra que, com novas tecnologias, não se perde tempo. O diretor da Wortex pede que a atividade seja encarada como ela deve ser: supertécnica e profissional, o que exige investimentos em tecnologia e modernização.

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Cavallieri prevê um crescimento de 23% nos negócios esse ano

Em suma, voltamos ao início da conversa: conceitos de sustentabilidade em alta e apelos ambientais cada vez mais fortes + programa nacional de resíduos sólidos em vigor = valorização de produtos manufaturados com resinas recicladas. Maior exigência de qualidade no insumo reprocessado pede recursos em equipamentos de primeira linha.

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