Equipamentos Usados: Demanda por usados injetoras, extrusoras e sopradoras se mantém aquecida no setor plástico

O aumento do consumo de itens preventivos contra a pandemia, aliado à vocação sustentável da indústria de transformação de plásticos, vem impulsionando as vendas de injetoras, extrusoras e sopradoras usadas, dentre outros.

Para alguns representantes desse segmento de comércio, o aquecimento dos negócios ligados às tecnologias é causado por duas variáveis resultantes da própria crise sanitária: uma de perfil econômico e a outra, ambiental, respectivamente.

Ou seja, de um lado, segundo eles, destaca-se a necessidade de a indústria promover o equilíbrio entre oferta e demanda de produtos, expandindo suas operações por meio da aquisição de ativos fixos, com pouco investimento imobilizado.

De outro, vislumbra-se a decisão estratégica de reforçar a rota tecnológica ancorada na reciclagem, vindo ao encontro do apelo global por uma economia mais saudável e do propósito setorial favorável à melhoria dos indicadores de competitividade e de sustentabilidade.

Nos dias atuais, “ser altamente sustentável e eficiente, sob a ótica tecnológica, não é mais um diferencial competitivo e sim uma obrigação de uma empresa” avalia Caique Azevedo, gerente de marketing da Primo Máquinas.

Não por acaso, “o processo de reciclagem vem ganhando muita relevância, ampliando as oportunidades de negócios para empresas que trabalham com vendas de máquinas para transformação de plásticos”, acrescenta o executivo.

Raul Santucci, gerente comercial da Fórmula Equipamentos Plástico Moderno - Equipamentos - Demanda por usados se mantém aquecida no setor ©QD Foto: Divulgação
Raul Santucci, gerente comercial da Fórmula Equipamentos

“Posso estar errado, mas, se não me engano, a transformação de plásticos representa um dos segmentos da indústria que não sofreram a falta de matéria-prima durante a pandemia, como aconteceu com boa parte do setor produtivo”,

complementa o administrador de empresas Raul Santucci, gerente comercial da Fórmula Equipamentos.

A garantia de suprimento ocorreu, segundo ele, porque o setor está fortemente engajado na reciclagem, inclusive por conta de o Brasil ser o quarto maior produtor mundial de resíduos plásticos (mais de 11 milhões de toneladas anuais), conforme aponta a Fundação Heinrich Böll, organização alemã sem fins lucrativos.

A conjuntura econômica atual também é vantajosa para os compradores, vendedores e intermediadores de equipamentos usados, avalia Santucci.

Herdeiro de um aprendizado adquirido na Will Máquinas, na qual trabalhou por três anos com seu pai, João Carlos Santucci, sócio da companhia, Raul Santucci considera que, com a alta do dólar e a escassez de alguns produtos no mercado internacional, o cenário melhorou para os equipamentos usados no Brasil.

“Antes da pandemia, era viável importar alguns produtos para revenda no mercado doméstico. Mas, com a movimentação do câmbio e a falta de produtos lá fora, a situação mudou e, em contrapartida, aumentou a demanda interna para alguns segmentos industriais.

Isso ocorreu também com equipamentos usados, pois a máquina importada se tornou mais cara e a nova, mesmo produzida aqui, teve alta nos preços igualmente, por causa da elevação do custo da matéria-prima”.

Movida pelo propósito de incentivar a sustentabilidade, evitar o sucateamento de ativos e facilitar a reutilização dos equipamentos, no contexto da economia circular, Roberta Bosignoli, gerente de operações e de desenvolvimento de negócios da EquipNet, diz ter percebido aumento na compra de equipamentos usados em alguns segmentos, como o farmacêutico e o alimentício.

“Na pandemia, esses setores em particular enfrentaram grandes desafios com o crescimento repentino na demanda de produção. Diante desse cenário, o setor industrial precisou agir de forma rápida e os equipamentos industriais usados trouxeram uma solução para o setor, que precisava dobrar sua produção e, ao mesmo tempo, economizar em investimentos”, afirmou.

Baseada em sua experiência à frente da empresa – uma multinacional norte-americana gestora de ativos e de usados, com mais de 20 anos de atuação no ramo, em nível global –, ela estima que o aquecimento das atividades produtivas e comerciais pode ter provocado uma elevação de cerca de 30% no volume de compra e venda de peças usadas ou seminovas no Brasil.

Renzo Rascio, diretor geral da Vega Máquinas e Equipamentos Plástico Moderno - Equipamentos - Demanda por usados se mantém aquecida no setor ©QD Foto: Divulgação
Renzo Rascio, diretor geral da Vega Máquinas e Equipamentos

De fato, “as empresas estão comprando mais máquinas”, pondera Renzo Rascio, diretor geral da Vega Máquinas e Equipamentos, focada na compra, venda e intermediação de equipamentos usados, destinados aos setores industriais, com destaque para o de transformação de produtos plásticos.

Veterano, com mais de 40 anos no ramo, Rascio diz ter constatado um fluxo maior de compradores potenciais, de todo o Brasil, nas lojas físicas de sua empresa.

O executivo atribui essa movimentação à estratégia de marketing diversificada da empresa, incluindo “propaganda, comunicação em redes virtuais, como o Google, além de mala-direta, vendedor na rua e pessoas que ficam ligando e levantando oportunidades de negócio.”

Devido às suas características estruturais, o setor de equipamentos usados é impactado positivamente tanto no ciclo de expansão econômica quanto no de retração das atividades.

É o que relata José Cavalcanti, sócio-fundador do Grupo Jemp, ao comparar a operação das empresas a uma via de mão dupla.

Por exemplo, na expansão econômica, os fornecedores aproveitam a onda, promovendo a venda de equipamentos para atender às necessidades de ampliação de plantas e de otimização de processos produtivos, assim como o desenvolvimento de novos produtos.

Na retração, eles se dedicam à aquisição e desmontagem de plantas industriais, buscando recompor seu portfólio.

O fluxo de entrada e saída é alimentado e mantido pelas várias modalidades de negócios, incluindo arremate de peças em leilões de massa falida, por desativação de unidades de produção por perda de competitividade bem como aquisições esporádicas.

Os negócios são fruto da prospecção de oportunidades de compras, inclusive via networking e internet, detalha o diretor da Jemp, dedicada à fabricação, adequação, montagem e desmontagem de plantas industriais.

Embora esse crescimento possa não ser sustentável no longo prazo, por se tratar de uma bolha soprada pelos efeitos da pandemia, os empresários estão esperançosos com as perspectivas futuras.

Renzo Rascio, diretor geral da Vega Máquinas, fundamenta sua intuição neste sentido com dados informais obtidos no contato boca-a-boca com experts do mercado e na análise sobre a evolução recente de seus próprios negócios.

Em 2020, por exemplo, seu faturamento médio mensal era de R$ 700 mil e este ano vem operando com R$ 800 mil ao mês, o que representa uma elevação de 12,5%.

Face ao otimismo resultante dos relatos e números citados pelos empresários, espera-se que o setor acompanhe as previsões de crescimento do setor produtivo.

O comércio trabalha com a expectativa de uma expansão próxima dos 4,4% estimados pela CNI, para o crescimento da indústria brasileira em 2021, conforme lembrou Santucci, da Fórmula Equipamentos.

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