Equipamentos: Custo do ciclo de vida deve balizar investimentos

Mais do que prospectar valores de mercado, o que deve orientar a aquisição de um equipamento usado é seu valor de uso, que extrapola a precificação.

Essa equação, segundo alguns especialistas em gestão de ativos, envolve um cálculo sobre outros dispêndios necessários para que o bem adquirido seja mantido em operação por um dado período e, sobretudo, agregue valor ao negócio da empresa compradora.

Tecnicamente, recomendam que a decisão de compra seja balizada pelo chamado Custo do Ciclo de Vida (conhecido como LCC – Life Cycle Cost), o qual deve ser definido previamente no projeto de investimento.

Na prática, a sigla se desdobra em investimento no chamado Capex (concepção, projeto, fabricação, instalação e comissionamento) e Opex (operação, manutenção e descarte).

Plástico Moderno - Equipamentos: Custo do ciclo de vida deve balizar investimentos ©QD Foto: iStockPhoto
Celso Azevedo, fundador e CEO da Assetsman

“O que importa é o custo global do equipamento”, alerta o consultor Celso Azevedo, fundador e CEO da Assetsman.

Engenheiro, mestre e doutor em gestão de ativos pela Universidade de Paris (Sorbonne), Azevedo acrescenta que o segredo do bom investimento na compra de um ativo é nunca procurar pelo mais barato, mas avaliar tecnicamente quanto mais será necessário para mantê-lo em funcionamento, operando de forma eficiente, durante sua vida útil.

Baseado em sua experiência em grandes projetos, dentro e fora do Brasil, Azevedo considera que a opção de compra – se novo ou usado – está atrelada à relação ganho econômico versus desempenho.

Neste contexto, segundo ele, o fator determinante do equipamento não é ser velho ou novo, mas quanto ele vai impactar positivamente o negócio.

Alguns cuidados prévios são cruciais para garantir essa condição, acrescenta o engenheiro eletricista William Thorlay, consultor sênior de engenharia e confiabilidade da R&D Thorlay Consultoria em Engenharia.

Em sua opinião, ao adquirir um ativo usado, “o comprador deve verificar se ele está em bom estado geral de conservação, não apresenta sinais de problemas estruturais graves, se houve modernizações ao longo dos anos e qual seu grau de obsolescência.

E mais: quanto terá que ser investido para colocar o ativo em condições operacionais, de acordo com as diretrizes da empresa compradora”.

Thorlay concorda com Azevedo que o risco versus assertividade do investimento não deve ser avaliado com base na relação entre novo e usado.

“Isto está ligado ao custo do investimento e a questão da obsolescência. Se os dois equipamentos, novo e usado, pertencerem a uma mesma fase de tecnologia, portanto têm produtividade semelhante, pode ser interessante a compra do usado. A comparação pode ser feita pelo EVA (Economic Value Added), levando-se em conta o investimento inicial, a receita gerada por cada um deles, custos operacionais (Opex) e o LCC (Life Cicle Cost). O cálculo, nesse caso, é absolutamente financeiro”, salienta Thorlay.

É aconselhável, segundo os consultores, que os empresários busquem algum tipo de aconselhamento antes de comprar um equipamento usado.

De antemão, Thorlay adverte que o comprador deve exigir toda a documentação técnica do ativo, incluindo o histórico de manutenção.

Segundo ele, não há como obter garantia de produtividade, mas reitera que cabe também ao comprador “fazer um due dilligence, ou seja, ver in loco as condições do que ele pretende adquirir”.

Azevedo considera válidos esses cuidados adicionais, mas defende a necessidade de as empresas desenvolverem “uma governança com visão estratégica de negócio, contemplando a gestão de ativos. Se o corporativo não entende a operação dessa forma, pouco vai servir se aconselhar com alguém tecnicamente. As boas iniciativas são louváveis, mas é preciso haver também uma transformação da cultura de compra das empresas, fugindo da busca de resultado de curto prazo, às vezes pressionadas pelos acionistas. A maneira mais adequada de criar valor para a empresa é melhorar a abordagem da compra”, afirma.

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