Economia

Entrevista: Gigante químico está integrado na região

Plastico Moderno
27 de novembro de 2013
    -(reset)+

    PM – A cadeia de cloro-soda e PVC é muito relevante para a Solvay na América do Sul, mas esses negócios estão sendo alienados pelo grupo. Isso afeta os planos regionais?
    Lima – De fato, o grupo Solvay declarou que os negócios de PVC não são considerados prioritários. Em maio, firmou com a Ineos um acordo para criar uma joint-venture paritária para lidar com os negócios de cloro, soda e vinílicos na Europa, com a possibilidade de venda para ela da sua participação em um prazo de quatro a seis anos. Mas esse acordo não inclui os ativos da linha de vinílicos na América do Sul, no Brasil e na Argentina, especificamente, que devem ser negociados, mas ainda não há nada concreto a respeito.

    PM – Em compensação, é crescente a produção da chamada química verde por aqui.
    Lima – É verdade, temos solventes produzidos com glicerina, a linha Augeo, além de derivados de etanol. Estamos avançando também nos álcoois de segunda geração, obtidos de biomassa vegetal. Celebramos uma parceria em agosto com a GranBio, da família Gradin, que vai iniciar a produção de etanol de bagaço de cana no ano que vem, em Alagoas. Nós pretendemos aproveitar os açúcares liberados pela digestão das fibras para produzir n-butanol, insumo de amplo uso na indústria química. Nós mesmos consumimos bastante.

    PM – Esse entusiasmo é apoiado em bons resultados aqui no Brasil?
    Lima – Infelizmente, não teremos um resultado brilhante em 2013 na região, embora alguns negócios estejam obtendo excelentes resultados. Os produtos da Novecare (tensoativos para várias aplicações), as sílicas, a fibra de acetato (Acetow) e os plásticos de engenharia são bons exemplos, mas as outras áreas sofrem muito. Em 94 anos de história da companhia no Brasil, tivemos apenas três momentos muito ruins: no Plano Collor (1990), na crise mundial de 2008/09, e agora, em 2013. E é o ano do 150º aniversário da Solvay.

    PM – O que atrapalha os negócios no Brasil?
    Lima – Podemos apontar dois problemas fundamentais: o custo da energia e as deficiências da infraestrutura, incluindo logística e tributação. Nossas matérias-primas, como a nafta e o gás natural, estão entre as mais caras do mundo, assim como a tarifa da energia elétrica, mesmo depois da redução imposta pelo governo federal. Enquanto isso, os Estados Unidos têm energia e gás baratos, a produção petroquímica deles está deslanchando e é altamente competitiva. A situação da Argentina e da Ásia também está difícil.

    PM – A produção brasileira ainda é competitiva globalmente?
    Lima – Atualmente, nossa competitividade está muito baixa, não só na indústria química. Veja nossos custos logísticos: transportar um produto de Paulínia para Xangai (China) custa US$ 10 por tonelada menos do que levar o mesmo produto para Camaçari-BA. E o governo adota soluções inadequadas para isso, na linha das barreiras alfandegárias seletivas. Isso não funciona, não dá para barrar tudo. Além disso, a tarifa maior beneficia um elo da cadeia, mas os demais ficam ainda menos competitivos. Há outros problemas, como o custo da folha de pagamento, que não cai, mesmo com todos os esforços empreendidos.

    PM – Encontrar pessoal qualificado e retê-lo na indústria é difícil?
    Lima – Sim, o setor não é mais tão atraente como foi no passado. Fizemos algumas adaptações para melhorar a retenção do pessoal. A Rhodia mantém um dos mais antigos, senão o pioneiro, programa de trainees na indústria química brasileira. De alguns anos para cá, percebemos que muitos jovens passavam por todas as etapas do programa, que dura dois anos, mas não queriam ser contratados. Para eles, o programa servia apenas para melhorar o currículo. Porém, os trainees que tinham feito estágio anterior na companhia apresentaram maior índice de permanência na companhia. Eles absorveram melhor os valores corporativos, realmente têm interesse em desenvolver carreiras por aqui. Por isso, estamos aproveitando mais os estagiários no programa de trainees. É bom salientar que cada geração tem suas características. É preciso entendê-las.

    PM – Qual o papel do presidente regional em uma estrutura de negócios matricial, como a da Solvay, com unidades de negócios que reportam diretamente para seus líderes mundiais?
    Lima – Embora as GBUs sejam independentes, valorizamos muito a transversalidade, buscamos uma integração entre elas para que as operações sejam as mais eficientes. Meu papel é coordenar a atuação das GBUs e os seus líderes locais, evitando seu isolamento. Há muitas sinergias que podem ser aproveitadas, especialmente quando há diálogo. Na companhia, os presidentes regionais também devem assumir uma diretoria operacional. No meu caso, mantive o comando sobre a área de recursos humanos, a minha especialidade.



    Recomendamos também:








    2 Comentários


    1. ROGERIO IVAN WEIDGENANT

      GOSTARIA DE SABER COMO RECEBER A REVISTA, OU É SÓ POR E-MAIL…TODO TIPO DE NOTICIAS ME INTERESSA.AGRADEÇO A ATENÇÃO
      TRIPLICES ABRAÇOS



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *