Painel Setorial

Energia: Investimentos crescerão, mas ficarão abaixo do necessário para modernizar o país – Perspectivas 2018

Plastico Moderno
24 de fevereiro de 2018
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    Mesmo que a primeira reunião do ano do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) tenha concluído que o risco de qualquer déficit de energia em 2018 é igual a 1,2% e 0% para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, respectivamente, o desempenho do setor neste ano promete não ser muito fácil para consumidores e agentes do mercado.

    Para começar, o aparente início de recuperação dos principais reservatórios das hidrelétricas, com as chuvas mais intensas do começo do ano, pode ser uma ilusão. Isso porque a previsão a ser feita em fevereiro, mês determinante para manter a tranquilidade do resto do ano, deve apontar chuvas abaixo da média nos principais reservatórios do Sudeste, segundo o Instituto Climatempo, que prevê em fevereiro volume de chuvas de 85% da média histórica da região. O comportamento do clima, portanto, parece não ser suficiente para recuperar o nível dos reservatórios, em baixa desde 2013, o que torna o ambiente ainda de pressão sobre as tarifas.

    Plástico Moderno, Santana: volume armazenado nos reservatórios é insuficiente

    Santana: volume armazenado nos reservatórios é insuficiente

    A previsão conservadora do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é de, no término do período úmido, em abril, o nível estar por volta de 40% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal do país, cujos lagos respondem por mais de 70% da capacidade de acumulação de água para energia. Isso, para analistas, é pouco, pois em janeiro de 2017 o nível de estoque estava em 37,3%, acima dos 35% atuais (embora as chuvas atuais sejam mais intensas).

    Nesse patamar estimado, que significa 73 mil MW médios de energia armazenada, a garantia é para um mês e uma semana, segundo lembra o presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Edvaldo Santana. “Isso está muito abaixo do confortável, que seria ter garantia de energia armazenada de um ano, pelo menos, ou na pior das hipóteses, seis meses”, diz.

    Até mesmo a previsão mais otimista de algumas consultorias, que acreditam na elevação para 50% do nível em abril, não refresca nada, na opinião de Santana, ex-diretor da Aneel. “Esse nível garantiria três meses de energia. Nos tempos normais, antes de 2012, era comum ter garantia para até três anos”, afirma. Bom lembrar que em janeiro de 2012, por exemplo o reservatório de Furnas estava com nível de 94,10 e no mesmo mês do ano seguinte havia caído para 32%.

    Com esse cenário de previsão de reservatórios baixos, logicamente o prognóstico é de energia cara, com acionamento de usinas térmicas fora da ordem de mérito, com custo operacional elevado. A expectativa é de as bandeiras vermelhas 1 e 2, as mais caras, com custo extra de R$ 3,00 a cada 100 kWh e R$ 5,00, respectivamente, serem as mais acionadas durante o ano. Até mesmo o fato de em janeiro a bandeira tarifária ser a verde, por conta da ligeira recuperação, para Santana, é temerário. “Isso está sinalizando para os consumidores que eles podem gastar à vontade, o que não é verdade, representa apenas uma recuperação passageira”, diz.

    E o pior nesse cenário é saber que a Aneel a partir deste ano irá incluir como critério de aplicação das bandeiras tarifárias também as perspectivas de armazenamento dos reservatórios, antes desconsiderado. Isso tudo leva a esperar tarifas mais caras em 2018, principalmente porque há outros fatores influenciando os aumentos.

    Segundo estudo da comercializadora de energia Comerc, em 2018 a previsão é ocorrer um aumento de 12% nas tarifas de energia das distribuidoras. A motivação é, além do aumento nos custos da geração provocado por acionamento de térmicas, a elevação em encargos que custeiam subsídios do setor (a estimativa é a de que a Conta de Desenvolvimento Energético, a CDE, passe de R$ 9,3 bilhões para R$ 12,6 bilhões).

    E a previsão pode ser ainda pior, caso o regime de chuvas não seja favorável, como a Climatempo vem alertando. Nesse caso, conforme avalia o presidente da Abrace, Edvaldo Santana, os aumentos podem chegar a 20%. Para ele, para afastar esse risco, seria preciso chover nos principais reservatórios até 40% acima da média, o que está longe de ocorrer. Em janeiro, no Sudeste, mesmo com mais chuvas, o aumento na média histórica foi de apenas 5%. Não por menos, já há distribuidora requerendo reajuste de 18% à Aneel, caso da Ampla.

    Sem apagão – Se há previsão de aumento de tarifas, pelo menos haverá energia em 2018. Isso pelo menos para o ONS, que garante oficialmente não haver risco de racionamento, mesmo com a tímida, mas consistente, recuperação da economia. A confiança se baseia no levantado nas últimas reuniões do CMSE, que aferem as condições de suprimento eletroenergético nacional.

    Em dezembro de 2017, por exemplo, segundo a última reunião do comitê, entraram em operação comercial 1.178,5 MW de capacidade instalada de geração, 4.249 km de linhas de transmissão e 8.613 MVA de transformação na rede básica, com destaque para a entrada em operação, em 12 de dezembro, do sistema em 800 kV e de corrente contínua Xingu/Estreito C-1 e estações conversoras, com 4.184 km e 7.850 MVA. Trata-se do primeiro bipolo para escoamento de energia da UHE Belo Monte.



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