Embalagens Plásticas consolidam posição no mercado

Plásticos sentem efeitos da crise, mas consolidam posição contra sucedâneos

Sabem todos os ramos da indústria brasileira que também 2016 será um ano bastante difícil, no qual cada novo negócio será comemorado quase como um feito heroico.  A situação não será diferente na indústria de embalagens, seja ela analisada em seu todo, seja em segmentos específicos, inclusive aquele composto pelas embalagens plásticas flexíveis, elaboradas com poliolefinas: em qualquer caso, há previsão de novas quedas no decorrer deste ano.

Tabela 1 - Resultado da indústria brasileira de embalagens - perspectivas do setor - Volume - Produção

Ao menos por enquanto, tais previsões se mostram menos sombrias, quando confrontadas com os resultados obtidos em 2015.

Mas é importante lembrar: a atual crise econômica e institucional do país pode rapidamente desmentir qualquer estimativa, e substituí-la por outra, talvez melhor, mas também pior.

Isso ocorreu em 2015, quando a Abre (Associação Brasileira de Embalagem) estimou, em fevereiro, a redução de 0,5% na produção física de embalagens no Brasil (relativamente a 2014).

Em agosto, tal estimativa foi ampliada para -3,0% e, encerrado o ano, verificou-se um buraco ainda mais fundo, pois a produção de embalagens diminuiu 4,31% em relação ao ano anterior.

Para este ano as estimativas iniciais da mesma Abre apontam uma redução de 2,8% nesse item (ver Tabela 1 – resultados e perspectivas do setor).

E essa queda assumirá velocidades distintas no decorrer do ano, prevê o economista Salomão Quadros, há vários anos responsável pelos estudos com os quais a associação avalia o desempenho setorial.

Haverá, ele projeta, quedas mais acentuadas nos trimestres iniciais e talvez alguma recuperação no final do ano (ver Tabela 2).

Plástico Moderno, produção física de embalagem

As embalagens feitas de plásticos, especificamente, em 2015 corresponderam a 35% do volume total de embalagens produzidas no Brasil, diz a Abre.

E, confrontadas com aquelas fabricadas com outras matérias-primas, apresentaram nesse período o segundo menor índice de queda, perdendo nesse quesito apenas para o metal, mas mantendo-se à frente de opções como papel e vidro (ver Tabela 3).

Tabela 3 - Produção Física de Embalagens - Comparativo entre madeira, papel, papelão, plástico, vidro e metais

Salomão Quadros observou que, apesar da queda registrada no ano passado nos negócios da indústria brasileira de embalagens ter sido inferior àquela verificada no mesmo período no conjunto da indústria nacional, já há algum tempo se reduz a participação do setor no PIB brasileiro (ver Tabela 4).

Porém, ele porém atribuiu esse decréscimo principalmente à expansão das participações de outros ramos de atividade econômica, especialmente aos vinculados ao setor de serviços.

indústria brasileira de embalagens ter sido inferior àquela verificada no mesmo período no conjunto da indústria nacional, já há algum tempo se reduz a participação do setor no PIB brasileiro

Usuários intensivos de embalagens apresentaram em 2015 índices de retração superiores aos de 2014, casos, entre outros, das indústrias de alimentos, bebidas, fumo, vestuário, calçados, perfumaria, farmacêuticos, produtos de limpeza, cimento, fertilizantes e tintas.

Plástico Moderno, Quadros: produção de flexíveis deve recuar 2,8% durante 2016
Salomão Quadros – Economista

Obviamente, parte significativa do crédito pelo desempenho negativo desses setores deve ser atribuída a fatores como a queda no poder aquisitivo dos trabalhadores do país e ao aumento do desemprego, que ao final de 2015 atingiu um índice de 8,6%. E, pelas perspectivas apresentadas por Quadros, o desemprego deve aumentar ainda mais em 2016, chegando até 11,3%.

A balança comercial da indústria de embalagens, beneficiada pela atual conjuntura de dólar fortalecido perante o real, registrou em 2015 déficit inferior ao do ano passado, somando US$ 158 milhões, decorrente de US$ 487 milhões em exportações e US$ 645 milhões em importações.

Essa valorização do dólar pode beneficiar a indústria nacional não apenas por devolver-lhe competitividade no mercado internacional, mas também por estimular a substituição de importações.

Em contrapartida, diante da elevada ociosidade com a qual trabalham agora, muitas indústrias consumidoras de embalagens adiarão investimentos e, assim, oferecerão menos apoio a uma possível retomada dos negócios dos fabricantes de embalagens.

Além disso, a economia mundial se mostra vulnerável a movimentos como a expansão menos acentuada da economia chinesa e a queda do preço do petróleo no mercado mundial. “Em tais circunstâncias, poderemos ver adiadas para 2017 as primeiras taxas positivas de crescimento da produção de embalagens, previstas por enquanto para ocorrer no quarto trimestre de 2016”, ressaltou Quadros.

 

 

Flexíveis e Poliolefinas – Embalagens Plásticas

No segmento das embalagens flexíveis, a queda registrada em 2015, contra o ano anterior, foi inferior à contabilizada no conjunto da indústria nacional de embalagens: na produção física desse segmento ela atingiu um índice de -1,6% na produção física, mostra pesquisa realizada pela consultoria Maxiquim para a Abief (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis).

Houve nesse período variação negativa também no faturamento (queda de 2,1%) e no consumo aparente, que caiu 3,6% (ver na Tabela 5).

Plástico Moderno, Solange: filmes de qualidade superior têm demanda firme
Solange Stumpf – diretora da Maxiquim

Solange Stumpf, diretora da Maxiquim, observou na apresentação desses dados, ter o segmento das embalagens flexíveis registrado no ano passado queda inferior à do conjunto da indústria de transformação do plástico:

“Embora também tenha sido impactado, esse segmento foi menos afetado, pois está muito relacionado a produtos de consumo mais imediato, como alimentos”, ela justificou.

“Com isso, a participação da produção de embalagens flexíveis no total de transformados plásticos aumentou 1,6% em 2015. comparativamente ao ano anterior”, acrescentou.

Segundo ela, em 2015 a demanda nacional por poliolefinas (exatamente, PE e PP, bases de grande parte das embalagens plásticas flexíveis) registrou queda de 5% (contra 2014). No PE, especificamente, houve uma redução de 3,1%, que no PP chegou a – 8,3%.

A principal resina utilizada pela indústria de embalagens flexíveis seguiu sendo o PELBD (polietileno linear de baixa densidade), com market share de 45%, seguida pelo PEBD (polietileno de baixa densidade – ver Tabela 6).

Dados da indústria brasileira de embalagens flexíveis - Resinas plásticas utilizadas em embalagens flexíveis

Atualmente, 93% da utilização de PEBDL no Brasil decorre da produção de flexíveis, enquanto no PEBD esse índice chega a 81%.

Em ambos esses casos, os alimentos constituem o principal mercado, absorvendo, respectivamente 36% e 29% da produção.

Como resultado tanto de mudanças na conjuntura cambial quanto da redução no mercado interno, em 2015 caiu significativamente o déficit da balança nacional de poliolefinas, que passou de US$ 67 milhões, em 2014, para US$ 29 milhões, em 2015, ano em que o país importou 792 mil toneladas de PE e 258 mil toneladas de PP.

A queda do preço do petróleo no mercado mundial, ressaltou Solange, aumentou a competitividade das empresas fornecedoras de poliolefinas, ampliando suas margens na medida em que foi acompanhada pela redução dos preços de uma matéria-prima fundamental no Brasil: a nafta, cujos preços foram reduzidos no ano passado em um índice próximo a 25%, chegando a patamares similares aos vigentes na crise econômica internacional de 2008.

Solange crê que o preço do petróleo no mercado mundial deve permanecer baixo no decorrer este ano, quando seu preço por barril chegará no máximo a US$ 40.

Em 2016, esse preço pode atingir um máximo de US$ 50 por barril, e daí em diante pode começar a subir de maneira mais acentuada.

Como consequência desse movimento internacional, no Brasil os preços das poliolefinas também caíram no ano passado: ao menos quando calculados em dólares, pois em reais houve um aumento médio de 7% (em PE esse aumento foi de 5,7%, e em PP de 11,1%).

Segundo Solange, o preço das poliolefinas não caiu em reais por fatores como a inflação e pela existência de um gap temporal entre o que acontece em âmbito internacional e o que ocorre no mercado interno.

Existe, porém, a possibilidade de alguma queda também nos preços em reais no decorrer deste ano, mas não em relação direta com aquela registrada nos preços em dólares.

Para 2016, Solange não espera grandes alterações nos números da indústria nacional de embalagens flexíveis, no qual pode ser registrada nova queda, mas que, assim como ocorreu em 2015, será menos afetada que a maioria dos setores da economia nacional.

“Poderá ser beneficiado quem oferece produtos de maior valor agregado, como embalagens de barreira e de desempenho superior, pois esse mercado não para de crescer, e também quem exporta, inclusive na forma de produtos que seguem para o exterior já embalados, como carnes”, ponderou.

“Deve-se ainda lembrar que a cesta básica sofre menos impactos em uma conjuntura recessiva, e embalagens flexíveis têm muito a ver com os produtos dessa cesta”, complementou Solange.

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