Embalagens para cosméticos – Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível

Plástico Moderno, Embalagens para cosméticos - Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível
Ribeiro: conceito Glass Polymer oferece o luxo do vidro com benefícios

A Eastman Chemical também busca conferir sofisticação às peças, com as resinas Eastar, que transmitem o conceito Glass Polymer: de altas resistência e transparência, assemelhando a embalagem plástica ao vidro. Formado por famílias de resinas copoliésteres e celulósicas, o Glass Polymer é um conceito que propicia ao setor a produção de peças com espessuras altas, como, por exemplo, com 40 mm ou ainda mais espessas e com boa resistência química. “Este leque de características o habilita a ser aplicado em vários subsegmentos do mercado de cosméticos”, comenta o gerente de vendas Ribeiro. Para ele, outra vantagem salutar é a possibilidade de se produzir lotes econômicos, com custos bem menores do que os de vidro, considerando até mesmo a pigmentação das peças. Segundo Ribeiro, o Glass Polymer tem muito a oferecer, porém, até o momento, foi muito pouco utilizado.

A quebra de frascos durante a fabricação, se forem de vidro, pode acarretar às empresas grandes perdas e/ou prejuízos. Esse é um dos motivos pelos quais o Glass Polymer pode fazer a diferença, segundo a própria Eastman. A companhia possui projetos em andamento para lançamentos, em curto prazo no Brasil e no exterior, de produtos que imprimem o conceito. “Infelizmente, não poderemos dar maiores detalhes por razões de sigilo industrial”, explica Ribeiro. Algumas referências do passado demonstram a força dessa ideia: os laboratórios Lancôme, da L´Oréal, selecionaram o Glass Polymer para sua utilização em embalagem moldada por injeção do Secret de Vie, produto para cuidados do rosto. A marca de origem francesa Anna Pegova, por sua vez, usou a resina Eastman Eastar GN 046, integrante da família de produtos Eastman Glass PolymerTM, por meio do processo de sopro convencional, conhecido no mercado como EBM (Extrusion Blow Molding). A criação dessas embalagens passou pela possibilidade de fabricar produtos luxuosos, com detalhes que lembrassem estilhaços de vidro. No entanto, os frascos deveriam ter leveza e inércia química; por isso, o designer optou por utilizar a família da Eastman.

A sofisticação está em alta e rende diversos desenvolvimentos das indústrias de transformação. Apesar de não serem recentes, a MBF Embalagens (ex-Augros) tem alguns cases de sucesso, como a linha Fotoequilíbrio, da Natura. Trata-se de um item chamado bag on valve, que tem o conceito de spray contínuo. “É como no aerossol: enquanto mantemos o atuador pressionado, o produto permanece sendo dispensado e conserva o material puro dentro da lata”, explica a gerente de marketing da Aptar B&H Embalagens e MBF Embalagens, Fabiane Nunes. Segundo ela, para o envase, não são necessários cuidados tão especiais quanto os destinados ao aerossol, já que não tem o gás propelente como ingrediente.

Outra inovação diz respeito ao Sérum Akinésine Combleur Rides, da Anna Pegova. Trata-se de uma embalagem airless que protege o conteúdo, sem precisar acrescentar conservantes à formulação. “Essa embalagem mantém a pureza e a integridade da fórmula, além de oferecer maior eficácia ao resultado”, exemplifica Fabiane. Ela cita também alguns lançamentos que embutem o conceito de “solução completa”, como a tampa MBF e a bomba Aptar, desenvolvidas para os produtos Glamour (de O Boticário), Seda Serum (da Unilever) e Liiv Bothanicals (da Avon), entre outros.

Desde 2007, a Augros mudou de nome para MBF Embalagens, no entanto, sua história remonta outra época. A multinacional norte-americana AptarGroup adquiriu em 2006 a Augros do Brasil, a fim de oferecer uma solução completa ao mercado, junto à Aptar B&H Embalagens, a plataforma de serviços do grupo para as fábricas de dispensadores das marcas: Airless Systems, Emsar, Indigo, MBF Plastiques, Pfeiffer, Seaquist Perfect, e Valois. A AptarGroup, líder em design e na fabricação de sistemas dispensadores, possui um portfólio de cerca de 250 itens somente em bombas, válvulas e dispensadores, em geral, destinados às indústrias de cosméticos, perfumaria, higiene pessoal, limpeza e farmacêutica.

A companhia transforma resinas diversas: em injeção, PS, PP, PE, Surlyn, ABS e PCTA; e no sopro, PE, PP e PETG. O Surlyn, da DuPont, e a resina da família Eastar, da Eastman, são matérias-primas bastante utilizadas na MBF Embalagens. “O Surlyn é uma resina com uma transparência cristalina, toque aveludado, agradável e que permite total liberdade ao designer no momento da criação do produto, enquanto a resina da Eastman é um material pouco visto, desafiador, que traz transparência e elegância únicas ao produto”, comenta a gerente de marketing. O Surlyn é empregado em tampas de perfumes de luxo e a família Eastar, da Eastman, na fabricação de potes de tratamento da linha facial da Natura.

Balanço – Nem é preciso ser adepto da tradição budista para saber que tudo tem um lado bom e um ruim, portanto, representantes da indústria, como Silvério Giesteira, da DuPont, acreditam que a crise mundial pode representar boas oportunidades para os fabricantes nacionais de cosméticos. Para o diretor, o consumidor brasileiro vai evitar os importados, sobretudo porque a indústria nacional de cosméticos não deve nada para a estrangeira, em quesitos de qualidade e de inovação. Márcia, da Dixie Toga, também está otimista quanto aos novos rumos do setor. “Mesmo com a crise, o consumidor não para de comprar cosméticos, o que pode acontecer é preferir um produto mais barato”, ela afirma.

Esse mercado não se resume à beleza aparente de suas embalagens, pois embute também cifras numerosas. Em meio à crise econômica mundial, o setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos deverá, em 2008, apresentar faturamento 8,6% superior ao do ano anterior, o que totalizará R$ 21,2 bilhões. Apesar de essa indústria estar acostumada a avançar mais (no acumulado de doze anos, houve crescimento médio deflacionado de 10,9%), esses números estão acima de outros setores. De acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), esse mercado é o único do complexo químico – que inclui as indústrias de produtos de limpeza, farmacêuticos, tintas e fertilizantes – a apresentar superávit em sua balança comercial. O ano será encerrado com exportações no valor de US$ 650 milhões versus US$ 450 milhões em importações, ou seja, uma balança comercial positiva de US$ 200 milhões.

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