Embalagens para cosméticos – Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível

Em tempo: a Associação Brasileira de Embalagem (Abre) estima que o mercado de embalagem plástica em 2009 absorverá 461 mil t de PET, o que configura, por peso, o maior consumo entre as resinas. Apesar desse cenário anunciado, o PET ainda esbarra em alguns desafios antes de penetrar com força nos cosméticos. Julio César Leite, diretor-comercial da Amcor Packaging, uma das maiores empresas de embalagens do mundo, prevê que esse tipo de aplicação se volte mais para companhias de pequeno e médio portes, sobretudo porque as maiores têm interesses em altas produções, no caso, os setores de refrigerante, óleo comestível e água – as três categorias juntas somam mais de 90% do consumo brasileiro de PET.

Essa ideia embute outra questão: pelo menos por enquanto, as embalagens cosméticas estão fadadas aos processos de um estágio (ciclo quente), em que a máquina injeta a pré-forma, que é soprada em seguida. Os processos de dois estágios (ciclo frio – a pré-forma é produzida numa injetora e soprada em outra máquina) ainda não são usuais por parte da indústria de cosméticos. “Os volumes desse segmento são pequenos comparados aos do refrigerante, do óleo comestível e da água, além disso, trata-se de um mercado fragmentado”, explica Contesini. De qualquer maneira, tanto o mercado do PET como o do cosmético têm muito a ganhar com o fortalecimento dessa relação. Apesar do molde não ser barato e ser necessário justificar o investimento, o mercado cosmético, para Contesini, é de alto valor agregado. Ou seja, no caso de uma categoria de produtos premium, por exemplo, a embalagem pode ter um custo superior.

Plástico Moderno, Silvério Giesteira, diretor de vendas – América Latina na área de Embalagens e Polímeros Industriais da DuPont, Embalagens para cosméticos - Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível
Giesteira: o plímetro Surlyn permite a fabricação de peças complexas, resistentes e leves

A Amcor PET Packaging, de Jundiaí-SP, atua em setores de grandes volumes. De alguma maneira, a empresa tem participação no mercado de higiene pessoal – vende para os líderes de mercado de antisséptico bucal e para a Johnson & Johnson (todos os frascos de PET da companhia são da Amcor). Para Leite, de forma geral, ainda há muitas oportunidades no mercado brasileiro. “O PET é uma das resinas mais atraentes entre os termoplásticos”, explica. Ele afirma também que ainda existe um preconceito injustificável acerca do impacto ambiental do PET, o que prejudica, no entanto, o avanço da resina. Outro aspecto a ressaltar se trata dos hábitos dos consumidores. Em outros países, as indústrias de alimentos e bebidas consomem muito mais PET do que no Brasil. “O mercado de cosméticos virá numa segunda onda de consumo, a primeira será de alimentos, como molhos, e bebidas, como suco e leite”, exemplifica. O PET conta com algumas características bastante convidativas: além daquelas já amplamente divulgadas, no caso da perfumaria, garante a não-oxidação da fragrância.

Sofisticação – Outras oportunidades para os termoplásticos nesse mercado estão despontando em áreas antes dominadas por outros materiais. De forma geral, o plástico está penetrando em redutos do vidro, como a perfumaria de alto padrão. Por isso ou por causa disso, a DuPont aposta as suas fichas no polímero Surlyn, da classe de ionômeros de moldagem e de extrusão, criados de copolímeros ácidos da própria DuPont. De acordo com a empresa, a partir de graus de copolímeros de peso molecular selecionado, como ácidos de etileno/metacrílico, a DuPont adiciona zinco, sódio, lítio ou outros sais de metais. A neutralização ácida resulta na formação de agrupamentos de íons (daí o termo geral “ionômero”) dentro da matriz do polímero resultante. Por isso, as resinas Surlyn incorporam muitas das características de desempenho dos copolímeros originais baseados em etileno, como a resistência química, a faixa de fusão, a densidade e características básicas de processamento.

A aparência é a do vidro, com a vantagem de ser leve e resistente. Além disso, possibilita a produção de peças com paredes grossas, sem bolhas e sem variações dimensionais. “Uma grande vantagem é que o convertedor pode fazer peças com formas bastante complexas”, afirma o diretor de vendas – América Latina na área de Embalagens e Polímeros Industriais da DuPont, Silvério Giesteira. A principal aplicação se vê em tampas, no entanto, um dos cases da companhia se refere ao pote de um produto da linha VitActive, para a linha anti-idade de O Boticário. O Surlyn foi desenvolvido, inicialmente, para agir como selante. A área de cosméticos é uma das mais recentes para a resina e hoje o produto é o carro-chefe do segmento para a DuPont.

A companhia ambiciona ampliar as aplicações do Surlyn para os frascos. A intenção tem um porquê. As embalagens em formato de frascos são as mais populares no mercado cosmético. “Pretendemos entrar nesse segmento no ano que vem, transferindo a elegância que existe na tampa para o frasco ”, exemplificou Giesteira. A ideia é expandir a participação no setor, hoje a DuPont cresce cerca de 25% ao ano no mercado de cosméticos.

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