Embalagens para cosméticos – Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível

Pesquisa realizada por uma das maiores fabricantes de embalagens da América Latina, a Dixie Toga, apontou a preferência do consumidor por embalagens mais flexíveis, a fim de aproveitar o produto por completo, evitando o desperdício. Sobre os hábitos dos consumidores de cosméticos, foi constatado que a classe C associa o brilho da peça à qualidade do produto. O levantamento observou ainda a predileção, de forma geral, pelo prateado. Quanto aos formatos, a escolha recai sobre a possibilidade da embalagem estar de cabeça para baixo.

O consumidor final também está mais consciente acerca de questões legais, como ingredientes da formulação, data de validade e eficiência do produto, assim como está mais atento aos aspectos ambientais. E como a embalagem funciona como uma extensão do fabricante do produto, é preciso garantir coerência na mensagem transmitida. Não é à toa que a Natura utiliza 30% de polietileno tereftalato (PET) reciclado na composição dos frascos para óleos trifásicos da linha Ekos.

Plástico Moderno, Fabiana Wu, especialista em marketing – Embalagens & Polímeros Industriais, da DuPont, Embalagens para cosméticos - Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível
Fabiana apresenta ao mercado o Biomax TPS, termoplástico feito com material renovável

Cada vez mais, as pessoas prezam pela sustentabilidade das embalagens. Nessa categoria, o plástico perde um pouco, mas porque, segundo Assunta, a indústria e a sociedade não fazem a “lição de casa”. “O plástico não faz mal ao ambiente, e sim, seu mau uso”, completa. Ela reclama que todas as embalagens deveriam apresentar obrigatoriamente o tipo de material ao qual se refere, para facilitar na triagem, antes da reciclagem.

Com vocação para transformar tendências em prática industrial, a DuPont oferece ao mercado de cosméticos o Biomax TPS, um termoplástico à base de amido para embalagens. O produto se apresenta em forma de chapas, com 85%-90% de materiais renováveis em sua composição, e destina-se à termoformagem de bandejas e outros artigos. Resultado de uma parceria com a australiana Plantic, o Biomax TPS foi desenvolvido para igualar ou exceder, em termos de desempenho, os produtos derivados de petróleo e contribuir para o crescimento da DuPont na área de materiais sustentáveis para a indústria de embalagens. Um tipo de aplicação sugerido se trata das peças moldadas para os mercados de cosméticos e cuidados pessoais. “Pensamos em usá-lo em berços de caixas de perfume, por exemplo”, comenta Fabiana Wu, especialista em marketing – Embalagens & Polímeros Industriais, da DuPont.

Leda sai em favor das embalagens feitas de termoplásticos. Para ela, existe uma distorção no fato de que após o consumo do produto, o que resta é a embalagem e, assim, as pessoas associam-lhe os prejuízos ao meio ambiente. Só se pode ter certezas com um estudo de Análise de Ciclo de Vida (ACV) do produto e de sua embalagem. “A tendência mundial é de que a ACV seja aplicada aos produtos, pois as embalagens somente existem porque precisam acondicionar os produtos e disponibilizá-los ao consumidor”, explica Leda.

Inovação – Dinâmico, esse mercado preza o quesito inovação. O Centro de Tecnologia de Embalagem destaca algumas novidades apresentadas na Interpack 2008, realizada a cada três anos, na Alemanha. O sachê Easysnap, para dose única, é um exemplo de embalagem inovadora da Easypack Solutions, fabricante italiana de máquinas para embalagem. O sachê tem uma das faces rígida, de PET ou de poliestireno (PS), enquanto a outra face é formada por um filme flexível impresso. De acordo com Leda, o sachê foi projetado para ser dobrado ao meio na forma de um “V”, com o auxílio de apenas uma das mãos. Uma vez que o sachê foi dobrado, o produto é expulso da embalagem por um orifício localizado na base do “V”. “O sachê não tem espaço livre, de modo que a ausência de ar permite uma vida de prateleira excelente ao produto”, reforça. Entre as possíveis aplicações, estão os cremes, os sabonetes líquidos, os xampus e os géis.

Na linha de higiene pessoal, ela destaca o desenvolvimento do Rexam, um sistema dispensador para a loção Prodígio, uma nova tecnologia para dispensar o produto que se baseia em um canal atuador fechado mecanicamente, que mantém o ponto de saída do produto limpo, impedindo o contato deste com o ar. A embalagem tem um pistão de PE, acoplado a um frasco de PP, que se desloca à medida que o produto é impulsionado para fora da embalagem, conservando-o livre da presença de ar e, portanto, da oxidação.

O plástico favorece a adoção de uma postura cada vez mais inovadora. A oferta de um toque diferenciado (efeito soft, por exemplo), as inúmeras possibilidades de cor e a flexibilidade de design são apenas algumas possibilidades. A transparência, que está em alta, também pode contar com o termoplástico. Visualizar o produto embalado transmite ao comprador a sensação de segurança. “O uso de embalagens transparentes, quando possível, é sempre bem recebido pelo consumidor”, reforça Leda, do Centro de Tecnologia de Embalagem. O polipropileno (PP) da família Luzz, da petroquímica Quattor, foi utilizado pelo O Boticário, na linha nativa SPA. De acordo com a Quattor, a família, que conta com a aditivação de agentes clarificantes da Milliken, Millad NX8000, traduz características de transparência, brilho, resistência ao impacto e a altas temperaturas, além de leveza.

Plástico Moderno, Alessandra Rodrigues Seitz, diretora-comercial da Neumann Packing, Embalagens para cosméticos - Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível
Alessandra: dispenser airless facilita aplicação e evita desperdício do conteúdo

Novidades – Muitos são os investimentos em novos desenvolvimentos promovidos pela indústria de embalagens para esse mercado. A Neumann Packing, de Piedade-SP, iniciou sua história com peças técnicas voltadas para o setor automotivo, passou pela indústria de alimentos, mas logo se especializou no segmento de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, hoje sua  maior área de atuação. “O cosmético nos dá a possibilidade de oferecer inovação e brincar com tecnologia e sofisticação”, diz a diretora-comercial da Neumann Packing, Alessandra Rodrigues Seitz.

Prova dessa vocação ao novo se revela no lançamento do dispenser airless, uma embalagem de alta tecnologia, com características capazes de facilitar a aplicação – por não ter pescante. O produto envasado também é 100% utilizado, pois não ficam resíduos nas paredes do frasco e, além disso, composta por oito peças plásticas injetadas (tampa, válvula, frasco, embolo e colar de PP; interno de válvula de EVA; fundo de PEAD, e mola interna de PE ou EVA), a embalagem tem o apelo ecológico de ser totalmente reciclável. “O inovador airless protege ainda formulações sensíveis ao ar e aos raios UV”, garante Alessandra. A fabricante sugere a aplicação em produtos que contam com uma porcentagem alta de ativos, porque não correm o risco de alteração de cor, oxidação e contaminação.

Um outro lançamento trazido da Alemanha pela Neumann se refere a uma embalagem air bag. A peça é coextrudada em seis camadas de PP, a fim de conferir barreira ao produto envasado. Uma de suas aplicações seria na chamada cosmecêutica (área de produtos cosméticos com funções farmacêuticas, ou seja, aqueles com penetração no organismo e com atividade biológica). “A embalagem não permite a contaminação entre o plástico e o seu conteúdo”, explica Alessandra. A Neumann também aposta em novidades no ramo de maquiagem. A empresa investiu em 50 moldes para peças injetadas destinadas a esta aplicação. O seu parque industrial conta com 15 sopradoras e 8 injetoras, além de três máquinas de silk-screen.

Novas aplicações – O mercado de embalagens para cosméticos está cada vez maior – a do tipo roll-on, que no passado se restringia ao ramo de antitranspirantes, hoje, ampliou sua atuação para outros produtos, como brilhos labiais e loções. Na Neumann, o roll-on é um dos carros-chefe, em volume de vendas. Com esfera e frasco de PP, a embalagem reflete outra tendência: o uso de monomateriais, para facilitar o processo de reciclagem, em detrimento das embalagens híbridas.

Regido pela beleza, o setor dos cosméticos se alimenta também de designs arrojados. Essa característica se revela nas frasnagas (bisnagas semirrígidas que competem com as bisnagas – peças com base redonda ou oval). Para falar de bisnagas, a Dixie Toga, uma das maiores fabricantes de embalagens da América Latina, é referência. A companhia tem apostado suas fichas no segmento, a ponto de programar para o segundo semestre vários lançamentos, a fim de alavancar sua penetração na área. “Temos metas bastante ousadas”, diz Márcia Rodrigues, do Marketing and Market Development, da Dixie Toga, de São Paulo, sem entrar em detalhes sobre os novos produtos. A unidade de tubo laminado deve representar cerca de 40% do mercado de cosmético da Dixie Toga. Hoje, a participação ainda é pequena.

Não são só os lançamentos, no entanto, que garantem o sucesso de um transformador do ramo. Segundo Juliana Batista da Silva, da área comercial de tubos laminados da Dixie Toga, a flexibilidade em lote de produção, por se tratar de um mercado muito segmentado; a rapidez na entrega e o serviço também são importantes. A Dixie Toga, de acordo com ela, atende a essas exigências e apresenta ainda soluções completas ao cliente.

Em substituição às bisnagas de alumínio ou do tipo coextrudadas, a empresa aposta nas bisnagas laminadas. Fabricado em PE, o tubo é oferecido de duas formas: com barreira de alumínio, para o mercado farmacêutico, ou de álcool polivinílico (EVOH), para o segmento cosmético. Juliana destaca algumas vantagens: a qualidade de impressão superior (a impressão é feita antes de formar o tubo), o baixo custo de produção e a possibilidade de melhorar o desempenho do equipamento de envase.

Plástico Moderno, Hermes Contesini, porta-voz da entidade e responsável pelas relações com o mercado, Embalagens para cosméticos - Sofisticação e requinte ditam as regras do setor e impulsionam desenvolvimentos de alto nível
Para Contesini, PET se destaca por causa da sua versatilidade

A ideia é ampliar a aplicação dos tubos laminados para áreas ainda pouco usuais. Um exemplo seria a substituição do frasco dos protetores solares por este tipo de bisnaga. “É uma forma de reduzir o preço do produto, tornando-o mais acessível”, comenta Márcia. Além desse beneficio, há de se considerar a praticidade de aplicação. Outras utilizações do tubo laminado poderiam ser: cremes de tratamento capilar, para barbear e mãos, além de sabonetes líquidos e na linha dermatológica, de forma geral. Hoje, a bisnaga é usada em cremes dentais e em algumas peças específicas da categoria de farmacêuticos. O avanço da cosmecêutica pode ajudar a companhia a melhorar a aceitação de seus tubos laminados. Esse tipo de embalagem deve abocanhar a participação de mercado, sobretudo do frasco. De momento, o tipo mais consumido é a bisnaga de PE com barreira de alumínio. No exterior, há também bisnagas de PET, mas o que deve ser tendência mesmo por aqui é a embalagem de base PE.

Além das bebidas – De um modo geral, os plásticos predominam entre os cosméticos, apesar de o vidro dominar as embalagens para esmalte de unhas e perfumes. As resinas normalmente utilizadas nos frascos são: PP, polietileno de alta densidade (PEAD) ou PET, este último quando se deseja transparência. O polietileno de baixa densidade (PEBD) é usado nos tipos squeeze. O polímero de PET tem despertado forte interesse da indústria de cosméticos. Apesar de não possuir dados específicos sobre a penetração da resina no setor, a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) observa o seu uso, cada vez maior. De acordo com o porta-voz da entidade e responsável pelas relações com o mercado, Hermes Contesini, as características do PET abrem as portas para este setor. Translúcida, de grande resistência a impactos, e com brilho intenso, a resina oferece, além da proteção, muitos ganhos de imagem ao cosmético, sobretudo em virtude de sua versatilidade. “O PET é capaz de envasar qualquer produto, desde água até molhos bem agressivos”, diz Contesini. Outro ponto salutar se refere à reciclabilidade do PET: trata-se do termoplástico mais reciclado no país. No entanto, apesar da importância dessa característica, o fator determinante ainda é o aspecto final da embalagem conferido graças às suas propriedades.

Página anterior 1 2 3 4Próxima página

Um Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios