Embalagens

Embalagens para alimentos – Legislação brasileira aperta o cerco para garantir segurança

Renata Pachione
9 de fevereiro de 2011
    -(reset)+

    Segundo Kiyataka, a legislação brasileira de embalagens para contato com alimentos tenta acompanhar as atualizações europeias, mas ainda não se impõe no mesmo ritmo. Ele cita como exemplo o Regulamento 10/2011, publicado em janeiro deste ano, com o qual a União Europeia substituiu o simulante água pela solução aquosa de etanol 10%, para simular alimentos aquosos, ou seja, alimentos de caráter hidrofílico; e também incluiu o simulante poli (óxido de 2,6- difenil-p-fenileno) para alimentos secos. As modificações previstas para o ensaio de migração total pelo regulamento 10/2011 da União Europeia entrarão em vigor a partir de primeiro de janeiro de 2013.

    A defasagem está no fato de que  o Mercosul continuará utilizando o simulante água para alimentos aquosos e não instituiu um simulante para alimentos secos. “Em relação aos simulantes utilizados no ensaio de migração total, com a publicação da RDC 51, de 26 de novembro de 2010, ficaríamos alinhados com a União Europeia, mas por causa do regulamento 10/2011, isso não aconteceu”, comenta Kiyataka.

    Mobilização do setor – Na esfera industrial, aprovando ou não as novas regras, a movimentação foi geral. “Temos de tratar a embalagem como se fosse um ingrediente do alimento”, atesta Kiyataka. É justamente esse conceito que todos os elos da cadeia adotam em seus departamentos de pesquisa e desenvolvimento.

    Líder global em especialidades químicas, a suíça Clariant mantém um rígido controle corporativo sobre os seus desenvolvimentos. Um exemplo prático está nos níveis permitidos de metal pesado nas formulações de corantes pela RDC 52. Enquanto a Anvisa ainda tolera um limite para cada elemento em questão, na companhia a tolerância é zero para produtos voltados aos segmentos de alimentos, bebidas, infantil, médico e de cuidados pessoais.

    Plástico Moderno, Embalagens para alimentos - Legislação brasileira aperta o cerco para garantir segurança

    Para a empresa, aliás, pouco importa qual regulamentação seu cliente vai seguir. “A gente pergunta qual o mercado que o produto vai atender”, afirma a gerente do segmento de embalagens América Latina, da divisão de masterbatches – Color Works, da Clariant, Alessandra Funcia. O que num primeiro momento parece negligência é exatamente o contrário. “Não nos cabe discutir de quem é a responsabilidade, pois para nós qualidade não é só desempenho e sim segurança, ou seja, independentemente de qualquer coisa, vamos oferecer um produto seguro”, reforça Alessandra.

    Plástico Moderno, Alessandra Funcia, Gerente do segmento de embalagens da Clariant, Embalagens para alimentos - Legislação brasileira aperta o cerco para garantir segurança

    Alessandra: a segurança está acima de qualquer outro conceito

    Mas nem por isso não sentiu os efeitos da RDC 52. A companhia teve de redesenhar seus processos internos e refazer ensaios, para emitir novos laudos. Os masterbatches não deixaram de ser válidos, não é isso, mas eles passaram a ser obrigados a comprovar sua idoneidade. “O que muda é a forma de apresentarmos ao cliente que o produto está apto”, comenta.

    Não é à toa que a fabricante conta com um departamento específico de segurança do produto para atestar o cumprimento das regulamentações vigentes no país onde a embalagem será comercializada. Esse, aliás, acabou se tornando um diferencial da empresa. Segundo Alessandra, muitas vezes, a Clariant vence uma concorrência por ter a confiança do cliente de que seu produto estará em conformidade com a legislação.

    Nesse quesito, um viés importante: o desafio, muitas vezes, é conciliar o aspecto mercadológico do negócio ao sustentável. O apelo visual não precisa ser prejudicado por seu caráter ambientalmente aceito. Prova de que essa combinação é possível é a menina dos olhos da Clariant: o Color Works, um espaço dedicado à criação, no qual a empresa, em parceria com o cliente, atua desde a concepção da cor até a etapa final desse processo. De acordo com Alessandra, antes do desenvolvimento de qualquer conceito proposto, já existe um diálogo com o departamento de segurança de produto. Para ela, não há discussão: “Não vamos infringir qualquer regra corporativa de segurança para ganhar uma concorrência.”

    E o próprio cliente não quer isso. Por estar inserida num mercado de especialidades, leia-se: de alto valor agregado, a empresa suíça percebe que o comprometimento pela segurança está acima de qualquer outra questão. “Vejo sinergia entre todos os elos da cadeia”, comenta Alessandra. Talvez essa seja uma percepção parcial, pois pulverizado e abarrotado de fabricantes de todos os portes, o mercado de masterbatch é caracterizado, muitas vezes, por certa informalidade. Mas, de qualquer forma, vale o registro desse universo particular.

    A aposta é de que haja um comprometimento generalizado. “Todos devem estar envolvidos com seriedade neste processo e exigir que seus fornecedores sigam as resoluções”, argumenta a representante internacional de marketing da Techmer – Polymer Modifiers, Marina Howley. Essa multinacional norte-americana, do ramo de concentrados de cor e aditivos, porém sem produção local, segue a agência norte-americana FDA (Food and Drug Administration) desde a fundação da empresa, e acompanha de perto as atualizações da legislação brasileira. O principal controle da Techmer está na escolha da matéria-prima a ser usada nos seus desenvolvimentos. “Nós nos certificamos de que os componentes serão aceitáveis para a sua aplicação final, segundo o tipo de alimento e a condição de uso da embalagem”, diz Marina.



    Recomendamos também:








    Um Comentário


    1. Edvaldo Carneiro

      Boa tarde…
      Gostaria de saber qual a lei que proibi e regulamentam, os estabelecimentos comerciais a não usarem sacolas plásticas para embalarem alimentos de consumo direto, tais como pães, queijos, frango assado, carne assada entre outros, diretamente em sacolas plásticas.
      No aguardo.
      Obrigado,.



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *