Embalagens

Embalagens: Multicamadas conquistam alimentos com vantagem estética e alta proteção

Antonio Carlos Santomauro
9 de janeiro de 2015
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    Novidades e possibilidades – O processo de obtenção de um custo mais favorável, mediante o qual o plástico multicamadas amplia seu espaço na indústria de embalagens para alimentos, tem início na etapa de produção de seus filmes. Atualmente, explica Silvério Giesteira, diretor de marketing e vendas da área de embalagem e de polímeros industriais da DuPont América Latina, o custo de produção de uma estrutura com sete ou nove camadas talvez seja até inferior àquele necessário, há cinco ou dez anos, para produzir filmes com três ou cinco camadas.

    Simultaneamente, consolidam-se tecnologias capazes de gerar benefícios adicionais também em outros quesitos, além do preço: caso da extrusion coating, com a qual é possível laminar PET, alumínio ou papel sem o uso de solventes, apenas com a utilização de resinas extrudáveis. Com isso, ele ressalta, o processo é agilizado, pois não há a necessidade da cura do adesivo, e se elimina qualquer possibilidade de contaminação do alimento embalado pelo adesivo. “Em outros países já se usa há bastante tempo essa tecnologia, por exemplo, para a produção de embalagens de snacks e produtos em pó de alto volume. E isso começa a chegar também ao Brasil”, afirma o especialista.

    Além disso, prossegue Giesteira, a DuPont disponibiliza uma tecnologia para a produção de embalagens termoencolhíveis, empregadas em alimentos que devem durar até 120 dias fora da geladeira, sem incluir o PVDC, ou seja, sem o cloro na cadeia polimérica (no lugar do PVDC é usado o EVOH como filme de barreira). “Tal tecnologia também dispensa a necessidade de irradiação, proporcionando excelente encolhimento, transparência, brilho e resistência à perfuração, devido à utilização de ionômeros na estrutura”, explica o diretor da DuPont, empresa cujo portfolio de produtos para embalagens de alimentos inclui também o EVA e outros copolímeros de etileno – ácidos, ionômeros, poliamidas amorfas – e também adesivos para coextrusão formulados a partir de várias bases: PEAD, PEBD e PE linear, ionômeros, acrilatos, EVA, copolímeros ácidos, entre outras.

    Na Dow, a oferta de produtos para essas embalagens é composta por adesivos e por resinas de PE. Charly Eid, gerente de marketing para o negócio de embalagens e alimentos da companhia na América Latina, cita com uma das mais recentes evoluções desse portfolio a solução Diamanto, que permite elaborar embalagens rígidas e transparentes a partir de uma combinação somente de PE (dispensando outros polímeros geralmente utilizados nesse tipo de embalagem, como poliéster ou PP). “Ela é interessante para embalagens de arroz ou sachês, entre outras”, destaca o executivo da Dow.

    Plástico Moderno, Nascimento: EVOH gera embalagem flexível para conservar leite sem refrigeração

    Nascimento: EVOH gera embalagem flexível para conservar leite sem refrigeração

    EVOH e poliamidas – Embalagens plásticas flexíveis projetam sua expansão também em redutos aparentemente cativos de outros materiais: caso do leite UHT (longa vida), ainda predominantemente comercializado em recipientes compostos com laminados de cartão, plástico e alumínio, mas, em alguns casos, já se verifica a adoção do plástico, tanto rígido quanto em sachês multicamadas.

    Essa última possibilidade é enfatizada por empresas como a Intermarketing, que entre outros produtos adequados a embalagens de alimentos distribui no mercado nacional resinas EVOH da multinacional japonesa Kuraray e resinas adesivas da Westlake Chemical. “Estamos ajudando a consolidar no mercado brasileiro a embalagem flexível para conservação do leite por até 120 dias, sem refrigeração”, destaca Guilherme Ferreira do Nascimento.

    Tais embalagens são compostas por EVOH e poliolefinas; o EVOH, especificamente, nas embalagens de alimentos fornece a proteção conhecida como ‘alta barreira’, que tanto impede o ingresso de oxigênio quanto preserva aroma e sabor, e é muito usado em embalagens de carnes frescas e frios fatiados, além de pouches.

    Nesse mesmo segmento a Intermarketing aposta em outro nicho também mais recente: resina de EVOH desenvolvida para retort pouches. “É um grade modificado de EVOH, capaz de manter a alta barreira mesmo quando a temperatura é elevada”, diz Nascimento. “Com um EVOH comum, haveria o que chamamos de retort shock (redução de barreira durante o cozimento); mas a Kuraray desenvolveu recentemente um EVOH que não sofre tais efeitos”, acrescenta.

    Plástico Moderno, Catarozzo: alta resistência dá vantagem à PA nas carnes

    Catarozzo: alta resistência dá vantagem à PA nas carnes

    Por sua vez, a multinacional de origem japonesa UBE atua no mercado brasileiro de embalagens flexíveis de alimentos oferecendo copolímeros de poliamidas e o terpolímero Terpalex (PA 6/6.6/12). Este último, comenta Carlos Catarozzo, gerente de desenvolvimento de negócios da UBE América Latina, é aqui comercializado há aproximadamente três anos, e já é usado em larga escala em embalagens encolhíveis de carne fresca e em termoformados de maior profundidade, aos quais oferece “excelente resistência mecânica” (evitando, por exemplo, seu rompimento pela ação de ossos presentes nas carnes, ou pelo próprio processo de termoformatação).

    Um dos concorrentes do Terpalex nesse gênero de aplicação é o PVDC. “Mas nosso produto tem a vantagem de ser mais transparente, não ficar amarelado e ser ambientalmente mais amigável”, ressalta Catarozzo. A UBE, ele complementa, está hoje presente também no mercado dos retort pouches, aos quais oferece poliamidas especiais, capazes de manter suas características mecânicas mesmo em altas temperaturas.



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