Embalagens

9 de Janeiro de 2015

Embalagens: Multicamadas conquistam alimentos com vantagem estética e alta proteção

Mais artigos por »
Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Plástico Moderno, Embalagens: Multicamadas conquistam alimentos com vantagem estética e alta proteção

    Embalagem de alimento é sinônimo de embalagem de plástico: essa afirmação, ainda hipotética, deverá se tornar verdade em pouco tempo, caso se mantenha o atual ritmo de expansão desses materiais sintéticos nesse gênero de aplicação. Pode-se, mais exatamente, até prever que embalagem de alimento será sinônimo de embalagem feita de plásticos em multicamadas, como são denominados os filmes construídos por coextrusão ou laminação – ou por uma combinação de ambos –, a partir da junção de camadas de famílias distintas de resinas, e mesmo de outros materiais (metais, por exemplo).

    Entre os modelos de embalagem com plástico em multicamadas atualmente em ascensão, têm destaque as chamadas retort pouches – variações das stand-up pouches já comuns em diversos produtos, como atomatados –, aptas a serem submetidas a temperaturas elevadas, destinadas a eliminar microrganismos e, assim, garantir maior vida útil ao alimento protegido. A alternativa começa a ser utilizada para substituir materiais como lata e vidro nas embalagens de produtos como conservas e alimentos prontos mantidos fora de freezers, entre outros.

    Mas até as stand-up pouches seguem ganhando mais espaço, e começam a ser empregadas para acondicionar alimentos antes embalados em sacos plásticos inseridos em caixas de cartão (achocolatados, por exemplo). Com um desenho capaz de lhes garantir adequada exposição nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais, stand-up pouches têm sua estrutura geralmente composta com camadas de filmes de PET e PE, entre as quais podem ser inseridas camadas de plásticos e materiais destinados a lhe conferir características específicas.

    Para acondicionar um atomadado, por exemplo, elas devem conferir elevada proteção contra oxigênio e contra luz, além de resistência à perfuração e ao flex cracking (fratura por flexão), entre outras características. Para tanto, devem contar com camadas adicionais de alumínio – na forma de folha ou metalização – ou de barreira polimérica, como filme coextrudado com PA ou EVOH (ou ambos), ou filmes de PET ou BOPA (poliamida biorientada) revestidos com PVDC.

    Inúmeras razões justificam o maior emprego do plástico na confecção de embalagens de alimentos. Uma delas – a mais óbvia, e talvez também a principal –, é o seu custo, inferior ao de outros materiais, especialmente na etapa logística (sai mais barato transportar bobinas de filmes que grandes quantidades de vidro ou de latas). Além disso, mesmo conferindo a necessária proteção aos alimentos, o plástico permite sua visualização pelo consumidor e com ele é possível adicionar à embalagem elementos relevantes de marketing, como impressões elaboradas – e em áreas maiores do que em outros materiais –, e com mais opções de design.

    Plástico Moderno, Claire: multicamadas usam o que cada material tem de melhor

    Claire: multicamadas usam o que cada material tem de melhor

    O plástico flexível, especificamente, tem apelos adicionais de manuseio e praticidade: afinal, é mais fácil extrair toda a maionese de uma embalagem de plástico multicamadas que de um pote rígido (isso ajuda a explicar o avanço desse tipo de material mesmo sobre as embalagens tradicionalmente confeccionadas em plástico rígido).

    Resultado dessa somatória de diferenciais favoráveis: “O plástico multicamadas é a forma mais inteligente e mais econômica de embalagem de alimentos, pois aproveita o melhor de cada material na menor espessura possível. Isso é interessante econômica e ambientalmente”, afirma Claire Sarantopoulos, pesquisadora do Centro de Tecnologia da Embalagem do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Cetea/Ital).

    Com multicamadas, argumenta Claire, é possível proteger os alimentos de agentes como luz, oxigênio, umidade e vários outros. “Há, por exemplo, EVOH e PVDC, utilizados em embalagens de carnes para proteção contra oxigênio; PP e PE para proteção contra vapor d’água; PE, metalização e folha de alumínio para barreira anti-UV”, detalha. “Pode-se pensar em obter algumas dessas propriedades pela inclusão de aditivos e nanotecnologia, mas muitas vezes os aditivos não permitem a mesma performance, ou precisam ser usados em quantidades muito grandes, e isso torna o processo caro”, ressalta a pesquisadora.

    Os retort pouches, especificamente têm como vantagem – relativamente ao metal – uma “geometria mais fina”, com a qual é possível realizar mais rapidamente o tratamento térmico dos alimentos e, ainda assim, obter esterilização de melhor qualidade. “Por sua vez, o vidro protege bastante o alimento e é inerte, mas devido ao seu alto custo ele está hoje associado aos produtos premium”, salienta Claire.


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *