Embalagens

Embalagens Inteligentes – Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local

Renata Pachione
1 de agosto de 2009
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    A indústria por aqui – Apesar do cenário ainda um pouco nebuloso para a introdução efetiva do conceito de embalagem inteligente e ativa no mercado nacional para alimentos, o tema está cada vez mais recorrente. Segundo os especialistas, o diálogo entre academia e indústria tem sido intenso. Na avaliação de Claire, o problema é que, muitas vezes, o alimento não tem um valor agregado muito alto, portanto, o custo da embalagem precisa ser limitado. Além disso, as tecnologias não são universais, ou seja, para cada aplicação, é necessário um tipo de solução. Por isso, à sua maneira, o fabricante de embalagem por aqui tenta oferecer alternativas para os flexíveis aumentarem sua participação na indústria de alimentos e também, obviamente, para assegurarem por mais tempo possível as características originais do produto embalado.

    A Embalagens Flexíveis Diadema abastece o setor com algumas estruturas que permitem maior facilidade de abertura dos pacotes de café a vácuo, o que configura o sistema easy-open, e com embalagens dotadas de válvulas para controlar a saída de gases e impedir a entrada de oxigênio, hoje modelo amplamente utilizado no mercado de café. A fábrica produz ainda etiquetas de refechamento após a abertura dos pacotes para biscoitos e café.

    Como detém 60% de participação no mercado de café, não por acaso, os principais lançamentos da empresa contemplam esse segmento. Um dos destaques é a embalagem SUP de cinco soldas, que está no mercado há cinco anos e substitui o tipo almofada com “furos” para permitir a saída dos gases pós-torrefação. No entanto, sua aceitação não tem atingido as expectativas do fabricante, pois a procura ainda está restrita aos grandes produtores de café.

    Plástico, Embalagens Inteligentes - Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local

    Investimento da Zaraplast gerou produtos a custos competitivos

    Sem revelar detalhes, Angelucci antecipa um projeto em andamento na sua companhia: um desenvolvimento em conjunto com um fornecedor internacional para a criação de embalagens com materiais sequestradores de oxigênio. “A produção de embalagens ativas e inteligentes é muito incipiente por aqui, estamos trabalhando nisso, mas ainda não posso falar, pois temos contrato de sigilo assinado”, diz Angelucci.

    Na opinião de Hatum, da Zaraplast, os fabricantes brasileiros de embalagem têm apresentado projetos que contemplam as exigências do consumidor, como maior shelf life, segurança alimentar, dimensional adequado e custo competitivo. A Zaraplast fez a lição de casa e tem estudado e avaliado o uso e a aplicação da nanotecnologia em seus produtos. Outro foco da companhia se trata da fabricação de embalagens flexíveis com a resina produzida com o eteno obtido do etanol de cana-de-açúcar, da petroquímica Braskem. “O desenvolvimento com o ‘plástico verde’ estará disponível em 2010”, antecipou Hatum.

    A Zaraplast possui uma ampla gama de produtos e serviços para atender diferentes mercados. No segmento de consumo, um destaque fica por conta dos filmes coex de até sete camadas, para embalagens ativas, no caso, de atmosfera modificada. Segundo Hatum, esses produtos resultam de uma vigorosa política de investimentos adotada nos últimos três anos, em novas tecnologias. “Aumentamos a capacidade produtiva em 40%, e conseguimos desenvolver produtos mais sofisticados com custo competitivo”, diz.

    A Itap Bemis Dixie Toga traz em seu portfólio um exemplo prático de tecnologia inteligente. Trata-se de uma embalagem dotada de uma tinta termocrômica capaz de mostrar a temperatura ideal da bebida a ser servida. “Quando a cerveja está gelada, surge uma indicação no rótulo da embalagem”, explica Natalie Adler, do departamento de Marketing Corporativo da Dixie Toga. De momento, o recurso se destina ao setor de rótulos, mas pode ser incorporado também nos flexíveis. “No mercado nacional, essa tinta é usada pelas cervejarias, mas em outras aplicações ainda não emplacou”, lamenta Natalie.

    O avanço da inovação em embalagens inteligentes, hoje, esbarra na fraca penetração do conceito no país. De acordo com Natalie, apesar de seu preço acessível, trata-se de uma exceção, pois outras tecnologias inteligentes ainda são muito onerosas ao poder aquisitivo do consumidor brasileiro. “A embalagem inteligente é uma tendência mundial, mas o Brasil só a absorverá a longo prazo, pois os custos são altos e os projetos por aqui ainda estão em estudo, tanto pela indústria quanto pelo meio acadêmico”, explica.



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