Embalagens Inteligentes – Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local

A indústria nacional de embalagens flexíveis se esforça para desenvolver produtos capazes de aumentar a vida útil dos alimentos. E isso não é de hoje. Cada um, à sua maneira, busca se aproximar da realidade

Plástico, Embalagens Inteligentes - Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local
Tinta termocrômica fica azul conforme cai a temperatura

internacional e oferecer ao mercado recursos que contemplem o desenvolvimento das embalagens inteligentes e das ativas: as primeiras, aquelas capazes de trazer uma informação para o consumidor sobre as condições do produto embalado, e as últimas, que melhoram e mantêm a qualidade e a segurança do alimento por meio de sua interação com o produto ou o ambiente. No entanto, a maior parte dos projetos se restringe às bancadas de laboratório, tornando a produção dessas técnicas inviável economicamente e, portanto, ainda incipiente por aqui.

O Centro de Tecnologia de Embalagem – Cetea/Ital – Instituto de Tecnologia de Alimentos tem sido um dos expoentes em âmbito nacional das pesquisas relacionadas a ambos os tipos. De acordo com a pesquisadora científica do Cetea, a engenheira Claire Sarantópoulos, as iniciativas locais ainda são restritas e muito aquém das experiências internacionais. No entanto, toda a cadeia da embalagem, incluindo o meio acadêmico, tem se dedicado a conhecer melhor essas tecnologias, pautada na pretensão de oferecer ao mercado alternativas nacionais, em substituição aos importados. “Muitas embalagens vêm da Ásia, com baixos preços. Nós precisamos tornar a fabricação por aqui competitiva”, atesta

Plástico Moderno, Claire Sarantópoulos, engenheira, Embalagens Inteligentes - Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local
Claire: fabricação local deve se tornar mais competitiva

Claire.

No Brasil, a grande parte dos projetos se relaciona ao tipo interativo e não ao inteligente. Os desenvolvimentos se concentram, sobretudo, na oferta de embalagens com atmosfera modificada (MAP). Mais disseminado e aplicado para aumentar a validade de perecíveis como carnes, vegetais frescos e queijos, entre vários outros tipos de alimentos, o conceito se baseia no rearranjo da atmosfera dentro da embalagem, com combinações de oxigênio, dióxido de carbono e nitrogênio, de maneira que desacelere o processo de degradação do produto embalado. Por isso, não por acaso, no Cetea há diversas linhas de pesquisa para investigar e aperfeiçoar essa técnica.

Para o diretor da Embalagens Flexíveis Diadema, Sergio Hamilton Angelucci, a utilização da atmosfera controlada pode ser sim uma tendência, em função da busca por produtos mais saudáveis à ingestão humana. Um dos benefícios desse sistema se refere à possibilidade de reduzir a incorporação de conservantes no alimento. “No nosso país, as tecnologias de maior custo serão gradualmente introduzidas no mercado na medida em que o crescimento da renda dos consumidores permita que seu nível de exigência evolua”, diz. Em outras palavras, ainda há um longo caminho para a indústria percorrer, sobretudo porque as iniciativas esbarram nos custos, ainda altos para o poder aquisitivo do brasileiro.

Plástico, Sergio Hamilton Angelucci, diretor da Embalagens Flexíveis Diadema, Embalagens Inteligentes - Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local
MAP é uma das tecnologias que mais avançam no Brasil para Angelucci

Na avaliação de Angelucci, a tecnologia MAP tem sido uma das de maior avanço no Brasil. Prova disso se vê na própria Embalagens Flexíveis Diadema. Segundo o executivo, a embalagem para café da marca de maior aceitação pelo mercado é a stand up pouch (SUP) de cinco soldas, com estrutura formada por filme de poliéster metalizado laminado a um filme de polietileno, que proporciona barreira ao produto nela contido e ao nitrogênio que modifica sua atmosfera interior. “Essa SUP com atmosfera modificada permite um shelf life de doze meses”, explica.

O gerente de desenvolvimento da Zaraplast, Marcos Hatum, compartilha dessa opinião. Para ele, tem sido grande a demanda das embalagens de atmosfera modificada, pois entre os hábitos de consumo brasileiro, nota-se o aumento da compra de produtos mais frescos e nutritivos, como frutas e hortaliças. Outro benefício apontado por Hatum se refere à logística, porque um alimento produzido no sul do país pode ser comercializado na Região Norte, sem prejuízo da mercadoria por causa do prazo de validade.

Absorvedores – Outra área bastante promissora no Brasil e, portanto, recorrente entre os projetos do Cetea é a dos absorvedores de oxigênio. “Entre todos os tipos de embalagens ativas e inteligentes, sem considerar as de atmosfera modificada, as que trazem os absorvedores de oxigênio são as de maior sucesso comercial; e é nesse tipo de tecnologia que o país está mais avançado”, explica Claire.

Também muito presentes nas bancadas dos laboratórios do instituto estão as embalagens com ação antimicrobiana. Segundo a pesquisadora, no país, o sistema antimicrobiano é muito usado por exportadores de uva. Nesse caso, utilizam-se de emissores de dióxido de enxofre. A ação se baseia no agente ativo metabissulfito de sódio, que libera o dióxido de enxofre ao entrar em contato com a umidade que é liberada pela própria respiração do produto. A ideia é eliminar esporos de fungos da superfície da uva, pois o gás atua na inibição de reações não-enzimáticas e enzimáticas, controlando o desenvolvimento de micro-organismos. Entre as marcas comerciais disponíveis, Claire destaca o Grapage, dos Estados Unidos; o OSKU-VID e o Uvas Quality Grape Guard, do Chile; e o Uvasys, da África do Sul.

As embalagens podem ainda incorporar os emissores de dióxido de cloro, para promover o controle do crescimento dos fungos e bactérias, além de contribuir com a eliminação de odores indesejáveis. Um exemplo fica por conta de desenvolvimento da Avery Dennison Corporation, um tipo de rótulo capaz de coibir a degradação do alimento, com base na emissão de dióxido de cloro ativada pela umidade.

Apesar do interesse do instituto no tema, trata-se de uma área de pouca viabilidade comercial, pois a tecnologia é complexa e ainda muito distante da indústria brasileira, segundo a pesquisadora. Os agentes antimicrobianos apresentam diferentes mecanismos de ação e, além disso, inúmeros fatores afetam o desempenho da embalagem, como a natureza química do agente microbiano e do produto, as características sensoriais e de toxidez do agente e o método de incorporação, entre outras variáveis.

Nas bancadas – As embalagens capazes de interagir com o alimento e até mesmo aquelas que ainda oferecem uma informação ao usuário também são contempladas por linhas de pesquisa do Laboratório de Desenvolvimento de Membranas e de Filmes para Embalagem (Damfe), coordenado pela professora Leila Peres, da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Um dos projetos se refere ao desenvolvimento de embalagens dotadas de um aditivo absorvedor de oxigênio. Incorporado ao polímero numa camada intermediária, a substância absorve o oxigênio residual que ficou na parte de dentro da embalagem ou aquele que atravessa a barreira. Outra possibilidade também pesquisada por Leila é a colocação do absorvedor de oxigênio na forma de sachê no interior da embalagem. A ideia surgiu de um trabalho da química Lilian Rodrigues Braga nos laboratórios da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e do Ital, sob a orientação de Leila. Uma aplicação prática são os cárneos do tipo “jerked beef”, produto industrializado semelhante à carne seca. Os estudos iniciais se deram nos laboratórios da FEQ e do Cetea.

Plástico, Leila Peres, professora, Embalagens Inteligentes - Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local
Leila avisa: carne mais escura é aquela embalada sob vácuo

Com estrutura multicamada, que pode ser de polietileno tereftalato, polietileno, papel ou um não-tecido, por exemplo, o sachê é microperfurado e contém um aditivo cujo ativo é o pó de ferro. No momento, investiga-se a possibilidade de adotar tipos de filmes mais competitivos comercialmente. A proposta seria facilitar a exportação dos produtos alimentícios brasileiros com a utilização de um sachê nacional, portanto, mais barato do que o importado usado hoje. A Unicamp pesquisa também os absorvedores de etileno e os agentes antimicrobianos, incorporados às embalagens de produtos cárneos.

O que se faz muito, em relação aos produtos cárneos, é os embalar a vácuo. Mesmo assim, pode existir algum residual de oxigênio, o que de alguma maneira não eliminaria a necessidade de um absorvedor de oxigênio. “Ao contrário do que pensamos, quando nos deparamos com as carnes na prateleira, aquela de aspecto mais escuro é a que foi embalada a vácuo adequadamente; se a carne estiver muito vermelha, é porque teve contato com oxigênio”, comenta Leila. Para Claire, do Cetea, a ação de tirar o oxigênio da embalagem de uma carne bovina fresca por si só já eleva sua vida útil; no entanto, a cor do produto fica arroxeada, o que é rechaçado pelo consumidor.

O interesse do varejo pelas embalagens inteligentes e ativas é notório. Para a rede norte-americana de supermercados Wal-Mart, um dos principais problemas enfrentados hoje se dá quanto ao fracionamento dos produtos cárneos. “Temos uma perda muito grande, ao abastecer todas as lojas do grupo com os produtos fracionados. Por isso, quanto maior a validade dos perecíveis, melhor para nós”, explica o gerente de pesquisa e desenvolvimento de embalagem, Iorley Correa Lisboa.

Apesar de pressionar grandes produtores de resinas, estes ainda não lhe apresentaram uma solução. “Fiz testes, por exemplo, com embalagens com atmosfera modificada, mas ainda não foi satisfatório”, lamenta. Lisboa comenta que até está disposto a pagar mais por isso, se a indústria lhe oferecer um produto capaz de reunir o conceito de frescor (para o brasileiro, a ideia se traduz na visualização do vermelho da carne, por exemplo) com maior vida de prateleira (shelf life). Em outros países, há muita demanda para os produtos industrializados, no entanto, no varejo brasileiro, segundo Lisboa, é preciso promover no cliente a sensação de carne fresca, resgatando a operação do açougue. “Ainda não vejo uma solução viável para embalar os produtos cárneos fracionados nas lojas do grupo”, observa.

Movimento antropofágico – Essa situação tende a ser provisória, pois tanto os fabricantes de embalagens quanto as universidades brasileiras têm buscado soluções para preservar melhor os alimentos. O Cetea atua intensamente no desenvolvimento e na realização de testes para avaliar a efetividade das embalagens ativas e inteligentes e tem demonstrado total familiaridade com as iniciativas internacionais. “Essa tecnologia já conta com diversas patentes, hoje à mercê de mais estudos capazes de comprovar, além de sua eficácia, a sua viabilidade econômica”, comenta Claire.

Os recursos parecem ser inesgotáveis. As embalagens podem ser dotadas de indicadores de todos os tipos, como os de maturação e perecibilidade do alimento, além de sistemas de alívio de pressão do vapor para uso em micro-ondas ou de liberação de aroma. “Essa embalagem pode liberar um aroma para aumentar a percepção de frescor do produto”, exemplifica Claire. O potencial desse mercado é gigantesco. Desenvolvimentos de absorvedores de etileno vindos do exterior existem à exaustão. As frutas e hortaliças, mesmo depois de colhidas, mantêm reações de respiração e, por isso, para elevar sua vida útil uma opção se refere à captura das moléculas desse gás. As alternativas para se chegar a isso são várias, uma das mais tradicionais se dá com a adoção de sachês, com uma concentração de permanganato de potássio, disperso em uma substância inerte e porosa.

O Brasil, segundo a pesquisadora, também pode trazer para sua realidade as diversas técnicas criadas por outros países para remover a umidade do interior das embalagens, além dos indicadores de tempo e temperatura. Esses são sistemas inteligentes que integram a exposição à temperatura ao longo do tempo. “No caso de um refrigerado, por exemplo, que deveria ser submetido até 10ºC, mas houve aumento de temperatura, a embalagem apresenta uma indicação visual, geralmente, mudando de cor, mostrando com precisão qual a condição do produto”, exemplifica. Em geral, para tanto, usa-se um rótulo, mas pode ser tinta também. Cada fornecedor conta com sua tecnologia, como por exemplo o MonitorMark, da 3M; OnVu, feito pela FreshPoint, com os pigmentos da então Ciba Specialty Chemicals; e o TT Sensor, da Avery Dennison Corporation, entre outros. “O que se pretende é não fixar a vida útil do alimento, mas ter sinalizadores que atestam sua qualidade”, afirma Claire.

 

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Quando se trata da indústria alimentícia, muitos são os pormenores a ser considerados. Em linhas gerais, busca-se minimizar a interação da embalagem com o alimento, assegurando 100% de sua integridade. No entanto, com o advento das embalagens interativas e/ou inteligentes esse conceito precisou ser revisto, sobretudo porque se passou a esperar justamente essa interação. Ou seja, se fez necessário diferenciar a migração não desejada da desejada, com base em critérios específicos e seguros. Por isso, em 2004, foi criada a primeira legislação da comunidade europeia alusiva ao assunto: a diretriz da União Europeia 1935/2004, de 27 de outubro. Mas a iniciativa não conseguia nortear os desenvolvimentos de embalagens, pois não trazia muita clareza sobre os temas abordados, o que suscitou a criação de

Plástico, Marisa Padula, pesquisadora científica do Cetea, Embalagens Inteligentes - Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local
As discussões estão atrasadas e precisam começar, crê Marisa

novos parâmetros, como a publicação do Regulamento (CE) 450/2009, de 29 de maio de 2009, que propõe regras bem detalhadas e específicas. Essa recente resolução contempla desde a exata conceituação do que é uma embalagem ativa e uma inteligente, passando pela lista comunitária de substâncias que podem ser usadas em componentes ativos e inteligentes, até chegar à rotulagem e à declaração de conformidade, entre outros itens. “Esse artigo está regularizando o mercado”, atesta a pesquisadora científica do Cetea, Marisa Padula.

Apesar de a indústria brasileira apresentar ao longo dos anos uma inclinação para reproduzir a experiência

da União Europeia, a legislação por aqui se mostra bastante falha e muito aquém deste regulamento. Por enquanto, os profissionais da área no Brasil se baseiam na Resolução-RDC, de 17 de março de 2008, que propõe o regulamento técnico sobre a lista positiva de aditivos para materiais plásticos destinados à elaboração de embalagens e equipamentos em contato com alimentos. “É necessário iniciar uma discussão sobre as embalagens ativas e inteligentes o quanto antes”, reforça Marisa. Ela prevê a adoção na indústria nacional das diretrizes da União Europeia como base, até porque se trata de um parâmetro rigoroso e respeitado mundialmente.

Porém, a pesquisadora almeja muito mais. De acordo com Marisa, o Mercosul carece de normas específicas para a região, para acompanhar o hoje fraco, no entanto, promissor mercado nacional de embalagens interativas e inteligentes.

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A indústria por aqui – Apesar do cenário ainda um pouco nebuloso para a introdução efetiva do conceito de embalagem inteligente e ativa no mercado nacional para alimentos, o tema está cada vez mais recorrente. Segundo os especialistas, o diálogo entre academia e indústria tem sido intenso. Na avaliação de Claire, o problema é que, muitas vezes, o alimento não tem um valor agregado muito alto, portanto, o custo da embalagem precisa ser limitado. Além disso, as tecnologias não são universais, ou seja, para cada aplicação, é necessário um tipo de solução. Por isso, à sua maneira, o fabricante de embalagem por aqui tenta oferecer alternativas para os flexíveis aumentarem sua participação na indústria de alimentos e também, obviamente, para assegurarem por mais tempo possível as características originais do produto embalado.

A Embalagens Flexíveis Diadema abastece o setor com algumas estruturas que permitem maior facilidade de abertura dos pacotes de café a vácuo, o que configura o sistema easy-open, e com embalagens dotadas de válvulas para controlar a saída de gases e impedir a entrada de oxigênio, hoje modelo amplamente utilizado no mercado de café. A fábrica produz ainda etiquetas de refechamento após a abertura dos pacotes para biscoitos e café.

Como detém 60% de participação no mercado de café, não por acaso, os principais lançamentos da empresa contemplam esse segmento. Um dos destaques é a embalagem SUP de cinco soldas, que está no mercado há cinco anos e substitui o tipo almofada com “furos” para permitir a saída dos gases pós-torrefação. No entanto, sua aceitação não tem atingido as expectativas do fabricante, pois a procura ainda está restrita aos grandes produtores de café.

Plástico, Embalagens Inteligentes - Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local
Investimento da Zaraplast gerou produtos a custos competitivos

Sem revelar detalhes, Angelucci antecipa um projeto em andamento na sua companhia: um desenvolvimento em conjunto com um fornecedor internacional para a criação de embalagens com materiais sequestradores de oxigênio. “A produção de embalagens ativas e inteligentes é muito incipiente por aqui, estamos trabalhando nisso, mas ainda não posso falar, pois temos contrato de sigilo assinado”, diz Angelucci.

Na opinião de Hatum, da Zaraplast, os fabricantes brasileiros de embalagem têm apresentado projetos que contemplam as exigências do consumidor, como maior shelf life, segurança alimentar, dimensional adequado e custo competitivo. A Zaraplast fez a lição de casa e tem estudado e avaliado o uso e a aplicação da nanotecnologia em seus produtos. Outro foco da companhia se trata da fabricação de embalagens flexíveis com a resina produzida com o eteno obtido do etanol de cana-de-açúcar, da petroquímica Braskem. “O desenvolvimento com o ‘plástico verde’ estará disponível em 2010”, antecipou Hatum.

A Zaraplast possui uma ampla gama de produtos e serviços para atender diferentes mercados. No segmento de consumo, um destaque fica por conta dos filmes coex de até sete camadas, para embalagens ativas, no caso, de atmosfera modificada. Segundo Hatum, esses produtos resultam de uma vigorosa política de investimentos adotada nos últimos três anos, em novas tecnologias. “Aumentamos a capacidade produtiva em 40%, e conseguimos desenvolver produtos mais sofisticados com custo competitivo”, diz.

A Itap Bemis Dixie Toga traz em seu portfólio um exemplo prático de tecnologia inteligente. Trata-se de uma embalagem dotada de uma tinta termocrômica capaz de mostrar a temperatura ideal da bebida a ser servida. “Quando a cerveja está gelada, surge uma indicação no rótulo da embalagem”, explica Natalie Adler, do departamento de Marketing Corporativo da Dixie Toga. De momento, o recurso se destina ao setor de rótulos, mas pode ser incorporado também nos flexíveis. “No mercado nacional, essa tinta é usada pelas cervejarias, mas em outras aplicações ainda não emplacou”, lamenta Natalie.

O avanço da inovação em embalagens inteligentes, hoje, esbarra na fraca penetração do conceito no país. De acordo com Natalie, apesar de seu preço acessível, trata-se de uma exceção, pois outras tecnologias inteligentes ainda são muito onerosas ao poder aquisitivo do consumidor brasileiro. “A embalagem inteligente é uma tendência mundial, mas o Brasil só a absorverá a longo prazo, pois os custos são altos e os projetos por aqui ainda estão em estudo, tanto pela indústria quanto pelo meio acadêmico”, explica.

Plástico, Natalie Adler, do departamento de Marketing Corporativo da Dixie Toga, Embalagens Inteligentes - Baixo poder de compra dos brasileiros dificulta vida do produtor local
Natalie: tinta inteligente só emplacou nas cervejarias

Porém não é por isso que a indústria de alimentos não conta com iniciativas inovadoras. Um exemplo é o lançamento feito em maio deste ano pela Itap Bemis Dixie Toga de uma embalagem do tipo retortable pouch para molho branco da marca Fugini. O seu principal benefício se refere à capacidade de suportar rigorosos processos de assepsia em autoclaves, dando ao produto maior vida de prateleira.

A proposta de preservar as características originais do alimento por mais tempo possível também permeia outros desenvolvimentos da companhia, como o sistema patenteado de abertura e refechamento EZ Peel (easy peel, de fácil abertura) e a adoção, cada vez mais frequente, da tecnologia de multicamadas, com combinações de até sete camadas, sobretudo para o segmento de refrigerados.

Consciente de que a maior parte do consumo brasileiro advém da classe social C, Natalie fala também de um desafio da indústria de embalagens: atender aos anseios dessa fatia do mercado, com produtos capazes de oferecer um benefício de alto padrão, porém a um preço coerente com seu poder de compra. Essa ideia levada à prática se traduz na apresentação pela Itap Bemis Dixie Toga de uma embalagem flexível para o leite UHT (Ultra High Temperature), aquele esterilizado sob altas temperaturas e que prevê o consumo em até 120 dias, depois de fabricado. A novidade tem sido considerada uma alternativa à embalagem cartonada e pode ser utilizada em qualquer bebida que necessite de um sistema asséptico.

Todos esses desenvolvimentos incorporam mais qualidade ao alimento ingerido pelo consumidor brasileiro, mas, além disso, também munem o fabricante de embalagem de um trunfo capaz de diferenciá-lo em toda a cadeia produtiva. A pesquisadora Claire mostra-se otimista e aposta na capacidade da indústria brasileira de alcançar as expectativas do varejo e do consumidor final. Para ela, o que falta é o aumento de poder aquisitivo do brasileiro para viabilizar as tecnologias, pois estas estão cada vez mais conhecidas no Brasil. “Sou do tempo em que a fácil abertura das embalagens era um sonho. Hoje o sistema se viabilizou. Por isso, aposto no mercado para as embalagens inteligentes e interativas, sim”, conclui Claire.

 

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