Plástico

Resinas: Embalagens em alta puxam a demanda por commodities

Antonio Carlos Santomauro
12 de abril de 2018
    -(reset)+

    Ao menos no caso do PE, não há excesso de oferta mundial, afirma Salgado, da Dow, companhia que ampliou sua capacidade de produção dessa resina em operações nos Estados Unidos e na Arábia Saudita. “A demanda por polietilenos não para de crescer, e a cada 1% de crescimento do PIB global é necessário quase um milhão de toneladas adicionais de capacidade”, explica. “Em relação aos preços, pode-se esperar maior volatilidade, mas não uma queda expressiva.”

    Segundo ele, no ano passado a demanda por PE no Brasil cresceu algo entre 5% e 6%, e assim retornou ao patamar registrado em 2014. “Já a partir de maio, a indústria de alimentos e bebidas teve uma retomada importante, enquanto outros setores, a exemplo da construção civil, apresentaram ritmo menor”, detalha. “O crescimento atingiu a todos os tipos de PE, sendo superior no PE linear, utilizado em embalagens flexíveis de alimentos e bebidas”, especifica Salgado.

    Terra estima ter sido de aproximadamente 4% a ampliação da demanda interna registrada no ano passado pelo conjunto das três resinas produzidas pela Braskem: PP, PE e PVC. Houve, segundo ele, recuperação nos negócios com as duas primeiras, sendo que no polipropileno segmentos como as indústrias de automóveis, embalagens e eletrodomésticos, mostraram grande capacidade de recuperação já no primeiro semestre, propiciando a superação das expectativas iniciais de negócios.

    A indústria automobilística, destaca Terra, pode seguir crescendo acima da média, beneficiada especialmente pelas exportações de veículos leves. “Também o segmento da ráfia deve continuar se expandindo, devido ao bom momento do agronegócio”, justifica.

    Mas no mercado do PVC, muito vinculado à construção civil, a situação foi menos favorável, até pelo reduzido investimento em obras públicas e pelas limitações de crédito para a compra de imóveis. “Dados mostram que no primeiro semestre de 2017 o mercado de PVC recuou 1,6% em comparação com mesmo período de 2016”, relata o executivo da Braskem.

    Cruz avalia como “razoável” a expansão de 2,5% registrada em 2017 sobre o ano anterior no volume de resinas comercializado pelas associadas da Adirplast (em 2016, dizem os dados dessa entidade, essas associadas colocaram no mercado cerca de 390 mil toneladas de resinas, que lhes renderam um faturamento de R$ 4 bilhões). Segundo ele, “2017 foi o ano do reencontro com a vida real: ou seja, regras de mercado começaram a ser retomadas. Ainda distante do razoável em um país que acredita no mercado como elemento importante na regência da economia, mas entramos novamente na trilha”.

    Desempenho gera oportunidades – No decorrer deste ano, a produção de embalagens flexíveis primárias, secundárias e terciárias seguirá liderando a demanda por PE no Brasil, prevê Salgado, da Dow. Nesse gênero de aplicações, serão mais demandadas as resinas diferenciadas e com desempenho elevado que, entre outros benefícios, propiciam redução de espessura, maior resistência, mais brilho e melhor processabilidade. “O que se quer é produzir mais com a mesma quantidade de resina”, ressalta Salgado. Para ele, “há espaço para inovação, inclusive nas embalagens mais focadas em preço”.

    Terra, da Braskem, observa um processo de desenvolvimento de resinas plásticas capazes de oferecer cada vez mais resistência, leveza e flexibilidade, além de boa aparência e baixo custo de utilização, para diversos segmentos da indústria: embalagens, roupas, construções, transporte, entre outros. Mas, simultaneamente, o processo de desenvolvimento de resinas deve atender ao crescente interesse dos proprietários de marcas por embalagens que consigam diferenciar os produtos acondicionados e simultaneamente satisfazer às exigências de sustentabilidade ambiental. “Entre os setores nos quais é mais intensa a busca por esse gênero de embalagens podem ser apontados alimentos, bebidas, home care, personal care e pet care”, especifica Terra.

    Nota-se uma tendência de maior aplicação do plástico nas atividades do agronegócio. “O aumento de produtividade, os ganhos de eficiência produtiva e a redução do consumo de água são alguns dos fatores que geram novas possibilidades nesse setor para a indústria do plástico”, enfatiza Terra. “O aproveitamento dessas oportunidades já é uma realidade em outros países e temos trabalhado junto a universidades e instituições de pesquisa para adaptar esses benefícios à realidade das culturas agrícolas do Brasil.”

    Plástico Moderno, Tabela 1 - Desempenho do mercado brasileiro de resinas termoplásticas

    Tabela 1 – Desempenho do mercado brasileiro de resinas termoplásticas

    Entre os distribuidores, a preocupação com a concorrência de resinas importadas vendidas no Brasil com preços mais baixos pelo aproveitamento dos tributos reduzidos cobrados em alguns estados do país – especialmente em Santa Catarina –, sem o posterior recolhimento dos impostos incidentes sobre sua venda em outras regiões, levou a Adirplast a desenvolver um programa denominado Pró-Distribuição.

    Ainda sem divulgar detalhes, esse programa buscará incentivar a compra de resina corretamente tributada. “Vamos chamar a atenção dos nossos clientes para o fato de, quando eles compram material de agentes que não recolhem os impostos, o prejuízo é de todos, a sonegação é um câncer que atinge a sociedade”, enfatiza Cruz. Segundo ele, a concorrência das resinas vendidas no Brasil pelo aproveitamento indevido da combinação de guerra fiscal entre os estados e a sonegação “é muito relevante, e cresceu nos últimos tempos”.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *