Resinas: Embalagens em alta puxam a demanda por commodities

Plástico Moderno, Resinas: Embalagens e autopeças em alta puxam a demanda por commodities e pelos plásticos de engenharia - Perspectivas 2018

É ainda incipiente o reaquecimento da economia brasileira, que somente em meados do ano passado ganhou alguma consistência (na verdade, ainda se questiona sua intensidade e continuidade). Mesmo assim, as perspectivas de incremento da demanda nacional por resinas plásticas no decorrer deste ano parecem não apenas garantidas, mas também robustas, ao menos quando são avaliadas no contexto da profunda recessão vivida pelo país a partir de 2014.

Plástico Moderno, Salgado: não há previsão de excedentes mundiais de PE
Salgado: não há previsão de excedentes mundiais de PE

A demanda por polietileno, por exemplo, relativamente a 2017, deverá este este ano aumentar entre 3% e 4%, na previsão de Andres Salgado, diretor de marketing de Embalagens e Plásticos de Especialidades da Dow na América Latina. Ele inclui, entre os fatores responsáveis por essa expansão, o incremento do PIB nacional e o contínuo aumento, nos últimos meses, da produção local de embalagens. “O polietileno é uma resina que, pela sua diversidade de aplicações e das propriedades únicas que proporciona às embalagens flexíveis, cresce a uma taxa 1,3 vezes superior à do PIB global”, destaca Salgado.

Edison Terra, vice-presidente da Unidade de Poliolefinas da América do Sul e Europa da Braskem, aponta projeções que indicam para este ano um crescimento de aproximadamente 2% na produção brasileira de plásticos (relativamente a 2017). Um desempenho mais favorável da economia, ele ressalta, pode até proporcionar crescimento ainda mais expressivo. “Mas decisões macroeconômicas, ambiente político e eleições podem puxar os resultados para cima ou para baixo”, observa Terra.

Plástico Moderno, Terra: agronegócio gera novas oportunidades para plásticos
Terra: agronegócio gera novas oportunidades para plásticos

No caso das resinas fornecidas por distribuidores, há para este ano uma perspectiva de incremento entre 5% e 6% no volume comercializado pelas associadas da Adirplast (Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins), relata Osvaldo Cruz, vice-presidente da entidade. “Devem se expandir mais os negócios com as resinas que estão em linha com os setores que vêm crescendo, como o setor automobilístico – com os plásticos de engenharia – e a indústria alimentícia, com polietileno e polipropileno, principalmente”, projeta Cruz.

O ano recém-findo – Embora também projete elevação dos negócios com resinas no Brasil no decorrer de 2018, Fátima Giovanna Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), não crê em aumento grandioso: “Não será nada maravilhoso, mas será superior ao de 2017, até por que no ano passado o primeiro semestre foi ruim”, avalia (na Tabela 1, dados da evolução do mercado brasileiro de resinas no primeiro semestre do ano passado fornecidos pela Abiquim/Coplast).

Plástico Moderno, Cruz: contrabando e guerra fiscal afetam toda a cadeia
Cruz: contrabando e guerra fiscal afetam toda a cadeia

O aumento da procura por resinas a partir do segundo semestre do ano passado, reconhece Fátima, foi favorecido pela base bastante fraca de comparação (o período correspondente de 2016). Mas foi impulsionado também pela conjuntura econômica mais dinâmica e pelo reaquecimento de alguns setores, como a indústria automobilística, que após anos de acentuadas quedas teve suas vendas estimuladas pela exportação.

A diretora da Abiquim cita ainda alguns fatores capazes de impactar o mercado de resinas em 2018. Entre eles, inclui a expansão da oferta global, que em um primeiro momento pode afetar os produtores de resina instalados no Brasil, mas posteriormente é capaz de atingir também os negócios dos transformadores locais, pelo aumento da concorrência proveniente de empresas de outros países que disporão de matéria-prima mais barata, por exemplo, de empresas dos Estados Unidos, país cuja oferta de produtos petroquímicos aumentou no ano passado. “Não vejo os norte-americanos se acomodando na posição de exportadores de commodities, o negócios deles é vender produtos acabados”, pondera Fátima.

Ao menos no caso do PE, não há excesso de oferta mundial, afirma Salgado, da Dow, companhia que ampliou sua capacidade de produção dessa resina em operações nos Estados Unidos e na Arábia Saudita. “A demanda por polietilenos não para de crescer, e a cada 1% de crescimento do PIB global é necessário quase um milhão de toneladas adicionais de capacidade”, explica. “Em relação aos preços, pode-se esperar maior volatilidade, mas não uma queda expressiva.”

Segundo ele, no ano passado a demanda por PE no Brasil cresceu algo entre 5% e 6%, e assim retornou ao patamar registrado em 2014. “Já a partir de maio, a indústria de alimentos e bebidas teve uma retomada importante, enquanto outros setores, a exemplo da construção civil, apresentaram ritmo menor”, detalha. “O crescimento atingiu a todos os tipos de PE, sendo superior no PE linear, utilizado em embalagens flexíveis de alimentos e bebidas”, especifica Salgado.

Terra estima ter sido de aproximadamente 4% a ampliação da demanda interna registrada no ano passado pelo conjunto das três resinas produzidas pela Braskem: PP, PE e PVC. Houve, segundo ele, recuperação nos negócios com as duas primeiras, sendo que no polipropileno segmentos como as indústrias de automóveis, embalagens e eletrodomésticos, mostraram grande capacidade de recuperação já no primeiro semestre, propiciando a superação das expectativas iniciais de negócios.

A indústria automobilística, destaca Terra, pode seguir crescendo acima da média, beneficiada especialmente pelas exportações de veículos leves. “Também o segmento da ráfia deve continuar se expandindo, devido ao bom momento do agronegócio”, justifica.

Mas no mercado do PVC, muito vinculado à construção civil, a situação foi menos favorável, até pelo reduzido investimento em obras públicas e pelas limitações de crédito para a compra de imóveis. “Dados mostram que no primeiro semestre de 2017 o mercado de PVC recuou 1,6% em comparação com mesmo período de 2016”, relata o executivo da Braskem.

Cruz avalia como “razoável” a expansão de 2,5% registrada em 2017 sobre o ano anterior no volume de resinas comercializado pelas associadas da Adirplast (em 2016, dizem os dados dessa entidade, essas associadas colocaram no mercado cerca de 390 mil toneladas de resinas, que lhes renderam um faturamento de R$ 4 bilhões). Segundo ele, “2017 foi o ano do reencontro com a vida real: ou seja, regras de mercado começaram a ser retomadas. Ainda distante do razoável em um país que acredita no mercado como elemento importante na regência da economia, mas entramos novamente na trilha”.

Desempenho gera oportunidades – No decorrer deste ano, a produção de embalagens flexíveis primárias, secundárias e terciárias seguirá liderando a demanda por PE no Brasil, prevê Salgado, da Dow. Nesse gênero de aplicações, serão mais demandadas as resinas diferenciadas e com desempenho elevado que, entre outros benefícios, propiciam redução de espessura, maior resistência, mais brilho e melhor processabilidade. “O que se quer é produzir mais com a mesma quantidade de resina”, ressalta Salgado. Para ele, “há espaço para inovação, inclusive nas embalagens mais focadas em preço”.

Terra, da Braskem, observa um processo de desenvolvimento de resinas plásticas capazes de oferecer cada vez mais resistência, leveza e flexibilidade, além de boa aparência e baixo custo de utilização, para diversos segmentos da indústria: embalagens, roupas, construções, transporte, entre outros. Mas, simultaneamente, o processo de desenvolvimento de resinas deve atender ao crescente interesse dos proprietários de marcas por embalagens que consigam diferenciar os produtos acondicionados e simultaneamente satisfazer às exigências de sustentabilidade ambiental. “Entre os setores nos quais é mais intensa a busca por esse gênero de embalagens podem ser apontados alimentos, bebidas, home care, personal care e pet care”, especifica Terra.

Nota-se uma tendência de maior aplicação do plástico nas atividades do agronegócio. “O aumento de produtividade, os ganhos de eficiência produtiva e a redução do consumo de água são alguns dos fatores que geram novas possibilidades nesse setor para a indústria do plástico”, enfatiza Terra. “O aproveitamento dessas oportunidades já é uma realidade em outros países e temos trabalhado junto a universidades e instituições de pesquisa para adaptar esses benefícios à realidade das culturas agrícolas do Brasil.”

Plástico Moderno, Tabela 1 - Desempenho do mercado brasileiro de resinas termoplásticas
Tabela 1 – Desempenho do mercado brasileiro de resinas termoplásticas

Entre os distribuidores, a preocupação com a concorrência de resinas importadas vendidas no Brasil com preços mais baixos pelo aproveitamento dos tributos reduzidos cobrados em alguns estados do país – especialmente em Santa Catarina –, sem o posterior recolhimento dos impostos incidentes sobre sua venda em outras regiões, levou a Adirplast a desenvolver um programa denominado Pró-Distribuição.

Ainda sem divulgar detalhes, esse programa buscará incentivar a compra de resina corretamente tributada. “Vamos chamar a atenção dos nossos clientes para o fato de, quando eles compram material de agentes que não recolhem os impostos, o prejuízo é de todos, a sonegação é um câncer que atinge a sociedade”, enfatiza Cruz. Segundo ele, a concorrência das resinas vendidas no Brasil pelo aproveitamento indevido da combinação de guerra fiscal entre os estados e a sonegação “é muito relevante, e cresceu nos últimos tempos”.

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