Embalagens: Alimentos sustentam as vendas de biorientados

 

Ancorada em um leque de aplicações de consumo massivo – especialmente embalagens de alimentos e, em menor escala, etiquetas e rótulos, entre outras –, a indústria de filmes de BOPP (polipropileno biorientado), durante um bom período, ao menos até 2013, registrou significativas taxas de crescimento no Brasil.

Mas há algum tempo ela também exibe os efeitos da aguda crise econômica nacional.

Neste ano, ao menos por enquanto, não trabalha com perspectivas de crescimento, embora a prazos maiores visualize potencial de expansão do uso de seus produtos, não apenas na própria indústria alimentícia, mas também em aplicações mais recentes, como a tecnologia in mold labeling.

No ano passado, a demanda por BOPP no mercado nacional ficou entre 2% e 3% inferior à registrada em 2014, estima Marta Loss Drummond, diretora responsável pelo mercado de termoplásticos da consultoria MaxiQuim.

“O principal demandante desse filme é o setor de alimentos, que em 2015 também registrou queda no Brasil, estimada em 2%, relativamente a 2014”, justifica.

Neste ano, prevê Marta, os negócios com BOPP devem se manter estáveis no país.

Segundo ela, desestimularão a demanda por esse gênero de filmes alguns fatores, como o recente aumento da carga tributária sobre os cigarros – indústria usuária de BOPP – e a queda no consumo de produtos alimentícios como balas e bombons, em decorrência da diminuição do poder de compra de grande parte da população.

Plástico Moderno, Marta: preços no exterior justificam importações
Marta: preços no exterior justificam importações

“No entanto, itens como macarrão não devem sair da lista de compras dos consumidores, e isso deve contribuir com o desempenho desse plástico”, ressalva Marta.

Julian Gonzalez, diretor comercial da Polo Films (empresa do grupo Unigel), produtora de BOPP em uma planta na cidade gaúcha de Montenegro, também acha difícil ocorrer uma queda no consumo de produtos alimentícios mais básicos, cujas embalagens são feitas com esse plástico, a exemplo de macarrão e biscoitos, mesmo no atual contexto de crise.

“Os consumidores poderão até migrar para produtos mais baratos, mas esse movimento não tem muito impacto nas embalagens”, observa Gonzalez. “Esse mercado não deve crescer, provavelmente se manterá estável durante este ano”, acrescenta.

O executivo da Polo considera, porém, a inexistência de crescimento em 2016 – especialmente após a queda no ano anterior –, oferecendo um resultado pouco satisfatório para a indústria de BOPP.

“Será na verdade um desempenho muito ruim, pois esse é um mercado ainda relativamente novo, que vinha crescendo entre 4% e 5% ao ano”, argumenta o diretor da Polo (empresa cujo portfolio inclui filmes de BOPP transparentes, seláveis e não seláveis, metalizados, opacos, mattes, com encolhimento para overwrapping, mono e bitratados, entre outros itens).

“Mesmo em 2014 houve um crescimento de pouco mais de 3%, pois começamos o ano de maneira muito forte, e o segundo semestre não foi ruim”, afirmou.

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Negócios internacionais – Ao menos para os produtores de filmes de BOPP instalados no Brasil, as agruras da crise econômica nacional parecem estar sendo de alguma forma mitigadas pela redução da presença de produtos concorrentes importados, como consequência da conjuntura cambial agora pouco favorável às compras no exterior. Importados, aliás, que quando o dólar era mais barato, conseguiram colocar-se como concorrentes de peso dos fabricantes locais.

Atualmente, a importação é alternativa “pouco confiável” para a aquisição de BOPP, avalia Henrique Lewi, profissional com vasta experiência na indústria do plástico que em fevereiro último assumiu a diretoria comercial da Vitopel (empresa produtora de filmes de BOPP em plantas nas cidades paulistas de Mauá e Votorantim).

“A importação é hoje mais pontual, e dificilmente uma empresa reservará a ela parte significativa de sua demanda, pois nesse caso não terá nenhuma certeza de conseguir manter preços competitivos”, argumenta.

“E, considerando o atual patamar do câmbio, creio que durante este ano será mantido o espaço agora reservado à produção nacional”, complementa Lewi.

E a Polo, afirma Gonzalez, em decorrência da diminuição da importação conseguiu até registrar algum incremento em seus negócios no decorrer do ano passado.

Plástico Moderno, Gonzalez aposta nas novas aplicações para crescer
Gonzalez aposta nas novas aplicações para crescer

“Os importados já chegaram a responder por 20% do mercado nacional de BOPP, e hoje devem estar com uns 6% de participação”, estima.

Mas Marta, da Maxiquim, prevê: o Brasil seguirá importando BOPP, apesar da atual situação cambial e, mesmo sendo a capacidade de produção nacional bastante superior à demanda interna, hoje estimada em cerca de 140 mil toneladas anuais (apenas a Polo pode fabricar 78 mil toneladas a cada ano, havendo ainda no país, além das duas plantas da Vitopel, a fabricante Videoloar). Afinal, ela justifica, no mercado internacional esse produto tem preços muito competitivos.

“A OPP (Oben Group), mais importante produtora de BOPP na América Latina, com unidades no Peru, Argentina, Chile e Equador, e importante fornecedora para o Brasil, fez diversas aquisições nos últimos anos, aumentou sua capacidade, possui grande escala e custos de produção menores do que os fabricantes locais”, salienta.

“Em contrapartida, é possível que as exportações brasileiras aumentem em 2016, mesmo havendo oferta suficiente nos mercados internacionais”, pondera a diretora da Maxiquim.

Na verdade, as exportações brasileiras de BOPP já vêm aumentando: na Polo, afirma Gonzalez, elam atualmente constituem destino de mais de 20% da produção; na Vitopel, complementa Lewi, a participação do mercado externo no total das vendas atinge patamar similar ao desse concorrente.

Oportunidades e tendências – Se a atual conjuntura da economia nacional não sinaliza negócios imediatos muito significativos, a prazos maiores há a perspectiva, ou quase a certeza, de expansão do uso do BOPP, não apenas nos setores onde ele já se consolidou, mas também em aplicações mais recentes.

Nessa vertente das novas utilizações, os irmãos Marcos e Marcelo Prando, sócios-diretores da distribuidora Replas – cujo portfolio inclui BOPP da Videolar –, citam os artigos de papelaria e os produtos descartáveis.

Plástico Moderno, Filmes de BOPP são adequados para sistemas de in mold labeling
Filmes de BOPP são adequados para sistemas de in mold labeling

Para o segmento da papelaria, a própria Replas comercializa BOPP para produtores de folhas destinadas a encapar cadernos e livros; na área dos descartáveis, atende fabricantes de toalhas.

“Devido às exigências cada vez maiores dos consumidores por produtos de maior qualidade e facilidade no seu manuseio, pode evoluir ainda mais o uso desse plástico no Brasil”, enfatizam os irmãos Prando.

Já Gonzalez, da Polo, cita casos de ampliação do uso de BOPP pelo surgimento de novas categorias de produtos, como aconteceu com as paletas mexicanas, até há algum tempo uma verdadeira febre entre os consumidores do país.

No auge da moda, as paletas chegaram a demandar mil toneladas de filme em um único ano.

Destaca ainda o fortalecimento de tendências que também demandam mais BOPP, como o multipack (conjugação de várias embalagens individuais de um mesmo produto em um único pacote, muitas vezes com finalidades promocionais), hoje marcante em categorias como os sabonetes.

Além disso, prossegue Gonzalez, alguns substratos de embalagens estão sendo substituídos por filmes de BOPP.

“Há desenvolvimentos em fechamento de blisters e tampas seladas, sem falar na substituição das caixas de papel-cartão, especialmente visadas em épocas de economia magra”, exemplifica.

E o emprego desses filmes, prossegue Gonzalez, vai se expandir por seu emprego em embalagens mais sofisticadas, em rótulos de cosméticos e bebidas alcoólicas, usuários de uma tecnologia denominada no label look (com a qual os adesivos dos rótulos não deixam marcas, parecendo que a marca está impressa na garrafa).

“E há a própria expansão da utilização de embalagens flexíveis”, ressalta.

Plástico Moderno, Filmes biorientados conferem alta proteção aos alimentos
Filmes biorientados conferem alta proteção aos alimentos

Mas Gonzalez aposta de maneira mais incisiva na tecnologia in mold labeling (ou rotulagem na injeção), que começa a ganhar espaço em segmentos como embalagens de tintas, produtos de higiene e limpeza, e mesmo em produtos alimentícios.

“Essa tecnologia é nova no Brasil, e por enquanto pequena: movimenta algo entre 40 e 50 toneladas mensais.

Mas ela crescerá, e em alguns mercados de alguns países europeus mais desenvolvidos ou nos Estados Unidos ela já responde por cerca de 1% do mercado total de BOPP”, compara.

A Polo, conta Gonzalez, há cerca de um ano incluiu em seu portfolio filmes específicos para in mold labeling.

Lewi, da Vitopel, também vê nessa tecnologia de rotulagem um mercado promissor, para o qual sua empresa mantém uma linha específica: alguns transformadores começam a trazer para o Brasil robôs destinados a automatizar o processo de aplicação do rótulo nesse tipo de processo.

Mas a Vitopel trabalha ainda para desenvolver outros nichos, além do in mold label: por exemplo, aquele para o qual direciona um produto denominado Vitopel, uma espécie de papel sintético passível de utilização em artigos como livros, catálogos e ingressos de espetáculos.

“Nos ingressos, por exemplo, diferentemente do papel, o Vitopaper não estraga se for molhado por chuva”, observa.

A Vitopel, relata Lewi, disponibiliza vasta gama de versões de filmes de BOPP: cristal, metalizados, opaco branco, in mold label, matte (ou mate), entre outros.

Essa última, aliás, é uma versão fosca de filme que vem sendo mais demandada por agregar aspecto sofisticado à embalagem.

Plástico Moderno, Vitopel oferece ampla gama de tipos de BOPP
Vitopel oferece ampla gama de tipos de BOPP

E o BOPP, ele crê, pode ganhar ainda maior espaço mesmo naquele que já é seu maior mercado: as embalagens de alimentos, nas quais seus filmes serão ainda mais empregados pela necessidade de atendimento de demandas, como a necessidade de embalagens menores – que em conjunto demandam maior volume de plástico – e com maior proteção (nesse caso, mediante formatos como o multipack).

Porém, para Lewi, embora haja agora menor pressão da concorrência de importados, 2016 será novamente um ano difícil para a indústria de filmes de BOPP instalada no Brasil.

“No primeiro semestre ainda deve ocorrer uma queda; na segunda metade do ano pode ter início uma reação”, projeta.

“Mas se houver algum crescimento no decorrer do ano, ele virá de novos negócios, inclusive da exploração de novos nichos, e não pelos negócios já consolidados”, finaliza o diretor comercial da Vitopel.

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