Embalagens: alimentos duram mais com proteção

Alimentos duram mais com a proteção gerada pelos plásticos

Paradoxalmente, sinais de movimentos opostos são hoje incluídos nas análises relacionadas ao uso atual e futuro do plástico como matéria-prima de embalagens de alimentos e bebidas. Um deles, decorrente dos questionamentos sobre a sustentabilidade ambiental dessas aplicações, apontando possível diminuição desse uso em prol de outros materiais. Mas percebe-se também expansão da presença das resinas, tanto em aplicações nas quais ela já está consolidada, quanto nas embalagens dos segmentos que mais evoluem na indústria de alimentos e bebidas.

O boom do comércio eletrônico e do delivery, por exemplo, impulsionará o crescimento dos alimentos e refeições embalados em embalagens plásticas, prevê Assunta Napolitano Camilo, diretora do Instituto de Embalagens.

“O consumo on-the-go de alimentos também é tendência que veio para ficar, e as embalagens plásticas com tampas ou zíperes que permitem fácil abertura e fechamento oferecem conveniência e praticidade para essa demanda”, acrescenta (on-the-go é o consumo realizado no deslocamento entre diferentes locais).

Além disso, prossegue Assunta, os consumidores estão a cada dia mais preocupados com saúde e bem-estar.

Embalagem: Alimentos duram mais com a proteção gerada pelos plásticos ©QD Foto: iStockPhoto
Assunta: transparência alta do plástico valoriza o produto

“Essa categoria utiliza embalagens flexíveis flowpack, stand-up pouches, embalagens termoformadas”, ela especifica.

“O estilo de vida moderno também tem imposto a busca por alimentos prontos em embalagens plásticas retortables, e/ou que permitem aquecer a refeição no micro-ondas para consumo rápido e fácil”, disse.

Fábio Gomes Teixeira, pesquisador do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos), fala em forte tendência, por questões relacionadas à sustentabilidade, de redução do uso do plástico em embalagens alimentícias, com muitos desenvolvimentos visando sua substituição por outros materiais, como os celulósicos.

Embalagem: Alimentos duram mais com a proteção gerada pelos plásticos ©QD Foto: iStockPhoto
Teixeira: é preciso avançar na redução do impacto ambiental

“Por outro lado, os materiais plásticos possuem características únicas, versatilidade e possibilidade de compor estruturas complexas com otimização de propriedades para atender demandas específicas, sendo de extrema relevância no mercado de embalagens para alimentos”, ressalta.

Para manter essa relevância, ressalta Teixeira, a indústria de embalagens plásticas deverá oferecer soluções que diminuam seu impacto ambiental. “Os avanços se encontram em inovações na utilização de matérias-primas de fontes renováveis, na redução de espessura e/ou quantidade de material utilizado, no desenvolvimento de estruturas monomateriais ou multimateriais recicláveis”, especifica.

Embalagens com estruturas mais simples


Listada entre as recomendações do pesquisador do Ital, estruturas feitas com um único material, capazes de substituir sem perda de desempenho as embalagens multimateriais, já constituem um dos focos dos esforços da cadeia de fabricação de embalagens plásticas; esforços que já geraram, entre outros resultados, um stand up pouch desenvolvido pela Antilhas com a tecnologia de impressão EB (Electron Bean, feixe de elétrons), que reduz consumo de energia e emissão de VOC (compostos orgânicos voláteis), e com polietileno da Braskem, como alternativa para algumas embalagens usualmente feitas com PE e PET.

Lançado há cerca de dois anos, no mercado de alimentos esse stand up pouch já embala a linha de arroz especial Ritto, da Unilever, e a proteína vegetal Burguer Mix, da GL Foods.

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Caramelo: sentido da evolução é a redução de complexidades

“Diversos outros produtos devem ser lançados nos próximos meses com essa tecnologia de embalagem”, ressalta Carlos Hugo Caramelo, gerente de desenvolvimento técnico e comercial da unidade de flexíveis da Antilhas, que além de stand up pouches produz bobinas técnicas para flow packs, filmes stretch hood, e outros tipos de embalagens flexíveis.

Para ele, um grande desafio dos agentes envolvidos no desenvolvimento de embalagens, capaz inclusive de permitir o abandono de uma visão mais tradicional, que muitas vezes superestima seus requisitos, é avaliar com maior precisão as reais necessidades de proteção dos produtos. “Evoluir não necessariamente significa tornar as coisas mais complexas. Na verdade, considerando tanto o desempenho quanto as necessidades ambientais, muitas vezes pode ser o contrário”, pondera o profissional da Antlihas. “Tenho conversado com diversos clientes e percebo um empenho significativo, especialmente das grandes empresas, na busca por soluções mais sustentáveis.”

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Antilhas produz pouches de PE impressos por feixe de elétrons

Fabricante de embalagens, flexíveis e rígidas com quatro unidades em Santa Catarina, a Plaszom produz, apenas em PE, stand up pouches cujas características antes demandavam estruturas multimateriais, com o uso de resinas de alta barreira. Vale-se, para isso, da tecnologia de estiramento monoaxial MDO, que oferece melhores propriedades ópticas e de barreira, e confere maior resistência aos filmes de PE. “Fomos uma das primeiras empresas do Brasil a trabalhar com MDO de polietileno”, relata Carlos Alberto Araujo, responsável técnico pelas unidades da Plaszom.

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Araujo: estiramento MDO gera alta barreira com polietileno

“Essa tecnologia começou a ser utilizada no pet food, substituindo BOPP. Mas hoje fazemos também stand up pouches apenas de PE + PE monorientado para produtos alimentícios cujas embalagens usavam poliéster, como biscoitos de arroz”, acrescenta.

A Plaszom integra o FCO Group, que recentemente adquiriu uma startup que desenvolveu uma tecnologia de verniz funcional que, de acordo com Araujo, permite conferir a embalagens com PE monorientado também barreira a oxigênio e gordura, além da barreira a vapor decorrente do MDO. “Ela permite que se obtenha, com PE e MDO, os mesmos níveis de barreira a oxigênio proporcionados por PET com alumínio, poliamida ou EVOH, propiciando o uso dessa solução monomaterial também em outros tipos de embalagens, as de café, por exemplo”, ressalta.

Muitos clientes, informa Marcelo Pereira, gerente de P&D da Gualapack Brasil, solicitam o desenvolvimento de embalagens constituídas por um único material, que mantenham as propriedades de barreira e resistência mecânica das estruturas convencionais. Atenta a essa demanda, a Gualapack lançou um pouch monomaterial, feito apenas de PP, para enchimento a frio e a quente, indicado para produtos pasteurizados e refrigerados, entre outros itens, sendo totalmente reciclável, com alta barreira a oxigênio e a vapor de água. “Prevejo também forte demanda para aprovação, nos órgãos regulamentadores, de novos materiais, como biopolímeros e nanométricos”, diz Pereira.

Tabatha Freire Mendes dos Santos, da área de P&D, assuntos regulatórios e sustentabilidade da Gualapack Brasil, lembra que os atributos físicos e químicos de alimentos, mesmo similares, podem variar e reagir de formas muito distintas em uma mesma embalagem. “Por isso, é imprescindível um suporte de desenvolvimento para acompanhar todos os estágios de homologação da embalagem para o produto”, ressalta. “O desenvolvimento de estruturas flexíveis monomateriais com barreira à luz, vapor, oxigênio e aromas, aliado à migração de estruturas plásticas flexíveis para opções sustentáveis, pode dar um novo rumo ao mercado de embalagens”, acrescenta a profissional da Gualapack, multinacional de origem italiana que no Brasil mantêm unidades produtivas em Jaguariúna-SP e Iperó-SP, e em Ouro Fino-MG.

Outras tecnologias em embalagens

O fortalecimento da presença do plástico nas embalagens para alimentos deve considerar porém, além da busca por opções mais sustentáveis, o atendimento das demandas hoje em alta no âmbito da indústria alimentícia. Caso dos alimentos prontos para o consumo, que podem ser acondicionados em embalagens do tipo retortable – que suportam o processamento em autoclave –, e podem utilizar a linha Ecosyar, de filmes de “PET barreira” da japonesa Toyobo.

Esses filmes, explica Katsumi Takahashi, executivo da operação brasileira da Toyobo, são feitos de poliéster com deposição dupla de Alox e Siox (óxidos de sílica e de alumínio), e podem substituir vidro e metais, ou mesmo simplificar estruturas plásticas mais complexas:

Embalagem: Alimentos duram mais com a proteção gerada pelos plásticos ©QD Foto: iStockPhoto
Takahashi: PET com AlOx e SiOx substitui estruturas complexas

“Permitem eliminar o alumínio em uma estrutura que normalmente tem uma camada de PET, outra de alumínio, uma de BOPP e uma camada de selante de PE”, detalha.

Comida pronta, compotas de frutas e bebidas são produtos que, segundo Takahashi, no Japão e em outros países asiáticos já utilizam filmes Ecosyar em suas embalagens. “No Brasil, estamos em fase de testes de vários produtos, principalmente, na substituição do alumínio nas estruturas de embalagens flexíveis e, em alguns projetos, na substituição de embalagens rígidas de vidro e lata”, acrescenta o profissional da Toyobo, que disponibiliza também filmes de PET reciclado PCR, PET termoencolhível, PET com maior resistência mecânica para redução de estruturas, PET selante, entre outros produtos.

Embalagens: PET com AlOx e SiOx substitui estruturas complexas
PET com AlOx e SiOx substitui estruturas complexas

No portifólio da SEE, a antiga Sealed Air, há hoje linhas que, considerando fatores como capacidade de conservar os produtos e redução dos impactos logísticos, também pesam favoravelmente aos plásticos nas análises sobre a circularidade de embalagens de alimentos. Uma delas, a Darfresh on Tray, em formato de bandeja com filme tampa de alta barreira que evita oxidação; a outra, Darfresh on Board, de filmes que envolvem o produto – uma proteína geralmente – como uma espécie de segunda pele, respeitando seu formato. Ambas seladas a vácuo, com misturas de diferentes resinas, formuladas de acordo com a necessidade de cada produto, além de cartonado.

Darfresh on Tray mantém carne saudável por 60 dias ©QD Foto: iStockPhoto
Darfresh on Tray mantém carne saudável por 60 dias

Embalagens Darfresh on Tray podem ampliar o shelf life de um corte de carne vermelha de dois ou três dias nos produtos manuseados no varejo, para até sessenta dias, afirma Caio Prado, Líder de Sustentabilidade e Assuntos Regulatórios da SEE para América Latina. “Queijos embalados nessa solução atingiram vida útil de 150 dias”, ressalta.

Morangos embalados com atmosfera modificada duram mais ©QD Foto: iStockPhoto
Morangos embalados com atmosfera modificada duram mais

Nome tradicionalmente associado à marca Cryocac, de embalagens a vácuo e ATM (com atmosfera modificada), à qual associa essas duas linhas, a SEE também busca expandir o uso de plásticos em embalagens para líquidos, tendo recentemente adquirido a empresa Liquibox, que desenvolveu uma solução composta por um exterior de cartão e um bag interno, geralmente de poliolefina.

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Prado: bandejas com filmes de barreira facilitam a logística

“Ela conserva bem o produto, facilita o transporte, é facilmente reciclável, pois é muito fácil separar o saquinho interno do cartonado. Vem crescendo bastante seu uso em vinhos e em sucos”, destaca Prado.

 

O universo do PE

Polietileno é a resina amplamente hegemônica na produção de embalagens de alimentos, nos quais aparece em aplicações flexíveis mono e multimateriais, e também em potes e em outros formatos rígidos.

A Dow, como relata Verena Abrantes, gerente de marketing para segmento de Alimentos e Embalagens Flexíveis da empresa na América Latina, hoje disponibiliza resinas de PE de “alta performance” que elevam significativamente a reciclabilidade da embalagem, possibilitando compor estruturas monomateriais, além de resinas para a produção de filmes de PE estirados por MDO. Com a tecnologia Phormanto, propicia o desenvolvimento de embalagens termoformadas de polietileno sem a necessidade do uso de poliamida.

Recentemente, prossegue Verena, a Dow lançou a resina de alta densidade Elite AT 6900:

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Verena: PE de alta performance facilita reciclagem pós-consumo

“Combinada com outras resinas premium do portifólio da empresa, ela viabiliza o desenvolvimento de embalagens de PE tecnicamente reciclável com desempenho máximo, sem a necessidade da camada de metalização”, enfatiza, citando embalagens de café, leite e chocolate em pó, como possíveis aplicações desse produto.

No portfólio da Dow há ainda PE com conteúdo PCR – no caso de alimentos, por enquanto utilizável apenas em embalagens secundárias – e compatibilizantes da linha Retain, que inseridos na estrutura da embalagem permitem a reciclagem mesmo havendo a presença de outras resinas. E, com seu Pack Studios (centro de P&D localizado em Jundiaí-SP), a empresa auxilia no desenvolvimento de novas soluções de embalagens para clientes da América Latina. “O exemplo mais recente é uma embalagem stand-up pouch reciclável e com zíper”, especifica Verena, referindo-se a uma embalagem totalmente feita de PE, desenvolvida para a marca colombiana Colanta, de carnes e lácteos.

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PE de alta performance facilita reciclagem pós-consumo

Também o Cazoolo busca soluções com impactos ambientais minimizados, ressalta Yuri Tomina Carvalho, líder desse centro de P&D de embalagens criado pela Braskem no ano passado. E a Braskem, ele salienta, disponibiliza grades de PE, PP e PVC aplicáveis de inúmeras formas em embalagens de alimentos: stand-up pouches, filmes multicamada para alimentos, filmes stretch e termoencolhíveis, embalagens para cereais e outros produtos que requerem barreira específica contra vapor d’água, entre outras.

Fornece também EVA para a produção de filmes para embalagens monocamadas. E tem produtos naturalmente mais afeitos às propostas da circularidade, como o PE proveniente de cana de açúcar, disponível em baixa e alta densidade.

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Tomina: PE, PP e PVC tem uso amplo e crescente em alimentos

“Esse PE pode ser aplicado em embalagens de alimentos líquidos, lácteos e sucos, tampas para água e bebidas carbonatadas, caixas para hortifrutis e pescados, embalagens tipo bisnaga ou squeeze, embalagens coextrudadas de queijos, carnes, embutidos e fatiados”, detalha Tomina.

Ele cita a embalagem de PE do arroz Ritto, da Unilever – desenvolvido em parceria com a Antilhas – como exemplo de desenvolvimento ambientalmente mais sustentável desenvolvido com resina da Braskem. “Temos no Cazoolo outros projetos em andamento para alimentos e bebidas, em segmentos de lácteos e spreadables (produtos que podem ser espalhados, como requeijão cremoso, pasta de amendoim, manteiga), entre outros”, afirma o profissional da Braskem.

Poliamidas e PET

Integradas às estruturas especialmente para conferir barreira a oxigênio e resistência mecânica, poliamidas são mais utilizadas, na indústria de alimentos, em estruturas multimateriais que, exatamente por essa característica, estão entre as mais questionadas pelos preceitos da economia circular.

Mas poliamidas agregam mais sustentabilidade às embalagens plásticas, ressalta Murilo Tambolim, representante de serviços técnicos de Poliamidas e Precursores da Basf. Afinal, sem elas, as embalagens precisariam ser mais espessas para oferecer a mesma resistência.

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Tambolim: consumidor procura porções menores de pescados

“Além disso, embalagens multicamadas PE/PA são recicláveis em diversas proporções de composições”, acrescenta o profissional da Basf, que disponibiliza poliamidas 6 e 6.6.

Tambolim crê em maior uso de uso de poliamidas na indústria alimentícia em vertentes como as embalagens de fatiados e de outros alimentos agora disponíveis no varejo em porções menores, prontas para serem levadas. “Os consumidores têm procurado cada vez mais alimentos embalados em porções menores”, observa o profissional da Basf.

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Filme de PA Ultramid, da Basf, protege com baixa espessura

Edgar Veloso, supervisor de vendas da UBE Latin America, vê possibilidade de crescimento do uso de poliamidas nas embalagens de alimentos que vão direto para o forno, geralmente feitas com PET. Há ainda, ele ressalta, potencial de expansão desse uso em sacos que acondicionam frutas frescas, muitas vezes feitos de PE. “Comparativamente ao PE, poliamidas são mais permeáveis à umidade, e frutas frescas precisam disso para manter seu frescor”, explica.

O profissional da UBE questiona fornecedores de soluções de PE que hoje anunciam grades para a produção de termoformados sem a necessidade de adição nem de poliamidas, nem de EVOH (utilizadas nessas estruturas como barreira a oxigênio).

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Veloso: mais permeáveis, PAs mantêm as frutas frescas

“Eles fazem a comparação do desempenho valendo-se de grades padrão de poliamida; utilizando-se porém nossos grades premium há inúmeras vantagens, inclusive de sustentabilidade, pois eles reduzem a pegada de carbono e o consumo de matéria-prima”, argumenta.

“Além disso, poliamidas permitem termoformados mais profundos, melhor distribuição de espessuras nos cantos, e mais encolhíveis (no caso de filmes termoencolhíveis). E proporcionam melhores propriedades ópticas em quesitos como transparência e brilho”, acrescenta.

O PET, afirma Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), vem sendo mais utilizado tanto em stand up pouches quanto em formatos rígidos que acondicionam alimentos pastosos, como maionese, mostarda e ketchup, inclusive na forma de embalagens transparentes. “Essa transparência que permite visualizar os alimentos agrada bastante os consumidores”, lembra Marçon.

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Consumidor procura porções menores de pescados

Ele projeta maior potencial de uso dessa resina também em embalagens termoformadas para o acondicionamento de diversos produtos, como amendoim e outros grãos, lascas de bacalhau, saladas, sanduíches prontos para o consumo. “No mercado norte-americano há inúmeros produtos embalados em bandejas, inclusive pelas marcas dos próprios supermercados”, ressalta.

No segmento dos produtos líquidos, no qual já é amplamente predominante no envase de refrigerantes, água e óleos, o PET, diz o presidente da Abipet, vem sendo mais utilizado também nos sucos prontos para beber. “É uma resina fácil tanto no design quanto na produção. E totalmente reciclável”, ressalta.

Circularidade imperativa

Além de estruturas menos complexas, a busca por embalagens alimentícias eficazes e afeitas à circularidade gradativamente também minimiza o uso de matéria-prima, e filmes que há cerca de dez anos tinham cerca de 80 micrômetros podem hoje ter apenas 55 micrômetros, estima Araujo, da Plaszom. Para ele, “pode crescer o uso de plástico nas embalagens de alimentos, inclusive substituindo outros materiais, como papel, nas embalagens secundárias”.

Alimentos, ressalta Rogério Mani, presidente da Abief (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis), hoje demandam aproximadamente metade da produção total de embalagens flexíveis. Cuja produção cresce, não apenas porque cresce a população, mas também para atender aos novos hábitos, como o delivery.

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Mani: metade das embalagens flexíveis vai para alimentos

“Um formato que cresce bastante é o stand up pouch, que ganha espaço até das aplicações rígidas em achocolatados, pós, conservas e atomatados”, destaca.

Mani vê a cadeia produtora de embalagens plásticas empenhada em conferir mais sustentabilidade às suas aplicações. “O Brasil já é um dos países que mais recicla plásticos, mas a reciclagem está apenas se consolidando aqui e no mundo”, observa. “E avançam rapidamente as tecnologias de reciclagem, há agora algo que nem havia antes: máquinas que permitem fazer filmes com PCR”, acrescenta o presidente da Abief.

Investir na circularidade será realmente vital para essa indústria, enfatiza Assunta, do Instituto de Embalagens, até porque surgem novas regulamentações, como a obrigatoriedade, válida a partir do próximo ano na Europa, de fixação das tampas plásticas às garrafas (modelo tethered caps). Mas ela também vê espaço para maior uso de plásticos em embalagens de alimentos, por exemplo, nas embalagens a vácuo ou de ATM, em categorias como frutas, legumes e verduras. “O apelo visual proporcionado pela transparência da embalagem plástica agrega valor aos produtos, o consumidor brasileiro gosta de ver o que está comprando”, pondera.

No Ital, estão sendo atualmente desenvolvidos muitos projetos relacionados a embalagens plásticas para alimentos, bem como estudos para avaliação de seu ciclo de vida, informa Silvia Tondella Dantas, diretora do Cetea (Centro de Tecnologia de Embalagem) dessa instituição. Ela cita, entre eles, o projeto em parceria com a Rede de Cooperação para o Plástico que resultou no Retorna, software gratuito que calcula o índice de reciclabilidade da embalagem plástica, considerando o cenário brasileiro e as especificidades de cada região.

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Silvia: pesquisas avaliam as soluções para resíduos de PCR

“Destaco também a criação, há cerca de um ano, do projeto CCD Circula – Centro de Ciência para o Desenvolvimento, liderado pelo Ital e dedicado a soluções para os resíduos pós-consumo de embalagens e produtos”, finaliza Silvia, referindo-se a um projeto de pesquisas que envolve universidades, empresas, entidades setoriais e órgãos governamentais.

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