Embalagem: Transformação exige avanço constante em tecnologia

Plástico Moderno, Injetoras elétricas formam baldes com menor consumo de energia
Injetoras elétricas formam baldes com menor consumo de energia

Os menos avisados podem pensar que produzir os baldes para embalar tintas se trata de uma operação simples. Nada mais falso. Essas peças precisam atender a uma série de expectativas para poderem ser utilizadas. Não por acaso, poucos transformadores estão aptos a participar desse nicho de mercado. Os investimentos necessários para montar uma linha de produção são elevados. Em especial no caso dos baldes de 18 litros, que exigem injetoras de grande porte, com forças de fechamento acima de 500 toneladas, além de periféricos que garantam alto grau de automação.

Uma das características essenciais dessas embalagens é a resistência mecânica. Seria desastroso, por exemplo, se as embalagens carregadas estourassem facilmente após incidentes nos pontos de venda. Atingir tal desempenho se torna mais complicado se levarmos em consideração a tendência exigida pelos usuários de embalagens, a de se obter peças cada vez mais leves, dotadas de paredes com espessuras muito finas, próximas ao máximo do limite esperado para atender as exigências de resistência. Tudo em nome da economia de matéria-prima.

“Os baldes antigos eram superdimensionados, geravam desperdício”, informa Paulo Bernardes, gerente regional de vendas da transformadora Fibrasa, uma das transformadoras líderes desse segmento. Para dar uma ideia, ele comenta que os baldes de 18 litros feitos de polipropileno hoje pesam pouco mais de 700 gramas, contra cerca de um quilo há quatro anos. O executivo destaca que a indústria brasileira foi uma das pioneiras na pesquisa e desenvolvimento necessários para tal evolução. “A nossa indústria se esforçou bastante e hoje trabalhamos muito próximos do limite de peso ideal”.

As dificuldades não param por aí. O elevado número de peças necessárias para abastecer o mercado obriga os transformadores a trabalharem com ciclos de produção muito rápidos. Além do perfeito trabalho dos transformadores, os fornecedores de matérias-primas e de equipamentos têm colaborado muito para a eficiência necessária para a fabricação das peças.

Plástico Moderno, Caetano: Braskem desenvolve PP para tintas há quase dez anos
Caetano: Braskem desenvolve PP para tintas há quase dez anos

Pesquisa constante – No campo das matérias-primas, as empresas químicas investem de forma constante na busca de formulações de polipropileno adequadas para a operação. Para a brasileira Braskem, o setor de embalagens para tintas é considerado muito importante, visto que o Brasil é um dos maiores mercados mundiais desse segmento.

“O uso de resinas plásticas para esta aplicação é tendência mundial. Iniciamos há cerca de dez anos um trabalho específico para desenvolver soluções em polipropileno que atendessem a demandas dos produtores e já temos um portfólio consolidado para o segmento, fornecendo especialmente para as regiões Nordeste, Sul e Sudeste, além de outros países”, informa Mauro Catizani Caetano, líder do segmento de embalagens rígidas e baldes.

Um lançamento recente da Braskem para essa aplicação é o copolímero heterofásico CG 600N. “Ele apresenta elevada fluidez e excelente balanço entre rigidez e resistência ao impacto”. Outro produto voltado para esse nicho é o EP 440P, copolímero heterofásico de média fluidez. “O produto tem excelente balanço entre processabilidade, resistência a impacto e rigidez”. Em paralelo, a empresa desenvolve pesquisas para personalizar a resina e atender demandas específicas dos fabricantes. “Também consideramos outros pontos importantes para nossos desenvolvimentos, como transparência, design do produto e rótulos, peso, resistência, estocagem e manuseio”.

A possibilidade total de reciclagem é vista com atenção pela Braskem. Em abril, em parceria com a Condor, fabricante de materiais para pintura imobiliária e outros produtos, a empresa lançou o “kit sustentável especial” de pintura, primeiro produto proveniente do reaproveitamento de embalagens plásticas de tintas gráficas e demarcação viária. No anúncio do lançamento, a Braskem coletava cerca de cinco mil embalagens descartadas por mês por empresas do segmento de tintas. Ela tem a expectativa de duplicar essa quantidade até o final do ano.

Com o que é coletado, a companhia fornece mensalmente duas toneladas de resina de polipropileno pós-consumo à Condor, podendo aumentar este volume de acordo com a demanda da empresa. O projeto faz parte da plataforma Wecycle, criada pela Braskem com o objetivo de desenvolver negócios e iniciativas para a valorização de resíduos plásticos por meio de parcerias.

Plástico Moderno, Rieker: aplicação requer alta velocidade de injeção no molde
Rieker: aplicação requer alta velocidade de injeção no molde

Equipamentos – O sucesso da fabricação de baldes para tintas depende muito da eficiência dos equipamentos utilizados. Entre eles, as máquinas injetoras, coração das linhas de produção. “Para nós, esse é um mercado em ascensão. Está havendo uma transição do uso das latas para o plástico e nos últimos dois anos houve um aumento de procura por máquinas para essa finalidade”, explica Christoff Rieker, diretor geral do escritório brasileiro de vendas da fabricante de injetoras Sumitomo Demag, empresa surgida da compra da alemã Demag pela japonesa Sumitomo.

Rieker ressalta que esse mercado ainda é pequeno, no Brasil são poucos os transformadores de porte desse tipo de peças. “As principais devem ser umas cinco ou seis empresas”. O diretor, no entanto, avalia o potencial de crescimento para os próximos anos como muito bom.

Opinião bastante similar tem Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld, grupo surgido a partir da aquisição da alemã Battenfeld pela austríaca Wittmann. A empresa fornece máquinas injetoras e equipamentos para automação de linhas de produção. “É um mercado em ascensão”.

Rieker explica que as injetoras indicadas para a produção de baldes precisam ter velocidade de injeção muito grande. “O plástico precisa preencher a cavidade rapidamente. O percurso percorrido pela matéria-prima é longo e não pode haver plastificação antes da hora”. Essa condição se deve às características da peça, que tem grande profundidade e paredes finas.

A recomendação dos fabricantes recai sobre máquinas híbridas ou elétricas, que conseguem atender as expectativas. “Nesse mercado, os brasileiros estão migrando para as máquinas elétricas, que proporcionam maior economia de energia”, diz o gerente da Sumitomo Demag. Ele recomenda, para os baldes maiores, as injetoras da empresa modelos El-Exis SP (híbridas) e IntElect (elétricas).

Por se tratar de operação sofisticada, as linhas para produção de baldes precisam contar com periféricos de elevada tecnologia. Um exemplo ocorre com o equipamento necessário para a implantação do in mold label, que requer o uso de robôs e total sintonia de todos os movimentos da operação durante o ciclo de injeção.

Enquanto a injetora abre, as garras dos robôs pegam os rótulos com a ajuda de ventosas. Os rótulos são levados para as cavidades do molde e lá fixados por meio de descarga elétrica – em torno de 15 mil e 20 mil volts – ou de sistema de vácuo presente na ferramenta. O ciclo prossegue. A resina é injetada e incorpora o rótulo. A peça é retirada já decorada e pronta para ser usada. Tudo isso ocorre em segundos.

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