Embalagem – Setor precisa investir mais na inovação de produtos

A Braskem, produtora de resinas, afirma ter na preservação da natureza uma de suas grandes preocupações. A meta da empresa é colaborar para que 100% das embalagens plásticas sejam reutilizadas, recicladas ou recuperadas até o ano de 2040. Fabiana Quiroga, diretora de economia circular, fez um resumo das atividades da empresa nesse sentido. O programa conta com atividades as mais distintas.

Entre elas, se encontra o desenvolvimento comercial de sua linha verde de resinas. Ela oferece polietileno e EVA fabricados a partir do etanol. Também fornece formulações de polietileno e polipropileno que contam com a utilização de reciclados pós-consumo, além de soluções em carbono neutro, obtidas por meio da combinação de resinas renováveis e recicláveis.

A empresa investe para adequar suas linhas de produção às práticas mais corretas, dá apoio aos fabricantes de embalagens para o desenvolvimento de designs mais adequados e patrocina várias ações de cunho social. “Colaboramos com cooperativas de catadores, ao todo beneficiamos mais de 8,7 mil catadores em todo o país”. Também são desenvolvidos projetos educacionais. Um exemplo é o Edukatu, desenvolvido em parceria com o Instituto Akatu a partir de 2013. O projeto leva educação ambiental e conceitos de sustentabilidade e consumo consciente a escolas de todo o país.

Vivian Guerreiro, especialista em sustentabilidade da Tetra Pak, informou que em 2019 foram recicladas 81 mil toneladas de embalagens produzidas pela empresa – elas contêm em torno de 20% de plástico. Esse volume corresponde a quase 30% do total produzido pela empresa. Ao todo, no país, há 32 recicladoras capacitadas para realizar a operação. Existem no Brasil mais de 5 mil postos de coleta seletiva que separam esse tipo de cartonados. “Damos aos recicladores toda a assessoria técnica e de equipamentos necessária”.

De acordo com Vivian, a atual capacidade instalada permite dobrar o número atual de recuperados com facilidade. “Falta melhor estrutura de coleta seletiva”, lamenta. Outro aspecto que ajudaria o crescimento da recuperação seria a maior divulgação das boas oportunidades de negócios geradas a partir da produção dos reciclados. A especialista garante que trabalhar em defesa do meio ambiente é questão irreversível para as empresas conquistarem a simpatia dos consumidores. “Uma pesquisa realizada pela Tetra Pak em 2019 constatou que 86% dos entrevistados se preocupam com o tema”.

Flexíveis – As embalagens plásticas flexíveis são as mais usadas, responderam por 38,7% do total de unidades de embalagens fabricadas em 2018, de acordo com a Abre. Em segundo lugar vieram as embalagens feitas de plástico rígido, com 29,5% do total. “O desempenho da indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis foi positivo em 2019. Estudo feito para nós pela Maxiquim mostra que a produção cresceu 2,3% em comparação a 2018, atingindo quase 2 milhões de toneladas produzidas”, informa Rogério Mani, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief).

O consumo aparente do setor mostrou alta de 0,6% e a balança comercial do setor se mostrou bastante positiva, com alta de 27% no volume exportado (130 mil toneladas) e de 7% em faturamento, que chegou a US$ 237 milhões. As importações caíram 8% em volume no ano. A pesquisa aponta que o PELBD segue na liderança, com participação de 978 mil toneladas nas 1,980 milhões de t utilizadas pelo setor de flexíveis no ano passado. Na sequência vem PEBD (475 mil t), PP (318 mil t) e PEAD (209 mil t). O segmento de alimentos foi o que mais consumiu flexíveis, com 776 mil t, seguido pelo industrial (390 mil t), de produtos descartáveis (226 mil t), bebidas (202 mil t), produtos de higiene e limpeza (196 mil t) e outros.

Para Mani, as qualidades das embalagens flexíveis explicam sua larga utilização. “Ela é vista pelo consumidor como moderna, conveniente, funcional, segura e que protege o produto, especialmente os alimentos, por oferecer barreira a oxigênio, vapor, gorduras e outros elementos”. Ele destaca, de maneira particular, o aumento do uso das embalagens do tipo stand up pouch (SUP). “As SUP apresentam baixo peso, flexibilidade de formatos e volumes, reciclabilidade, produtividade no envase e conveniência garantida por sistemas de abertura e fechamento, entre outras vantagens”.

A Abief revela preocupação e se mobiliza para a adoção de soluções sustentáveis. “Não entendemos que os resíduos plásticos sejam lixo, mas sim matéria-prima de grande valor quando se promove verdadeiramente a economia circular”. Para ele, é muito importante pensar no projeto das embalagens com cuidados que facilitem essa operação, como o uso de peças mono materiais ou de resinas recicladas.

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