Plástico

Embalagem – Setor precisa investir mais na inovação de produtos

Jose Paulo Sant Anna
11 de abril de 2020
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    Plástico Moderno - Morangos embalados com poliéster Peelable, da Terphane

    Morangos embalados com poliéster Peelable, da Terphane

    Não está fácil fazer previsões econômicas, mas especialistas acreditam que até 2024 o segmento de embalagens no Brasil deve crescer em torno de 1,6% ao ano. A Associação Brasileira de Embalagens (Abre) não divulgou o resultado obtido pelo setor no ano passado, mas representantes do setor estimam ter havido crescimento em torno de 1%. Em 2018, de acordo com a associação, o setor movimentou R$ 78,5 bilhões. O plástico foi o material mais utilizado, respondeu por R$ 31,4 milhões do faturamento, em torno de 40% do total.

    Em encontro promovido em fevereiro pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) sobre as tendências e desafios da indústria de embalagens, Luís Madi, diretor do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, avaliou que esses números apresentam grande potencial de crescimento.

    Para ele, o Brasil, para muitos visto como o celeiro do mundo, poderia se transformar em supermercado do mundo, passando a oferecer um número bem mais significativo de produtos processados. Essa evolução significaria avanço importante para a indústria de embalagens de alimentos e bebidas – fora o potencial de outros ramos industriais, como os de higiene e limpeza, de cosméticos ou o farmacêutico. Para exemplificar, o diretor cita o mercado de água mineral. “Nos Estados Unidos são engarrafados 52 bilhões de litros, no Brasil engarrafamos 15 bilhões, menos de um terço”. Madi constata os baixos investimentos feitos pela indústria brasileira em inovação, barreira para que objetivos mais ambiciosos sejam alcançados.

    Esse obstáculo também foi comentado no evento por Renata do Nascimento, gerente de inovação da fábrica de alimentos Seara, empresa que nos últimos anos tem apostado em inovação para se sobressair no mercado. “Em uma lista de 129 países o Brasil ocupa a 66ª posição entre os países mais inovadores. Na América Latina estamos em apenas quinto lugar”, informou. Para amenizar o cenário, Renata lembrou que a indústria nacional demonstra grande agilidade na hora de absorver as novidades surgidas em outros países. “Nós conseguimos copiar as evoluções de maneira muito rápida”.

    “A política de investir em inovação adotada há alguns anos mudou a percepção e a imagem da marca Seara, que passou a ser mais valorizada entre os consumidores”, revelou Renata. A gerente apontou os principais passos para adotar a estratégia. Tudo começa com a identificação de tendências.

    “É preciso assimilar as mudanças de valores sociais, nos rumos adotados pela economia, no comportamento dos consumidores, estar atento às novas tecnologias”. Há algum tempo, por exemplo, a sustentabilidade tinha uma importância bem menor, hoje se tornou uma questão que pode influenciar uma compra. Também é preciso investir em pesquisa e desenvolvimento sem muita preocupação com os erros. “Nem sempre uma ideia chega ao resultado esperado, mas os erros devem ser considerados como oportunidade para gerar conhecimento”. Vale ressaltar que cada lançamento inovador requer tempo. “Os projetos precisam ser desenvolvidos, se possível, com dois anos de antecedência”.

    Um case de sucesso foi o lançamento da linha de pratos prontos Seara Rotisserie. Esses alimentos podem ser armazenados em ambientes refrigerados, um diferencial em relação aos produtos congelados oferecidos pelas concorrentes. “Esse diferencial dá aos consumidores a percepção de estar adquirindo alimentos mais frescos”. A grande novidade da linha Rotisserie se concentra na tecnologia de embalagem Power Vac, patenteada pela empresa. Os alimentos são preparados dentro da embalagem selada, sem contato humano, e são conservados em atmosfera de vácuo.

    Economia circular – Outro tema debatido durante o encontro promovido pela Abimaq foi a economia circular, nome dado ao conceito de esgotar as possibilidades de utilização dos produtos e de reaproveitamento ao máximo das matérias-primas. Ele está sendo difundido em todo o mundo e gera investimentos nos processos produtivos de inúmeros setores e no comportamento dos consumidores. O nicho de embalagens é um dos principais focos da estratégia. (Veja reportagem nesta edição)

    Antes de apresentar projetos de marcas importantes, os debatedores fizeram questão de defender o uso do plástico. Para eles, falta conscientização por parte das pessoas sobre os benefícios proporcionados pelas embalagens plásticas. Elas prolongam a vida dos alimentos e combatem o risco de contaminação, reduzem desperdícios e permitem economia de combustível no transporte de produtos por serem mais leves. A crise atual do abastecimento de água potável no estado do Rio de Janeiro foi citada como prova da utilidade das combatidas garrafas de PET. “Alguém tem coragem de beber água da torneira no Rio?”, perguntou Madi, do Ital/SAA.

    Para o especialista, os governos adoram proibir e não gostam de educar. “Seria muito mais útil esclarecer as pessoas sobre os benefícios de se fazer o resgate correto das embalagens usadas do que gerar clima negativo por meio da disseminação de notícias que nem sempre são verdadeiras”. Também não faltaram críticas ao pouco investimento feito pelos diferentes níveis de governo na hora de recolher o lixo. “Apenas 22% dos municípios brasileiros possuem sistemas de coleta seletiva”.



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