Embalagens

Embalagem: Plásticos sentem efeitos da crise, mas consolidam posição contra sucedâneos

Antonio Carlos Santomauro
22 de junho de 2016
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    Em contrapartida, diante da elevada ociosidade com a qual trabalham agora, muitas indústrias consumidoras de embalagens adiarão investimentos e, assim, oferecerão menos apoio a uma possível retomada dos negócios dos fabricantes de embalagens. Além disso, a economia mundial se mostra vulnerável a movimentos como a expansão menos acentuada da economia chinesa e a queda do preço do petróleo no mercado mundial. “Em tais circunstâncias, poderemos ver adiadas para 2017 as primeiras taxas positivas de crescimento da produção de embalagens, previstas por enquanto para ocorrer no quarto trimestre de 2016”, ressaltou Quadros.

    Plástico Moderno, Embalagem: Plásticos sentem efeitos da crise, mas consolidam posição contra sucedâneos

    Flexíveis e poliolefinas – No segmento das embalagens flexíveis, a queda registrada em 2015, contra o ano anterior, foi inferior à contabilizada no conjunto da indústria nacional de embalagens: na produção física desse segmento ela atingiu um índice de -1,6% na produção física, mostra pesquisa realizada pela consultoria Maxiquim para a Abief (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis). Houve nesse período variação negativa também no faturamento (queda de 2,1%) e no consumo aparente, que caiu 3,6% (ver na Tabela 5).

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    Solange Stumpf, diretora da Maxiquim, observou na apresentação desses dados, ter o segmento das embalagens flexíveis registrado no ano passado queda inferior à do conjunto da indústria de transformação do plástico: “Embora também tenha sido impactado, esse segmento foi menos afetado, pois está muito relacionado a produtos de consumo mais imediato, como alimentos”, ela justificou. “Com isso, a participação da produção de embalagens flexíveis no total de transformados plásticos aumentou 1,6% em 2015. comparativamente ao ano anterior”, acrescentou.

    Segundo ela, em 2015 a demanda nacional por poliolefinas (exatamente, PE e PP, bases de grande parte das embalagens plásticas flexíveis) registrou queda de 5% (contra 2014). No PE, especificamente, houve uma redução de 3,1%, que no PP chegou a – 8,3%. A principal resina utilizada pela indústria de embalagens flexíveis seguiu sendo o PELBD (polietileno linear de baixa densidade), com market share de 45%, seguida pelo PEBD (polietileno de baixa densidade – ver Tabela 6).

    Atualmente, 93% da utilização de PEBDL no Brasil decorre da produção de flexíveis, enquanto no PEBD esse índice chega a 81%. Em ambos esses casos, os alimentos constituem o principal mercado, absorvendo, respectivamente 36% e 29% da produção.

    Como resultado tanto de mudanças na conjuntura cambial quanto da redução no mercado interno, em 2015 caiu significativamente o déficit da balança nacional de poliolefinas, que passou de US$ 67 milhões, em 2014, para US$ 29 milhões, em 2015, ano em que o país importou 792 mil toneladas de PE e 258 mil toneladas de PP.

    A queda do preço do petróleo no mercado mundial, ressaltou Solange, aumentou a competitividade das empresas fornecedoras de poliolefinas, ampliando suas margens na medida em que foi acompanhada pela redução dos preços de uma matéria-prima fundamental no Brasil: a nafta, cujos preços foram reduzidos no ano passado em um índice próximo a 25%, chegando a patamares similares aos vigentes na crise econômica internacional de 2008.

    Plástico Moderno, Embalagem: Plásticos sentem efeitos da crise, mas consolidam posição contra sucedâneos

    Solange crê que o preço do petróleo no mercado mundial deve permanecer baixo no decorrer este ano, quando seu preço por barril chegará no máximo a US$ 40. Em 2016, esse preço pode atingir um máximo de US$ 50 por barril, e daí em diante pode começar a subir de maneira mais acentuada.

    Como consequência desse movimento internacional, no Brasil os preços das poliolefinas também caíram no ano passado: ao menos quando calculados em dólares, pois em reais houve um aumento médio de 7% (em PE esse aumento foi de 5,7%, e em PP de 11,1%). Segundo Solange, o preço das poliolefinas não caiu em reais por fatores como a inflação e pela existência de um gap temporal entre o que acontece em âmbito internacional e o que ocorre no mercado interno. Existe, porém, a possibilidade de alguma queda também nos preços em reais no decorrer deste ano, mas não em relação direta com aquela registrada nos preços em dólares.

    Plástico Moderno, Embalagem: Plásticos sentem efeitos da crise, mas consolidam posição contra sucedâneos

    Para 2016, Solange não espera grandes alterações nos números da indústria nacional de embalagens flexíveis, no qual pode ser registrada nova queda, mas que, assim como ocorreu em 2015, será menos afetada que a maioria dos setores da economia nacional. “Poderá ser beneficiado quem oferece produtos de maior valor agregado, como embalagens de barreira e de desempenho superior, pois esse mercado não para de crescer, e também quem exporta, inclusive na forma de produtos que seguem para o exterior já embalados, como carnes”, ponderou. “Deve-se ainda lembrar que a cesta básica sofre menos impactos em uma conjuntura recessiva, e embalagens flexíveis têm muito a ver com os produtos dessa cesta”, complementou Solange.



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