Embalagem para cosméticos – Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores

Em linhas gerais, esse consumidor deseja o que as classes A e B possuem. Há ainda uma questão adicional: também compra o status que a peça possa oferecer. “Pesquisas revelaram que esse público também adquire um perfume para utilizar a embalagem como um enfeite”, comenta Carini, da Aptar. Ou seja, em alguns casos, o conteúdo fica em segundo plano.

Plástico Moderno, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores
Carini: procura por produtos de luxo tende a avançar no Brasil

“A embalagem é uma das mais importantes referências das marcas de luxo e, além disso, a sofisticação de seus produtos é considerada estratégia para o negócio”, revela Mestriner, da ESPM. E é aí que o plástico entra. Em partes. O termoplástico é leve e o consumidor o relaciona a um produto sem valor. Mas, sabendo disso, os fabricantes buscam alternativas para lhe conferir quesitos de sofisticação. A unidade francesa da Aptar tem um exemplo em seu portfólio. A empresa fabricou uma peça toda customizada e com design moderno para uma linha de perfume masculino.

Feita de ABS, PBT, POM e PP com carga de carbonato de cálcio, a embalagem conta com um lastro de metal para torná-la mais pesada. “Vejo mais empresas fabricando coisas de luxo fora do Brasil. Aqui a demanda ainda não é grande, mas estamos no caminho”, aponta Carini.
Para o gerente comercial da HenryPack, Fabio Mendes, no entanto, se o transformador criar embalagens inovadoras e associá-las a marcas fortes, o consumidor não irá se importar se ela é feita de plástico ou não.

PET na berlinda – De qualquer forma, matérias-primas capazes de conferir propriedades ópticas de brilho e transparência saem na frente na preferência da indústria de luxo. Por isso, o polietileno tereftalato (PET) tem sido a aposta de muitos transformadores. Assim como o vidro, a resina garante a não oxidação da fragrância, favorecendo sua penetração no mercado de perfumaria. No entanto, a embalagem de PET convencional, produzida por injeção e sopro, segundo Léa, tende a ter paredes finas e massa reduzida, se distanciando assim da aparência do vidro, embalagem de referência em atributos de luxo. Por isso, alguns fabricantes optam por essa resina para uso em produtos “body splash”.

Plástico Moderno, Auri Marçon, Presidente da Abipet, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores
Marçon revela aumento do uso do PET na indústria de maquiagem

Um ponto positivo é a total reciclabilidade do PET, pois o consumidor tem valorizado as embalagens cuja destinação tem sido ambientalmente adequada. No Brasil, a taxa de reciclagem das embalagens feitas com a resina é de 55,6%, segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). “Somos o único país que coleta, recicla e destina esse percentual relativo às embalagens colocadas no mercado”, orgulha-se Auri Marçon, presidente da entidade.

Outro aspecto favorável à aceitação da resina diz respeito ao fato de ela ser facilmente moldada em diferentes formas. Segundo Marçon, novas tecnologias adotadas nas injetoras contribuíram para que o PET atendesse a requisitos da indústria de cosméticos, como a fabricação de pequenas quantidades. “Escalas menores e as frequentes mudanças de design são exigências ainda mais fortes no mercado de luxo, que é movido pela moda”, explica.

Com a isenção de quem só trabalha com o PET, na Bompack, Sandra chega a associar a resina à ideia de glamour. Para ela, uma embalagem PET reúne custo, qualidade, design e ainda agrega o fato de ela ser reciclável. “Isso não seria algo valioso como uma joia?”, argumenta.

De qualquer forma, a resina tem avançado muito dentro da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Algumas categorias de produtos se destacaram. Segundo a Abipet, entre 2009 e o ano passado, o consumo de embalagens PET cresceu quase 20% nos batons; e nos antissépticos bucais, mesmo em se tratando de um segmento já dominado pela resina, houve aumento de vendas da ordem de 10%.

Os números não param por aí. Para Marçon, desde 2007 os produtos para maquiagem para os olhos utilizam quase 70% a mais de PET, e as fragrâncias mais 35%. “O PET é muito utilizado no exterior pela indústria de cosméticos, e já começa a ter uma participação importante no Brasil”, comenta. As perspectivas são boas. A Abipet prevê para este ano que cerca de 20 mil toneladas da resina sejam direcionadas às embalagens para cosméticos.

De um modo geral, os plásticos predominam entre as embalagens para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, apesar de o vidro dominar nas categorias de esmalte de unhas e de perfumes. Em constante mutação, esse cenário, no entanto, revela a penetração cada vez mais intensa dos termoplásticos nesse promissor mercado da beleza.

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