Embalagem para cosméticos – Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores

Plástico Moderno, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores - Foto: Cuca Jorge

O mercado de cosméticos avança de forma vertiginosa. Em faturamento e diversidade de produtos, a curva é ascendente. Dinâmica, a indústria de embalagens plásticas tenta seguir a mesma toada e investe em aumento de portfólio e capacidade produtiva. Todas as tendências apontam para o crescimento do consumo, seja com o surgimento de categorias de produtos de beleza ou de novos públicos. Atentos a esse movimento, os transformadores nacionais buscam assegurar a preferência do consumidor com desenvolvimentos inovadores, mas sobretudo de qualidade.

Os dados do setor justificam esse interesse. Segundo o Euromonitor, o mercado brasileiro de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, no ano passado, era o terceiro maior do mundo, e se depender das estimativas de especialistas da área, não demorará muito para alcançar a vice-liderança. E não seria exagero. Em dez anos, seu faturamento cresceu de R$ 7,5 bilhões para R$ 27,5 bilhões (valor Ex-Factory, que representa o montante saído de fábrica, sem adição de impostos sobre vendas), como diagnostica a Associação Brasileira da Indústria da Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

A entidade projeta para este ano faturamento de R$ 31,12 bilhões, o equivalente a um crescimento de 13,2% comparado a 2010. O potencial do setor sustenta a previsão. De acordo com a consultoria Euromonitor, em 2013, o consumo per capita do brasileiro de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos deve ser de 178 dólares. No ano passado, a soma era de 146,6 dólares. Nessa onda de expansão, a indústria de embalagens não fica atrás. Levantamento da Associação Brasileira de Embalagem (Abre) mostra aumento da sua produção física de 10,13% em 2010, e estima que os fabricantes nacionais deverão obter receitas próximas a R$ 44 bilhões, superando os R$ 41,1 bilhões do ano passado, dos quais as embalagens plásticas (rígidas e flexíveis) corresponderam a pouco mais de R$ 12 bilhões.

Na rota dos investimentos – Mas juntos, os mercados da beleza e o de embalagens vão além desses números. “Temos nível internacional tanto na tecnologia quanto no design”, argumenta o coordenador acadêmico de pós-graduação do núcleo de estudos da embalagem da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Fábio Mestriner. Isso quer dizer que a indústria nacional de embalagens plásticas destinadas ao setor está em linha com outros países, em relação à qualidade e à diversidade de produtos? Ainda não. Pelo menos segundo alguns transformadores. “O país está completamente fora do mercado em se tratando de diversidade; em outros países é mais fácil encontrar uma embalagem standard para um projeto”, comenta Ricardo Dornelas, diretor da Vepakum, empresa fornecedora de embalagens para cosméticos. Para ele, o cliente brasileiro prioriza o custo, o que compromete os investimentos em inovação.

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Dispensador airless feito só com poliolefinas recebe prêmio

Essa não é uma opinião isolada; é partilhada com Maurício Carini, gerente da Aptar Beauty + Home, subdivisão do grupo multinacional Aptar, líder em design e na fabricação de sistemas dispensadores. “Às vezes, um projeto fica só na prancheta, por causa do custo. Tem cliente meu que quer economizar centavos”, critica.

Ultrapassada essa barreira financeira, produtos diferenciados não faltarão. A própria Aptar venceu a 23ª edição do DuPont Awards for Packaging Innovation, anunciada recentemente, com um dispensador airless voltado para o mercado de cosméticos. Trata-se do primeiro sistema a ser feito apenas de poliolefinas. Não há nenhum anel de vedação nem mola de metal, o que permite a reciclagem da embalagem por inteiro. Além disso, o redesenho da válvula garante que todo o conteúdo do frasco seja utilizado, eliminando o desperdício.

O principal benefício, no entanto, segundo Carini, fica por conta do próprio conceito airless. O seu conteúdo não precisa de conservantes, pois o produto não tem contato com o oxigênio. Ele também ressalta que a embalagem se constitui de duas peças apenas, a fim de reduzir os custos de montagem e transporte. Esse sistema foi desenvolvido na França e é produzido tanto lá quanto na China. Por aqui, o primeiro cliente a adotá-lo foi O Boticário, em sua linha de produtos para barbear.

Apesar de considerar as limitações da indústria brasileira, Carini também vê avanços. “Temos muitos clientes nacionais fazendo coisas interessantes. No Brasil há muito o que desenvolver, mas já melhoramos muito nos últimos dez anos”, argumenta. Esse tipo de abertura do mercado instiga os fabricantes a apostarem suas fichas no potencial do país. A 16ª edição da FCE Cosmetique – Exposição Internacional de Tecnologia para a Indústria de Cosméticos, que aconteceu de 24 a 26 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo, provou isso.

A feira reuniu muitos expositores do mercado do plástico que apontaram como tendência as embalagens funcionais; no caso, aquelas capazes de aliar uma aparência diferenciada à praticidade e ainda a conceitos de sustentabilidade. Trata-se de um desafio e tanto, e talvez ainda longe da realidade dos fabricantes, mas, sem dúvida nenhuma, como anuncia Mestriner: “Uma combinação poderosa.” E quem acertar essa fórmula tem muito a ganhar, sobretudo porque, em alguns casos, o custo da embalagem para um produto cosmético pode representar 70% do seu total.

Dinâmica, a indústria da beleza absorve novos produtos de tempos em tempos. Por isso, a maior parte das empresas busca sempre inovar, como a C-Pack. A fabricante lançou o tubo de PE antifalsificação, com a promessa de garantir a originalidade da embalagem usada para o envase. Esse controle se dá com aditivos cuja presença é indicada pelo comprimento de onda reconhecido por um detector específico.

Plástico Moderno, Fábio Mestriner, mbalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores
Mestriner elogia desempenho dos fabricantes locais

Outra novidade, o tubo termossensível, traz como principal benefício a capacidade de mudar de cor, de acordo com a temperatura. “Essa propriedade é fornecida por meio de um pigmento especial contido na formulação do masterbatch”, diz Thais Coan, engenheira química da C-Pack. O produto é fornecido em monocamada ou coextrudado com EVOH (etileno vinil álcool). Entre suas aplicações, a fabricante sugere seu emprego em protetores solares e fórmulas com alto teor de acidez – como os dermocosméticos –, que precisam ser mantidas refrigeradas.

Na tentativa de trazer os conceitos de sustentabilidade ao chão da fábrica, a empresa apresentou também as tampas feitas de WPC (wood plastic composite). Para tubos de diâmetros de 19 mm, 30 mm, 35 mm, 40 mm e 50 mm, o produto conta com a certificação do Forest Stewardship Council (FSC). O tubo PCR (post consumer recycled) embute o mesmo princípio de promover o menor impacto ambiental possível. O desenvolvimento se baseia na restrição do uso de matéria-prima virgem, pois é feito com até 30% de resina pós-consumo. “Trata-se de uma inovação no processo de extrusão, desenvolvido pelo núcleo da C-Pack”, afirma André Michel Kehrwald, engenheiro de materiais da empresa.

Plástico Moderno, Célia Boucalt, Assessora de embalagens, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores
Célia: mercado de embalagens estará cada vez mais segmentado

No entanto, apesar desse cenário, a corrida desenfreada pela inovação parece ter recuado um pouco. Segundo a assessora de embalagens Célia Boucalt, os expositores da Interpack, a feira internacional mais importante para o mercado de embalagens, em sua mais recente edição, realizada em Düsseldorf, Alemanha, em maio, investiram muito mais em melhorias dos seus processos do que na apresentação de produtos e conceitos diferenciados.

Por aqui, o Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) não destaca produtos como uma novidade do setor, mas sim o aumento da consulta por testes de qualidade. “A indústria está procurando meios de ofertar um produto de maior qualidade”, confirma Léa Mariza de Oliveira, pesquisadora científica do instituto. Segundo ela, a principal demanda é da indústria de embalagens rígidas, para ensaios de compatibilidade, funcionalidade, interação química e qualidade do fechamento. O Cetea nasceu para atender o mercado de embalagem. No início, as consultas eram prioritariamente dos segmentos de alimentos e bebidas; hoje abrangem outras áreas como a de cosméticos, aliás, essa última categoria é uma das que mais tem requisitado os serviços do instituto.

Praticamente não há normas específicas para avaliar a qualidade das embalagens para os cosméticos. Em geral, os métodos de ensaio são definidos com base em regras já utilizadas pelos setores de alimentos, bebidas e farmacêutico. A indústria também se apropria de especificações aplicadas às embalagens de forma geral, independentemente do uso final.

Expansão – Com aprimoramentos ou novos desenvolvimentos, o mercado tem se movimentado. Os negócios, não há dúvida, estão acontecendo. Se não fosse assim, o país não absorveria a avalanche de investimentos dos fabricantes de embalagens. A Aptar Beauty + Home apresenta lançamentos constantes e, não por acaso, prevê elevar sua capacidade produtiva. Aliás, essa é uma das áreas do grupo que mais receberá verba. A C-Pack, empresa de Santa Catarina, líder no mercado latino-americano de embalagens plásticas no formato de bisnaga (tubo), também respondeu ao aumento da demanda. A empresa projetou dobrar sua capacidade produtiva até dezembro, porém com o aquecimento das vendas precisou se antecipar e até agosto 50% do projeto já terá sido implantado. O investimento total ultrapassa 60 milhões de reais, segundo o diretor comercial da C-Pack, Fábio Yassuda. Esse aporte tem um porquê. “Atualmente, e já faz alguns anos, estamos operando com plena capacidade”, afirma Yassuda.

Plástico Moderno, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores - Foto: Divulgação

No ano passado, a Bompack, fabricante de embalagens PET de Diadema-SP, expandiu sua unidade para ter a possibilidade de triplicar a sua capacidade produtiva. E já para 2012 prevê duplicar sua linha de produção. A Vepakum, fornecedora de embalagens sopradas e injetadas para as indústrias de cosmético e farmacêutica, não por acaso, direcionou seus investimentos mais recentes para o aumento da linha de embalagens de luxo. Os projetos refletem a aposta no setor. No próximo ano, a Vepakum prevê aumentar a área construída de sua fábrica em quatro vezes.

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Tampas produzidas pela Incom para perfumaria imitam o vidro

Só neste primeiro semestre, a Incom Industrial lançou cinco novos produtos, divididos entre a perfumaria e o segmento de potes, e recentemente entrou no mercado de embalagens para cremes corporais. Antes era focada somente em produtos para o rosto (em geral, embalagens de acrílico, com alto valor agregado). Um ponto que favorece os lançamentos, segundo Andréia Johansen, gerente de vendas e marketing da Incom Industrial, é ter ferramentaria própria.

A empresa foi criada para atuar na injeção de peças técnicas há trinta anos. O cosmético veio depois de quinze anos, e hoje esse negócio já representa 60% do faturamento da empresa, e para este ano a ideia é elevar para 65%. Essa taxa não é à toa. Segundo Andréia, a fabricante cresce ao ano 30% no ramo de cosméticos. A linha é extensa: são potes, estojos de maquiagem e batons, frascos e tampas para perfumes (esse último, o carro-chefe da marca). “A perfumaria é o nosso maior mercado”, ratifica Andréia. A empresa conta com uma linha standard e outra para projetos especiais.

Especializada na produção de frascos de PET para o mercado de cosméticos, a HenryPack, de Jundiaí-SP, produz sete milhões de frascos/mês, e para este ano também projeta crescimento; no caso de 30% em relação a 2010. A empresa nasceu em 2003, com a proposta de fabricar garrafas e frascos para bebidas. Mas logo se direcionou para as áreas de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal.

Plástico Moderno, Andréia Johansen, Gerente de vendas e marketing da Incom Industrial, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores
Andréia: embalagem reforça valor percebido pelo perfume

Conceito – A expressão “o céu é o limite”, apesar de ser um clichê, é ideal para ilustrar o que acontece nos laboratórios de desenvolvimento de embalagens para cosméticos. Os projetistas pensam cada vez mais nas particularidades do público e da categoria de produto. “O mercado irá se abrir para o que for específico”, afirma a assessora de embalagens Célia Boucalt. Um exemplo fica por conta do consumidor masculino. Os produtos precisam se comunicar com esse gênero, pois a compra deixou de ser feita somente pelas mulheres, como no passado. “A embalagem para o homem aposta em formatos que imitam carros e em cores capazes de associá-la à tecnologia, como preta, azul-marinho, metalizado e afins”, comenta Célia.

Até mesmo no caso das crianças a indústria começa a fazer a distinção entre meninos e meninas, propondo peças direcionadas a cada um deles. Ainda em relação a novos públicos, a terceira idade também passará a ser vista sob a ótica de suas necessidades. Por conta disso, a assessora vislumbra o avanço do uso da injeção de múltiplos componentes nas embalagens para xampu, pois o emborrachado ajuda no manuseio.

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Peças precisam ter forte apelo visual e refletir um conceito

Com o objetivo de refletir um conceito, os industriais apostam na flexibilidade dos materiais. Na prática, um produto voltado para a maciez da pele opta por um frasco soft touch, por exemplo. Os caminhos são vários. Segundo Célia, o mercado está cada vez mais específico. Se um dia bastava oferecer um frasco colorido para o público infantil, hoje, não é o suficiente. Essa categoria necessita de um formato lúdico, design exclusivo, grafismo diferenciado e um forte apelo visual, que vai muito além da aplicação das cores. “Se você for usar uma embalagem standard você está morto”, brinca a consultora.

Os teóricos afirmam: a embalagem é vista como a extensão do produto e, muitas vezes, é a principal responsável pela compra. Num mercado como o brasileiro, em que 70% das vendas de cosméticos são feitas porta a porta, o apelo visual ganha ainda mais importância. “A consultora tem de fazer a venda por um livro, ou seja, a embalagem precisa mais do que nunca promover uma sensação”, comenta Andréia.

Mercado de luxo – É vasto o universo das embalagens plásticas, pois vão desde potes, frascos, bisnagas, estojos e tampas até rótulos e válvulas. Uma brecha que desponta para os fabricantes é na perfumaria. Para Léa, do Cetea, potencial para o transformador garantir fatias desse setor existe, sobretudo no segmento de água de colônia. “São produtos mais leves do que os perfumes e combinam com as características de um país tropical como o nosso”, observa a pesquisadora. Em tempo, o Brasil se tornou, de acordo com o Euromonitor, o maior consumidor de perfumes no mundo.
Caminhos para os transformadores se beneficiarem de mercados considerados de luxo não faltam. Segundo a pesquisadora do Cetea, apesar de não ser propriamente uma novidade, é cada vez maior o consumo de embalagens plásticas com aspecto similar ao do vidro. “O material é associado à nobreza e agrega valor ao produto”, comenta. Esse conceito posto à prática revela o aumento da demanda do copolímero de metil metacrilato (PMMA) e do copolímero de estireno e acrilonitrila (SAN) pelos fabricantes de embalagens.

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Bompack busca associar o frasco de plástico ao glamour da jóia

Ela também aponta a presença cada vez maior no setor do acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS) e do poliacetal (POM), por apresentarem elevada resistência mecânica e excelente aparência. “Estes materiais são utilizados em embalagens produzidas principalmente por injeção, a exemplo de estojos de maquiagem, potes e frascos para produtos de alto valor agregado”, afirma.

Para Andréia, da Incom, além de movimentar grandes volumes, o mercado nacional de perfumaria mudará o seu perfil. O Brasil é bastante diversificado e passará a ditar tendências, idealizadas com base nas necessidades da população local. “A indústria vai pensar em produtos para o consumidor brasileiro”, aponta a gerente. Só para citar um exemplo, o nordeste do país exige frascos de 100 ml, enquanto no sul e sudeste, de até 75 ml.

Com o foco na perfumaria, a Incom aposta suas fichas na resina já bastante conhecida no mercado, a Surlyn, da DuPont. “O produto é compatível com o álcool, não degrada a embalagem e alia glamour”, comenta Andréia. A aparência promovida pelo polímero Surlyn, da classe de ionômeros de moldagem e de extrusão, criados de copolímeros ácidos da própria DuPont, é a do vidro, com a vantagem de ser leve e resistente. Segundo ela, na perfumaria, o custo da embalagem não compromete sua aceitação, pois o produto por si só embute conceitos de luxo. “A embalagem precisa reforçar o valor percebido no perfume”, completa Andréia. Em tampas mais simples (para deocolônia, por exemplo), a fabricante utiliza o PP e o copoliéster PCTA.

As marcas de luxo têm ganho espaço cada vez maior no mercado brasileiro. Uma das explicações se refere ao aumento do poder aquisitivo da classe C. Esse público é o que mais cresce em consumo de produtos de beleza. “A classe C está aumentando e isso fará as embalagens nacionais ganharem mercado”, aponta Sandra Finotti, gerente de vendas da Bompack.

Em linhas gerais, esse consumidor deseja o que as classes A e B possuem. Há ainda uma questão adicional: também compra o status que a peça possa oferecer. “Pesquisas revelaram que esse público também adquire um perfume para utilizar a embalagem como um enfeite”, comenta Carini, da Aptar. Ou seja, em alguns casos, o conteúdo fica em segundo plano.

Plástico Moderno, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores
Carini: procura por produtos de luxo tende a avançar no Brasil

“A embalagem é uma das mais importantes referências das marcas de luxo e, além disso, a sofisticação de seus produtos é considerada estratégia para o negócio”, revela Mestriner, da ESPM. E é aí que o plástico entra. Em partes. O termoplástico é leve e o consumidor o relaciona a um produto sem valor. Mas, sabendo disso, os fabricantes buscam alternativas para lhe conferir quesitos de sofisticação. A unidade francesa da Aptar tem um exemplo em seu portfólio. A empresa fabricou uma peça toda customizada e com design moderno para uma linha de perfume masculino.

Feita de ABS, PBT, POM e PP com carga de carbonato de cálcio, a embalagem conta com um lastro de metal para torná-la mais pesada. “Vejo mais empresas fabricando coisas de luxo fora do Brasil. Aqui a demanda ainda não é grande, mas estamos no caminho”, aponta Carini.
Para o gerente comercial da HenryPack, Fabio Mendes, no entanto, se o transformador criar embalagens inovadoras e associá-las a marcas fortes, o consumidor não irá se importar se ela é feita de plástico ou não.

PET na berlinda – De qualquer forma, matérias-primas capazes de conferir propriedades ópticas de brilho e transparência saem na frente na preferência da indústria de luxo. Por isso, o polietileno tereftalato (PET) tem sido a aposta de muitos transformadores. Assim como o vidro, a resina garante a não oxidação da fragrância, favorecendo sua penetração no mercado de perfumaria. No entanto, a embalagem de PET convencional, produzida por injeção e sopro, segundo Léa, tende a ter paredes finas e massa reduzida, se distanciando assim da aparência do vidro, embalagem de referência em atributos de luxo. Por isso, alguns fabricantes optam por essa resina para uso em produtos “body splash”.

Plástico Moderno, Auri Marçon, Presidente da Abipet, Embalagem para cosméticos - Explosão do consumo impõe mais dinamismo aos transformadores
Marçon revela aumento do uso do PET na indústria de maquiagem

Um ponto positivo é a total reciclabilidade do PET, pois o consumidor tem valorizado as embalagens cuja destinação tem sido ambientalmente adequada. No Brasil, a taxa de reciclagem das embalagens feitas com a resina é de 55,6%, segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). “Somos o único país que coleta, recicla e destina esse percentual relativo às embalagens colocadas no mercado”, orgulha-se Auri Marçon, presidente da entidade.

Outro aspecto favorável à aceitação da resina diz respeito ao fato de ela ser facilmente moldada em diferentes formas. Segundo Marçon, novas tecnologias adotadas nas injetoras contribuíram para que o PET atendesse a requisitos da indústria de cosméticos, como a fabricação de pequenas quantidades. “Escalas menores e as frequentes mudanças de design são exigências ainda mais fortes no mercado de luxo, que é movido pela moda”, explica.

Com a isenção de quem só trabalha com o PET, na Bompack, Sandra chega a associar a resina à ideia de glamour. Para ela, uma embalagem PET reúne custo, qualidade, design e ainda agrega o fato de ela ser reciclável. “Isso não seria algo valioso como uma joia?”, argumenta.

De qualquer forma, a resina tem avançado muito dentro da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Algumas categorias de produtos se destacaram. Segundo a Abipet, entre 2009 e o ano passado, o consumo de embalagens PET cresceu quase 20% nos batons; e nos antissépticos bucais, mesmo em se tratando de um segmento já dominado pela resina, houve aumento de vendas da ordem de 10%.

Os números não param por aí. Para Marçon, desde 2007 os produtos para maquiagem para os olhos utilizam quase 70% a mais de PET, e as fragrâncias mais 35%. “O PET é muito utilizado no exterior pela indústria de cosméticos, e já começa a ter uma participação importante no Brasil”, comenta. As perspectivas são boas. A Abipet prevê para este ano que cerca de 20 mil toneladas da resina sejam direcionadas às embalagens para cosméticos.

De um modo geral, os plásticos predominam entre as embalagens para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, apesar de o vidro dominar nas categorias de esmalte de unhas e de perfumes. Em constante mutação, esse cenário, no entanto, revela a penetração cada vez mais intensa dos termoplásticos nesse promissor mercado da beleza.

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