Embalagens

Embalagem: Mais econômico, plástico ameaça liderança do vidro

Antonio Carlos Santomauro
28 de abril de 2018
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    Inovação e investimento – Geralmente composto por uma face de PVC e outra de alumínio, o blister também se torna crescentemente relevante no rol de embalagens às quais recorrem os laboratórios farmacêuticos. “Mesmo medicamentos que há algum tempo eram vendidos apenas em frascos – vitaminas, por exemplo –, hoje são oferecidos também em blisters, comuns em analgésicos, antigripais, e outros tipos de medicamentos”, observa Alexandre Belizario, diretor comercial da Klöckner Pentaplast (empresa de origem alemã fornecedora de filmes plásticos para esse gênero de embalagens).

    Três versões compõem o portfólio de filmes para blisters da Klöckner Pentaplast: PVC (simples), PVC com PVDC, e PVC com Aclar (um filme de PCTFE – poli-cloro-tri-fluoro-etileno). Em linhas gerais, essas versões podem ser qualificadas, respectivamente, como filmes de baixa, média e alta barreira a vapor d´agua e oxigênio.

    E há, afirma Belizario, tendência de aumento do interesse por aquelas com PVDC e Aclar, capazes de proteger melhor os produtos farmacêuticos. “As legislações relacionadas a medicamentos estão continuamente evoluindo, tornam-se mais rígidas, e o Brasil, como país tropical, tem clima com elevadas taxas de umidade”, justifica.

    Existem também, complementa Belizario, blisters com as duas faces feitas de alumínio; mas mesmo nesse caso geralmente há plásticos, em uma camada interna de PVC – para selagem – e outra de poliamida que auxilia na conformação das estruturas e evita fissuras no alumínio.

    “Conhecidas como Alu-Alu, essas embalagens são utilizadas para medicamentos extremamente higroscópicos e possuem custos diferenciados relativamente aos filmes plásticos, seja por utilizarem mais materiais, seja porque sua produção – feita mediante um processo de termoformagem a frio, com molde, contra-molde e pressão – é mais complexa”, justifica o profissional da Klöckner Pentaplast.

    Mas a Bemis, comenta Ponce, desenvolveu para o medicamento Doril Enxaqueca um tipo de blister que dispensa o uso de plásticos: batizada de Coldform, ela tem os dois lados feitos de alumínio e, em seu interior, um verniz responde pela termosselagem.

    “Essa embalagem foi desenvolvida para produtos que necessitam de maior shelf life, pois protege mais contra luz e trocas gasosas”, destaca o profissional da Bemis (empresa que para a indústria farmacêutica fornece filmes de alumínio para blisters, sachês, stand up pouches, tubos laminados, entre outros itens).

    Por sua vez, a Frascomar, cuja presença é mais intensa nos mercados de cosméticos, alimentos e químicos, estabeleceu no ano passado uma joint venture com a Farmaplast, fabricante de frascos e tampas em PE, PP e PET para a indústria farmacêutica.

    “Além haver complementaridade entre os mercados cosmético e farmacêutico, essa joint venture permite que tenhamos acesso a todos os processos produtivos para fabricação das embalagens, como sopro convencional, injeção, injection blow, injection stretch blow, fabricação de tampas por compressão, decoração – silk-screen, tampográfica – e ferramentaria”, detalha Bellucci.

    Segundo ele, até o meio deste ano, a Frascomar estará em nova sede, com área construída de 13 mil m², na cidade de Embu das Artes (suas atuais instalações, em Taboão da Serra, têm 6,5 mil m²).

    “Ali unificaremos nossas duas atuais plantas, uma de injeção e outra de sopro, com ganhos logísticos e operacionais”, adianta o profissional da empresa.

    A Gerresheimer ampliou sua plataforma de produção no Brasil com a inauguração, na cidade goiana de Anapólis, no final de 2017, de sua quarta fábrica brasileira.

    “Também adotamos tecnologias de injeção que permitem a fabricação de frascos com melhor performance, por exemplo, promovendo nos últimos anos um contínuo processo de substituição das maquinas de EBM (extrusoras), pelas do tipo IBM (injeção e sopro)”, relata Iatallese.

    O mercado farmacêutico, tanto por lidar com um valor básico das pessoas, a saúde, quanto pelas rígidas regulamentações que o regem, tem perfil mais conservador na seleção de embalagens. Mesmo assim, a Gerresheimer vem propondo a esse setor usar embalagens plástica inovadoras, como aquelas denominadas senior friendly – pensadas para a terceira idade –, com tampas mais facilmente manuseáveis por pessoas com limitações motoras.

    “Também lançamos frascos plásticos para sólidos que trazem um compartimento para a bula e área externa suficiente para decoração ou rotulagem, dispensando a necessidade da embalagem secundária, geralmente feita de papelão”, finaliza Iatallese.



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