Embalagem – Injeção desafia termoformagem nas linhas de produtos premium

Os fabricantes de injetoras enfrentam nos últimos anos um desafio instigante

Para atender a necessidade do nicho formado pelos fabricantes de embalagens para as indústrias alimentícia, farmacêutica e de cosméticos, além do mercado de descartáveis e utilidades domésticas, eles investem pesado no desenvolvimento de equipamentos capazes de produzir peças a cada dia mais leves. O esforço não é em vão. Trata-se de negócio para lá de atraente em todo o mundo.

O raciocínio vale para o mercado brasileiro, que tenta sair de forte crise econômica. Por aqui, o segmento de embalagens tem sofrido menos do que outros importantes clientes da indústria de base, como o automobilístico e a construção civil.

A redução de alguns gramas de peso significa muito para os transformadores ligados ao ramo de embalagens. Esses itens em geral são fabricados em quantidades enormes, que podem chegar a milhões de unidades por mês. E a matéria prima pode representar, conforme o caso, até 70% do custo total da peça.

Um efeito paralelo, o ganho em rentabilidade torna a injeção mais competitiva em relação a outros processos de transformação.

No caso de produtos populares, por exemplo, a termoformagem continua muito forte em determinadas categorias, como as margarinas. Quando se trata de itens de categoria premium, no entanto, a redução do preço das peças injetadas as torna viáveis. Isso ocorre, por exemplo, no caso de várias marcas de cream cheese, produto onde embalagens mais sofisticadas amplificam o poder de despertar o desejo dos consumidores.

Outra vantagem: a redução do custo torna o plástico mais atraente em relação a outros materiais, como vidro e metal. Não custa lembrar que vivemos um momento no qual muitos consumidores prestam atenção em questões ecológicas e esse é outro fator a ser levado em consideração na hora de produzir peças mais leves.

As injetoras projetadas para esse tipo de aplicação apresentam condições de trabalho diferenciadas. Elas precisam estar aptas a produzir peças em grande quantidade com paredes de espessuras muito reduzidas.

Essa característica exige ciclos curtos e elevada pressão de injeção, para que o preenchimento do molde ocorra sem os prejuízos resultantes do prematuro endurecimento da matéria prima dentro dele. Além de muito rápidos, os movimentos da máquina precisam ser para lá de precisos e sincronizados. As peças produzidas têm reduzido valor integrado e é imperativo que se alcance baixo custo de produção. Por isso, a busca pela economia de energia é imprescindível.

Para alcançar esses objetivos, as fabricantes nem sempre adotam as mesmas soluções. Os vários modelos disponíveis contam com características particulares desenvolvidas pelos departamentos de engenharia de cada empresa. E surgem novidades com frequência, como provam os lançamentos recentes ocorridos nas mais importantes feiras da indústria do plástico realizadas mundo afora. São modelos híbridos ou elétricos que levam a assinatura de marcas como Romi, Wittmann Battenfeld, Sumitomo Demag, Netstal e Toshiba.

Produto nacional – Injeção

Plástico Moderno, Reis: modelo híbrido conjuga precisão elevada e baixo custo
William dos Reis – Romi

“A procura por esse tipo de máquina tem sido maior devido ao aumento da demanda por embalagens plásticas injetadas em substituição de outros materiais, como metal e vidro, ou de outros processos de fabricação, como a termoformagem, além do contínuo aumento da competitividade nesses segmentos”,

confirma William dos Reis, diretor da unidade de máquinas para plásticos da Romi.

A empresa adotou a tecnologia híbrida ao idealizar sua nova linha de injetoras para esse tipo de aplicação, a série ES. Um modelo com 300 toneladas de força de fechamento foi apresentado ao público durante a Plástico Brasil, feira realizada em março em São Paulo. A máquina possui acionamento elétrico nos movimentos relativos às operações de fechamento, extração e plastificação.

O movimento de injeção é desenvolvido por acionamento hidráulico, a partir de um acumulador com controle efetuado por servoválvula.

“As injetoras híbridas trazem maior vantagem competitiva no consumo de energia e na produtividade, com os recursos de simultaneidade total e maior velocidade em todos os movimentos, além de atender aplicações mais extremas”, avaliou Reis.

Uma ideia do desempenho da máquina pode ser conferido no estande da empresa na feira. O modelo ES 300 tem razão máxima de injeção de 3.850 cm³/s e capacidade de plastificação de 110 g/s. Possui área de molde com 730 x 730 mm de distância entre colunas. Seu sistema de regeneração de energia Power Bank permite aproveitar a corrente elétrica gerada durante as frenagens dos movimentos. “Estas características proporcionam movimentos rápidos e simultâneos com alta eficiência energética e precisão”, destaca o diretor.

“Divisor de águas” – Injeção

A máquina EcoPower Xpress só chega ao mercado em 2017, mas a Wittman Battenfeld, empresa que a idealizou, mostrou aos clientes uma mostra de sua tecnologia na última edição da K’, feira realizada em outubro do ano passado em Dusseldorf, na Alemanha.

Plástico Moderno, Cardenal: produtividade cresce com os moldes multicavidades
Marcos Cardenal – Wittman Battenfeld

“Essa injetora será um divisor de águas nesse mercado”, garante Marcos Cardenal, engenheiro do departamento comercial da empresa no Brasil.

A série EcoPower Xpress é formada por modelos de 210 até 500 toneladas de força de fechamento.

Eles têm acionamento quase totalmente elétrico, com exceção de alguns componentes hidráulicos instalados para melhorar sua velocidade. “Pela legislação europeia, as injetoras com mais de 90% de acionamento elétrico são consideradas elétricas e a máquina se enquadra nessa categoria”, explica.

De acordo com a empresa, o funcionamento da máquina conta com um conceito totalmente inovador. Um dos diferenciais é a utilização de dois servomotores, o que garante elevada velocidade de injeção e economia de energia. “Ela chega a uma velocidade linear de 800 ml/s”. O segredo não está só na velocidade atingida, e sim no tempo reduzido com o qual ela é atingida. Propriedade similar à dos automóveis de elevado desempenho, que aceleram de 0 a 100 km/h em poucos segundos. “Seu servossistema permite que a alta velocidade seja atingida quase com o mesmo tempo obtido com o uso de acumuladores hidráulicos, isso com grande redução no gasto de energia elétrica”.

Na K’ foi demonstrado um modelo de 400 toneladas de força de fechamento que produziu tampas feitas de polipropileno no regime in mold label, em um molde convencional de oito cavidades em ciclos de 4,7 segundos. “A máquina trabalha de maneira tão ‘macia’ que nosso representante no estante colocava uma moeda de 1 euro em cima dela enquanto ela estava ligada e a moeda não caía. Estou na profissão há muitos anos e nunca vi nada parecido”, ressalta Cardenal.

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