Embalagem – Indústria vence resistência dos varejistas e das donas-de-casa e prevê crescimento do pouch

A quantidade de plástico exposto em gôndolas de supermercados é crescente. O consumidor brasileiro parece finalmente ceder ao apelo dos stand up pouches. Alimentos tradicionalmente comercializados em vidro ou lata, rígidos, estão aderindo às embalagens plásticas flexíveis auto-sustentáveis. O mercado parece se direcionar para uma configuração que privilegia embalagens primárias feitas com plásticos flexíveis, secundárias de papel-cartão, e terciárias de caixas corrugadas. Até a chegada a esse estágio de competição com os sucedâneos, muitos desenvolvimentos em resinas, máquinas e estruturas de filmes foram necessários para diminuir custos e conferir às concorrentes plásticas propriedades que permitissem a substituição.

Uma das características mais relevantes para o mercado de alimentos é a capacidade de barreira, como é chamado o poder da embalagem de reduzir a entrada ou a fuga de substâncias que alterem o produto embalado. Agentes ambientais, como a umidade e o oxigênio, afetam severamente a qualidade e a estabilidade dos alimentos.

Desejado versus non grata – Para a indústria alimentícia, então, é essencial que as embalagens possuam a capacidade de evitar o contato de seus conteúdos com umidade, alguns gases, e luz, ou de impedir que percam aromas e substâncias, como gorduras.

Alimentos secos, com baixo teor natural de umidade, ou desidratados, com baixo teor induzido, demandam embalagem com barreira ao vapor d’água, caso das bolachas, do café solúvel, do leite em pó, do amendoim, das nozes e da castanha. A permeação da umidade provoca a perda da crocância. Em outros produtos, como nas carnes frescas e industrializadas, nos derivados de tomate e nos produtos gordurosos, como a maionese, o grande vilão é o oxigênio, cuja ação faz surgir o ranço. Muitos alimentos, como a castanha-do-pará, são sensíveis a ambos os agentes, e necessitam de embalagens que confiram os dois tipos de barreira.

A luz também pode ser um problema. Sendo uma energia radiante, ela acelera reações, principalmente as de oxidação. Pior: ela não só acelera um processo que já é prejudicial ao alimento, como, muitas vezes, induz, adicionalmente, processos de fotodegradação. O pigmento do presunto responsável pela sua cor rósea se torna facilmente acinzentado pela ação da luz. Outro agravante: em muitos casos, a transparência da embalagem é uma característica desejada, porque o consumidor, o brasileiro em particular, gosta de ver o produto embalado. O pior comprimento de onda para os alimentos, no entanto, é o da luz ultravioleta, graças à energia elevada, que degrada certas vitaminas e pigmentos e catalisa as reações de oxidação e formação de ranço.

Outro efeito que pode ser necessário é a barreira ao aroma. Essa propriedade se diferencia do que a indústria chama de barreira a gases; pois, nesse caso, em geral, está se referindo ao impedimento da permeação do oxigênio. Na perda de aroma, a preocupação é com o escape de substâncias como o delimoneno, responsável pelo odor dos sucos de laranja. Além disso, parte dos aromas sofre oxidação e também se perde, tornando comum a combinação com barreira ao oxigênio. Um bom exemplo é o café, cuja exposição ao gás degrada o aroma característico, com perda de sua intensidade e o desenvolvimento do sabor de ranço. Centenas de compostos químicos contribuem para a formação do odor característico, e a perda de parte deles já desequilibra o aroma do produto. O cuidado também é justificado porque o olfato está muito ligado ao paladar, de modo que a perda de aroma é quase sinônimo da perda de sabor.

No segmento de ração animal, é comum a barreira à gordura proveniente do alimento. Caso ocorra a permeação, a embalagem se torna pegajosa. Em muitas delas, a gordura age como solvente sobre as tintas de impressão e também pode causar a delaminação dos filmes plásticos.

Co-extrusão, metalização e laminação – Para atender a essas necessidades por barreira, manter a qualidade e estender a vida útil dos alimentos, a indústria de plásticos fornece diversos filmes co-extrudados, combinando diferentes tipos de resinas, bem como filmes laminados com folhas de alumínio ou revestidos a vácuo com o metal (filmes metalizados), e combinações dessas possibilidades. Segundo a engenheira e pesquisadora científica do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Claire Sarantópoulos, na manufatura de embalagens com barreira ao oxigênio, são muito utilizados os filmes metalizados de polipropileno biorientado (BOPP), de poliéster orientado e de poliamida orientada (PA, ainda pouco utilizada no Brasil) e as resinas EVOH e PVDC. As poliolefinas, em geral, só conferem a barreira a gases quando metalizadas. Além da tecnologia convencional de barreira ao oxigênio proporcionada por resinas com essa característica, é possível combiná-la a uma modalidade de barreira denominada ativa, inserindo-se um absorvedor de oxigênio na estrutura do filme. Essa tentativa de melhorar o desempenho se iniciou com a adição de sachês contendo o absorvedor no interior da embalagem. Mas como esse item nem sempre é comercializado pelo fornecedor da embalagem, os produtores perceberam a oportunidade para agregar essa característica – bem como as margens dos produtores dos sachês. Com isso, foram desenvolvidas estruturas multicamadas contendo náilon e poliésteres oxidáveis, que aprisionam o oxigênio durante sua oxidação. A resina absorvedora, dependendo da concepção da embalagem, ajuda a suprimir o gás que já está presente no interior do invólucro, conferindo um desempenho que vai além da simples melhoria da barreira passiva.

O avanço da umidade pode ser impedido com filmes de BOPP, e até PP, polietileno de alta densidade (PEAD) ou de baixa (PEBD), bem como com todos os filmes metalizados e com o PVDC. Os dois últimos, aliás, fazem campo duplo, impedindo a permeação de gases e da água. Mas, como a transparência está muito relacionada ao marketing, dados os costumes dos consumidores, e nos filmes metalizados não é possível ver o produto, já existem filmes de poliéster orientado, BOPP, ou PA orientada, revestidos com óxidos de alumínio e silício, que possibilitam a passagem da luz visível e resultam em metalizações transparentes.

Poliéster, PA, PVDC e EVOH, além de algumas resinas acrílicas, também são empregados em filmes com propriedade de barreira a aromas. A capacidade de reter o odor depende muito do tipo do aroma, de modo que determinadas resinas se comportam melhor com alguns produtos: o poliéster tem bom desempenho em combinação com menta, enquanto a PA se adapta melhor à baunilha. Para barrar a luz, a pigmentação do filme é uma das alternativas. No caso de embalagens transparentes, pode-se utilizar os aditivos anti-UV, que restringem, ao menos, os efeitos do comprimento de onda mais danoso. Poliolefinas especiais e filmes de alumínio dão conta do problema com as gorduras.

Plástico Moderno, Claire Sarantópoulos, engenheira e pesquisadora científica do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Embalagem - Indústria vence resistência dos varejistas e das donas-de-casa e prevê crescimento do pouch
Claire: folha de alumínio tem baixa resistência à flexão

Menos alumínio – Esse metal, em estruturas laminadas, confere todos os tipos de barreira. “Em teoria, o alumínio fornece uma barreira total”, afirma Claire. No entanto, essa construção é muito sensível à flexão e quando ela é amassada causa a fratura do alumínio, aumentando muito a permeação. Bastante utilizado em embalagens flexíveis, o laminado com alumínio acabou perdendo espaço para o filme metalizado, cujo preço é mais vantajoso. No processo de metalização, um fio de alumínio no estado sólido é fundido em câmaras a vácuo, evaporado e depositado no substrato polimérico. Em vez de utilizar camadas do caro metal com espessuras de 10 mícrons, o processo resulta em uma cobertura muito mais fina, da ordem de ângstrons, permitindo grande economia.

A Polo Films, empresa do grupo Unigel com unidades de produção em Varginha-MG e Montenegro-RS, é uma das produtoras locais de filmes de BOPP, dominando as tecnologias de produção tubular e plana e totalizando cerca de 100 mil toneladas anuais. A empresa oferece filmes co-extrudados tradicionais, filmes planos, filmes opacos e filmes mate, além de três diferentes grades metalizados com alumínio, com espessuras entre 15 e 50 mícrons. Durante sua fabricação, os filmes de PP sofrem um processo de estiramento nos sentidos longitudinal e transversal à produção. Essa operação confere uma orientação às macromoléculas poliméricas, criando um arranjo estrutural que modifica propriedades mecânicas e ópticas e aumenta as propriedades de barreira. A orientação, de certo modo, alinha as cadeias e reduz espaços vazios entre elas, tornando mais lenta a permeação, dada a existência de menos caminhos preferenciais. A orientação também altera a cristalinidade da resina, em geral aumentando-a.

Por opção, a produtora não fabrica filmes de baixa barreira, mas dois tipos de média barreira (um que necessita de um primer antes da impressão, e outro passível de impressão diretamente sobre o metal) e um de alta. Nesse caso, contribuem para a propriedade elevada, entre outros fatores, tratamentos superficiais integrantes do segredo industrial da Polo Films. De acordo com Sérgio Bianchini, gerente de desenvolvimento de mercado da empresa, além dos conhecidos tratamentos por chama e por descarga corona, aplicados durante a produção do filme plástico base, é possível realizar outras modificações na etapa de metalização, que incrementam a tensão superficial e afetam certas porções do polímero. Essas partes modificadas ativam aditivos durante o processo de co-extrusão, fechando adicionalmente a malha de metalização e contribuindo para a obtenção de uma estrutura de alta barreira. “Esse filme tem uma consistência muito boa. Temos conseguido substituir o laminado com folha de alumínio em várias estruturas, sem perda significativa da vida de prateleira e com bons resultados”, diz Bianchini.

Os três grades produzidos pela empresa, na visão de Bianchini, atendem e até superam os requisitos do mercado nacional. Mesmo assim, a busca por melhorias é constante. Há muito trabalho feito na resina base em termos de melhoria da cristalinidade, da janela de processo, das propriedades ópticas e da resistência à punção, entre outros atributos, embora a velocidade dos avanços tecnológicos seja menor que a experimentada por resinas de injeção, e os tipos de BOPP no mercado nacional ainda sejam baseados em versões bastante padronizadas do polímero.

Os filmes metalizados de BOPP entraram inicialmente no mercado com um apelo decorativo, principalmente por causa do seu brilho e da boa capacidade de impressão. Ao longo do tempo, o desenvolvimento combinado de tratamentos de superfície, formulações e técnicas de metalização proporcionaram características de barreira superiores e, atualmente, as estruturas de filmes co-extrudados laminados com filmes de alumínio ou filmes metalizados predominam em categorias de alimentos com grandes volumes de produção, como os biscoitos e os snacks (salgadinhos). A demanda dos dois principais consumidores tem crescido, alavancando a venda dos filmes metalizados. Porém, além do crescimento orgânico do mercado, a versatilidade do BOPP, com amplas possibilidades de combinação com outros materiais, a boa processabilidade e estabilidade do filme e a inércia a ataques de solventes, tintas e outros químicos durante a fase de conversão também contribuem para a expansão do mercado.

Como introdutora dos filmes de BOPP no Brasil e na América Latina, a Polo Films permanece focada na produção de filmes baseados nessa resina. Uma possibilidade diferente de substrato seria a PA orientada, mas esse plástico não é fabricado no Brasil, e tem aplicação muito específica em filmes para o segmento de carnes. O preço alto, as dificuldades de processamento e armazenagem e a baixa versatilidade também contribuem para a pouca demanda no mercado nacional, além do baixo interesse por parte dos produtores de filmes em oferecer o produto. Mas a Polo Films pode vir a diversificar sua produção, pois possui um projeto, ainda engavetado e sem data para início, voltado à produção de filmes de poliéster orientado.

Plástico Moderno, Ronaldo Mello, diretor da Itap Bemis, divisão de embalagens flexíveis da Dixie Toga, Embalagem - Indústria vence resistência dos varejistas e das donas-de-casa e prevê crescimento do pouch
Mello crê em forte demanda por embalagens esterilizáveis

Esterilização – O PET orientado tem grande aplicação nas embalagens conhecidas como retortable pouch (embalagens esterilizáveis), um tipo direcionado a processos de esterilização em autoclave, sob temperaturas ao redor de 121ºC, e que, por isso, demanda insumos especiais. As embalagens confeccionadas com BOPP convencional costumam se delaminar em condições tão severas.

Inicialmente utilizados pelas forças armadas norte-americanas, o retortable pouch tem décadas de emprego em mercados como o japonês, mas foi “relançado” mundialmente nos últimos anos com aplicação em atum e muitos produtos de ração animal, em particular nas embalagens de ração para gatos. No Brasil, as embalagens esterilizáveis, introduzidas pelos produtores de atum, começam a experimentar uma fase de maior crescimento, embora sua penetração ainda seja tímida. Como a esterilização acontece com o alimento já dentro da embalagem, o shelf life (vida de prateleira, ou o tempo em que o alimento é válido para consumo) é amplamente estendido, permitindo que o produto seja oferecido, nos supermercados, em gôndolas sem refrigeração. A vida útil maior também evita a necessidade por uma cadeia de distribuição “fria”, gerando menores custos de logística. “Apostamos que esse mercado crescerá fortemente nos próximos meses”, afirma Ronaldo Mello, diretor da Itap Bemis, divisão de embalagens flexíveis da Dixie Toga.

Sócia minoritária na operação de flexíveis da Dixie Toga até 2004, a norte-americana Bemis, líder mundial em embalagens flexíveis, adquiriu em 2005 a empresa brasileira sediada em São Paulo, trazendo para o mercado nacional o que Mello reputa como uma tremenda força em inovação, além das mesmas capacitações da controladora norte-americana. Embora o mercado brasileiro tenha volumes expressivamente menores que o norte-americano, e também menor poder aquisitivo, na maior parte das situações as inovações oferecidas pela controladora norte-americana encontram aplicação no Brasil. “Uma solução para o mercado de baixa renda não é necessariamente uma embalagem mais barata. Sempre salientamos isso com os clientes”, ressalta Mello.

A solução para esse tipo de cliente, ao contrário do que pode-se supor, muitas vezes se consegue com materiais flexíveis com determinadas características de barreira, capazes de substituir lata ou vidro, gerando maior shelf life e possibilitando que a cadeia de distribuição seja mais longa, o que barateia o custo de logística. Os stand up pouches, se comparados às latas, freqüentemente desbancadas em aplicações de alimentos, são muito mais baratos (embora deva-se ressaltar que as latas possuem vantagens, como a resistência mecânica) e permitem que os produtores reduzam enormes estoques de latas vazias à espera do processo de embalagem por estoques de filmes flexíveis muito menores – um dia inteiro de produção pode caber em um único pallet contendo diversas bobinas. O espaço de produção é largamente reduzido.

Redução de espessuras – A Itap Bemis atua tanto na conversão de filmes, comprando substratos de outros fornecedores para posterior impressão e laminação (caso de filmes de BOPP e poliéster laminados com alumínio, polietileno e papel), como também produz alguns filmes próprios de três, cinco ou sete camadas, que também podem ser impressos ou laminados.

Com uma diversidade de aplicações, a atuação da empresa vai desde segmentos mais comuns, com clientes importantes de filmes metalizados com alumínio em biscoitos, snacks e sucos em pó, até segmentos que necessitam de barreiras mais efetivas, como as carnes processadas e frescas. Nesse último caso, como são embalados produtos ainda contendo sangue, é empregado um método de encolhimento de filmes a vácuo, dotado de barreira que permite vida de prateleira de até 90 dias. Esses filmes co-extrudados encolhíveis acabam sendo exportados por conta das vendas brasileiras de carne ao exterior.

Além das vantagens intrínsecas conferidas pela substituição de outros materiais por plásticos, a redução de custos nas embalagens sempre esteve muito ligada ao desenvolvimento dos substratos e das máquinas de co-extrusão, resultando em espessuras de filme decrescentes. O BOPP metalizado para biscoito surgiu no mercado com cerca de 30 mícrons. Passou para 20 mícrons, hoje é comercializado com 17 e o mercado já fala em 15. Grosso modo, é um patamar de espessuras semelhante ao praticado na Europa e nos Estados Unidos, embora aqui isso se manifeste de maneira mais agressiva, pela forte pressão para reduzir custos.

Apesar da perda de competitividade dos exportadores brasileiros de alimentos, decorrente da enorme valorização do real perante o dólar, o diretor da Itap Bemis revela um grande crescimento nas vendas de embalagens flexíveis para o segmento de carne, puxados pelas exportações, porém com algum declínio nos últimos dois anos. Outro segmento em que se nota um crescimento importante é no de pouches, uma linha importante para a empresa e que tem apresentado crescimento consistente, com a substituição de latas e vidro em alimentos como os atomatados, a maionese e molhos de uma forma geral.

Os derivados de tomate (molhos, concentrados e ketchup) constituem um caso interessante, por representar uma situação que tem se repetido nos processos de substituição de materiais de embalagem. Como os grandes produtores de alimentos são mais lentos na tomada de decisões, e o custo da mudança de uma grande linha de embalagem é alto, quem acabou se arriscando na introdução das embalagens flexíveis auto-sustentáveis foram os produtores menores. O acesso a máquinas de boa qualidade, combinado com bons produtos e um trabalho inteligente nas marcas resultou em casos de sucesso, com a quebra da resistência de supermercados e donas-de-casa. Com a aceitação do mercado, só restava aos líderes seguir os pequenos, um movimento parecido com o que já havia ocorrido com as tubaínas.

[toggle_simple title=”Filme de PA com PE já é commodity” width=”Width of toggle box”]
Plástico Moderno, Cláudia Barreto Pereira, especialista em vendas, Embalagem - Indústria vence resistência dos varejistas e das donas-de-casa e prevê crescimento do pouch
Cláudia atesta crescimento de dois dígitos ao ano

A DuPont oferece uma ampla linha de resinas para emprego na indústria alimentícia, incluindo tipos que promovem a combinação de propriedades como permeabilidade a gases e barreira a gases e vapores (O2, N2 e CO2) com resistência física e química, com o objetivo de garantir a qualidade dos alimentos, desde a fabricação até o fim do prazo de validade. Especificamente para melhorar as características de barreira, a inventora do náilon comercializa PAs 6 homopolímero, que conferem média barreira ao oxigênio, baixa barreira à umidade e boa barreira a gorduras, óleos, sabores e odores. O material é utilizado em estruturas mono ou multicamadas, produzidos por processos de extrusão e co-extrusão tubulares ou planas e moldagem por extrusão a sopro, sendo empregado em embalagens de carnes processadas em geral, alimentos secos e café. A empresa também oferece PAs amorfas com brilho, transparência e excelente resistência ao impacto (e, conseqüentemente, proteção ao produto embalado). A resina é facilmente processada por extrusão e sopro e proporciona melhor controle de espessura e ótima barreira ao oxigênio. Ela pode ser empregada como um modificador de PA em embalagens flexíveis e costuma ser utilizada em filmes multicamadas obtidos por extrusão e co-extrusão tubulares e planas, além de moldagem por extrusão a sopro, em mercados semelhantes aos que empregam a PA 6. Outro produto com propriedades de barreira vem da família de resinas ionoméricas, que além de excelente poder de selagem a quente, maior velocidade de processamento e selagem hermética, oferecem ótima barreira a produtos oleosos e graxos. Essas resinas podem ser moldadas por co-extrusão tubular, injeção e injeção-estiramento-sopro e servem à embalagem de carnes processadas, alimentos secos, queijos, balas e doces, entre outros.

De acordo com as informações da especialista em vendas Cláudia Barreto Pereira e do representante técnico para a América Latina Kleber Brunelli, as poliamidas 6 e 66 já se encontram bem difundidas no mercado brasileiro de embalagem, de modo que filmes de PA e polietileno com três ou cinco camadas já são considerados commodities no país.

A especialista e o representante técnico atestam um crescimento no mercado de embalagens com barreira de pelo menos dois dígitos ano a ano, com boas possibilidades de ampliação da demanda nos próximos anos nos setores ligados ao agronegócio, em particular carnes processadas e frutas. Além disso, o consumidor brasileiro está se tornando mais exigente e, na visão dos colaboradores da DuPont, disposto a pagar por embalagens melhores. Outro fato que contribui para as previsões otimistas é a constatação de que, nos grandes centros urbanos, a mulher brasileira também trabalha fora de casa, o que reduz o tempo para o preparo de refeições e estimula a comercialização de pratos prontos.

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Essa quebra de paradigmas é recente. Até há cerca de três anos, Mello conta que era frustrante fazer compras em mercados da Argentina e do Chile e perceber as gôndolas recheadas de embalagens plásticas flexíveis, enquanto a demanda por esse produto simplesmente não existia no Brasil. Hoje, a disposição do consumidor brasileiro gera otimismo: o diretor da Itap Bemis crê que todas as embalagens de lata e vidro têm um potencial importante para serem substituídas por filmes plásticos, bem como as embalagens cartonadas para leite.

O que destoa um pouco nesse cenário de ampliação do uso de plásticos é a situação de margens comprometidas pela constante pressão sobre custos, mas principalmente pelos preços do barril do petróleo, já na casa dos US$ 140. Todo o segmento petroquímico vive a situação de custos represados e os repasses já são possibilidades consideradas mais do que certas por Mello, da Itap Bemis, e Bianchini, da Polo Films.

O dólar desvalorizado, além de prejudicar as exportações nacionais (entre elas, as de alguns alimentos embalados), também tem influência sobre essa situação de margens sacrificadas. Para um produtor exclusivo de filmes, como a Polo Films, resulta na competição com produtos importados principalmente da América Latina, onde há grandes investimentos em BOPP e sobreoferta do material, além de acordos que permitem a entrada no país de filmes da região sem alíquotas de importação. Para a Itap Bemis, entretanto, a importação de filmes surge como uma das poucas maneiras de combate às margens depreciadas, pela possibilidade de fornecimento mais barato, principalmente nos casos de filmes de BOPP e poliéster fabricados na Índia, China, Tailândia e Turquia.

Plástico Moderno, Verônica Perez, gerente de marketing para embalagens flexíveis para alimentos na América Latina, Embalagem - Indústria vence resistência dos varejistas e das donas-de-casa e prevê crescimento do pouch
PVDC é a melhor solução para a barreira dupla, diz Verônica

Carne favorece PVDC – Embora a situação cambial prejudique as exportações nacionais de carne, o Brasil ainda mantém boa competitividade no segmento, o que acaba beneficiando os produtores de filmes com melhores propriedades de barreira, muito estimada nesse tipo de produto. A Dow, além de polietilenos lineares de mediana densidade (e mediana barreira), muito utilizados em embalagens de cereais e bolachas, produz filmes com base em PVDC, com alta barreira e ampla aplicação em embalagens de carne e queijo. “É o melhor produto para conferir ao mesmo tempo barreira à umidade e ao oxigênio”, afirma a gerente de marketing para embalagens flexíveis para alimentos na América Latina, Verônica Perez.

Em um filme multicamadas com barreira, a camada dotada da propriedade é, em geral, a que mais contribui para a elevação de custo. Esse fato gerou na indústria de co-extrusoras desenvolvimentos visando a capacidade para processar filmes com maior número de camadas, com o objetivo de reduzir a espessura da camada barreira e aumentar a quantidade de materiais mais baratos. Essas inovações favoreceram materiais como o PVDC, que pode oferecer ótima relação de custo/benefício em estruturas com cinco a sete camadas. A demanda por esse tipo de filme cresceu muito no mercado de carne embalada a vácuo, e seu uso é favorecido no Brasil pelas peculiares condições de umidade e temperatura locais. Segundo Verônica, essas condições ambientais requerem muito cuidado no manejo do alimento, o que fomenta o uso de embalagens com barreira ou melhores cadeias de distribuição.

O grande desperdício nessas mesmas cadeias é outro fator que induz estimativas positivas para o potencial de crescimento do consumo de embalagens com barreira por aqui, pois elas trariam maior sustentabilidade às cadeias locais de distribuição.

As vendas da Dow no segmento de alimento têm crescido, em parte pela criação, há cerca de dois anos, de um grupo focado nesse segmento de mercado. A empresa tem dado grande atenção também ao molho de tomate e ao óleo de oliva, produtos cujas embalagens rígidas têm sido substituídas por materiais flexíveis e que demandam alta barreira.

[toggle_simple title=”Exportação a granel domina vendas” width=”Width of toggle box”]
Plástico Moderno, Rogério Mani, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis, Embalagem - Indústria vence resistência dos varejistas e das donas-de-casa e prevê crescimento do pouch
Mani: indústria quer mais produtos com embalagem

Como um grande exportador de alimentos, o Brasil possui um ótimo potencial para o consumo de embalagens flexíveis com barreira. Na prática, porém, a demanda local ainda é baixa, por tratar-se o país de um grande celeiro de produtos in natura, ou matérias-primas para alimentos industrializados. O café ainda é vendido principalmente a granel, assim como a soja; a maior parte da carne vendida não é processada aqui; e o suco de laranja chega a ser exportado em navios-tanque, sem nenhuma embalagem primária. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis, Rogério Mani, apesar dos produtores locais ainda estarem voltados quase que exclusivamente à exportação de commodities, a indústria de embalagens plásticas flexíveis trabalha fortemente para o aumento das vendas externas de produtos industrializados, embalados e, portanto, com maior valor agregado.

Ele cita como bons exemplos os alimentos frigorificados (cortes de aves, carnes e peixes), que, em sua maioria, empregam embalagens com barreira. “Felizmente, há uma forte tendência de crescimento nessa área”, informa.

Por isso, ele aposta nas embalagens laminadas e nas embalagens com barreira como os alicerces de um crescimento e desenvolvimento mais sustentado. Novas regulamentações sanitárias no Brasil e no exterior, por outro lado, também deverão contribuir para produtos com embalagens mais herméticas e com maior shelf life, bem como a inflação nos preços mundiais dos alimentos, alavancada pela entrada da China no mercado internacional como um forte consumidor. Nesse panorama, polietilenos, poliamidas e BOPP devem ser as resinas mais favorecidas.

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Um Comentário

  1. Olá, Veronica .

    Você que está no mercado de PVDC, saberia me dizer se é possivel reciclar o PVDC ?? eu gostaria muito e creio que isso colaboraria e muito para empresas como a sua, que fabrica este produto.

    Muito obrigado,
    Att
    Agnaldo Alves de Souza – 11 9 9996 2007

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