Embalagens

Embalagem: Diálogo entre designers e transformadores permite inovar com mais eficiência

Jose Paulo Sant Anna
20 de dezembro de 2016
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    “Para nós, o mercado de embalagens é um grande desafio, encaramos cada projeto como um sistema. Ao analisarmos uma peça pensamos em como ela vai funcionar em toda a cadeia, não só na sua eficiência para embalar um produto, mas também como será armazenada, transportada, guardada em estoque e distribuída”, explica Gilberto Pelicia, gerente de desenvolvimento. A empresa, independente de ser ou não solicitada, também procura desenvolver soluções para apresentar ao mercado.

    Um case com o qual a Jaguar recebeu no ano passado o Prêmio Abre – prêmio anual oferecido pela associação e que em 2016 chegará a sua 16ª edição – é apontado por Pelicia como o mais complexo da história da Jaguar. Trata-se de um pote voltado para o iogurte grego salgado da Vigor, fabricado com uma colher dobrável embutida. Ele permitia ao consumidor saborear o produto em qualquer lugar, sem a necessidade de contar com colher avulsa. Em tempo: o iogurte grego salgado teve produção descontinuada.

    O pote era totalmente reciclável e de fácil descarte. Foi fabricado todo em polipropileno, em três partes: o corpo, decorado pelo processo in mold label; a colher dobrável; e a tampa, na qual era acoplada a colher, levava um selo de alumínio, usado para evitar contaminações. O conjunto foi projetado para ter o menor peso possível – a colher pesava apenas 1,3 grama. A montagem era toda feita por robôs, sem contato manual, e em salas limpas. O conjunto era entregue à indústria de laticínios, que se responsabilizava pelo envasamento.

    Plástico Moderno, Dedomenici mostra as tampas especiais que substituirão peças metálicas

    Dedomenici mostra as tampas especiais que substituirão peças metálicas

    Tampa com patente – A Plásticos Regina, de Mauá-SP, tem no segmento de embalagens seu carro-chefe. A empresa, especializada em injeção, atende clientes renomados, como a Nestlé, por exemplo, para quem participou em um projeto para viabilizar potes de 250 ml para substituir os de vidro, usados para papinhas para bebês. Esse foi outro case vencedor do prêmio Abre de 2015. Além dos potinhos, a multinacional de alimentos também mostrou na competição para o mesmo produto embalagens em bolsas plásticas dotadas com bicos e tampas. As embalagens com bolsas são as que devem permanecer no mercado.

    “Esta embalagem foi um desenvolvimento em conjunto com a Trading Marks, empresa que representa no Brasil a fabricante do pote, a espanhola EDV”, explica Bruno Dedomenici, diretor-industrial. A Plásticos Regina fazia as tampas, que exigem extrema precisão. O potinho é termoformado, feito a partir de um laminado multicamada de alta barreira. A papinha é submetida a tratamento em autoclave após o envase.

    Plástico Moderno, Tampas especiais que substituirão peças metálicas

    Tampas especiais que substituirão peças metálicas

    Atualmente, a empresa está trabalhando em dois projetos bastante inovadores. Um deles, cujos detalhes são mantidos em sigilo, prevê a substituição de uma embalagem hoje fabricada em duas peças por outra com apenas um componente. O outro, em fase de lançamento, é voltado para a indústria de alimentos. Trata-se de uma tampa para aplicação em embalagens de vidro, composta por um anel plástico e um disco metálico.

    Esta solução, protegida por patentes nacional e internacional, já havia sido lançada há alguns anos e recebido alguns prêmios de inovação, mas o projeto não foi levado adiante. “Nós fomos apresentados ao idealizador da embalagem através da Braskem e firmamos uma parceria para aperfeiçoar o produto, além de investir na sua fabricação”, explica Dedomenici. O trabalho vem sendo desenvolvido nos últimos quatro anos, período em que foram realizados inúmeros testes e redesenhos. Os resultados dos estudos chegaram agora ao ponto considerado ideal.

    “Essa tampa oferece várias vantagens em relação às de metal hoje muito utilizadas em potes de vidro”. O diretor garante melhor desempenho de vácuo final, seja o alimento tratado em autoclave ou em banho-maria. “Isso aumenta a vida útil do produto final”. Além disso, ocorre a eliminação da necessidade de envase em câmara de pré-vácuo ou com injeção de vapor, menor tempo necessário de cozimento e mínima necessidade de ajustes nas linhas de preenchimento. Testes realizados junto a consumidores comprovam a maior facilidade de abertura da tampa pelo usuário final.



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