Embalagem – Diálogo entre designers e transformadores permite inovar

Mais Eficiência

A adoção de embalagens que permitam a conservação da sobra para futuro consumo é importante.

“As embalagens podem ser importantes até mesmo para melhorar a composição do produto final”, ressalta o consultor. Nos dias atuais, por exemplo, há forte tendência para a redução do consumo de sal como forma de preservar a saúde. “Caso um filme com barreiras seja usado para conservar o produto por mais tempo, pode-se reduzir o teor de sódio na sua preparação”.

Plástico Moderno, Costabeber: designers precisam estar por dentro das inovações
Costabeber: designers precisam estar por dentro das inovações

Estar por dentro das novidades tecnológicas apresentadas pela indústria de embalagens é crucial, reforça Rodrigo Costabeber, proprietário da recém-lançada agência de branding e design Wom.

O profissional tem mais de quinze anos de experiência na área, com projetos premiados em festivais nacionais e internacionais criados para marcas de grandes empresas, como Unilever, Pepsico, Nestlé, Cargill Foods, Bauducco, L’Occitane e outras.

Não por acaso, apesar de ser formado em cursos que pouco tem a ver com engenharia, por força de ofício ele tem boa noção das propriedades das resinas plásticas mais utilizadas em embalagens e dos equipamentos de transformação.

“Somos mais preocupados com o lado estético, mas o diálogo com especialistas em transformação de plástico é essencial para desenvolver os projetos”, afirma.

Costabeber explica que o diálogo com os fabricante dos produtos a serem embalados nem sempre permite total liberdade aos designers. “Isso ocorre mais com empresas de pequeno e médio porte.

As de grande porte contam com departamentos completos de pesquisa e desenvolvimento, cuidamos mais da criação da parte impressa”.

Plástico Moderno, Embalagem fosca de macarrão integral ressalta rusticidade
Embalagem fosca de macarrão integral ressalta rusticidade

Para exemplificar, cita o case no qual está trabalhando. A fábrica de massas Saudutti, empresa de porte pequeno do interior do Paraná, vai lançar em setembro sua linha de massas integrais.

O desenvolvimento total das embalagens está sendo tocado pela sua agência. “As embalagens vão reforçar as propriedades saudáveis e naturais dos grãos integrais”.

Por isso, os tons verde e bege e um tratamento mais rústico serão adotados.

“Ao contrário de utilizar o aspecto brilhante das embalagens das massas convencionais, essas terão tom mais fosco”, informa.

Pote complicado – Os transformadores de plásticos têm no mundo de embalagens ótimas oportunidades de negócios.

Participar desse nicho de mercado, no entanto, exige muito preparo. O mais custoso é investir em instalações compatíveis com as exigências do mercado. O setor é para lá de competitivo e um equipamento com tecnologia de ponta, capaz de aumentar a produtividade, pode ser fundamental para vencer as concorrências. Quem atende as indústrias alimentícias, por exemplo, fica sujeito a normas muito rigorosas de atuação, precisa investir em salas limpas e tomar uma série de outros cuidados.

Mesmo levando em conta que na maioria das vezes as peças a serem fabricadas já venham com esboço muito bem definido pelos clientes, adaptá-las às linhas de produção pode se tornar mais fácil com alterações de detalhes não percebidos pelos profissionais de criação. Para isso, é necessário ter poder de convencimento junto aos fabricantes do produto.

Também é conveniente tomar iniciativa, estudar tendências, desenvolver patentes, oferecer aos desenhistas dos clientes soluções capazes de alcançar sucesso no mercado por seu ineditismo.

A Jaguar Plásticos, de Jaguariúna-SP, trabalha com injeção de plásticos. Ela conta com três divisões: utilidades domésticas, produtos industriais (baldes, tampas, potes, etc.) e produtos dedicados. Nesta última, estão envolvidas as embalagens. Com esse foco, a empresa atua junto tanto com fabricante dos produtos quanto com as agências. A empresa procura atuar como braço de apoio, de forma a tornar a linha de produção mais eficiente e lucrativa para todos os envolvidos no trabalho.

“Para nós, o mercado de embalagens é um grande desafio, encaramos cada projeto como um sistema. Ao analisarmos uma peça pensamos em como ela vai funcionar em toda a cadeia, não só na sua eficiência para embalar um produto, mas também como será armazenada, transportada, guardada em estoque e distribuída”, explica Gilberto Pelicia, gerente de desenvolvimento. A empresa, independente de ser ou não solicitada, também procura desenvolver soluções para apresentar ao mercado.

Um case com o qual a Jaguar recebeu no ano passado o Prêmio Abre – prêmio anual oferecido pela associação e que em 2016 chegará a sua 16ª edição – é apontado por Pelicia como o mais complexo da história da Jaguar. Trata-se de um pote voltado para o iogurte grego salgado da Vigor, fabricado com uma colher dobrável embutida. Ele permitia ao consumidor saborear o produto em qualquer lugar, sem a necessidade de contar com colher avulsa. Em tempo: o iogurte grego salgado teve produção descontinuada.

O pote era totalmente reciclável e de fácil descarte. Foi fabricado todo em polipropileno, em três partes: o corpo, decorado pelo processo in mold label; a colher dobrável; e a tampa, na qual era acoplada a colher, levava um selo de alumínio, usado para evitar contaminações. O conjunto foi projetado para ter o menor peso possível – a colher pesava apenas 1,3 grama. A montagem era toda feita por robôs, sem contato manual, e em salas limpas. O conjunto era entregue à indústria de laticínios, que se responsabilizava pelo envasamento.

 

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