Embalagem de alimentos : Evitando danos ambientais

Plásticos oferecem opções para reduzir perdas e evitar danos ambientais

Aliando desempenho a um custo favorável à expansão do acesso ao consumo, os plásticos adquiriram enorme relevância no rol das matérias-primas para embalagens de alimentos; até por essa dimensão – ou por seus impactos em nossa vida e no planeta –, isso exige o desenvolvimento de soluções mais afeitas à economia circular.

Embalagens mais recicláveis, uso otimizado de matérias-primas, aproveitamento de material reciclado – ainda muito restrito no contato com alimentos –, biomateriais: esses são alguns dos caminhos explorados pela cadeia de produção de embalagens plásticas para cumprir essa tarefa.

Mesmo no campo da sustentabilidade, há argumentos poderosos em prol do uso intensivo de resinas sintéticas: um deles, sua capacidade de minimizar o desperdício de alimentos.

Desperdício considerável, equivalente a um terço da produção global de alimentos, como avalia estudo recente da World Packaging Organisation (WPO), entidade global de produtores de embalagens.

E nocivo, não apenas por ainda haver muita fome no mundo, mas também pelos impactos ambientais, pois significa a emissão de 4,4 bilhões de toneladas de CO2, ou 8% das emissões globais desse gás causador do efeito estufa.

Essa perda, diz o estudo, pode ser reduzida em pelo menos 25% com o uso de embalagens mais eficientes.

Difícil pensar em acondicionar alimentos de maneira mais eficiente sem considerar os plásticos, que seguem ganhando espaço nesse mercado.

Plástico Moderno - Embalagem de alimentos - Evitando danos ambientais ©QD Foto: Divulgação/BASF
Assunta Camilo, diretora do Instituto de Embalagens

“Estive na Anuga, onde vi que o uso de embalagens plásticas continua crescendo no mercado de alimentos e bebidas: agora, também em categorias como atum, feijão pronto para o consumo, vegetais”, relata Assunta Camilo, diretora do Instituto de Embalagens, referindo-se ao principal evento global dessa indústria, cuja última edição foi realizada em outubro.

Expandem-se, relata Assunta, principalmente as embalagens flexíveis, em outros países já utilizadas em produtos que no Brasil ainda são embalados em plásticos rígidos, como óleo, água e sucos.

Essas embalagens, ela prevê, devem ser mais utilizadas também em produtos como conservas de milho e ervilhas, tradicionalmente comercializados em latas, mas já disponibilizados, inclusive no Brasil, também em stand-up pouches.

A diretora do Instituto de Embalagens vincula essa expansão ao atendimento da demanda por maior sustentabilidade.

Plástico Moderno - Embalagem de alimentos - Evitando danos ambientais ©QD Foto: Divulgação/BASF
Tecnologia Phormanto pode embalar cortes de aves

“Tecnicamente, está tudo resolvido em favor das embalagens plásticas, especialmente das flexíveis, até mais interessantes porque, além de protegerem bem os alimentos, têm vantagens em quesitos como peso, custo, logística”, pondera.

Formatos flexíveis – A quebra de paradigmas pode contribuir para o uso mais intenso de plásticos na indústria de alimentos: caso daquele que vê no vidro fator de diferenciação do produto no ponto de venda, aspecto que a fabricante de embalagens Amcor buscou superar ao desenvolver para a marca de molhos de tomate Sacciali um stand-up pouch com o formato de uma embalagem feita de vidro.

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Luiz Duarte, vice-presidente de marketing da área de flexíveis da Amcor na América Latina

“O plástico dá oportunidades de diferenciação”, observa Luiz Duarte, vice-presidente de marketing da área de flexíveis da Amcor na América Latina.

A Amcor fornece embalagens flexíveis para diversas categorias de alimentos: cafés, atomatados, maionese, sopas em pó, açúcar, arroz, potes para margarinas e sorvetes, entre outras.

“Em todas elas, podem ser usados mais plásticos: ainda há extratos de tomate em embalagens metálicas e molhos de tomate, hoje majoritariamente em plásticos, são vendidos também em embalagens cartonadas e de vidro”, aponta Duarte.

As embalagens flexíveis, ele argumenta, podem até ampliar o público de algumas categorias de alimentos, caso do atum, normalmente acondicionado em metal.

“É um alimento mais sensível, exige embalagem tipo retortable”, relata o profissional da Amcor.

Para Eduardo Yugue, diretor de P&D da Zaraplast, as embalagens flexíveis ganharão não apenas espaço por seu desempenho ou pelas vantagens logísticas, mas também pelo desenvolvimento de novos formatos e de acessórios que ampliam seu potencial mercadológico, como os sistemas para manter a embalagem fechada durante todo o tempo de uso – já utilizada em produtos como temperos – e os pouches dotados de tampas e de bicos para servir e ou/dosar, que já acondicionam requeijões, cremes e bebidas, entre outros.

Já tradicional em produtos como arroz, feijão, açúcar e farinha, o plástico, observa Yugue, consolida-se também em categorias como massas, biscoitos, chocolates, suco e leite em pó, salgadinhos, molhos, vegetais em conserva, papinhas.

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Eduardo Yugue, diretor de P&D da Zaraplast

“Embalagens flexíveis devem seguir se expandindo também nos alimentos em pó – a exemplo dos achocolatados, cafés e cereais –, nos processados, refrigerados, congelados, alimentos prontos para consumo, biscoitos especiais, entre outros produtos”, complementa o profissional da Zaraplast, que produz um vasto portfólio de embalagens, utilizadas em todas essas categorias.

Predominância do PE – Polietileno é a resina mais comum na indústria de alimentos, na qual pontifica em aplicações como embalagens flexíveis de arroz, feijão, milho e açúcar e potes para pós e iogurte, além de estar presente na enorme maioria das embalagens multicamadas.

Este ano, o portfólio de polietileno da Braskem foi ampliado com produtos como o Flexus 9213S (da família de PE base metaloceno Flexus) e o PE de alta densidade HD5000N.

O primeiro, especifica Yuri Tomina Carvalho, gerente de desenvolvimento de mercado de embalagens e bens de consumo da empresa, tem como principais aplicações as embalagens form fill seal (embalagem flexível pré-formada, apenas selada após o envase, já utilizada em produtos como temperos), stand-up pouches, filmes multicamada, pet food.

Por sua vez, o HD5000N “tem excelentes propriedades mecânicas e processabilidade, além de ampliar a performance das embalagens flexíveis que demandam alta rigidez, boas propriedades ópticas e especialmente melhor barreira contra o vapor d’água”, acrescenta Carvalho, listando entre as principais aplicações desse grade os filmes especiais que ficam em contato com alimentos e embalagens para cereais e outros produtos que requerem barreira específica contra o vapor.

Marcus Carvalho, gerente de marketing para alimentos e especialidades plásticas da Dow, vê tendência de uso de apenas de PE nas embalagens que hoje contêm também PET, metalizado ou não, em produtos como congelados, leite em pó e chocolate em pó. “Na Colômbia, o café Pergamino já usa apenas PE na embalagem”, destaca.

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Marca de café na Colômbia tem embalagem de PE monomaterial

O profissional da Dow visualiza possibilidade de ampliação do uso de PE também em embalagens termoformadas e encolhíveis de produtos como frangos, carnes, embutidos, que normalmente incluem poliamida para conferir maior resistência mecânica:

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Marcus Carvalho, gerente de marketing para alimentos e especialidades plásticas da Dow

“Pode-se substituir essa solução por uma estrutura de PE e EVOH, que, com o uso de nosso compatibilizante Retain, é tecnicamente reciclável na cadeia do PE”, diz.

A Dow, ele complementa, disponibiliza ainda a tecnologia Phormanto, que permite desenvolver embalagens termoformadas flexíveis ricas em PE, recicláveis e altamente transparentes.

Já presente em queijos, embutidos e snacks, essa tecnologia está sendo adaptada para a avicultura.

“No Brasil, a marca de frangos Alliz, do grupo Zanchetta, já utiliza essa solução em cortes de frangos”, ressalta Carvalho.

E tecnologias como BOPE (PE biorientado) e estiramento MDO, ele prevê, contribuirão para alavancar as estruturas monomateriais.

O MDO, explica o profissional da Dow, requer uma unidade adicional de estiramento na saída das máquinas de extrusão de filmes planos ou balão, e aumenta muito as características de transparência e rigidez do filme, permitindo o uso de PE em embalagens, de massas, por exemplo, hoje feitas de PP.

O BOPE exige máquinas específicas, de custo ainda elevado (em alguns casos, pode ser feito com ajustes em máquinas de BOPP). “Fora da América Latina, em especial na Ásia, já se usa BOPE em embalagens de alimentos”, ele ressalta.

Possibilidades para poliamidas – A tecnologia MDO pode beneficiar também as poliamidas, até por permitir, ressalta Carolina Villela, executiva de vendas da UBE, a substituição de filmes laminados por soluções co-extrudadas, mais sustentáveis, tanto por propiciarem filmes menos espessos, quanto pela eliminação dos adesivos de laminação.

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Carolina Villela, executiva de vendas da UBE

“Isso abre oportunidades para o uso mais intenso de poliamidas nas embalagens de pet food, nas quais elas podem substituir materiais como o BOPP”, ressalta Carolina.

Usuais em embalagens de produtos como carnes, queijos e embutidos, as poliamidas, como informou, começam a ser mais utilizadas também em embalagens que, suportando a esterilização, permitem a conservação de alimentos de forma mais próxima do natural.

“Esse tipo de embalagem já é utilizado em alimentos pré-cozidos para consumo humano, como feijão, mandioca, carne cozida no vapor, entre outras. Nessa aplicação a poliamida melhora a resistência à hidrólise, possibilitando a esterilização sob altas temperaturas”, afirma Carolina.

Nas embalagens de alimentos, poliamidas podem também substituir o PVDC, cujo uso é hoje questionado por donos de marcas pelos problemas na reciclagem (além de amarelar os filmes).

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Poliamidas da UBE atendem as linhas termoformáveis

“A terpoliamida pode substituir o PVDC nas embalagens de diversos produtos, carnes, por exemplo, com excelentes propriedades mecânicas e sem criar nenhum problema para a reciclagem”, destaca Carolina.

A UBE, revela, está concluindo os testes de uma poliamida biodegradável, que no próximo ano deve começar a ser utilizada em algumas aplicações.

“Ela oferece biodegradabilidade acelerada quando comparada às resinas convencionais, com taxa de biodegradação de 50% a 75% em 13 meses”, detalha.

A Basf já disponibiliza, para uso também no contato com alimentos, poliamidas com conteúdo originário de fontes renováveis, ou de reciclagem química: casos da Ultramid CCycled, que tem parte de sua matéria-prima oriunda dessa reciclagem, e Ultramid Flex, parcialmente proveniente de fontes renováveis.

Há ainda no portfólio da empresa polímeros biodegradáveis e compostáveis, como o ecovio, cuja composição tem PLA (poliácido láctico, oriundo de amido de milho), e PBAT (polibutileno tereftalato adipato, polímero de fonte fóssil, mas também biodegradável).

Produtor de ingredientes para segmentos como sorveterias e confeitarias, entre outros, o grupo de origem italiana Fabbri já utiliza embalagens flexíveis feitas com ecovio, relata Rafael Picconi, coordenador de negócios de poliamidas da Basf.

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Rafael Picconi, coordenador de negócios de poliamidas da Basf

“Frutas e vegetais também começam a usar essas embalagens compostáveis”, acrescenta.

Além de poliamidas e de resinas compostáveis, a Basf mantém em seu portfólio de produtos para embalagens de alimentos EPS e EPP (respectivamente, PS e PP expandidos), precursores, plastificantes, resinas para tintas de impressão, entre outros itens.

Sua linha de poliamidas Ultramid, ressalta Murilo Tambolim, representante de serviços técnicos de poliamidas e precursores da empresa, é utilizada em embalagens flexíveis de produtos como frios, carnes a vácuo, peixes, entre outros.

Entre os atuais destaques dessa linha, Tambolim inclui as copoliamidas Ultramid C37 LC e Ultramid Flex F38L.

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Murilo Tambolim, representante de serviços técnicos de poliamidas e precursores da Basf

“O grade Ultramid C37 LC é um copolímero diferenciado, com o mais baixo ponto de fusão entre as poliamidas tradicionais do tipo 6/6.6; no Ultramid Flex F38, cerca de 1/3 da composição deriva de fonte renovável”, detalha.

“Devido à sua alta resistência mecânica e à barreira contra oxigênio e aromas, suas aplicações são os filmes para embalagens de alimentos frescos – como carnes e peixes – e processados, como queijos e alimentos pré-cozidos”, acrescenta.

PET em alta – O PET, destaca Assunta, do Instituto de Embalagens, assumiu posição de destaque em aplicações que “surgem como alternativa de ruptura da mesmice de algumas gôndolas”. Para endossar essa afirmação, ela cita a marca Villa Cerroni, que adotou a embalagem rígida de PET para sua linha de sal grosso, temperos e grãos.

“A Ruzene (marca de arrozes especiais) também adotou o PET, e a BrasilFrutt escolheu o PET para embalar a sua linha de amêndoas e frutas desidratadas”, relata Assunta.

“Na Rússia, a Danone já oferece o iogurte Activia em potes de PET transparentes. O consumidor gosta de ver o que está comprando e a transparência das embalagens é cada vez mais valorizada”, observa.

A marca argentina Letti, presente no Brasil, também começou a acondicionar produtos lácteos em embalagens de PET transparente, nas quais um bloqueador de radiação UV permite eliminar a barreira de vedação laminada das embalagens anteriores de PE, brancas e opacas.

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Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet)

“É uma combinação fantástica para manter as grandes vantagens do PET – transparência, brilho e resistência – e ao mesmo tempo proteger o conteúdo”, celebra Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet).

Já predominante em produtos como óleo, água e refrigerantes, o PET, crê Marçon, deve ser mais utilizado não apenas em produtos líquidos, que se beneficiarão com a nova modalidade da transparência com proteção UV, mas também em outras aplicações, por exemplo, nas embalagens para delivery, ou de produtos pastosos, como maionese, mostarda e ketchup, às quais o PET agrega diferenciais como transparência, segurança física (não quebra, não corta e não amassa) e resistência química, superiores à maioria dos outros plásticos.

“Isso permite envasar uma ampla gama de produtos, desde os mais ácidos até aqueles que exigem longo shelf life e barreiras especiais”, salienta Marçon.

Alternativas de sustentabilidade – Marcas muito preocupadas em divulgar ao consumidor que suas embalagens são sustentáveis, com informações do tipo ‘Sou feita com material reciclado’, ou ‘Posso ser reciclada’, também se fizeram presentes na mais recente edição da Anuga.

“Nunca vi tanta preocupação com essa informação”, relata Assunta, do Instituto de Embalagem. Essa educação do consumidor, ela ressalta, é uma das ferramentas que, assim como o investimento em tecnologias de reciclagem e as soluções monomateriais – e a economia circular de maneira geral –, podem conferir mais sustentabilidade às embalagens plásticas.

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Amcor criou stand-up pouch com design de pote de vidro

Também Yugue, da Zarpalast, vê nas soluções monomateriais ou feitas com materiais mais compatíveis entre si, um dos caminhos de desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis.

Como exemplo interessante dessas soluções, ele cita uma embalagem desenvolvida por sua empresa para o cereal Mucilon, da Nestlé, feita apenas com BOPP, em vez da usual combinação de PET, BOPP metalizado e PE, sem perda de desempenho técnico nem de apelo visual.

Podem ser interessantes também, ele prossegue, os biopolímeros, e os polímeros biodegradáveis ou compostáveis, cujo uso, com o aumento da demanda, torna-se cada dia mais viável.

“E têm sido introduzidas no mercado soluções que promovem a aceleração da biodegradação dos plásticos, sem que isto gere micro-plásticos”, acrescenta Yugue.

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Opções criativas para embalagem de bebidas vistas na Alemanha

O PET, observa Maçon, tem vantagens no quesito da sustentabilidade por ser a única resina autorizada pela Anvisa para a utilizações que terão contato com alimentos após a reciclagem (o FDA – Food and Drug Admnistration, já concedeu algumas autorizações para o uso de outras resinas recicladas nessas aplicações, ver box adiante).

“E o bottle to bottle grau alimentício (PET reciclado para uso no contato com alimentos), é um dos usos que mais cresce entre todas as aplicações do PET”, enfatiza Marçon.

Otimizar o uso de matérias-primas também torna mais sustentáveis as embalagens.

A Dow, lembra Carvalho, em parceria com a fabricante de embalagens Videplast, desenvolveu um filme que permitiu à marca Solito envasar até 30% mais arroz com a mesma quantidade de resina.

Agora, dedica-se a reformular a embalagens de pet food da marca Purina, da Nestlé. “Esse segmento caminha para as embalagens monomateriais em PE”, observa Duarte.

Mas embalagens multicamadas feitas com PE e poliamidas hoje utilizadas em produtos como embutidos ou queijos porcionados são perfeitamente recicláveis na cadeia das poliolefinas, enfatiza Carolina.

“Fizemos recentemente testes com filmes com cinco camadas, com 15% de poliamidas; eles comprovaram que esse material pode ser normalmente reciclado como PE”, afirma.

Para Carvalho, da Braskem, “embalagens plásticas de fonte renovável, com estruturas monomateriais e modelos otimizados, tendem a passar por intenso processo de expansão nos próximos anos”.

No segmento dos biopolímeros, ele lembra, a Braskem já oferece produtos como PE e EVA oriundos de cana-de-açúcar.

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Opções criativas para embalagem de bebidas vistas na Alemanha

“O polietileno I’m Green mantém a mesma qualidade e versatilidade do polietileno de origem fóssil.

A linha possui versões de alta densidade, baixa densidade e baixa densidade linear, cobrindo aplicações de embalagens rígidas, flexíveis, tampas, sacolas, entre outras”, ressalta Carvalho.

E, como exemplo do empenho da Braskem para atender a demanda por soluções monomateriais, ele cita um stand up pouch 100% de PE, desenvolvido em parceria com a Antilhas Flexíveis para o Arroz Ritto, disponível no varejo desde junho último.

O profissional da Braskem situa os principais desafios hoje colocados para o maior uso de plásticos nas embalagens no final do ciclo da vida útil das aplicações e no uso de polímeros incompatíveis entre si, ou seja, de difícil reciclagem.

“Outro aspecto está na baixa densidade aparente das embalagens, com baixo incentivo econômico”, complementa Carvalho, que fala em “desempenho em volume inferior” no mercado de embalagens para alimentos no decorrer de 2021 e em “expectativa de retomada em 2022”, com maior controle da pandemia e melhora da economia.

Duarte, da Amcor, lembra que a pandemia, se não atingiu a indústria brasileira da mesma forma como impactou outros setores, nela provocou rearranjos, mesmo porque as pessoas passaram a comer mais em casa.

Isso também abriu oportunidades, com marcas lançando versões premium de seus produtos para quem passou a preparar a própria comida.

“Elas não exigem soluções técnicas diferentes, mas podem ter, por exemplo, formatos diferenciados de impressão, como uma sensação tátil similar à do papel”, ressalta.

A Amcor, como signatária da Fundação Ellen MacArthur, compromete-se a trabalhar para que suas embalagens sejam recicláveis ou reutilizáveis até 2025.

“No Chile, desenvolvemos uma embalagem para sopa em pó feita apenas de PE, sem necessidade de metalização”, destaca Duarte.

Mercosul – Serão brevemente internalizadas pela Anvisa três resoluções referentes à conformidade de embalagens para alimentos, recentemente adotadas no âmbito do Mercosul.

Duas delas – Mercosul/GMC/Res. Nº 19/21 e Nº 21/21 –, alteram as ‘listas positivas’, que elencam as substâncias previamente aprovadas para esse gênero de aplicações, no Brasil hoje expressas nas Resoluções RDC 56/2012 e RDC 88/2016, da Anvisa.

Mas a principal mudança vem na Resolução Mercosul/GMC/Res. Nº 20/21, que altera o limite de migração total de embalagens e equipamentos plásticos, que passará para 10 mg/dm2, ou 60 mg/kg de simulante.

Um simulante, explica Aline Lemos, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é um solvente, óleo, azeite ou solução que simula grupos de alimentos, empregado nos testes de migração obrigatórios para embalagens e artigos destinados ao contato com alimentos (com exceção dos alimentos secos, sem gordura).

Plástico Moderno - Embalagem de alimentos - Evitando danos ambientais ©QD Foto: Divulgação/BASF
Aline Lemos, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

“O atual limite de Anvisa/Mercosul é 8 mg/dm2, ou 50 mg/kg de simulante”, destaca Aline

Aline ainda vê, porém, na Anvisa e no Mercosul, muitos regulamentos já obsoletos, como aqueles referentes a adesivos, borrachas, ceras e parafinas.

Os adesivos, ela lembra, são comuns em embalagens laminadas, enquanto borrachas e elastômeros aparecem em gaxetas e anéis de vedação usadas na indústria de alimentos, ou em adesivos tipo cold seal; as ceras e parafinas podem ser usadas em diversas formulações de embalagens para contato com alimentos.

Os regulamentos referentes a esses ingredientes são de 2001, e desde então, pondera Aline, surgiram novos aditivos e novas substâncias que precisam ser incorporadas às listas positivas.

“Além disso, essas resoluções geralmente são baseadas em legislações internacionais que já foram atualizadas, e a nossa continuou defasada”, complementa a pesquisadora.

Ela também vê na sustentabilidade o principal desafio hoje colocado para as embalagens plásticas flexíveis. Que, para superá-lo, precisam ser trabalhadas em diversas frentes: uma delas, o uso de mais polímeros reciclados, além do PET, única resina que após a reciclagem a Anvisa permite seja reutilizada em novas embalagens de alimentos.

Nos Estados Unidos, o FDA já concede autorizações paro o uso de outras resinas recicladas – como PE e PP – para contato com alimentos, porém em volumes ainda muito pequenos, para empresas e processos muito específicos, estabelecidos em cadeia fechada: por exemplo, de embalagens de leite que após a reciclagem serão transformadas na mesma aplicação.

“Não teremos uma única solução para todos os produtos. O importante é pensar de forma sistêmica para avaliar criticamente as possibilidades para fornecer um produto alimentício seguro com o menor impacto ambiental possível”, enfatiza Aline.

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